Informativo Sindileite 88 09.03.2026

Ano 1 | nº 88 | 09 de março de 2026

NOTÍCIAS

Volume de crédito do BRDE à cadeia do leite do Paraná cresce 84% em 12 meses

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul direcionou R$ 164,5 milhões a 1.627 contratos de financiamento para a pecuária leiteira paranaense nos últimos 12 meses. O volume representa um patamar superior à média anual registrada nos últimos cinco anos e reforça uma aceleração dos investimentos em criação e beneficiamento do leite no Estado.

Com linhas específicas e condições diferenciadas para o segmento, incluindo operações com juro subsidiado, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) direcionou R$ 164,5 milhões a 1.627 contratos de financiamento para a pecuária leiteira paranaense nos últimos 12 meses. Desde 2021, as operações de crédito do BRDE para essa cadeia produtiva somam R$ 471,3 milhões. O movimento acompanha a fase de expansão do setor no País. Em 2025, a produção brasileira registrou crescimento estimado de 7,2% em relação ao ano anterior, com impactos diretos sobre a oferta e sobre o ambiente de mercado para 2026, de acordo com análise da Embrapa. No recorte estadual, o Paraná detém a segunda posição no ranking nacional e responde por quase 13% do total produzido, conforme dados oficiais organizados a partir de estatísticas do IBGE. Além das linhas tradicionais de financiamento, produtores e agroindústrias do setor também podem acessar operações por meio do Banco do Agricultor Paranaense, programa com juros subsidiados para incentivar investimentos, modernização e ganho de competitividade no campo. Entre os produtores atendidos pelo BRDE está Marius Bronkhorst, de Arapoti, nos Campos Gerais. Ele iniciou a atividade leiteira em 1982 com 20 vacas e, ao longo de quatro décadas, ampliou a estrutura até alcançar 600 vacas em lactação e uma produção diária de 18 mil litros. Há cerca de 15 anos, acessou uma linha de crédito do BRDE, com juros de 2,5% ao ano, que possibilitou modernizar a propriedade, investir em confinamento total do rebanho e em tecnologias de ordenha e monitoramento. A produção saltou de 6 mil para 18 mil litros por dia, com expectativa de atingir 7 milhões de litros no ano. “Antes do apoio do BRDE conseguíamos viver bem, mas era sem estrutura e perspectiva de crescimento. Com o crédito, passamos a crescer de forma gradativa e sustentável, com ganhos na produção e na satisfação dos funcionários”, diz Bronkhorst. Além das operações voltadas à produção primária, o banco também fechou 25 contratos direcionados ao beneficiamento e à industrialização do leite nos últimos cinco anos, com R$ 59 milhões em recursos. A avaliação do BRDE é que essa segunda frente — agregação de valor, qualidade industrial e logística — é decisiva para sustentar o ciclo de investimentos na fazenda e melhorar a resiliência do setor em momentos de oscilação de preços. Dentro do Estado, as mesorregiões Centro-Sul Paranaense e Sudoeste Paranaense concentram mais de 50% dos contratos firmados pela Agência Paraná do BRDE. A maior parte das operações é voltada à criação de bovinos para produção de leite, e 99,44% dos financiamentos têm como beneficiários produtores rurais. A série histórica recente indica dois momentos de maior aceleração no crédito para o setor leiteiro. O primeiro ocorreu entre 2022 e 2023, quando o volume contratado passou de R$ 51,8 milhões para R$ 94,9 milhões. Um novo avanço foi registrado entre 2024 e 2025, com alta de R$ 100 milhões para R$ 150,7 milhões, o maior valor anual do período de cinco anos. Em 2026, apenas nos dois primeiros meses, já foram formalizados 246 contratos, que somam R$ 24,8 milhões. Produtores interessados em acessar os recursos do Banco do Agricultor Paranaense devem procurar uma das cooperativas de crédito conveniadas ao BRDE. A lista completa de instituições está disponível no site do BRDE. Projetos com valor acima de R$ 800 mil podem ser submetidos diretamente pelo internet banking do BRDE. Confira as linhas de financiamento: – Pronaf Mulher: juro zero. – Cooperativas da agricultura familiar: juro zero. – Agroindústria familiar: juro zero. – Produção, captação e armazenamento de água: juro zero. – Erva-mate, pinhão, seda, café, orgânicos, apicultura e horticultura: juro zero. – Turismo rural: juro zero. – Pecuária de corte e leite: juros de 1% a 4% – Piscicultura: juros de 1% a 4%. – Projetos de energia renovável: juro zero para projetos de até R$ 500 mil. Acima desse valor, juros variam de 2% a 5,5%. – Biogás: juro zero para projetos de até R$ 2 milhões para pessoas físicas e de até R$ 20 milhões para CNPJs. Acima desses valores, juros de 5%. – Projetos de irrigação: juro zero para projetos de até R$ 1 milhão para pessoa física e de até R$ 4,5 milhões para pessoa jurídica. Acima desses valores, os juros variam de 3% a 5,5%. – Demais linhas do Pronaf: redução de cinco pontos percentuais nos financiamentos, cujas taxas variam de 8,5% e 10,5%, devendo ficar entre 3,5% e 5,5%.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

