Informativo Sindileite 90 11.03.2026

Ano 1 | nº 90 | 11 de março de 2026

NOTÍCIAS

Mercado do leite: atualização quinzenal de preços 10/03

O mercado de iniciou março mantendo o movimento de recuperação observado nas últimas quinzenas. Na primeira quinzena do mês, todos os estados pesquisados registraram alta, com destaque para o Paraná, onde a valorização foi de R$ 0,433 por litro. Na média Brasil, o avanço foi de R$ 0,344 por litro, elevando o indicador para R$ 2,795/litro.

Preços internacionais – O 399º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) registrou nova valorização nos preços internacionais dos lácteos, marcando a quinta alta consecutiva do price index. O índice avançou 5,7% e atingiu a média de USD 4.301/tonelada, consolidando o movimento de recuperação iniciado no começo do ano e indicando um mercado internacional operando em patamares mais firmes. Leite UHT – O leite UHT apresentou novas altas generalizadas na primeira semana de março. Segundo informantes do MilkPoint Mercado, a menor disponibilidade de volumes tem resultado em estoques mais enxutos e, aliada a uma demanda que segue relativamente estável, contribuiu para sustentar reajustes mais expressivos nos preços. Em São Paulo, a variação foi positiva em R$ 0,27/litro, encerrando a média em R$ 4,15/litro. Muçarela – A muçarela também registrou alta em todos os estados pesquisados. A maioria dos informantes relatou reajustes positivos, enquanto alguns players importantes apontaram menor oferta de produto no mercado, fator que tem ajudado a sustentar as valorizações. Além disso, permanece o movimento da indústria em tentar recompor margens. Em São Paulo, o preço médio avançou R$ 1,1/kg, alcançando R$ 28,4/kg. Leite em pó – No mercado de leites em pó, o leite em pó integral (LPI) confirmou a tendência de recuperação observada nas últimas semanas e voltou a registrar alta. O leite em pó desnatado (LPD) também apresentou reajustes positivos, acompanhando o movimento do integral e com alguns relatos de menor disponibilidade no mercado. Já o leite em pó fracionado (LPF) permaneceu estável, ainda pressionado pelos estoques elevados. Com isso, o LPF manteve média de R$ 29,5/kg, enquanto o LPI e o LPD avançaram R$0,6/kg e R$0,4/kg, respectivamente, atingindo médias de R$25,4/kg e R$23,3/kg. Oferta – A oferta de leite já apresenta redução natural neste período do ano, com o crescimento da produção desacelerando em relação ao observado no ano anterior. Com isso, a menor disponibilidade de matéria-prima no mercado começa a reduzir o excedente observado anteriormente, criando um ambiente mais favorável para que a indústria sustente a recuperação dos preços ao longo da cadeia. Demanda – Do lado da demanda, dados da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) indicam um crescimento mais moderado nas vendas de lácteos no varejo. Esse comportamento é explicado principalmente pelo feriado de Carnaval, que costuma reduzir o ritmo das compras no período e afetar o volume aparente comercializado. Assim, o avanço do consumo se mostrou mais contido neste momento.

MILK POINT

Exportações brasileiras de lácteos avançam quase 30% em fevereiro, aponta boletim do IMEA

Embarques somam 4,51 milhões de litros em equivalente leite e crescem 29,99%; maior oferta e queda de preços aumentam competitividade no mercado internacional

