Ano 1 | nº 85 | 04 de março de 2026
NOTÍCIAS
Leite spot: valores da primeira quinzena de março
O mercado de leite spot iniciou março mantendo o movimento de recuperação observado nas últimas semanas.
O mercado de leite spot iniciou março mantendo o movimento de recuperação observado nas últimas semanas. Na primeira quinzena, todos os estados pesquisados registraram alta, com destaque para o Paraná, onde a valorização foi de R$ 0,433 por litro. Na média Brasil, o avanço foi de R$ 0,344 por litro, elevando o indicador para R$ 2,795/litro. De acordo com os informantes, o volume disponível para negociação tem diminuído, cenário típico de entressafra — especialmente na região Sul. Ao mesmo tempo, a demanda mais firme e os reajustes nos preços dos derivados vêm dando sustentação ao mercado, permitindo a consolidação desse novo patamar de preços no setor.
MILKPOINT
Câmara aprova proposta que reserva uso das palavras ‘carne’ e ‘leite’ a produtos animais e pode gerar reflexos tributários
A Câmara dos Deputados aprovou no início da madrugada da terça-feira um projeto de lei que restringe o uso das palavras “carne”, “leite” e “mel” exclusivamente a produtos de origem animal. A proposta determina que alimentos de origem vegetal não poderão utilizar denominações tradicionalmente associadas à proteína animal, como “carne de soja” ou “leite de castanha”, e estabelece novas regras de rotulagem e comercialização. A proposta será analisada pelo Senado Federal.
Pelo texto, “carne” passa a ser definida como os tecidos comestíveis de animais de açougue abatidos sob inspeção veterinária. Já “leite” fica restrito ao produto da secreção mamária de fêmeas mamíferas. A proposta também veda que produtos de origem vegetal utilizem denominação associada a alimentos de origem animal. Na prática, itens hoje comercializados como “carne de soja”, “hambúrguer vegetal”, “leite vegetal” ou “iogurte vegano” terão de alterar embalagens, rótulos e estratégias de comunicação. Restaurantes e estabelecimentos também deverão informar de forma clara quando utilizarem produtos similares no preparo de alimentos. O texto estabelece prazo de 180 dias para adaptação após a sanção. De um lado, parlamentares ligados ao agronegócio defenderam a proposta sob o argumento de que a medida garante clareza ao consumidor e evita confusão entre produtos de origem animal e vegetal. — O leite é um produto de origem animal, assim como a carne, e às vezes transparece que existem de origem vegetal. Nós precisamos esclarecer isso ao consumidor. Leite de soja não é leite. Parece que é o que não é — afirmou Pompeo de Mattos (PDT-RS). Na avaliação de deputados favoráveis ao texto, a restrição ao uso das denominações tradicionais protege cadeias produtivas do campo e evita o que classificam como concorrência desleal. Em contrapartida, parlamentares da oposição criticaram a medida e afirmaram que o projeto representa um retrocesso no debate sobre alternativas alimentares e inovação no setor. — Esse projeto é no mínimo desnecessário e não soma ao avanço da alimentação saudável, de proteínas alternativas, para o consumo humano — disse Chico Alencar (PSOL-RJ). Embora o projeto não altere diretamente alíquotas de impostos nem crie tributos, técnicos apontam que a redefinição legal do que pode ser considerado “carne” ou “leite” pode influenciar o enquadramento tributário desses produtos. No sistema brasileiro, a carga de tributos sobre alimentos varia conforme a classificação fiscal e a natureza jurídica do produto. Carnes in natura, por exemplo, podem ter tratamento tributário diferenciado em determinados regimes e compor lista de itens com tributação reduzida. Já alimentos vegetais processados seguem outra lógica de enquadramento. Ao estabelecer que apenas produtos de origem animal podem ser denominados “carne”, a nova lei tende a consolidar a separação entre proteína animal e vegetal também na esfera fiscal. Isso pode reforçar o enquadramento de itens como a chamada “carne de soja” exclusivamente como produto vegetal industrializado, afastando eventual equiparação a regimes aplicáveis à cadeia da proteína animal. O efeito não é automático e dependerá da regulamentação posterior e da interpretação da Receita Federal. Ainda assim, a definição legal pode influenciar disputas de classificação fiscal e o acesso a benefícios previstos na reforma tributária, especialmente no debate sobre itens da cesta básica com alíquotas reduzidas. O projeto também prevê que o descumprimento das regras poderá sujeitar fabricantes e estabelecimentos às penalidades do Código de Defesa do Consumidor e à perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais concedidos pela União. Nesse ponto, há impacto tributário direto: empresas que mantiverem rotulagem considerada irregular podem perder regimes favorecidos ou incentivos federais.