NACIONAL

MS: instituições firmam parceria para lançar a “escola do leite”

O setor leiteiro do Mato Grosso do Sul está prestes a ganhar um reforço de peso na capacitação e industrialização. Em uma iniciativa conjunta, o Núcleo Girolando MS, a Acrissul e a Sicoob anunciaram a criação de um Centro de Excelência em Laticínios, que será instalado dentro do Parque de Exposições Laucidio Coelho, em Campo Grande.

O setor leiteiro do Mato Grosso do Sul está prestes a ganhar um reforço de peso na capacitação e industrialização. Em uma iniciativa conjunta, o Núcleo Girolando MS, a Acrissul e a Sicoob anunciaram a criação de um Centro de Excelência em Laticínios, que será instalado dentro do Parque de Exposições Laucidio Coelho, em Campo Grande. A proposta é estruturar uma verdadeira “Escola do Leite”, voltada à formação prática e técnica de produtores, estudantes, laticinistas e empreendedores do setor. O projeto visa transformar a realidade da cadeia, oferecendo desde o conhecimento básico da ordenha até técnicas avançadas de produção de derivados lácteos. O presidente do Núcleo Girolando MS, Alessandro Coelho, explica que a intenção é ter um centro permanente de aprendizado. “Nossa perspectiva é tirar do papel a Escola do Leite, criando um espaço onde as pessoas possam vir à Acrissul para aprender, na prática, sobre toda a cadeia produtiva. A iniciativa vai além da ordenha, que também fará parte do projeto, mas inclui a produção de derivados como queijo, manteiga, requeijão e doce de leite. A ideia é que diversos produtos possam ser elaborados aqui mesmo, dentro do Parque, unindo conhecimento técnico, capacitação e valorização do setor leiteiro”, explicou Coelho. Entre os temas que devem ser abordados estão práticas já consolidadas em estados referência na produção láctea, como Minas Gerais, onde o uso de fermentos lácteos com bactérias selecionadas substitui métodos mais antigos, garantindo maior padronização e segurança na produção. “O controle da temperatura do leite, o momento adequado de adicionar o fermento, o tempo correto de coagulação, o corte preciso da massa e a decisão de desnatar ou não o leite para cada tipo de queijo são fatores que influenciam diretamente na qualidade final do produto. Um exemplo dessa importância está na própria estrutura do queijo. Muitas pessoas acreditam que a liga, aquela textura elástica que forma fios ao derreter, é resultado da gordura. Na prática, essa característica está relacionada principalmente à proteína do leite, responsável por conferir consistência e elasticidade ao produto”, reforçou o produtor. Para a Sicoob, a parceria representa um investimento estratégico no desenvolvimento regional. O superintendente de Negócios da cooperativa, Luciano Ribeiro, destaca que o foco é elevar o padrão da produção sul-mato-grossense. “Queremos trazer com essa parceria as melhores práticas da indústria láctea brasileira para que a gente possa levar, tanto na micro capacidade quanto em laticínios maiores, mais tecnologia e mais eficácia. Queremos que o Mato Grosso do Sul faça valer o potencial que tem de produzir leite com uma indústria mais competitiva e assertiva”.  A iniciativa une genética, manejo, tecnologia e cooperativismo para transformar conhecimento em renda e competitividade.