As exportações brasileiras de produtos lácteos registraram crescimento expressivo em fevereiro de 2026, impulsionadas pela maior disponibilidade de leite nas regiões produtoras e pela redução dos preços internos. O cenário aumentou a competitividade do produto brasileiro no comércio internacional. De acordo com o boletim divulgado em 9 de março pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), o Brasil embarcou 4,51 milhões de litros em equivalente leite no período, volume que representa alta de 29,99% em relação ao mês anterior. O desempenho positivo também se refletiu no faturamento, que alcançou cerca de US$ 7,05 milhões com as vendas externas no mês. Segundo o boletim do IMEA, dois fatores principais contribuíram para a expansão dos embarques de lácteos brasileiros em fevereiro: a maior disponibilidade de leite nas regiões produtoras e a redução dos preços no mercado interno. Com mais produto disponível e valores mais competitivos, os lácteos brasileiros ganharam espaço no mercado internacional, favorecendo o crescimento das exportações no período. Esse cenário ocorre em um momento de ajuste na cadeia láctea nacional, marcado por aumento da oferta e pressão sobre as margens dos produtores. Argentina, Estados Unidos e Uruguai lideram compras. Os embarques brasileiros tiveram como principais destinos três mercados internacionais que concentraram parte significativa das vendas. Juntos, esses países responderam por 47,73% do volume total exportado pelo Brasil no período, reforçando a importância da diversificação dos mercados compradores. Enquanto as exportações apresentaram avanço, o mercado interno segue pressionado para os produtores. Em Mato Grosso, o preço pago ao produtor foi estimado em R$ 1,76 por litro, o menor patamar registrado desde janeiro de 2022, segundo o levantamento do IMEA. Mesmo com redução na captação de leite pelas indústrias, as cotações continuam pressionadas pela oferta disponível no mercado. Outro ponto de atenção para os pecuaristas é o custo de alimentação do rebanho, que continua sendo um dos principais componentes da estrutura de custos da atividade leiteira. Insumos como o farelo de soja seguem relevantes para a produção, exigindo maior volume de leite produzido para que o produtor consiga manter a relação de troca favorável na compra desses insumos. Além das condições do mercado agropecuário, o ambiente macroeconômico também influencia o desempenho do setor lácteo. O Banco Central do Brasil segue monitorando a inflação e o ritmo da atividade econômica, fatores que impactam diretamente o consumo doméstico de alimentos. Com demanda interna moderada e preços pressionados no campo, o avanço das exportações ganha importância para o equilíbrio da cadeia produtiva do leite em 2026.

Portal do Agronegócio

NACIONAL

MT: Preço do leite recua no início de 2026

Captação de leite cai e preço recua no estado

O preço do leite pago ao produtor em Mato Grosso registrou queda em fevereiro de 2026. A informação consta na análise semanal divulgada na segunda-feira (9) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). De acordo com o levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o valor do leite referente à captação de janeiro e pago ao produtor em fevereiro foi de R$ 1,76 por litro, recuo de 0,22% em relação ao mês anterior. Segundo o instituto, “esse é o menor valor registrado desde janeiro de 2022”. A análise também aponta redução na captação de leite no estado. Conforme o relatório do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o volume captado apresentou recuo de 6,18 pontos percentuais na comparação mensal, atingindo 55,49%. Ainda assim, a menor oferta para as indústrias não foi suficiente para impedir a queda nas cotações. O levantamento destaca ainda o comportamento do custo de alimentação do rebanho. O farelo de soja iniciou 2026 em queda, após registrar aumento nas cotações no último trimestre de 2025. Com isso, a relação de troca entre o leite e o coproduto ficou em 900,66 litros por tonelada em fevereiro de 2026, valor 15,88% superior ao observado no mesmo período de 2025. Segundo a análise do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, no cenário atual o produtor de Mato Grosso precisa produzir mais leite para adquirir uma tonelada do insumo utilizado na alimentação do rebanho.

AGROLINK

EMPRESAS

Nestlé lança marca de suplementos 40+ com investimento de R$ 203 milhões

A Nestlé escolheu o Brasil para o lançamento global da Vital, sua nova marca de suplementos voltada ao público acima dos 40 anos. O projeto recebeu investimento de cerca de 30 milhões de francos suíços (aproximadamente R$ 203 milhões) e faz parte da estratégia da companhia para avançar no mercado de nutrição e longevidade.