O GLOBO
NACIONAL
Sindilat defende mobilização do setor para garantir aprovação do PL do leite
O setor leiteiro brasileiro precisa estar unido e mobilizado para fazer avançar no Senado e garantir a sanção presidencial do Projeto de Lei 10.556/2018, que regulamenta a utilização da palavra “leite” nas embalagens e rótulos de alimentos. Esta foi a posição defendida pelo presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella, na primeira reunião do ano da Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB).
“Precisamos falar com uma só voz quando tratamos de questões estruturantes. Devemos permanecer alinhados na defesa do setor e da valorização do leite, do produtor à indústria, até o consumidor final”, assinalou. A matéria foi aprovada pelo Plenário da Câmara dos Deputados na madrugada desta terça-feira (03/03). “É uma excelente notícia a aprovação do projeto de autoria da ex-ministra de Agricultura, Tereza Cristina. Trata-se de uma pauta histórica”, acrescentou Ronei Volpi, coordenador geral da ALSB. Aprovado na forma de substitutivo, o projeto estabelece que, para o leite, apenas produtos de origem animal podem usar denominações como queijo, manteiga, leite condensado, requeijão, creme de leite, bebida láctea, doce de leite, iogurte, coalhada, entre outras. Produtos vegetais ainda deverão adotar embalagens com cores e imagens distintas, reforçando a diferenciação. “Este regramento fortalece a proteção do leite e assegura maior transparência ao consumidor. Foi necessária a mobilização do setor para defender a proibição do uso da palavra “leite” para itens não lácteos. Agora, o esforço se concentra na aprovação no Senado e na sanção presidencial”, reforçou Portella. Outra missão para o setor levada ao encontro que reúne representantes das Secretarias de Estado e Federações da Agricultura, além dos Sindicatos das Indústrias de Laticínios dos estados produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul é a defesa do Programa Mais Leite Saudável como política pública estratégica. Conforme Portella, trata-se de uma das principais iniciativas para elevar a produtividade e qualidade do leite. “É preciso transformá-lo em prioridade mediante uma forte articulação setorial para defender sua continuidade”, afirmou. Conforme o presidente do Sindilat/RS, o programa é também um dos pilares que pode sustentar a abertura das portas para o leite brasileiro no mercado internacional. Isso porque, para conseguir espaço como produto de exportação, precisa ter garantia de competitividade através do preço. “Para exportar é indispensável ter preço se quisermos competir com Argentina, Uruguai, Nova Zelândia ou outros players globais”, enfatizou Portella.
Sindilat
EMPRESAS
Grupo Piracanjuba assume o controle da Básel Lácteos
Cade aprova aquisição, que havia sido anunciada no final de janeiro; valores da transação não foram revelados pelas empresas. O Grupo Piracanjuba passa a contar com dez plantas industriais no Brasil
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição da Básel Lácteos pelo Grupo Piracanjuba. A transação havia sido anunciada no final de janeiro deste ano. Os valores da transação não foram revelados pela empresa. A operação foi assumida oficialmente nesta segunda-feira (2/3), explica o diretor comercial do Grupo Piracanjuba, Gustavo Afonso de Almeida. “As negociações duraram alguns meses e, assim que as diretorias chegaram a um consenso, foi enviado e foi relativamente rápido”, afirma Almeida, ressaltando que não houve ressalvas do órgão antitruste. O protocolo a ser seguido nos próximos três meses inclui a integração dos novos colaboradores e produtos. “De momento, não altera nada. A gente primeiro precisa agora acolher as pessoas, acolher os novos produtos, entender os novos processos, para daí começar a pensar nos próximos passos”, acrescenta o executivo. Reconhecida pela produção de variedades como emmental, gruyère, maasdam e gouda, a Básel fortalece a presença da companhia em categorias premium. A fábrica da Básel está localizada em Antônio Carlos (MG), na Serra da Mantiqueira. O Grupo Piracanjuba passa a contar com dez plantas industriais no Brasil.