Canal do Boi/MILKPOINT

EMPRESAS

Savencia Fromage & Dairy conclui aquisição da Quatá Alimentos

A Savencia Fromage & Dairy, grupo global de controle familiar, independente, referência no setor de queijos e laticínios, informa que concluiu a aquisição da Quatá Alimentos (Quatá), uma das principais empresas brasileiras no segmento de queijos e produtos lácteos.

A Savencia Fromage & Dairy, grupo global de controle familiar, independente, referência no setor de queijos e laticínios, informa que concluiu a aquisição da Quatá Alimentos (Quatá), uma das principais empresas brasileiras no segmento de queijos e produtos lácteos. A operação foi finalizada após as aprovações regulatórias pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e o cumprimento das etapas previstas em lei e em contrato. A transação une a capilaridade regional e tradição produtiva da Quatá, com as marcas Glória e Quatá, à força global do grupo Savencia, fortalecendo a presença do grupo no mercado brasileiro de lácteos, onde já está presente há muitas décadas com as marcas Polenghi, Polenguinho, Frescatino, Campo Lindo, Ile de France, Skandia e Polenghi Profissional. A Quatá é reconhecida pela qualidade do leite captado e pela tradição na cultura queijeira brasileira, atributos que se integram de forma complementar ao portfólio da Savencia. Com unidades fabris localizadas em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, é uma das principais produtoras de queijos semiduros e queijos azuis no Brasil. “O portfólio inovador e de alta qualidade das duas empresas é complementar e está conectado com o paladar dos brasileiros.  Esta operação reforça nosso compromisso com o bem-estar das pessoas, segurança alimentar, qualidade dos produtos e com a responsabilidade social, que também são valores da Quatá”, afirma Augusto Lemos, CEO da Savencia Brasil. Os fundadores da Quatá Alimentos, José Henrique Coutinho e Maurício Franco, declaram: “Hoje a Quatá inicia um novo capítulo de sucesso da sua história de sucesso mais de 35 anos. Identificamos na Savencia muitas semelhanças com a Quatá em termos de cultura e valores, o que reforça a continuação e o aprimoramento do nosso legado por essa grande empresa”.

Assessoria de Imprensa da Savencia

PESQUISA

USP: pesquisa detecta alta diversidade de Streptococcus agalactiae em rebanhos leiteiros do Nordeste

Um amplo mapeamento genético da bactéria Streptococcus agalactiae, associada à mastite bovina, revelou grande diversidade de linhagens circulando em rebanhos leiteiros do Nordeste brasileiro, além da presença de genes relacionados à resistência a antibióticos importantes na prática veterinária.