Lançamento global começa para o Brasil, onde será produzido e, depois, exportado para outros mercados. A iniciativa coloca o Brasil no centro da estratégia global da empresa. A produção será concentrada na fábrica da companhia em Araçatuba (SP), que passou por ampliação de capacidade. Inicialmente, o produto será testado no mercado brasileiro por um período de três a seis meses e, na sequência, a produção deverá ser direcionada também à exportação, começando pela América Latina e, posteriormente, para Europa e Ásia. Segundo Marcelo Citrângulo, business executive officer (BEO) de Nutrição da Nestlé Brasil, a operação brasileira teve papel importante no desenvolvimento da nova marca. “O primeiro país do mundo onde estamos ajudando a construir essa nova marca da Nestlé é o Brasil”, afirmou o executivo. A escolha do país não foi por acaso. O Brasil é hoje o terceiro maior mercado da Nestlé no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China. Além do tamanho do mercado consumidor, o envelhecimento da população e a mudança de hábitos — intensificada após a pandemia — têm impulsionado a busca por suplementos e produtos voltados à saúde e ao bem-estar. O Vital chega ao mercado em duas versões em pó, uma para consumo diurno e outra noturno. A fórmula voltada ao dia inclui ingredientes como taurina, associada à energia e ao foco. Já a versão noturna traz nutrientes como triptofano e magnésio, ligados ao relaxamento e à qualidade do sono. Ambas combinam macro e micronutrientes, incluindo proteína, fibras, colina e colágeno. Preparado com água, o suplemento fornece cerca de 15 gramas de proteína, quantidade que pode chegar a 23 gramas quando misturado ao leite, além de 6 gramas de fibras. O produto também será vendido em quatro sabores — morango, baunilha, chocolate e sem sabor — em latas de 360 g e 720 g, com preços sugeridos de R$ 89 e R$ 140, respectivamente. Com a nova marca, a empresa busca ocupar um espaço intermediário em seu portfólio de nutrição. Hoje, um dos produtos mais conhecidos da categoria é o Nutren Senior, voltado principalmente a consumidores acima de 50 anos. O Vital, por sua vez, mira um público mais jovem, a partir dos 40 anos, embora a comunicação também dialogue com a ideia de autocuidado já na faixa dos 30. A aposta acompanha uma tendência global. Pesquisa conduzida pela consultoria Kantar com 9 mil pessoas em seis países — incluindo Brasil, Estados Unidos, China e Reino Unido — indicou que energia ao longo do dia e qualidade do sono estão entre as principais preocupações de consumidores de meia-idade. O levantamento também mostrou que 71% desse público se dizem insatisfeitos com a própria saúde física, enquanto 65% apontam insatisfação com a saúde mental. Nos últimos cinco anos, a categoria de suplementos para adultos vem registrando crescimento de dois dígitos ao ano no Brasil, segundo a companhia. Entre 2023 e 2024, o avanço foi de 17%, movimentando cerca de R$ 1 bilhão. De olho nesse mercado, a Nestlé pretende conquistar 10% de participação no segmento nos próximos três anos. O lançamento também está alinhado à reorganização global da empresa, que passou a concentrar esforços em quatro áreas prioritárias: café, petcare, nutrição e alimentos e snacks — sendo que as três primeiras já representam cerca de 70% das vendas globais do grupo. 
O Globo

PESQUISA

Pesquisa mostra que dieta das vacas e estágio da lactação influenciam o sabor do leite

Um estudo conduzido pela Massey University, na Nova Zelândia, indica que a alimentação das vacas pode influenciar diretamente o sabor do leite percebido pelos consumidores. A pesquisa mostrou que consumidores conseguem identificar diferenças no leite de acordo com o tipo de alimentação oferecida às vacas e com o estágio de lactação em que o leite foi produzido.

