Informativo Sindileite 83 02.03.2026

Ano 1 | nº 83 | 02 de março de 2026

NOTÍCIAS

Após cair por nove meses, preço do leite reage no início de 2026, diz Cepea

O preço do leite pago ao produtor reagiu em janeiro/26 depois de ter registrado nove meses consecutivos de queda. Cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostram que o preço do leite ao produtor captado em janeiro/26 fechou a R$ 2,0216/litro na Média Brasil, ligeira alta de 0,9% frente a dezembro/25, mas forte queda de 26,9% sobre a de janeiro/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo Ipca de janeiro/26).

Pesquisadores do Cepea indicam que o resultado, que confirma a expectativa do setor de preços firmes em janeiro, se deve a ajustes pontuais na produção em diferentes bacias leiteiras. A estabilidade com viés de alta é justificada pelo mercado ainda abastecido de lácteos, mas que sofre com a pressão negativa sobre a base produtiva. As quedas consecutivas no preço do leite no campo em 2025 estreitaram as margens do produtor. Mesmo com a relativa estabilidade dos custos em 2025, a pesquisa do Cepea aponta que, em janeiro/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% na Média Brasil. A valorização do milho também segue limitando o poder de compra do produtor: em janeiro, foram necessários 33,56 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg do grão, 3,76% a menos que no mês anterior, porém, 15,2% acima da média dos últimos 12 meses (de 29,12 l/sc). Com isso, os investimentos na atividade tendem a se reduzir. A sazonalidade também reforça a diminuição da captação. De dezembro/25 para janeiro26, o Icap-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,6% na Média Brasil, puxado pelos resultados sobretudo no Sul e em São Paulo. Ao mesmo tempo em que existe certa pressão do lado da oferta e disputa por matéria-prima, os mecanismos de transmissão de alta seguem travados pelo lado industrial e comercial, já que o giro no varejo ainda não é suficiente para “descomprimir” o sistema. A indústria seguiu com dificuldade no repasse aos canais de distribuição em janeiro, tendo em vista que o consumo segue sensível ao preço. Levantamento realizado pelo Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostra que, em janeiro, as médias de preços do leite UHT, da muçarela e do leite em pó recuaram 1,44%, 1,49% e 0,15% respectivamente, em termos reais, frente ao mês anterior. Ao mesmo tempo, as importações cresceram 8% de dezembro/25 para janeiro/26, com aquisição de 178,53 milhões de litros em equivalente leite (EqL). O aumento de 16,75% nas exportações (que somaram 4,3 milhões de litros EqL) não foi suficiente para equilibrar o mercado. A partir de fevereiro, é possível que o viés de alta se consolide, mas, mesmo assim, esse movimento deve ocorrer de forma gradual e moderada, já que o avanço do preço está condicionado ao escoamento

Cepea

Indústrias temem risco do acordo Mercosul-UE para o setor leiteiro

Acordo que certamente aumentará a corrente de comércio

Impactado por meses de baixa rentabilidade no campo e na indústria, o setor lácteo brasileiro teme os efeitos adversos do acordo que avança entre Mercosul e União Europeia. O texto prévio de tratado de incentivo comercial entre blocos econômicos foi aprovado esta semana na Câmara dos Deputados e segue para apreciação do Senado e foi tema da reunião de associados do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) na tarde da quinta-feira (26/2), em Porto Alegre (RS). Segundo o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, o risco é que o setor entre como moeda de troca internacional para a concessão de benefícios a outros segmentos. “Esse é um acordo que certamente aumentará a corrente de comércio entre os países, favorecendo a economia brasileira. No entanto, precisamos operar para resguardar setores sensíveis e estratégicos, como o do leite, como forma de garantir autonomia alimentar e a sobrevivência da produção leiteira”, completou. Pelo acordo em tramitação, está prevista redução de tarifas de importação para diversos setores. A política em debate prevê desoneração entre países dos dois blocos econômicos por até 18 anos, prazo que variará de acordo com o produto. “O acordo é inevitável. Precisaremos que o governo crie salvaguardas como existem hoje na União Europeia, concedendo subsídios ao setor produtivo que favoreçam a competitividade local frente aos importados ao lado de ações já existentes como o Mais Leite Saudável”, sugeriu Palharini.