Os resultados reforçam o alerta para a necessidade de vigilância sanitária e uso mais criterioso de antimicrobianos nas fazendas leiteiras. O estudo foi liderado pela pesquisadora do IFSC/USP, professora Ilana Lopes Baratella da Cunha Camargo, em parceria com outros cientistas brasileiros, e publicado na revista científica internacional Pathogens. A pesquisa analisou amostras de leite de vacas com mastite clínica e subclínica no estado da Paraíba. A partir do sequenciamento genômico completo das bactérias isoladas, os pesquisadores identificaram diferentes tipos de sequência genética (STs). Entre eles, aparecem linhagens já associadas a infecções em bovinos em outras regiões do mundo. Essa diversidade indica que a população bacteriana presente nos rebanhos é mais complexa do que se imaginava, o que pode dificultar estratégias padronizadas de controle da doença. Um dos pontos que mais chamam a atenção no estudo é a detecção de genes de resistência a antibióticos, incluindo aqueles relacionados à tetraciclina e aos macrolídeos — classes frequentemente utilizadas no tratamento de infecções em animais de produção. A presença desses genes sugere que parte das bactérias já possui mecanismos para sobreviver às terapias convencionais, o que pode resultar em falhas no tratamento e na persistência da infecção dentro dos rebanhos. Além disso, os cientistas analisaram fatores de virulência — características genéticas que aumentam a capacidade da bactéria de causar doença. Foram identificados genes associados à adesão às células do hospedeiro e à evasão do sistema imunológico, o que ajuda a explicar por que Streptococcus agalactiae consegue estabelecer infecções crônicas na glândula mamária das vacas, afetando diretamente a produção e a qualidade do leite. Para os autores, o detalhamento genômico das cepas circulantes abre caminho para estratégias de controle mais direcionadas, considerando o perfil genético local das bactérias, em vez de depender exclusivamente de protocolos generalizados. Os resultados também dialogam com uma preocupação crescente em escala global: a resistência antimicrobiana. Embora o foco da pesquisa seja veterinário, microrganismos resistentes presentes em animais podem representar risco indireto à saúde pública, seja por contato direto ou pela cadeia alimentar. Por isso, os pesquisadores defendem uma abordagem integrada entre saúde animal, humana e ambiental dentro do conceito de Saúde Única (One Health). Na prática, o estudo reforça a importância de medidas como diagnóstico laboratorial antes do tratamento, melhoria das condições de higiene na ordenha e monitoramento constante da saúde dos rebanhos. Confira o estudo completo publicado na revista científica Pathogens aqui. 
Jornal Primeira Página/MilkPoint.

INTERNACIONAL

Rabobank: Oferta elevada pressiona preços no mercado global de lácteos

O mercado global de lácteos segue bem abastecido e com níveis elevados de produção, cenário que continua influenciando os preços internacionais da categoria. A avaliação faz parte de uma análise recente do relatório Global Dairy Quarterly, publicado pelo Rabobank, que acompanha as principais tendências do setor leiteiro no mundo.

Segundo o banco, a produção de leite continua crescendo nas principais regiões exportadoras — com exceção da Austrália. Esse avanço foi favorecido principalmente pelos custos relativamente baixos de alimentação animal, o que incentivou os produtores a ampliar o volume de produção e manter a oferta global em níveis elevados. O aumento da disponibilidade de leite teve impacto direto sobre os preços internacionais dos lácteos. Os mercados de gordura foram os mais afetados, com quedas superiores a 40% entre setembro e fevereiro. O leite em pó integral seguiu movimento semelhante, acumulando recuo de cerca de 30% no mesmo período. Já os produtos ricos em proteínas apresentaram maior resiliência. Mercados como os de leite em pó desnatado, queijos e soro de leite registraram retrações mais moderadas, em torno de 15%. No caso do soro, os preços chegaram até a continuar em alta, sustentados pela forte demanda por produtos proteicos de maior valor agregado. Mais recentemente, no entanto, o mercado começou a mostrar sinais iniciais de recuperação. Apesar disso, os dados atuais de oferta ainda não indicam que essa recuperação seja estruturalmente sustentável. A produção de leite na União Europeia, nos Estados Unidos, na América do Sul e na Nova Zelândia permanece bem acima dos níveis registrados no ano passado. Embora o ritmo de crescimento esteja gradualmente voltando ao normal, o mercado global ainda apresenta grande disponibilidade de produtos lácteos. Mesmo assim, após um período prolongado de queda nos preços, o movimento recente de recuperação é visto como um sinal positivo para o setor, ao mostrar que as cotações podem voltar a subir. Nos próximos meses, a tendência é de um ajuste gradual do mercado. À medida que as margens nas fazendas enfrentam maior pressão e as comparações favoráveis com o ano anterior começam a desaparecer após o primeiro trimestre, a expectativa é de que o equilíbrio entre oferta e demanda se torne mais apertado. A previsão do Rabobank é que a produção de leite dos sete principais exportadores globais termine 2026 com crescimento de apenas 0,2% em relação ao ano anterior, após uma expansão de 2,6% registrada em 2025. Esse cenário é explicado, em grande parte, pela desaceleração do crescimento da oferta em regiões como América do Sul, Austrália e China. Na Europa, a produção de leite deve recuar cerca de 0,9%, com impactos mais visíveis ao longo do ano, especialmente nos mercados de manteiga e leite em pó desnatado. Nos Estados Unidos, por outro lado, as margens dos produtores seguem sustentadas pelos preços elevados da carne bovina, o que tende a manter o crescimento da produção de leite ao longo do ano. Nesse caso, a expansão deverá ser direcionada principalmente para a fabricação de queijos — especialmente muçarela e cheddar — além do soro de leite. Do lado da demanda, as condições econômicas em regiões importadoras importantes, especialmente na Ásia, continuam favoráveis para a manutenção das compras de lácteos no mercado internacional. No entanto, o relatório destaca que a instabilidade geopolítica segue como um fator de risco relevante.