Segundo os pesquisadores, o tipo de pastagem teve impacto significativo no sabor, na textura e na experiência sensorial geral do produto. Embora a influência do estágio de lactação sobre o sabor do leite já seja bem conhecida na ciência do leite, o estudo levou esse fator em consideração justamente para garantir que as diferenças observadas estivessem relacionadas principalmente ao tipo de pastagem e ao manejo adotado. A pesquisa foi conduzida dentro do programa Whenua Haumanu da universidade, em parceria com o laboratório Food Experience and Sensory Testing Laboratory (Feast). De acordo com a diretora do Feast, a professora Joanne Hort, a alimentação das vacas interfere diretamente na composição do leite. “Essa pesquisa mostra que aquilo que as vacas consomem entra no metabolismo delas e acaba influenciando o leite que produzem”, explicou. Os pesquisadores analisaram amostras de leite provenientes de três rebanhos, avaliados em três diferentes estágios de lactação entre novembro de 2023 e março de 2024. No rebanho A, as vacas consumiram azevém e trevo, sob manejo tradicional; Já o rebanho B era alimentado com pastagem diversificada em um sistema de manejo regenerativo. No rebanho C, as vacas também consumiam pastagem diversificada, mas dentro de um manejo convencional. As amostras de leite foram coletadas, transformadas em pó por meio de spray drying e armazenadas. Posteriormente, foram reconstituídas em leite líquido para a realização dos testes sensoriais, conduzidos em julho do ano passado. Durante os testes, os degustadores recebiam três amostras — duas iguais e uma diferente — e precisavam identificar qual delas se distinguia das demais. Esse tipo de análise permite avaliar se os consumidores conseguem perceber diferenças entre produtos de forma consistente. Segundo a líder da pesquisa, Simone Poggesi, os resultados confirmaram que o tipo de pastagem e o manejo influenciam a forma como o leite é percebido. “Os consumidores conseguiram distinguir de forma confiável os leites provenientes de diferentes pastagens. Isso mostra que aquilo que as vacas consomem pode ter um impacto perceptível nas propriedades sensoriais do leite”, afirmou. Nos testes descritivos, o leite do rebanho A foi associado com maior frequência a uma sensação de boca seca e a notas como “rançoso”, “papelão”, “vaca” e “velho”. Já o leite do rebanho B foi descrito como mais doce e mais cremoso, com sabores que lembravam leite oxidado e leite em pó. O leite do rebanho C, por sua vez, foi caracterizado como mais ácido e salgado, com sabor lácteo mais intenso e retrogosto seco. O estudo também reforçou o papel do estágio de lactação na formação do sabor e da textura do leite. O leite do início da lactação, coletado em novembro, apresentou sabores mais intensos, maior doçura e maior cremosidade, além de um retrogosto mais marcante, frequentemente descrito com notas calcárias e terrosas. No meio da lactação, em janeiro, os participantes perceberam o leite como mais espesso e mais cremoso, com diferenças claras de doçura e salinidade. Já o leite do final da lactação, coletado em março, foi descrito como mais fino, menos doce, mais ácido e mais salgado, com um retrogosto considerado desagradável por alguns avaliadores. Algumas amostras também apresentaram notas semelhantes a sebo e aroma mais intenso. Hort ressalta, no entanto, que o estudo avaliou apenas a capacidade de detecção das diferenças — e não a preferência dos consumidores. “Embora as pessoas tenham conseguido notar diferenças entre os leites, este estudo não mostra se essas variações influenciariam a preferência ou a decisão de compra”, explicou.

FARMERS WEEKLY/ MilkPoint.

ECONOMIA

Dólar fecha perto da estabilidade com temores de que Irã instale minas no Estreito de Ormuz

Após recuar para a faixa dos R$5,13 mais cedo na sessão, o dólar ganhou força na reta final das negociações do dia e fechou a terça-feira praticamente estável no Brasil, com investidores reagindo negativamente a notícias de que o Irã pode instalar minas no Estreito de Ormuz, por onde são transportados 20% do petróleo mundial.

O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,14%, aos R$5,1582. No ano, a divisa passou a acumular queda de 6,03% ante o real. Às 17h28, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,27% na B3, aos R$5,1850. Na segunda-feira, o dólar havia despencado ante o real após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter passado indicações de que a guerra de EUA e Israel contra o Irã poderia terminar em breve. Trump disse a parlamentares republicanos que a guerra “será concluída muito rapidamente” e, em entrevista à Fox News, afirmou que é possível que ele esteja disposto a conversar com o Irã. As declarações de Trump ainda ecoaram nos mercados nesta terça-feira, fazendo o petróleo recuar para perto dos US$83 o barril em Nova York durante o dia e o dólar ceder ante quase todas as divisas globais. No Brasil, o dólar à vista atingiu às 14h20 a cotação mínima intradia de R$5,1326 (-0,64%) — valor já próximo das cotações verificadas na semana anterior à guerra. O otimismo quanto a um desfecho rápido da guerra também deu força ao Ibovespa — principal índice de ações da bolsa brasileira — e reduziu os prêmios na curva de DIs (Depósitos Interfinanceiros), em uma sessão de busca por ativos de maior risco. Durante a tarde, porém, o dólar recuperou força, após a CBS News noticiar que a inteligência dos EUA começou a observar indícios de que o Irã está tomando medidas para implantar minas no Estreito de Ormuz. Em meio à ameaça, Trump disse para o Irã remover quaisquer minas que possa ter colocado na região, alertando que, se isso não for feito, enfrentará consequências militares em nível nunca visto. Ao mesmo tempo, Trump disse que os EUA não têm relatos de que o Irã tenha de fato colocado minas no estreito. A possibilidade de aumento do conflito no Estreito de Ormuz — uma passagem chave para o transporte global de petróleo e gás — fez o dólar praticamente zerar as perdas no Brasil, com a moeda também ganhando força no exterior e o petróleo se afastando das mínimas do dia.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com trégua global na aversão a risco