AGROLINK

Projeto diminui custos de queijarias assistidas pelo IDR-Paraná

O Paraná está se firmando como um importante produtor de queijos. São inúmeras as queijarias que conquistaram premiações estaduais, nacionais e alguns queijos paranaenses foram até premiados fora do Brasil. Para o sucesso dessas agroindústrias, é fundamental que o leite usado na fabricação dos queijos tenha qualidade, o que exige exames constantes da matéria prima.

Um projeto-piloto implementado pelo IDR-Paraná e Associação Paranaenses dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (Apcbrh) está diminuindo os custos dessas análises para o produtor, facilitando a realização dos exames. Doze agroindústrias da Região Metropolitana de Curitiba já estão sendo beneficiadas pela iniciativa. Janete do Rocio Fila Gadomski é proprietária da queijaria Bom Paladar, de Araucária. Ela já foi premiada no Concurso Queijo Paraná, em 2023, e Queijo Brasil, no ano seguinte. Para Janete, um fator decisivo para esse resultado foi a participação em cursos oferecidos pelo projeto Queijarias de Araucária, promovido pela Secretaria Municipal da Agricultura em parceria com o IDR-Paraná, além da orientação dos extensionistas do Instituto. Ela fabrica queijos frescos, maturados e doce de leite. Para ela, o projeto é importante para assegurar a qualidade do queijo que produz. “É um trabalho muito bom porque assim a gente tem uma estabilidade maior da qualidade do leite. Quando está tudo em ordem, a gente sabe que as coisas caminham bem. E leite bom, queijo melhor ainda”, ressalta a produtora. A coleta das amostras de leite nos tanques, ou latões, é feita mensalmente pelos extensionistas do IDR-Paraná que também encaminham o material para os laboratórios. Com os dados das análises eles orientam os queijeiros a respeito da rotina na agroindústria e o que pode ser feito para aumentar a qualidade do leite. “A Instrução Normativa 76, por exemplo, estabelece uma média de contagem de células somáticas do leite no tanque. Quando essa contagem está muito alta pode indicar um maior índice de mastite no rebanho. Isso vai causar menor produção e maior descarte do leite, além de custos com a compra de medicação. Fazendo esse controle – de células somáticas e contagem bacteriana- o produtor consegue acompanhar e melhorar a qualidade do leite. Melhorando o leite, ele melhora também a produção da queijaria”, explicou Renata Lessa, extensionista que acompanha a Queijaria Bom Paladar. O projeto Agroindústria, Sanidade Agropecuária e Bovinocultura Leiteira do IDR-Paraná e Apcrh inclui ainda a análise dos parâmetros de composição do leite (gordura, proteína, lactose e sólidos gordurosos).  O produtor paga R$150 para cada grupo de dez amostras analisadas. A economia é significativa, pois somente a análise do teor de gordura do leite tem um custo entre R$ 30 e R$100, por amostra. Para Renata Lessa, o projeto é uma oportunidade vantajosa e estratégica para qualificar a produção das agroindústrias familiares paranaenses, com menor custo, maior controle sanitário e, consequentemente, uma produção de queijos com mais qualidade. Ela lembra que todos esses exames realizados por meio do projeto, atendem a uma exigência legal dos Sistemas de Inspeção e são necessários para as agroindústrias atuarem no mercado. A iniciativa é um projeto-piloto implantado na Região Metropolitana de Curitiba, mas produtores de queijo de outras regiões do estado podem procurar o técnico do IDR-Paraná do seu município para fazer um cadastro e iniciar a coleta das amostras.

Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-PR)

NACIONAL

Conseleite/MG projeta valor de referência para o leite pago em março/26

O Conseleite/MG projeta que o valor de referência do leite pago em março de 2026 terá um ligeiro aumento de 1,1% em relação ao mês anterior.

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 25 de fevereiro de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em novembro/2025 a ser pago em dezembro/2025. b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em janeiro/2026 a ser pago em fevereiro/2026. c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em fevereiro/2026 a ser pago em março/2026. Períodos de apuração: Mês de Dezembro/2025: De 01/12/2025 a 31/12/2025. Mês de Janeiro/2026: De 01/01/2026 a 31/01/2026. Parcial de Fevereiro/2026: De 01/02/2026 a 20/02/2026. Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são postos propriedade incluindo 1,5% de Funrural.

