Ano 1 | nº 91 | 12 de março de 2026
NOTÍCIAS
Wagyu on Dairy: parceria entre Guidara Meat e Cooperativa Capal garante compra de bezerros de rebanhos leiteiros
Nas propriedades leiteiras, o nascimento de bezerros machos ou de fêmeas que não serão utilizadas para reposição costuma representar um desafio econômico para o produtor. No Paraná, uma iniciativa conjunta da Guidara Meat and Co e da Cooperativa Capal busca mudar essa realidade por meio de um programa estruturado de Wagyu on Dairy, que cria uma alternativa de renda dentro da pecuária leiteira.
O projeto conecta produtores, assistência técnica e indústria frigorífica, garantindo destino comercial e valorização desses animais. A proposta é transformar bezerros originados de rebanhos leiteiros em carne premium por meio do cruzamento com genética Wagyu. A iniciativa surge em um cenário de expansão do modelo conhecido como beef on dairy no Brasil. A estratégia consiste em utilizar genética de corte sobre vacas leiteiras para produzir animais destinados à produção de carne, aumentando a rentabilidade de bezerros que tradicionalmente possuem baixo valor de mercado. Dentro da base cooperada da Capal, o programa organiza essa prática com orientação genética, padronização produtiva e planejamento de comercialização, criando uma cadeia estruturada para o produtor. Segundo Dinarte Garrett, coordenador de pecuária de bovinos e suínos da cooperativa, o papel da cooperativa é justamente aproximar inovação e produtores. “A cooperativa faz essa interlocução entre os produtores e as empresas que trazem novas soluções. Muitas vezes o bezerro acaba sendo um problema para o produtor de leite. Então buscamos alternativas que agreguem valor e tragam novas tecnologias para os cooperados”, afirma. A parceria começou a se desenvolver há cerca de três anos, após um produtor ligado à cooperativa iniciar testes com cruzamento entre Wagyu e Jersey. Hoje, os animais são abatidos com cerca de 24 meses de idade, alcançando escala 4 de marmoreio, característica valorizada na carne premium. Na prática, o produtor recebe aproximadamente 56% a mais no valor da arroba em função da premiação por qualidade. Além do ganho financeiro, o modelo também apresenta vantagens produtivas. Entre os principais resultados observados estão: alta taxa de concepção do sêmen Wagyu em vacas leiteiras; bezerros menores ao nascer, reduzindo complicações de parto; melhor ganho de peso e rendimento de carcaça, aumentando a eficiência do sistema. De acordo com Tatiana Caruso, médica-veterinária da Guidara Meat and Co, um dos principais diferenciais do programa é a organização da cadeia produtiva, com maior previsibilidade comercial. “Hoje muitos produtores acabam produzindo o bezerro sem ter certeza para quem vão vender. Nosso programa busca justamente garantir a compra desses animais e oferecer bonificação pela qualidade, trazendo mais segurança comercial para o produtor”, explica. Outro ponto destacado no projeto é o ganho de eficiência no uso dos recursos da propriedade. Uma vaca leiteira produz milhares de litros de leite ao longo da lactação e, ao mesmo tempo, pode gerar um animal com alto potencial para produção de carne. Essa integração aumenta a sustentabilidade econômica e produtiva do sistema. Segundo Tatiana, o programa também busca estruturar parceiros para a recria dos animais. “Em muitos casos, o produtor realiza apenas a colostragem e prefere que o bezerro saia cedo da propriedade. Por isso estamos desenvolvendo parceiros para fazer essa recria inicial até cerca de 12 meses, quando os animais seguem para confinamento.” A expectativa da Cooperativa Capal é ampliar gradualmente o número de produtores participantes do programa. Para Garrett, iniciativas como essa reforçam o papel das cooperativas na difusão de inovação no campo. “Quando a cooperativa identifica uma solução que pode gerar valor para o produtor, ela trabalha para levar essa tecnologia ao campo. O Wagyu on Dairy entra justamente nesse contexto de criar oportunidades dentro da própria pecuária leiteira.”
LANCE RURAL
NACIONAL
Pecuária leiteira tem atualizações nos valores de indenizações sanitárias no RS
O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS) publicou nova tabela de indenizações para a pecuária leiteira, destinada a produtores que tenham animais sacrificados ou submetidos a abate sanitário em função de diagnóstico de brucelose ou tuberculose.
O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS) publicou nova tabela de indenizações para a pecuária leiteira, destinada a produtores que tenham animais sacrificados ou submetidos a abate sanitário em função de diagnóstico de brucelose ou tuberculose. Os valores foram aprovados na Assembleia Geral Extraordinária do Conselho Deliberativo, realizada em 9 de março, após proposição do Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira (CTOPL). A medida foi homologada por meio da Resolução CD nº 001/2026, publicada no site da Fundesa. A nova tabela estabelece um reajuste de 8% em relação aos valores anteriores, que passam a valer em 2026 e variam de acordo com a categoria e a idade dos animais. Pela atualização, as indenizações vão de R$ 1.636,00 para animais sem registro de até 12 meses, até R$ 4.548,00 para animais com registro puro de origem entre 25 e 36 meses. Para bovinos machos com idade superior a 2 anos, o valor é de R$ 1.918,00. As indenizações fazem parte do sistema de defesa sanitária da pecuária gaúcha e têm o objetivo de compensar produtores que eliminam animais positivos para doenças de controle obrigatório, contribuindo para a sanidade do rebanho e para a segurança da produção de leite no estado, em conformidade com o Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). No caso do setor leiteiro, a contribuição ao Fundesa é recolhida pela indústria e pelos produtores de leite.