GLOBO RURAL
MEIO AMBIENTE
Leite brasileiro emite menos da metade do carbono que a média mundial, revela estudo inédito da Cargill, USP e Embrapa
Benchmarking da Pegada de Carbono usa dados de 162 milhões de litros de leite e mostra que alta produtividade reduz emissões em até 43% por litro produzido
Um estudo inédito da Cargill Nutrição e Saúde Animal, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Embrapa Gado de Leite, indica que a produção leiteira brasileira apresenta emissão de carbono inferior à registrada no cenário internacional. Intitulado ‘Benchmarking da Pegada de Carbono’, o estudo aponta que a produção nacional de leite no Brasil emite, em média, 1,19 kg de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) para cada quilo de leite produzido. O cálculo considera o leite corrigido para os teores de gordura e proteína, método adotado internacionalmente para permitir a comparação entre diferentes sistemas de produção. Como referência, a média global é estimada em 2,5 kg de CO₂eq por quilo de leite. A iniciativa considerou a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), metodologia que considera os impactos ambientais do sistema produtivo do berço ao portão da fazenda, e analisou três sistemas produtivos distintos, distribuídos em quatro biomas brasileiros. O estudo está entre os mais abrangentes já realizados no setor lácteo brasileiro. Foram analisados 24.349 animais em 28 fazendas localizadas em sete estados, com produção anual de 162.102.481 litros de leite. A amplitude da base de dados permitiu avaliar diferentes sistemas produtivos e estabelecer parâmetros técnicos comparáveis entre propriedades e regiões. Os resultados do benchmarking mostram que o desempenho brasileiro se aproxima ao de países com sistemas leiteiros consolidados. A pegada média registrada no País é semelhante à da Alemanha, de 1,2 kg de CO₂eq, e próxima à dos Estados Unidos, estimada em 1,0 kg de CO₂eq. A pesquisa reforça a relação direta entre eficiência produtiva e redução das emissões. Na comparação entre os sistemas avaliados, o aumento da produtividade permitiu redução de até 43% nas emissões por litro de leite produzido. Fazendas com produção diária superior a 25 litros por vaca apresentaram pegada média de 0,90 kg de CO₂eq por quilo de leite. Já propriedades com produtividade inferior a esse patamar registraram índice de 1,58 kg de CO₂eq. “Os dados mostram que decisões técnicas relacionadas ao manejo do rebanho, como ajustes de dieta e tecnologias com foco em eficiência produtiva, impactam diretamente os indicadores ambientais da atividade”, afirma Marcelo Dalmagro, diretor de Marketing Estratégico e Tecnologia da Cargill Nutrição e Saúde Animal. “Além de vital para a sustentabilidade econômica das propriedades leiteiras, a produtividade passa a ser também um parâmetro associado à redução de emissões dentro da porteira”, completa. O metano entérico foi identificado como a principal fonte de emissão, com participação de 47,0%, seguido pela produção de alimentos fora da propriedade, com 36,8%, e pelo manejo de dejetos, responsável por 8,1%. O levantamento também analisou a produção por biomas, evidenciando o desempenho da atividade leiteira em diferentes condições climáticas e sistemas de manejo. O Pampa apresentou a menor pegada média, com 0,99 kg de CO₂eq; seguido pelo Cerrado, com 1,12 kg; Mata Atlântica, com 1,19 kg; e Caatinga, com 1,50 kg de CO₂eq por quilo de leite. Realizado entre 2022 e 2024, o projeto seguiu as normas internacionais ISO 14040, 14044 e 14067, o que garante padronização metodológica e comparabilidade dos dados entre sistemas produtivos e regiões.
Cargill
INTERNACIONAL
GDT 399: registra nova alta e consolida cenário de oferta mais ajustada
O 399º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) registrou nova valorização nos preços internacionais dos lácteos, marcando a quinta alta consecutiva do price index, que avançou 5,7% e atingiu a média de USD 4.301/tonelada. O resultado consolida o movimento de recuperação iniciado no começo do ano e indica um mercado internacional operando em patamares mais firmes.