CONSELEITE/MG

INTERNACIONAL

Beef-on-Dairy está se tornando um motor cada vez maior para a cadeia de carne dos EUA

O beef-on-dairy tornou-se uma parte significativa da oferta de carne bovina dos Estados Unidos ao longo da última década, ganhando impulso como um trem de carga que continua acelerando. De fato, cerca de 20% da carne bovina atual tem origem em uma vaca leiteira, refletindo o quanto a produção leiteira se tornou integrada à cadeia de valor mais ampla da carne.

E, segundo Matthew Cleveland, da ABS Global, e Nick Hardcastle, da Cargill América do Norte, esse impulso não dá sinais de desaceleração. “Acho que todos estamos cientes da dimensão e magnitude que o beef-on-dairy alcançou e do papel significativo que desempenha hoje em nossa cadeia de suprimento de carne bovina”, observou Cleveland durante um painel na conferência de 2026 da National Cattlemen’s Beef Association. Ele afirma que o crescimento do setor também mudou a forma como as indústrias de leite e carne se enxergam. Em vez de operarem como segmentos separados, as fronteiras entre elas ficaram mais difusas. O negócio do leite é uma grande parte do negócio da carne”, diz Cleveland. “Eu nem gosto mais de separá-los. Estamos todos no negócio da carne, e valorizamos a parceria com nossos produtores de leite.” À medida que o beef-on-dairy se expandiu, mais atenção passou a ser dada às decisões tomadas nas fazendas leiteiras, onde as escolhas de acasalamento influenciam diretamente o desempenho desses bezerros ao longo de todo o sistema de produção de carne. Nos primeiros anos do beef-on-dairy, as decisões de cruzamento eram motivadas principalmente pela conveniência, e não por uma intenção genética estratégica. O sêmen de raças de corte era frequentemente escolhido com base no preço e na disponibilidade, e não na adequação genética às necessidades do setor de carne. “Antes de as pessoas realmente começarem a pensar na genética de touros de corte sobre vacas leiteiras, quase não havia consideração sobre quais eram essas genéticas”, diz Cleveland. “A maioria das decisões se resumia ao sêmen que já estava no tanque ou ao que era gratuito. O principal objetivo era simplesmente emprenhar a vaca.” Essa abordagem começou a mudar quando o setor passou a enxergar o beef-on-dairy como uma oportunidade genética de longo prazo, e não apenas como uma ferramenta reprodutiva. “Começamos a olhar para o beef-on-dairy de forma mais séria sob a perspectiva de melhoramento genético por volta de 2012”, afirma Cleveland. “Começamos a ver sinais de que o beef-on-dairy estava crescendo.” Nos primeiros anos do beef-on-dairy, os bezerros cruzados revelaram desafios reais para a indústria da carne. Cleveland observa que muitos desses animais eram vistos simplesmente como “Holandeses pretos”, o que reduziu o entusiasmo dos frigoríficos. Com a seleção de touros se tornando mais intencional, o desempenho melhorou. Em 2017-18, segundo Cleveland, os bezerros oriundos de vacas leiteiras começaram a se assemelhar mais aos bezerros tradicionais de corte. Algumas dessas melhorias genéticas incluíram: Fertilidade e facilidade de parto para as fazendas leiteiras. Eficiência alimentar e ganho de peso para os confinamentos. Mérito e consistência de carcaça para os frigoríficos. Com os bezerros beef-on-dairy apresentando desempenho cada vez mais semelhante ao de bovinos de corte tradicionais, os frigoríficos veem essa consistência como essencial para manter a qualidade e o fluxo de animais no sistema. “O beef-on-dairy é algo muito importante para a indústria da carne neste momento, especialmente quando falamos de capacidade”, afirma Hardcastle. “Precisamos garantir que temos uma população bovina capaz de atender à demanda dos consumidores.” Ele enfatiza que esses animais não estão reduzindo os padrões gerais da indústria. “Eles são bons para o consumidor”, diz Hardcastle. “Os dados de maciez mostram que apresentam desempenho muito bom, gerando impacto positivo. Não são apenas animais sendo misturados para reduzir a qualidade; na verdade, ajudam a melhorá-la.” “Em 2021, esses animais atingiam 80% de classificação Choice ou superior. Hoje estão em torno de 92% Choice.” “Do ponto de vista de marmoreio, quase dois terços desses animais poderiam se qualificar como Choice superior (upper two-thirds Choice)”, afirma. “Os que não conseguem geralmente ficam abaixo por fatores como peso de carcaça quente, tamanho de área de olho de lombo e espessura de gordura.”  Do ponto de vista de qualidade de carcaça, segundo Hardcastle, o beef-on-dairy está entregando o que a indústria precisa: boa classificação, estabilidade na oferta e desempenho consistente. esmo com melhora em classificação e marmoreio, os frigoríficos ainda enfrentam desafios relacionados a características de carcaça que afetam o retorno econômico, especialmente o excesso de gordura interna (rim, pélvica e cardíaca – KPH). Hardcastle explica que os animais beef-on-dairy frequentemente refletem sua origem Holandesa, apresentando maior deposição de gordura KPH do que bovinos de corte tradicionais. “Do ponto de vista do frigorífico, você paga pela carcaça com a gordura de rim, pélvica e cardíaca incluída, mas essa gordura não pode ser vendida como carne”, explica. “Ela acaba no mercado de sebo por cerca de US$ 1,10 a US$ 1,32 por kg, comparado a aproximadamente US$ 7,94 por kg na grade de carne, gerando perda imediata de valor.”  “Se eu tiver uma carcaça de aproximadamente 431 kg, algo bastante comum hoje, isso pode significar cerca de 5,4 kg extras de gordura interna em vez de carne vendável,” diz. “Essa diferença pode custar de US$ 30 a US$ 40 por cabeça.” Essas diferenças também evidenciam as limitações do sistema tradicional de classificação de rendimento (yield grade). “O yield grade foi desenvolvido para estimar quanto de carne vermelha vendável uma carcaça produzirá”, explica Hardcastle. Com base em área de olho de lombo, gordura de cobertura e peso de carcaça, os beef-on-dairy deveriam apresentar melhor rendimento que bovinos de corte tradicionais, mas o yield grade nem sempre reflete seu desempenho real. Para enfrentar esse desafio, a Cargill está testando uma nova tecnologia chamada SizeR, que capta medições tridimensionais da carcaça em velocidade de linha.  Todos os anos, milhões de bezerros beef-on-dairy entram no mercado, fornecendo uma fonte confiável de animais de alta qualidade que geram valor desde a fazenda leiteira até o frigorífico. “Temos algo em torno de 3 a 3,5 milhões de bezerros beef-on-dairy no mercado hoje, o que representa uma parcela significativa da cadeia de suprimento de carne”, acrescenta Cleveland. “Em cada etapa, da fazenda leiteira ao confinamento e ao frigorífico, esses animais estão performando e agregando valor”, diz Hardcastle. À medida que a indústria continua refinando a forma como esses animais são avaliados e manejados, o beef-on-dairy está posicionado para permanecer como um componente confiável tanto da oferta quanto da demanda do consumidor.