Rabobank

ECONOMIA

Dólar fecha dia abaixo dos R$5,25, mas acumula alta de 2% na primeira semana de guerra

Após oscilar acima dos R$5,30 em alguns momentos da manhã, o dólar se firmou em baixa no Brasil durante a tarde da sexta-feira, com exportadores aproveitando as cotações mais altas para vender moeda e com o enfraquecimento da divisa dos EUA também no exterior.

O dólar à vista fechou a sessão em queda de 0,88%, aos R$5,2414, mas ainda assim a primeira semana de guerra no Oriente Médio foi desastrosa para o real, com a moeda norte-americana acumulando alta de 2,08% no período. No ano, o dólar passou a acumular queda de 4,51%. Às 17h05, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,55% na B3, aos R$5,2735. Pela manhã, investidores de todo o mundo em busca de segurança voltaram a vender ações e comprar dólares, penalizando ativos de maior risco como as divisas de países emergentes. Isso deu força ao dólar também no Brasil, que chegou a superar os R$5,30 em alguns momentos da manhã. No entanto, sempre que as cotações ultrapassavam este nível, participantes do mercado entravam nas operações vendendo moeda. “O dólar tentou acompanhar a valorização global em função da guerra e da alta do petróleo, mas apareceu fluxo, o exportador vendeu nos R$5,30”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Nos R$5,30 o pessoal entra vendendo, e há desmonte de posição (no mercado futuro)”, acrescentou. A divulgação do relatório de empregos payroll de fevereiro nos EUA, no meio da manhã, também fez o dólar reduzir os ganhos no exterior, com reflexos no Brasil. Os dados revelaram o fechamento de 92.000 postos de trabalho, após criação revisada para baixo de 126.000 em janeiro. O número negativo surpreendeu os economistas, que esperavam uma abertura de 59.000 postos em fevereiro, conforme pesquisa da Reuters. Em reação, os rendimentos dos Treasuries cederam, com investidores precificando chances maiores de corte de juros no curto prazo nos EUA, e o dólar se enfraqueceu ante boa parte das demais divisas. No Brasil, após atingir a cotação máxima de R$5,3215 (+0,64%) às 11h10, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,2388 (-0,92%) às 16h59, um minuto antes do fechamento.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda e tem pior semana desde 2022 com risco geopolítico maior