O Ibovespa fechou em alta de mais de 1% na terça-feira, endossado pela trégua global na aversão a risco, com a percepção de que o conflito no Oriente Médio terá duração menor do que a esperada derrubando os preços do petróleo.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,4%, a 183.447 pontos, após marcar 180.692,83 na mínima e 185.323,62 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$31,3 bilhões. A bolsa paulista deu continuidade nesta sessão ao movimento mais positivo iniciado na véspera, que foi fomentado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a guerra contra o Irã pode terminar em breve. Nem a afirmação da Guarda Revolucionária do Irã de que decidirá sobre fim da guerra e a ameaça de que irá interromper exportações regionais de petróleo se ataques continuarem evitaram a forte correção nos preços da commodity. O barril sob o contrato Brent, que chegou a superar US$119 brevemente na segunda-feira, fechou a terça-feira a US$87,80, em queda de 11%. A disparada das cotações da commodity desde os primeiros ataques dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de dezembro vinha adicionando preocupações sobre a inflação e seus reflexos nas políticas monetárias no mundo, em particular nos EUA. No exterior, o norte-americano S&P 500 perdeu força no final e fechou em baixa de 0,21%. De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, a fala de Trump de que a guerra está próxima do fim amenizou temores sobre a duração do conflito, derrubando os preços do petróleo e reverberando em outros mercados. “O mercado interpretou tal feito como um bom sinal, o que ajudou a reduzir a volatilidade”, afirmou, citando ainda notícia envolvendo o Estreito de Ormuz. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse nesta terça-feira que a Marinha norte-americana escoltou com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Ormuz “para garantir que o petróleo continue fluindo para os mercados globais”. Queiroz ressaltou, porém, que investidores continuam acompanhando os desdobramentos da situação no Oriente Médio e analisando as possibilidades de fato sobre o fim do conflito.

REUTERS

Faturamento do agro em 2025 atinge novo recorde; 2026 se inicia em meio a grandes incertezas

Pesquisas do Cepea mostram que o agronegócio do Brasil faturou US$ 169 bilhões em 2025, valor 3% maior que o do ano anterior.