DROVERS

ECONOMIA

Dólar termina sessão estável, mas acumula queda de 2,17% em fevereiro

Após superar os R$5,17 pela manhã, em meio à disputa dos investidores pela formação da Ptax de fim de mês, o dólar perdeu força ante o real e fechou a sexta-feira muito próximo da estabilidade, com a moeda norte-americana também demonstrando maior fraqueza no exterior no fim da tarde.

O dólar à vista encerrou a sessão com leve baixa de 0,09%, aos R$5,1344. Na semana, a divisa acumulou queda de 0,81% e, no mês, recuo de 2,17%. No acumulado de 2026, o dólar à vista registra queda de 6,46%. Às 17h06, o dólar futuro para abril — que nesta sexta-feira passou a ser o mais líquido no Brasil — cedia 0,03% na B3, aos R$5,1750. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. Definida a Ptax (R$5,1495 na venda), o dólar passou a oscilar sem a pressão técnica vista mais cedo, se reposicionando próximo da estabilidade ante o real durante a tarde. Neste cenário, após atingir a cotação máxima de R$5,1717 (+0,63%) às 10h43, em meio à disputa pela Ptax, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,1230 (-0,32%) às 13h13, logo depois da definição da taxa. No restante da sessão, o dólar pouco se afastou da estabilidade ante o real, sendo que no exterior a moeda norte-americana também perdeu um pouco de força ante outras divisas. Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia para a inflação oficial, subiu 0,84% em fevereiro, acelerando ante os 0,20% de janeiro e bem acima da projeção mediana captada em pesquisa da Reuters com economistas, de 0,57%. Nos 12 meses até fevereiro, a taxa avançou 4,10%, acima da projeção de 3,82%. Os resultados do IPCA-15 tiveram maior impacto no mercado de renda fixa, onde as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) dispararam, com investidores reduzindo um pouco as apostas de que o Banco Central em março cortará em 50 pontos-base a taxa básica Selic, hoje em 15%.