O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, com o ambiente externo ainda avesso a risco devido ao conflito no Oriente Médio, mas Petrobras evitou um declínio mais forte, com as PNs disparando, em pregão de forte alta do petróleo no exterior e repercussão dos resultados e perspectivas da estatal.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,61%, a 179.364,82 pontos, tendo marcado 178.556,49 na mínima e 181.091,01 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$32,58 bilhões. Com o desempenho após os ajustes finais de pregão, o Ibovespa acumulou uma queda de 4,99% na semana, a maior perda semanal desde o tombo de mesmo percentual da semana encerrada em 11 novembro de 2022. Acima disso, somente a perda de 5,36% da semana encerrada em 17 de junho de 2022. Na sexta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, exigiu a “rendição incondicional” do Irã na guerra que começou no último sábado, quando EUA e Israel atacaram o país, que revidou. Desde então, não houve sinais de trégua e o comentário de Trump pouco ajuda nas negociações. Poucas horas antes do comentário de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou na rede social X que “alguns países iniciaram esforços de mediação”. Ele destacou que o país está comprometido com a paz duradoura na região, mas que o Irã não hesitará em defender a sua dignidade e a sua autoridade. A crise paralisou o transporte marítimo no Estreito de Ormuz, fluxo vital de petróleo e gás daquela região, o que fez preço da commodity disparar e tem alimentado preocupações com o efeito na inflação e seus reflexos em políticas monetárias no mundo, principalmente nos EUA. Na sexta-feira, o barril sob o contrato Brent fechou em alta de 8,5%, a US$92,69. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, encerrou em queda de 1,33%, com números sobre o mercado de trabalho da maior economia do mundo – com fechamento de postos e aumento da taxa de desemprego – também no radar de agentes financeiros. A partir de segunda-feira, os horários de negociação dos mercados da B3 serão ajustados devido ao início do horário de verão nos EUA (08/03/2026), bem como na Alemanha e Inglaterra (29/03/2026). O call de fechamento do mercado de ações à vista ocorrerá das 16h55 às 17h.

REUTERS

Produção industrial no Brasil surpreende com maior alta em um ano e meio em janeiro

A produção industrial no Brasil registrou alta acima do esperado em janeiro, iniciando 2026 com o crescimento mais forte em cerca de um ano e meio depois de ter apresentado fraqueza ao longo do ano passado, embora o resultado ainda não seja visto como uma mudança de trajetória.

Em janeiro, a indústria teve alta de 1,8% sobre o mês anterior, resultado que ficou bem acima da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,7% e marcou o maior avanço desde junho de 2024 (+4,4%). Os dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve aumento de 0,2% na produção industrial, interrompendo três meses seguidos de queda, contra expectativa de retração de 0,7%. “O cenário para nós não muda: o saldo negativo permanece, temos excedentes de estoques, seguem os efeitos negativos da política monetária”, disse André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE. “O crescimento de 1,8% não pode ser considerado de forma isolada. Basta olhar para meses anteriores e se vê que não é uma mudança de trajetória da indústria.” Segundo ele, o resultado de janeiro pode ser parcialmente explicado pelo comportamento do setor em dezembro, quando a produção teve queda de 1,9%, a mais forte desde março de 2021, devido a férias coletivas. “Com a retomada das atividades produtivas no início do ano, ocorre uma recuperação de parte dessa perda”, disse ele. A indústria está 15,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. De acordo com os dados do Produto Interno Bruto divulgados nesta semana, a indústria teve crescimento de 1,4% em 2025, enfraquecendo depois de ter avançado 3,1% em 2024, em um ano marcado principalmente pela política monetária restritiva. Com a taxa básica de juros Selic em 15%, a expectativa para 2026 é de cortes, começando na reunião de 17 e 18 de março, o que pode ajudar o setor industrial em meio a uma inflação mais baixa e a um mercado de trabalho forte. No entanto, a guerra no Oriente Médio agora afeta as perspectivas. Em janeiro, 19 das 25 atividades industriais pesquisadas tiveram resultados positivos na comparação com dezembro, um espalhamento que, segundo o IBGE, não era visto desde junho de 2024, quando 23 das atividades avançaram. As principais influências positivas foram dadas pelos setores de produtos químicos (6,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (6,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,0%). Entre os produtos químicos, os que mais impulsionaram o resultado foram adubos e fertilizantes, herbicidas e fungicidas, todos ligados ao setor agrícola, que tradicionalmente ganha impulso no início do ano. Entre os resultados negativos, destacam-se máquinas e equipamentos (-6,7%), influenciadas por bens de capital para fins industriais e para fins agrícolas. “Lembrando que o comportamento negativo do setor guarda relação com o movimento de aumento de taxas de juros”, explicou Macedo. Em relação às categorias econômicas, todas apresentaram altas em janeiro na comparação com o mês anterior — bens de consumo duráveis (6,3%), bens de capital (2,0%), bens intermediários (1,7%) e bens de consumo semi e não duráveis (1,2%).

REUTERS

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