Entre os produtos negociados, os destaques ficaram para o leite em pó desnatado (LPD), com alta de 9,1% (USD 3.243/tonelada), e para a muçarela, que avançou 7,9%, alcançando USD 4.189/tonelada. O leite em pó integral (LPI), principal produto comercializado, também manteve trajetória positiva, com valorização de 4,5%, sendo negociado a USD 3.863/tonelada. No segmento de gorduras, a manteiga subiu 6,1% (USD 6.728/tonelada) e a gordura anidra do leite avançou 5,7%, cotada a USD 7.147/tonelada, reforçando o bom momento desse complexo no comércio internacional. O cheddar apresentou alta de 4,3%, enquanto a lactose (-3,9%) e o leitelho em pó (-0,2%) registraram leves recuos. O movimento generalizado de altas confirma um ambiente de maior sustentação de preços, agora com maior participação também dos derivados industriais.
| Produto | Preço (tonelada) | Variação |
| Leite em pó integral | US$ 3.863 | +4,5% |
| Leite em pó desnatado | US$ 3.243 | +9,1% |
| Cheddar | US$ 4.920 | +4,3% |
| Manteiga | US$ 6.728 | +6,1% |
| Mozzarela | US$ 4.189 | +7,9% |
| Índice GDT | US$ 4.301 | +5,7% |
O volume total negociado no leilão somou 18.861 toneladas, representando queda de 15,2% frente ao evento anterior. Além disso, houve manutenção no número de participantes, indicando que a retração esteve concentrada na oferta, e não na demanda. Esta é a 15ª sessão consecutiva em que o evento apresenta redução no volume ofertado, reforçando o movimento contínuo de ajuste na disponibilidade. Embora essa diminuição seja típica para o período, a combinação entre menor volume ofertado e demanda relativamente estável tem contribuído para sustentar o avanço dos preços. Na comparação com o leilão equivalente de 2025, o volume negociado foi 10,1% inferior, evidenciando um cenário de menor excedente global de leite. Esse contexto ajuda a explicar tanto a sequência de altas recentes no GDT quanto o comportamento firme dos contratos futuros, que já precificam um ambiente de oferta mais ajustada ao longo de 2026. A evolução dos contratos futuros reforça essa leitura. As cotações para vencimentos entre março e junho de 2026 seguem em trajetória ascendente, com ganhos sucessivos nas últimas sessões. O avanço das curvas futuras indica que o mercado precifica continuidade do cenário de oferta mais ajustada e crescimento moderado da produção global ao longo de 2026. Mesmo diante de ajustes pontuais entre as sessões, o viés permanece positivo.
Relatórios internacionais indicam que o mercado global de lácteos segue ajustado pelo lado da oferta. A Oceania avança para o período pós-pico de safra, reduzindo gradualmente a disponibilidade exportável da Nova Zelândia, o que contribui para um ambiente de menor excedente global. Paralelamente, as tensões geopolíticas no Oriente Médio elevam as incertezas sobre custos de transporte e cadeias de suprimento, adicionando um componente adicional de risco ao mercado internacional. Do lado da demanda, os sinais permanecem positivos. Dados recentes mostram que o consumo internacional continua resiliente, como por exemplo, os dados mais recentes dos Estados Unidos, cujas exportações de lácteos seguem próximas de níveis recordes. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar a quinta alta consecutiva do índice do Global Dairy Trade (GDT), sinalizando que o mercado opera sob fundamentos mais consistentes do que os observados no segundo semestre do ano passado. Para o Mercosul, a continuidade das altas internacionais tende a manter suporte aos preços regionais, especialmente para leites em pó e muçarela. No caso do Brasil, o cenário externo mais firme já reduz parte do diferencial competitivo das importações.
MILKPOINT
ECONOMIA
Dólar tem maior alta desde dezembro com escalada do conflito entre EUA e Irã
Após se aproximar dos R$5,35 no início da tarde, o dólar perdeu força no Brasil e fechou a terça-feira em patamar mais baixo, mas ainda assim com forte alta ante o real, na esteira do acirramento do conflito entre EUA e Irã.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 1,91%, aos R$5,2639. Foi o maior avanço percentual em um único dia desde os 2,34% de 5 de dezembro do ano passado — dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi lançado como candidato à Presidência. Em 2026, o dólar à vista acumula agora queda de 4,10%. Às 17h21, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,67% na B3, aos R$5,3035. Na segunda-feira uma autoridade de alto escalão da Guarda Revolucionária Iraniana disse que o país pretende disparar contra qualquer navio que tentar passar pelo Estreito de Ormuz — onde circulam diariamente cerca de 20% do petróleo mundial. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que é “tarde demais” para negociar com o Irã, reforçando a perspectiva de continuidade do conflito iniciado no sábado, que envolve Israel do lado norte-americano. A reação nos mercados globais foi de alta forte do petróleo e fuga dos investidores de ativos mais arriscados, como ações, moedas e títulos de países emergentes, em meio aos receios de que o conflito possa reduzir o crescimento e acelerar a inflação. No Brasil, o dólar à vista marcou a cotação máxima de R$5,3444 (+3,47%) às 12h20, em um momento em que a bolsa brasileira estava nas mínimas do dia. Profissionais consultados pela Reuters afirmaram que a disparada de ordens de stop loss (parada de perdas) no mercado de câmbio intensificou em vários momentos do dia o avanço do dólar, com investidores vendidos em dólar (esperando a queda das cotações) fechando posições. O avanço do dólar ante o real esteve em sintonia com a disparada da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano. “O investidor precisa cobrir posição lá fora, (então) ‘vende emergente’. É o movimento clássico de aversão ao risco”, comentou durante a tarde Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. “O mercado está revertendo toda aquela inclinação a risco que trouxe o dólar para R$5,13. Mas espero que seja transitório”, acrescentou. Profissionais ouvidos pela Reuters ponderaram que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio ainda são bastante incertos, o que dificulta quaisquer projeções sobre o dólar e as taxas de juros no curto prazo. No mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros), as taxas dispararam nesta terça-feira, na esteira da busca dos investidores por ativos de menor risco. “Com o petróleo em alta, crescem as preocupações com inflação global. Isso faz os investidores reverem expectativas de cortes de juros e adotarem uma postura mais defensiva”, disse Jucelia Lisboa, sócia e economista da Siegen Consultoria, em comentário por escrito. “Em momentos como esse, normalmente, o mercado reduz a exposição a ativos de risco, como ações e moedas de países emergentes, e busca proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar.” Durante a tarde, em meio à forte pressão de alta para a moeda norte-americana, o Banco Central do Brasil anunciou e cancelou logo na sequência dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), alegando um erro técnico.
Reuters
Ibovespa tem maior queda do ano com guerra no Oriente Médio
O Ibovespa fechou em queda de mais de 3% na terça-feira, com a aversão a risco desencadeada pela escalada do conflito no Oriente Médio ditando uma forte correção negativa nas ações brasileiras, que vinham de um rali sustentado por estrangeiros.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 3,46%, a 182.763,31 pontos, menor patamar de fechamento desde 5 de fevereiro e maior queda percentual desde 5 de dezembro de 2025, segundo dados preliminares. Na mínima do dia, marcou 180.518,33 pontos. Na máxima, 189.602,38 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$42,9 bilhões antes dos ajustes finais.
Reuters
Brasil abre 112 mil vagas com carteira assinada em janeiro Foram registradas 2.208.030 admissões contra 2.095.696 desligamentos no período
O mercado de trabalho brasileiro registrou abertura líquida de 112.334 vagas com carteira assinada em janeiro. Os dados fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, hoje em São Paulo. O resultado em janeiro ficou acima da mediana de instituições consultadas pelo Valor Data, que estimavam abertura líquida de 92 mil vagas. As projeções iam de 18 mil a 157 mil vagas. Foram registradas 2.208.030 admissões contra 2.095.696 desligamentos no primeiro mês de 2026. No mês, foram registrados saldos positivos em 18 das 27 unidades federativas, com destaque para Santa Catarina (19 mil vagas), Mato Grosso (18.731) e Rio Grande do Sul (18.421). O resultado líquido de janeiro foi pior do que o de igual mês de 2025, quando houve abertura de 154.396 vagas. Entre os cinco setores da economia, quatro tiveram abertura líquida de postos formais de trabalho em janeiro: agropecuária (23.073), indústria (54.991), serviços (40.525) e construção (50.545). Comércio, contudo, fechou 56.800 vagas. Para 2026, a mediana de 15 projeções captadas pelo Valor Data indica que o ano terá a geração de 900 mil novas vagas de empregos formais. O salário médio de admissão de novos empregados com carteira assinada ficou em R$ 2.389,78 em janeiro. O valor representa uma alta de R$ 77,02 em relação a dezembro de 2025 (R$ 2.303,78), um aumento de 3,3%
VALOR ECONÔMICO
Agro cresceu 11,7% e liderou avanço de 2,3% do PIB brasileiro em 2025, diz IBGE
Foi o maior avanço percentual entre os setores e componentes considerados na pesquisa. Desempenho foi puxado principalmente pela produção de grãos