Reuters

Ibovespa fecha dia em queda, mas tem nova alta mensal apoiada por estrangeiros

O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, mas assegurou mais um desempenho mensal positivo, o sétimo seguido, marcado por novas máximas históricas, novamente sustentadas pelo fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras.

As perdas em Wall Street e o IPCA-15 acima do esperado corroboraram a correção negativa no último pregão do mês, também marcado pelo anúncio do Bradesco sobre consolidação de seus negócios de saúde e repercussão de resultados corporativos. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,14%, a 188.835,64 pontos, acumulando declínio de 0,89% na semana, mas ainda subiu 4,12% no mês, de acordo com dados preliminares. Na sexta-feira, o Ibovespa registrou 188.478,08 pontos na mínima e 191.005,02 pontos na máxima. O volume financeiro no pregão somava R$25,56 bilhões antes dos ajustes finais.

Reuters

IPCA-15 sobe bem mais que o esperado em fevereiro impactado por mensalidades escolares e transportes

Os preços das mensalidades escolares e dos transportes pressionaram a inflação e o IPCA-15 subiu bem mais do que o esperado em fevereiro, em meio a expectativa de cortes de juros pelo Banco Central em março.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve em fevereiro avanço de 0,84%, depois de subir 0,20% em janeiro, resultado que ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,57%. Ainda assim, os dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que, em 12 meses, a alta do IPCA-15 desacelerou a 4,10%, de 4,50% no mês anterior. No entanto, também ficou bem acima da projeção de 3,82%. A meta contínua para a inflação é de 3,0% medido pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Com a taxa básica de juros em 15%, o BC volta a se reunir no mês que vem para decidir sobre a Selic em meio a amplas expectativas de que inicie um ciclo de cortes. “Embora o IPCA-15 capture efeitos sazonais típicos de fevereiro, os dados indicaram deterioração qualitativa. Ainda assim, mantemos a avaliação de que o quadro inflacionário brasileiro segue em processo de desinflação”, disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, que segue vendo o início dos cortes dos juros pelo BC em março. Em um efeito sazonal, os preços do grupo Educação subiram 5,20% em fevereiro, após marcar uma variação positiva de 0,05% em janeiro, por causa dos reajustes nas mensalidades de escolas e cursos que ocorrem no início do ano letivo. A maior contribuição foi dada pelos cursos regulares (+6,18%), com altas dos preços do ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,07%) e pré-escola (7,49%). Mas o que exerceu o maior peso sobre o índice do mês foi o aumento de 1,72% dos Transportes, após queda de -0,13 no mês anterior, com as passagens aéreas subindo 11,64%. Já os combustíveis avançaram 1,38% em fevereiro apesar do corte de preços nas refinarias pela Petrobras, com altas nos preços do etanol (2,51%), da gasolina (1,30%) e do óleo diesel (0,44%). Já no grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,20% em fevereiro, abaixo da taxa de 0,31% de janeiro, com alta de 0,09% da alimentação no domicílio. Tiveram alta tomate (10,09%) e carnes (0,76%), enquanto os preços do arroz (-2,47%), frango em pedaços (-1,55%) e frutas (-1,33%) recuaram. André Valério, economista sênior do Inter, destacou deterioração do índice na margem, com a inflação de serviços acelerando de 0,15% para 1,49% em fevereiro, ainda que amplamente influenciada pelas altas em Educação e nas passagens aéreas.

Reuters

UE acelera acordo comercial com o Mercosul

A União Europeia aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul para garantir que o bloco obtenha a vantagem do pioneirismo, afirmou na sexta-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A Comissão Europeia concluiu seu maior pacto comercial de todos os tempos em termos de reduções tarifárias com a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai após 25 anos de negociações. O Executivo da UE afirmou que irá eliminar cerca de 4 bilhões de euros em taxas sobre as exportações da UE. A Alemanha e outros defensores do acordo, como a Espanha, afirmam que ele é essencial para compensar as perdas comerciais causadas pelas tarifas dos EUA e para reduzir a dependência da China em relação a minerais essenciais. Os opositores, liderados pela França — o maior produtor agrícola da UE —, afirmam que o acordo aumentará drasticamente as importações de carne bovina, açúcar e aves baratas, prejudicando os agricultores nacionais, que têm realizado repetidos protestos.