Por mais um ano, o agronegócio nacional atingiu recorde no faturamento com as exportações de seus produtos. Esse cenário foi verificado mesmo diante das tarifações impostas pelos Estados Unidos, que são o terceiro maior destino do setor brasileiro. Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizadas com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Secretaria de Comércio Exterior (sistema Siscomex), mostram que o Brasil faturou US$ 169 bilhões em 2025, valor 3% maior que o do ano anterior. O resultado se deve ao crescimento de 3,4% no volume escoado, tendo em vista que o preço médio anual caiu ligeiro 0,4%. Segundo pesquisadores do Cepea, os volumes escoados das carnes bovina e suína, celulose, soja em grão, algodão e milho cresceram em 2025 frente ao ano anterior. Quanto ao preço, aumentos foram verificados para as carnes bovinas e suína, o etanol, o café e o óleo de soja. Os principais destinos dos produtos do agronegócio brasileiro seguem sendo China (sobretudo complexo soja), União Europeia (especialmente florestais, café, frutas e suco de laranja) e Estados Unidos (principalmente madeira, suco de laranja, etanol, café, frutas, celulose e carne bovina). O ano de 2026 se inicia em meio a fortes incertezas. Enquanto produtores do Hemisfério Sul finalizam a colheita da safra de verão e intensificam a semeadura da nova safra, os do Hemisfério Horte estão fazendo o planejamento para o próximo ciclo produtivo e seguem atentos ao clima (o frio está bastante intenso em algumas importantes regiões produtoras de grãos) e, sobretudo, aos desdobramentos do atual conflito no Oriente Médio. Por ora, o conflito já tem resultado em fortes altas nos preços do petróleo e em dificuldades logísticas. O fechamento do Estreito de Ormuz preocupa, uma vez que a região é estratégica para o comércio global de energia e insumos agrícolas, já que por ali circulam 30% dos fertilizantes (principalmente de base nitrogenada) comercializados no mundo. O Cepea observa que muitas empresas brasileiras de fertilizantes estão atualmente afastadas do mercado, sem divulgar preços, aguardando os desdobramentos do conflito. O Irã, especificamente, se tornou em 2025 um grande demandante do milho do Brasil. Em 2025, o país foi o maior destino do milho nacional, recebendo 9 milhões de toneladas, praticamente o dobro do que no ano anterior (4,33 milhões de toneladas), segundo apontam dados da Secex. No entanto, como as exportações brasileiras de milho tendem a ser intensificadas apenas no segundo semestre, agentes, por ora, apenas acompanham os possíveis impactos para os próximos meses. Quanto ao frango, a região do Oriente Médio é um dos principais parceiros do setor avícola nacional na atualidade – em 2025, foi destino de quase 25% dos embarques brasileiros de carne de frango. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são, respectivamente, o primeiro e o terceiro maiores destinos da carne de frango do Brasil. Em 2025, foram escoadas mais de 877 mil toneladas da proteína para estes países, que, juntos, recebem mais de 12,6% de todo o volume de frango escoado.

CEPEA

Datafolha: parcela de brasileiros que vê piora da economia sobe para 46%

Índice de pessoas que citam deterioração da própria situação financeira e estão pessimistas com futuro cresceu. Percepção mais negativa contrasta com desemprego em nível mínimo histórico e queda da inflação

A percepção dos brasileiros em relação à situação econômica do país piorou nos últimos meses, revertendo parcialmente a melhora captada no levantamento feito no final de 2025, mostra pesquisa Datafolha. Também há mais entrevistados pessimistas sobre o futuro, inclusive sobre sua própria condição financeira, e prevendo elevação do desemprego, indicador que está nas mínimas históricas, e da inflação. O percentual daqueles que avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses subiu de 41% para 46% na comparação entre as pesquisas realizadas em dezembro do ano passado e em março deste ano. O número está em um patamar intermediário entre o melhor resultado da gestão do ministro Fernando Haddad na Fazenda —35% nas três pesquisas de 2023, durante o primeiro ano do governo Lula 3— e os 55% verificados em abril de 2025. O percentual dos que avaliam que a situação econômica do país melhorou caiu de 29% para 24%, na comparação entre as duas últimas pesquisas. O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil, de 3 a 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Os números mostram que a percepção negativa fica próxima dos 46% em todas as faixas de renda, exceto entre aqueles no grupo acima de dez salários-mínimos, no qual está em 69%. São 57% entre evangélicos (41% entre católicos), 65% entre empresários e 77% entre pessoas que pretendem votar em Flávio Bolsonaro (14% entre eleitores de Lula). Para 35% dos entrevistados, a economia vai piorar nos próximos meses. Na pesquisa feita em dezembro, essa era a expectativa de 21%. Na anterior, em julho do ano passado, esse índice chegou a 45%. A expectativa de melhora na questão econômica passou de 28% em julho, para 46% em dezembro e ficou em 30% na nova pesquisa. O otimismo é maior entre pessoas com renda de até dois salários-mínimos (33%) do que entre aquelas que estão no grupo acima de dez mínimos (11%); no Nordeste (36%) do que no Sudeste (25%); e entre pretos (32%) e pardos (31%) do que entre brancos (26%). Há diferença de dez pontos entre católicos (33%) e evangélicos (23%). O otimismo predomina entre potenciais eleitores de Lula (51% esperam melhora) e é baixo nos que pretendem votar em Flávio (apenas 14% dizem que a economia vai melhorar), Romeu Zema (16%) e Ratinho Junior (17%). O início do ano foi marcado pela confirmação de que a economia brasileira desacelerou e pelo início da guerra no Irã. Também foi um período de juros altos e aumento do endividamento das famílias e empresas. Por outro lado, houve melhora nos indicadores de renda e inflação. Os dados mostram ainda aumento da insatisfação e do pessimismo do brasileiro em relação à sua própria situação financeira. São 33% os que avaliam que a sua própria situação econômica piorou nos últimos meses —eram 26% em dezembro. O percentual dos que acham que melhorou caiu de 36% para 30% na mesma comparação. O percentual daqueles que estão pessimistas com o seu futuro passou de 22% em julho para 10% em dezembro, e agora subiu para 14%. Os otimistas, por outro lado, eram 45% em meados de 2025, percentual que subiu a 60% no final do ano passado e caiu para 51% na pesquisa atual. O levantamento também mostra que 48% dos entrevistados avaliam que o desemprego vai aumentar, ante 42% no levantamento anterior sobre o tema, que neste caso foi feito em junho do ano passado. O novo resultado é o maior patamar em termos nominais no atual mandato presidencial, embora esteja empatado na margem de erro com os 46% verificados em setembro de 2023 e março de 2024. Para 21%, o desemprego vai cair. Eram 22% em junho. Esse é o menor valor registrado no atual governo, empatado com o 21% de abril do ano passado.