SINDILAT
EMPRESAS
Gigante do leite inaugura fábrica de R$ 612 milhões no Paraná com foco em queijos
Gigante do leite inaugura fábrica de R$ 612 milhões no Paraná com foco em queijos. A planta recebeu um investimento total de R$ 612 milhões.
O setor lácteo do Paraná ganha um reforço de peso com a inauguração da nova unidade industrial do Grupo Piracanjuba, em São Jorge D’Oeste, na região Sudoeste. Considerada uma das maiores e mais modernas fábricas de queijo do país, a planta recebeu um investimento total de R$ 612 milhões, consolidando o estado como um polo estratégico para a expansão da companhia no cenário nacional. A nova unidade já inicia as operações com uma impressionante capacidade instalada para processar 1,2 milhão de litros de leite por dia. Nesta primeira etapa, o foco da produção será o mercado de manteigas e queijos, tanto em peças quanto fatiados, atendendo à crescente demanda dos consumidores brasileiros. A operação da planta de São Jorge D’Oeste foi planejada para uma ampliação escalonada. Em fases futuras, a unidade passará a produzir concentrados e isolados proteicos (whey protein), além de lactose em pó e requeijão. Essa diversificação transformará a fábrica em um dos complexos industriais mais completos do segmento lácteo na América Latina. O investimento não apenas fortalece a cadeia produtiva de leite no Paraná, como também impulsiona o desenvolvimento regional, gerando empregos diretos e indiretos e movimentando a economia do Sudoeste paranaense. Com tecnologia de ponta, a unidade reforça o compromisso do Grupo Piracanjuba com a inovação e a qualidade, ampliando sua capilaridade logística a partir de solo paranaense.
Assessoria De Imprensa Piracanjuba
EVENTOS
Produtores de Umuarama participação do Torneio Leiteiro na Expo 2026
O Torneio Leiteiro está de volta na edição deste ano da Expo Umuarama, após oito anos fora da programação. Uma das atividades mais tradicionais da feira agropecuária, industrial e comercial da Capital da Amizade – a maior do Noroeste do Estado – terá a participação de animais selecionados, de produtores de oito municípios da região.
Alguns produtores de leite de Umuarama, apoiados pela Secretaria Municipal de Agricultura, estão inscritos do torneio. Vários animais que se destacam com alta produtividade de leite estão sendo preparados para participarem da competição, que além de escolher as vacas campeãs na ordenha diária oferece oportunidade de troca de conhecimento, estímulo à melhoria genética e incentivo ao aumento da produtividade na pecuária leiteira regional. Com apoio do município, estarão no torneio leiteiro animais dos produtores Claudinei Borges, Raimundo Veloso Neto e José Alberto Bregalda Gussen. “Além de orientação e assistência, fornecemos sêmen convencional e sexado, nitrogênio líquido e, durante o evento, vamos custear o frete, exames sanitários e tosquia para todos os animais que participarão”, informou o secretário da Agricultura, Antonio Carlos Favaro. A Expo Umuarama inicia na quinta-feira, 12, mas programação do torneio começa no próximo dia 16, com a recepção dos animais às 8h e ordenha não oficial às 20h. Nos dias 17 e 18 seguem as ordenhas, com a fase oficial dia 18, às 8h. As ordenhas continuam nos dias 19 e 20, sempre às 8h e às 20h. No dia 19, às 14h, ocorre a Mídia Leite (com depoimentos sobre a importância da produção), e no dia 20, às 15h, está previsto o Concurso Delícias do Leite. A programação do torneio leiteiro segue no dia 21, às 8h, com a última ordenha do torneio. Às 19h, acontece o julgamento de conformação leiteira de fêmeas jovens e a programação se encerra no dia 22, às 9h30, com o julgamento de conformação leiteira de vacas em lactação. São aguardadas 35 vacas em lactação e cerca de 100 bezerras. Os animais serão divididos por categorias e raças. Vence o produtor cujo animal atingir a maior produção dentro de sua categoria, sendo reconhecido o de maior volume geral como destaque do torneio. A organização é da Sociedade Rural de Umuarama, com apoio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e do IDR-Paraná.
PREFEITURA DE UMUARAMA
ECONOMIA
Dólar fecha estável no Brasil com guerra ainda no foco
O dólar oscilou em margens estreitas ante o real na quarta-feira, novamente conduzido pelas notícias sobre a guerra no Oriente Médio, até encerrar a sessão perto da estabilidade, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha avançado ante outras divisas de emergentes.
O dólar à vista fechou com leve alta de 0,02%, aos R$5,1591. No ano, a divisa acumula agora queda de 6,01% ante o real. Às 17h08, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,13% na B3, aos R$5,1840. No início do dia o dólar ensaiou ganhos ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante alguns de seus pares, como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. Por trás do avanço das cotações estavam os receios em torno da guerra no Oriente Médio, após o Irã disparar contra Israel e outros alvos na região e prometer mirar contra interesses econômicos e bancários ligados aos norte-americanos e aos israelenses. Além disso, o Irã alertou que os preços do petróleo chegarão aos US$200 o barril em função dos ataques. No fim da manhã, a divisa chegou a ceder ante o real, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar em entrevista ao site Axios que “praticamente não há mais nada” para atacar no Irã e que a guerra no país terminará em breve. Na segunda-feira, ele já havia previsto um desfecho no curto prazo. Já a Agência Internacional de Energia recomendou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo, a maior ação desse tipo em sua história, para tentar conter a disparada dos preços da commodity. O dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$5,1472 (-0,21%) às 11h01, mas também não teve força para ampliar o movimento. Da máxima para a mínima a divisa variou apenas -0,70% e, durante a tarde, pouco se afastou da estabilidade. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou uma saída líquida total de US$3,897 bilhões em março até o dia 6, período correspondente à primeira semana da guerra no Oriente Médio. No início da tarde, sem efeitos maiores sobre o câmbio, uma nova pesquisa Genial/Quaest mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas simulações de primeiro turno da eleição presidencial. Lula registra entre 36% e 39% das intenções de voto nos diferentes cenários de primeiro turno, enquanto Flávio tem entre 30% e 35%. Na simulação de segundo turno, ambos somam 41%.
Reuters
Ibovespa avança com apoio da Petrobras
O Ibovespa fechou com um avanço modesto na quarta-feira, assegurado pelo desempenho robusto das ações da Petrobras, em meio ao avanço do preço petróleo no exterior, enquanto o noticiário corporativo destacou acordo da Raízen buscando reestruturar dívidas de R$65 bilhões.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com acréscimo de 0,28%, a 183.969,35 pontos, após marcar 182.021,14 na mínima e 185.714,27 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$26,47 bilhões. O petróleo voltou a subir, com novos ataques a navios no Estreito de Ormuz agravando temores de interrupção na oferta, enquanto analistas avaliam que a proposta da Agência Internacional de Energia para uma liberação recorde de reservas de petróleo é insuficiente para aliviar tais preocupações. O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 4,8%, a US$91,98. Nos Estados Unidos, dados sobre os preços ao consumidor em fevereiro dentro das expectativas não conseguiram animar, uma vez que ainda não refletem a disparada recente nas cotações do petróleo desencadeada pelos ataques dos EUA e Israel contra o Irã, que começaram apenas em 28 de fevereiro. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou com declínio de 0,08%. “O principal fator que influencia tanto o mercado brasileiro quanto o exterior, sem dúvida, são as tensões envolvendo a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e todos os desdobramentos desse conflito”, avaliou o estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital.
Reuters
Vendas no varejo do Brasil têm alta inesperada de 0,4% em janeiro
As vendas no varejo brasileiro iniciaram o ano com uma força inesperada em janeiro depois de indicarem perda de fôlego no final de 2025.
Em janeiro, as vendas aumentaram 0,4% em relação a dezembro, quando houve queda de 0,4% informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas tiveram alta de 2,8%. Os resultados foram bem melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters de queda mensal de 0,1% e de alta de 1,65% na base anual. “Apesar da variação baixa, até interpretada mais como estabilidade na passagem de dezembro para janeiro, a taxa positiva faz janeiro atingir o ponto mais alto da série da margem, igualando-se, em volume, a novembro de 2025. É bom lembrar que renovações do pico não são tão comuns assim”, disse Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE. A demanda brasileira vem enfrentando um cenário desafiador, com taxa de juros elevada em contraste com um mercado de trabalho forte. O Banco Central volta a se reunir na próxima semana para decidir sobre a taxa básica de juros Selic, atualmente em 15%. A autarquia indicou o início de um ciclo de cortes na reunião de março, mas o cenário ganhou um novo personagem com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou no final de fevereiro. A economia brasileira ficou quase estagnada no quarto trimestre com avanço de 0,1% e fechou o ano passado com crescimento de 2,3%, de acordo com dados do Produto Interno Bruto. Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do varejo do IBGE, quatro tiveram resultados positivos no volume de vendas na comparação com dezembro, na série com ajuste sazonal — Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,6%), Tecidos, vestuário e calçados (1,8%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,3%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%). Quedas foram registradas em Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-9,3%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-1,8%) e Combustíveis e lubrificantes (-1,3%). As vendas de Móveis e eletrodomésticos ficaram estagnadas. “Esse setor (de eletrônicos) é especialmente afetado pela variação do dólar e em épocas de alta volatilidade as empresas aproveitam para repor seus estoques em momentos de valorização do real para depois decidir o melhor momento de fazer promoções. Além disso, o setor vem de uma Black Friday e um Natal mais forte em vendas”, disse Santos. No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, houve alta de 0,9% em janeiro sobre dezembro e expansão de 1,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Reuters
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