Reuters

Setor público consolidado tem superávit primário de R$ 103,7 bi em janeiro

Um ano antes, o resultado havia sido superávit em R$ 104,093 bilhões.

Os dados do setor público consolidado envolvem governo central (formado por Previdência e Tesouro, além do próprio BC), Estados, municípios e estatais. Ficam fora da conta empresas do grupo Petrobras, além de bancos públicos, como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal. O resultado de janeiro refletiu um superávit do governo central de R$ 87,3 bilhões e um superávit de R$ 21,3 bilhões dos Estados e municípios. As estatais tiveram déficit de R$ 4,9 bilhões. Em 12 meses até janeiro, por sua vez, o déficit primário alcançou R$ 55,4 bilhões, o equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 12 meses até dezembro, o superávit estava em 0,43% do PIB. Pelo critério nominal, que inclui despesas com juros, o setor público consolidado teve superávit de R$ 40,1 bilhões no primeiro mês de 2026, contra déficit de R$ 63,737 bilhões em janeiro do ano anterior. O resultado nominal de janeiro refletiu, além do superávit primário de R$ 103,7 bilhões, uma conta de juros de R$ 63,6 bilhões. Nos 12 meses até janeiro, por sua vez, o déficit nominal foi de R$ 1,086 trilhão, o equivalente a 8,49% do PIB. Em dezembro de 2025, estava em 8,34% do PIB. A conta de juros até janeiro somou R$ 1,031 trilhão, ou 8,1% do PIB, vinda de R$ 1007,6 bilhões, ou 7,9% do PIB no último mês de 2025. O BC atualizou na sexta-feira as elasticidades das dívidas líquida e bruta do setor público a seus principais indexadores. Para a dívida líquida, a valorização de 1% do câmbio leva a um aumento imediato de 0,07 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 8,9 bilhões. Para cada aumento de 1 ponto percentual da Selic, mantida por 12 meses, há elevação da dívida de 0,49 ponto, ou R$ 62,9 bilhões. Já um aumento de 1 ponto na inflação, mantido por 12 meses, eleva a dívida em 0,17 ponto, ou R$ 21,9 bilhões. No caso da dívida bruta, a valorização de 1% do câmbio gera queda imediata de 0,08 ponto, ou R$ 10 bilhões. Para cada elevação de 1 ponto da Selic, mantida por 12 meses, há elevação de 0,45 ponto da dívida, ou R$ 57,3 bilhões. Já cada aumento de 1 ponto na inflação, mantido por 12 meses, eleva a dívida em 0,17 ponto, ou R$ 21,6 bilhões.

Reuters

Renda domiciliar per capita nominal mensal foi de R$ 2.316 no Brasil em 2025, diz IBGE

A renda domiciliar per capita nominal mensal foi de R$ 2.316 no Brasil em 2025, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada na sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Todo ano, o instituto envia as estatísticas da renda domiciliar per capita para o Tribunal de Contas da União (TCU), com o objetivo de cumprir a exigência da Lei Complementar 143/2013. Esses dados são usados para rateio do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE). O IBGE divulgou ainda o valor para as 27 unidades da federação. O Distrito Federal manteve a liderança no ranking, com R$ 4.538. O valor reflete os salários da burocracia pública federal, diante da elevada proporção de servidores por causa de Brasília. Na outra ponta, mais uma vez a menor renda foi registrada no Maranhão, de apenas R$ 1.219. No Estado de São Paulo, a renda per capita nominal foi de R$ 2.956 em 2025, a segunda maior do país. No Estado do Rio, era de R$ 2.794. Em Minas Gerais, por sua vez, a renda foi de R$ 2.353, conforme os dados do IBGE. Para chegar aos valores, o instituto soma o rendimento do trabalho e de outras fontes de renda recebidas pelos moradores de cada domicílio do país. O resultado, então, é dividido pelo número de moradores da residência. Neste caso, o IBGE não divulga valores corrigidos pela inflação para fins de comparação com anos anteriores.

VALOR ECONÔMICO

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