O Valor Adicionado da Agropecuária ao Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 11,7% em 2025, para R$ 775,3 bilhões, segundo boletim divulgado na terça-feira (03/03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o maior avanço percentual entre os setores e componentes considerados na pesquisa. Todos os demais apresentaram crescimento abaixo de 3% no ano. Segundo o IBGE, a variação do Valor Adicionado da Agropecuária no ano decorreu, principalmente, do crescimento da produção e da produtividade na agricultura. O instituto destacou o crescimento de 23,6% da produção de milho em 2025, de 14,6% da produção de soja, “recordes” na série histórica, conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE). O IBGE também chamou atenção para a contribuição positiva da pecuária no ano passado. No quarto trimestre, o PIB da Agropecuária cresceu 12,1% na comparação com o mesmo intervalo de 2024 e 0,5% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O avanço em relação ao último trimestre de 2024, segundo o IBGE, foi decorrente da contribuição positiva da pecuária e ao bom desempenho de alguns produtos com safra relevante no trimestre, em especial fumo (29,8%), laranja (28,4%) e trigo (3,7%). O PIB do Brasil em 2025 totalizou R$ 12,7 trilhões, dos quais R$ 11 trilhões do valor adicionado a preços básicos e R$ 1,8 trilhão de impostos sobre produtos líquidos de subsídios, segundo o IBGE. Considerando o valor adicionado das atividades no ano, além dos R$ 775,3 bilhões da agropecuária, o IBGE reportou R$ 2,6 trilhões da indústria e R$ 7,6 trilhões do setor de serviços. Entre os componentes da despesa, o consumo das famílias totalizou R$ 8,1 trilhões, o consumo do governo, R$ 2,4 trilhões, e a formação bruta de capital fixo, R$ 2,1 trilhões. A balança de bens e serviços ficou superavitária em R$ 44,6 bilhões e a variação de estoque foi de R$ 30,2 bilhões.
VALOR ECONÔMICO
CNA projeta queda de 4,6% para o valor bruto de produção do setor em 2026
Cenário contrasta com o desempenho obtido pelo setor em 2025, quando avançou 11,7%. Preços menores projetados para este ano repercutiram na previsão da entidade
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), índice que representa o faturamento bruto dentro da porteira, vai cair 4,6% em 2026, para R$ 1,4 trilhão, na comparação com os dados consolidados de 2025. O cálculo leva em consideração a média dos preços reais (IGP-DI) recebidos pelos produtores rurais de todo o país. O cenário contrasta com os bons resultados alcançados pelo setor em 2025. Na terça-feira (3/3), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% no ano passado e que a agropecuária, que evoluiu 11,7% no período, foi responsável por 33% de crescimento da economia como um todo. Esses números, no entanto, consideram também a atividade fora da porteira, como o processamento dos produtos nas agroindústrias. De acordo com a CNA, embora haja expectativa de aumento na produção da pecuária e de parte das commodities agrícolas, os preços menores projetados para este ano, em comparação com os preços médios de 2025, repercutiram na previsão de queda do VBP agropecuário. Para a agricultura, o faturamento estimado para 2026 é de R$ 926,9 bilhões, retração de 4,5% em relação a 2025. Com exceção do caroço de algodão, do feijão e da maçã, os demais produtos registraram queda nos preços em relação a 2025. A soja deve apresentar leve avanço de 0,6% no VBP, pressionada pela redução dos preços (-3,0%), não compensada pelo aumento da produção (3,79%). Para o milho, projeta-se queda de 5,3% nos preços e de 1,92% na produção, o que resultará em diminuição de 7,1% no VBP. Já a cana-de-açúcar deve registrar recuo de 6,5%, em razão da queda nos preços (-7,0%), apesar da leve alta na produção (0,57%). Entre as culturas com expectativa de crescimento do VBP em 2026, destaca-se o café arábica. Mesmo com recuo de 3,9% nos preços, o grão deve registrar expansão de 23,29% na produção e acumular alta de 18,4% no VBP. O faturamento estimado para a pecuária é de R$ 476.307 bilhões, queda de 4,7% em relação a 2025, segundo a projeção da CNA. A perspectiva é de queda no VBP dos produtos de todos os segmentos, impulsionada pela redução esperada nos preços. A exceção é a carne bovina, para a qual a estimativa é de aumento de 3,7% nos preços em 2026. Ainda assim, o avanço na receita não deve compensar a queda projetada de 5,73% na produção. Com isso, o VBP da atividade deve recuar 2,3%. Para os demais produtos, a projeção é de crescimento da produção não superior a 3%. O resultado combinado a quedas de preços superiores a 4% deve gerar uma queda de 1,6% no VBP da carne de frango, de 11% no leite, de 1,8% na carne suína e de 22,8% nos ovos.
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