FOLHA DE SP

Exportações brasileiras aos EUA caem 23% no 1º bimestre e atingem menor nível desde 2023

Segundo dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA, da Amcham Brasil, as exportações para os EUA somaram US$ 4,9 bilhões no acumulado de janeiro e fevereiro de 2026

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 23,2% no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Câmara Americana de Comércio no país (Amcham Brasil). De acordo com o levantamento, em números totais, as exportações para os EUA somaram US$ 4,9 bilhões no acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, que significam US$ 812 milhões a menos nas vendas de empresas brasileiras para o país norte-americano. Conforme destaca a Amcham Brasil, o resultado representa o menor valor para o primeiro bimestre desde 2023 e, segundo análise da entidade, reflete a combinação entre fatores conjunturais de mercado e o impacto das medidas tarifárias que seguiram afetando parte relevante da pauta exportadora brasileira até o fim de fevereiro. Ao observar apenas os dados de fevereiro contra o mesmo mês do ano passado, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 2,5 bilhões, queda de 20,3%. A Amcham Brasil também lembra que as exportações brasileiras para o mercado americano acumulam sete meses consecutivos de retração. O movimento foi iniciado em agosto de 2025, quando houve a aplicação pelos EUA de sobretaxas de importação entre 40% e 50% para um amplo conjunto de produtos. Na visão da entidade, embora a queda em fevereiro tenha sido menos intensa do que em meses anteriores, o desempenho indica um início de ano marcado por pressões ainda relevantes sobre o comércio bilateral. “É importante destacar que as mudanças tarifárias anunciadas no fim de fevereiro — após decisão da Suprema Corte americana que levou ao fim das sobretaxas de 40% e 50% e à adoção de uma nova sobretaxa global de 10% — ainda não estão refletidas plenamente nas estatísticas bilaterais. Como essas medidas entraram em vigor apenas no fim do mês, seus efeitos deverão começar a aparecer no fluxo comercial a partir de março”, esclarece a Amcham Brasil. De acordo com a nota da entidade, a retração nas exportações em fevereiro foi influenciada principalmente pela forte queda nas vendas de petróleo bruto, que recuaram 80,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, além de combustíveis derivados de petróleo, que tiveram.  Segundo a Amcham Brasil, ambos os produtos estão isentos de sobretaxas e possuem peso relevante na pauta exportadora brasileira para os EUA. O café, que está isento de sobretaxas desde novembro, também apresentou queda significativa, de 40% na comparação anual. Já os produtos sujeitos a sobretaxas de 40% e 50% até o final de fevereiro registraram queda de 27,4% no mês, enquanto produtos afetados pelas tarifas da Seção 232, como itens de madeira, apresentaram retração ainda mais acentuada. Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abraão Neto, considerando que os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte americana, será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações brasileiras e o fluxo do comércio bilateral. “Ao mesmo tempo, é fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais, especialmente no âmbito da investigação da Seção 301”, afirma o presidente da Amcham Brasil.

VALOR ECONÔMICO

POWERED BY

EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA

041 99697 8868 (WhatsApp)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *