Ano 1 | nº 66 | 03 de fevereiro de 2026
NOTÍCIAS
Proteínas animais pressionaram preços dos alimentos em 2025
Enquanto carnes e queijos acumularam altas expressivas no ano, dezembro trouxe queda nos preços do leite UHT e de alguns derivados, ajudando a conter a inflação no curto prazo.
As proteínas animais estiveram entre os principais vetores de pressão sobre os preços dos alimentos no Brasil em 2025. Carne bovina, carne suína e derivados lácteos encerraram o ano com altas expressivas, reflexo de custos elevados, oferta ajustada e demanda firme, tanto no mercado interno quanto no externo. Esse movimento impactou diretamente o orçamento do consumidor e contribuiu para sustentar a inflação de alimentos ao longo do período. Dados do estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, elaborado pela Neogrid, mostram que, apenas em dezembro, a carne bovina registrou aumento médio de 2,3% no país, enquanto a carne suína subiu 2,2% na comparação mensal. No acumulado de 2025, os queijos apresentaram valorização de 12,4%, consolidando-se entre os itens mais pressionados da cesta alimentar.
Apesar desse cenário, o fechamento do ano trouxe um alívio pontual para o segmento lácteo. O leite UHT apresentou queda média nacional de 5,3% em dezembro, movimento ainda mais intenso na Região Sul, onde a retração chegou a 7,7%. Outros derivados também recuaram na região, como queijos (-3,8%) e leite em pó (-3,3%), contribuindo para conter a inflação no curto prazo. Segundo Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid, o comportamento das proteínas animais ao longo de 2025 ajuda a explicar o cenário inflacionário observado. Para ela, o ano foi marcado por pressões relevantes em categorias estratégicas, como carnes e café, impulsionadas por custos elevados, oferta mais restrita e forte demanda externa, o que pressionou diretamente o orçamento do consumidor. No caso da carne bovina, a valorização ao longo do ano foi resultado da combinação entre custos de produção mais altos, ajustes na oferta e a força das exportações. Já na cadeia do leite, o aumento dos preços de derivados, como os queijos, refletiu tanto o encarecimento da matéria-prima em determinados períodos quanto a elevação dos custos industriais e logísticos. Além das proteínas animais, outros itens essenciais da cesta de consumo também encerraram 2025 em alta. A margarina acumulou aumento de 12,1%, o creme dental subiu 11,7% e a cerveja registrou elevação de 6,2%, evidenciando um cenário disseminado de reajustes ao longo do ano. O destaque negativo ficou novamente com o café, que liderou as altas no acumulado anual. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, o produto ficou 40,7% mais caro, com o preço médio passando de R$ 53,58 para R$ 76,36. A elevação ocorreu mesmo diante de uma safra brasileira estimada em 56,5 milhões de sacas, crescimento de 4,3% em relação a 2024, segundo a Conab. No entanto, a produção de café arábica — variedade mais consumida no mercado interno — caiu 9,7%, impactada por baixa produtividade e condições climáticas adversas, o que reduziu a oferta e pressionou os preços. Apesar das altas acumuladas, dezembro trouxe quedas relevantes em itens básicos da alimentação, ajudando a amenizar a inflação no curto prazo. Além do leite UHT, os ovos recuaram 3,6% e o arroz, 2,2% no fechamento do ano. No recorte regional, a Região Sul apresentou comportamento heterogêneo dos preços em dezembro. Enquanto os legumes lideraram as altas, com avanço de 8,4%, também registraram elevação a água mineral (3,8%), os biscoitos (3,5%), os bovinos (3,4%) e o sabonete (2,7%). Por outro lado, além dos lácteos, o frango apresentou queda de 3,1% no período. No cenário macroeconômico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% em dezembro de 2025, acelerando em relação a novembro e indicando a manutenção de um ambiente inflacionário, ainda que com comportamento desigual entre os diferentes grupos de consumo. Para 2026, a avaliação da Neogrid aponta um cenário mais moderado, embora ainda desafiador. Segundo Anna Carolina Fercher, itens sensíveis ao câmbio e à conjuntura global devem seguir pressionados, enquanto mercadorias básicas tendem a apresentar maior estabilidade, reduzindo o risco de uma inflação disseminada. Ainda assim, fatores climáticos e macroeconômicos continuam exigindo atenção.
O PRESENTE RURAL
EMPRESAS
Tirolez conclui aquisição da Levitare e já prospecta novos negócios no país
Empresa olha oportunidades em categorias como queijos finos e de produtos do dia a dia, mas diz que objetivo não é comprar para ganhar escala. Marcel de Barros, CEO da Tirolez, sobre aquisições: “Se tudo funcionar, a gente deve ter novidades em 2026 ainda”
Após finalizar a aquisição da Levitare, empresa líder na produção de quejo de búfala em São Paulo, a laticínios Tirolez vislumbra a possibilidade de fechar novos negócios ainda em 2026. A operação entre as duas empresas foi concluída dia 2. Segundo o CEO da Tirolez, Marcel de Barros, a transação pode ter sido “a primeira de muitas”. “Se tudo funcionar, a gente deve ter novidades em 2026 ainda”, afirmou Barros, em entrevista exclusiva ao Valor, ressaltando que essas novidades devem ficar para o segundo semestre do ano. “Estamos buscando oportunidades de mercado. Têm surgido bastante movimentações no mercado lácteo, e a Tirolez está ativa nesse mercado na ponta compradora”, resumiu. A aquisição da Levitare foi a primeira da história de 45 anos da Tirolez. E aconteceu quando Barros completa dois anos como CEO da empresa, após passagem pela Nestlé. Outras aquisições podem vir de categorias adjacentes, como queijos finos e especiais, mas produtos mais voltados ao dia a dia também estão no radar da empresa. Porém, segundo o executivo, a meta não é “comprar para ganhar escala”. “O ano passado foi um ano bastante difícil para o setor. Com essas taxas de juros, algumas empresas acabaram optando por entrar no mercado e eventualmente vender o negócio. Então surgiram muitos negócios públicos, que já foram anunciados, e muitos que estão em gestação. Para o setor, para quem tem uma posição sólida e uma estrutura de capital adequada, surgem oportunidades, e é atrás dessas oportunidades que nós da Tirolez estamos indo”, disse. A compra da Levitare foi anunciada no dia 6 de outubro de 2025. A negociação foi aprovada em novembro, sem ressalvas, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em processo expresso, segundo Barros, devido ao nível de concentração baixo das duas empresas. Os meses de dezembro e janeiro foram dedicados a questões de condições precedentes que permitiram à Tirolez assumir a operação da Levitare ontem. Um primeiro movimento foi a consolidação do centro de distribuição (CD), de modo que os produtos da Levitare já vão ser faturados e sair do CD da Tirolez, instalado na Rodovia Raposo Tavares. “Com isso, conseguimos iniciar a captura de sinergias operacionais”, observou. Embora a Tirolez já esteja no comando da Levitare, a empresa especializada em queijo de búfala será mantida operando de forma independente em 2026 por uma questão de incorporação no início do ano fiscal. “Vamos preparar tudo para incorporá-la à Tirolez em janeiro de 2027”, acrescentou.
A aquisição deve gerar um acréscimo de 10% na receita do grupo Tirolez neste primeiro ano. A marca Levitare continuará existindo. O portfólio tem cerca de 50 SKUs, tanto no mercado de food service quanto ao consumidor. No momento, não estão previstos investimentos adicionais na fábrica. Indagado sobre o desafio de produzir leite de búfala em um país que conta com um rebanho bubalino bem menor que o de bovinos, Barros disse tratar-se de uma grande oportunidade. “Não só para a indústria, mas também para os criadores de búfala, com quem a gente vai querer trabalhar junto para poder alavancar a produção e a produtividade”. Ele observou que o mercado para derivados de leite de búfala está muito concentrado no Sudeste, mas destacou que há oportunidades no Sul, Nordeste e Centro-Oeste. A região Nordeste, aliás, é apontada como a que mais contribui hoje para o crescimento da marca. A Tirolez fechou o ano de 2025 com um crescimento de dígito único — Barros não revelou o percentual. A ambição de avançar duplo dígito não foi concretizada, segundo ele, pelo efeito negativo dos preços. Por outro lado, houve evolução acima de duplo dígito em rentabilidade. “Focamos muito em ganhos de eficiência ao longo de toda a nossa cadeia de valor.” O crescimento também foi superior no segmento de food service, voltado a produtos para estabelecimentos de alimentação. No ano passado, para fortalecer a presença nesse segmento, a empresa lançou a plataforma Tirolez Profissional. A Tirolez tem atualmente cerca de 5% do mercado de queijos no país. Segundo a diretora de marketing, Andrea Köhler, a marca tem a ambição de ser a mais lembrada do Brasil.
VALOR ECONÔMICO
NACIONAL
Cesta láctea sobe 1,15% em Goiás em janeiro
Mercado lácteo inicia 2026 com alta em Goiás
A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás divulgou o primeiro Boletim de Mercado do Setor Lácteo Goiano de 2026, elaborado pela Câmara Técnica e de Conciliação da Cadeia Láctea do estado. A publicação apresenta os resultados do índice de preços da cesta de derivados lácteos referentes a janeiro de 2026. No período, o índice geral registrou variação positiva de 1,15% em relação ao mês anterior, com movimentos distintos entre os produtos analisados. Segundo o boletim, houve valorização do creme de leite a granel, com alta de 9,16%, do leite UHT integral, que avançou 2,71%, e do queijo muçarela, com elevação de 1,01%. Em sentido oposto, o leite em pó integral apresentou recuo de 0,35% e o leite condensado registrou queda de 1,67% no mesmo intervalo. O levantamento é resultado de iniciativa conjunta do Governo de Goiás, por meio da Seapa, do Instituto Mauro Borges, da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, do Sindicato das Indústrias de Laticínios no Estado de Goiás e da Associação Goiana de Supermercados. O índice é calculado a partir da variação de preços do leite UHT integral, do leite em pó integral, do queijo muçarela, do leite condensado e do creme de leite a granel, ponderados conforme a participação de cada item no mix médio da indústria de laticínios goiana. A análise considera os preços recebidos pela indústria no mercado atacadista, com base em dados do MilkPoint Mercado e elaboração técnica do Instituto Mauro Borges. De acordo com a Seapa, o boletim tem como objetivo oferecer uma leitura atual do desempenho do setor e servir de referência para a gestão e o planejamento da cadeia produtiva no estado.
AGROLINK
INTERNACIONAL
Agência da UE propõe limitar doses de toxinas no leite
A Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) propôs, nesta segunda-feira (2), uma dose de referência para uma toxina às vezes encontrada no leite em pó, após a retirada deste produto em dezenas de países.
A EFSA indicou que uma concentração de cereulida superior a 0,054 micrograma por litro em fórmulas para lactantes ou superior a 0,1 micrograma por litro em fórmulas para bebês “poderia levar ao excedimento dos níveis de segurança”. “Este parecer visa ajudar os gestores de risco da UE a determinar quando um produto deve ser retirado do mercado como medida de precaução de saúde pública”, afirmou a agência sediada na Itália em comunicado. Ainda não está claro se a nova recomendação levará a novas retiradas. Diversas empresas, incluindo gigantes como Nestlé, Danone e Lactalis, recolheram leite de fórmula para lactantes em mais de 60 países, incluindo a França, desde dezembro, devido ao risco de contaminação por cereulida. A cereulida, uma toxina produzida por certas bactérias, pode “causar principalmente problemas digestivos, como vômitos ou diarreia”, segundo o Ministério da Saúde francês.
Duas investigações criminais foram abertas na França após a morte de dois bebês que consumiram fórmula infantil retirada do mercado pela Nestlé devido a uma “possível contaminação” por uma substância bacteriana. O Ministério da Saúde francês afirmou que ainda não foi estabelecida uma “relação causal”. A Comissão Europeia solicitou à EFSA que estabeleça uma norma para a cereulida em produtos infantis.
AGÊNCIA FRANCE-Presse
ECONOMIA
Dólar fecha em leve alta, a R$ 5,25
Dólar subiu no primeiro pregão de fevereiro
O dólar comercial fechou o dia cotado a R$ 5,258, alta de 0,19% em relação ao fechamento de sexta (30). A oscilação positiva da moeda norte-americana ante o real aconteceu desde os primeiros negócios da sessão. Na mínima do dia, a divisa era vendida por R$ 5,237. Na máxima, o dólar superou os R$ 5,28. Ao final do pregão, avançou 0,19%, vendido a R$ 5,258. A cotação da moeda dos EUA recuou 4,4% em janeiro. A desvalorização registrada no primeiro mês de 2026 foi a maior observada desde junho do ano passado (-4,98%). A queda ocorreu apesar da alta de 1,03% da última sexta-feira, quando a moeda norte-americana superou novamente a marca de R$ 5,20
Reuters
Ibovespa começa fevereiro no azul com aval de NY, mas Petrobras recua
O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, retomando a tendência positiva após duas quedas seguidas, embora o avanço tenha sido atenuado pelo forte recuo das ações da Petrobras, pressionadas pelo tombo dos preços do petróleo no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,77%, a 182.765,80 pontos, segundo dados preliminares, apoiado por Wall Street, após marcar 182.889,95 na máxima e 181.347,63 na mínima do dia. O volume financeiro neste primeiro pregão de fevereiro somava R$25,96 bilhões antes dos ajustes finais.
Reuters
Analistas passam a ver inflação este ano abaixo de 4%, mostra Focus
Analistas consultados pelo Banco Central passaram a ver a inflação abaixo de 4% neste ano, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira, que trouxe poucas alterações.
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 passou a 3,99%, de 4,0% antes. Para 2027 a projeção segue em 3,80%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), não houve alterações nas estimativas de crescimento de 1,80% tanto para 2026 quanto para 2027. A pesquisa semanal com uma centena de economistas também mostrou que eles seguem esperando a taxa básica de juros Selic a 12,25% ao final deste ano e a 10,50% no próximo. O primeiro corte na Selic, atualmente em 15%, continua sendo esperado para março, de 0,5 ponto percentual.
Reuters
Retração da indústria do Brasil se aprofunda no início de 2026, mostra PMI
As condições da indústria brasileira se deterioram ainda mais no início de 2026, pressionadas por declínios nas encomendas e na produção diante do enfraquecimento da demanda, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada na segunda-feira.
O PMI, compilado pela S&P Global, caiu a 47,0 em janeiro, de 47,6 em dezembro, marcando a deterioração mais acentuada em quatro meses ao ir ainda mais abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração. “Os primeiros dados do PMI de 2026 reforçam um padrão observado nos meses recentes, com os fabricantes brasileiros avançando para um cenário ainda mais acentuado de retração, em função da persistente fraqueza da demanda”, disse em nota a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima.
“Diante da contínua redução nos pedidos em atraso, a ausência de novos projetos e a preferência das empresas por estoques enxutos, é provável que a produção permaneça em território contracionista no curto prazo”, completou. Segundo a pesquisa, deteriorações significativas tanto na demanda interna quanto na internacional por bens brasileiros impactaram fortemente as carteiras de pedidos e os volumes de produção em janeiro. Os bens de capital lideraram o declínio da produção. A contração das vendas foi a décima consecutiva, além de representar a segunda mais acentuada em quase três anos. Em relação às vendas externas, os participantes da pesquisa indicaram as tarifas norte-americanas como a principal razão por trás da queda, com algumas menções à suspensão de pedidos de clientes dos Estados Unidos. Os fabricantes de bens intermediários e de investimento registraram fortes retrações nas vendas totais, enquanto a queda observada entre os produtores de bens de consumo foi apenas marginal. Os bens de capital foram o único segmento a registrar aumento nos novos pedidos para exportação. Os dados de janeiro mostraram ainda que o emprego no setor industrial recuou pelo segundo mês consecutivo, segundo os participantes da pesquisa, devido a medidas de controle de custos e avaliação das condições de demanda. A retração em todo o setor foi acompanhada por novas pressões sobre os custos, o que levou as empresas a elevarem seus preços após quatro meses de concessão de descontos. Os custos de insumos subiram pela primeira vez em três meses, com as empresas pagando mais por alimentos, commodities, componentes eletrônicos, metais, plásticos e têxteis. Apesar do cenário de fraqueza, os fabricantes brasileiros sinalizaram melhora na confiança nos negócios em janeiro, com o nível de otimismo atingindo o patamar mais elevado desde junho de 2025. O sentimento positivo baseou-se nas expectativas de cortes na taxa de juros e de melhores condições de demanda, bem como em investimentos planejados e lançamento de novos produtos.
Reuters
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