Ano 1 | nº 59 | 23 de janeiro de 2026
NOTÍCIAS
Oferta de leite sobe 16%, e preços pagos ao produtor recuam 21%
Maiores Investimentos no setor começam a dar mais resultados, segundo Cepea e OCB
Queda no campo chega ao consumidor, que gasta 24% a menos pela caixinha do longa vida
O preço do leite caiu pela oitava vez seguida no campo, acumulando retração de 21,2% de janeiro a novembro de 2025, conforme os dados mais recentes do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O produtor recebeu pelo leite entregue em novembro R$ 2,1122 por litro, na média nacional, 8,3% a menos do que em outubro e 23,3% do que em novembro de 2024. A queda se deve a estoques elevados no mercado, ocasionados por um clima mais favorável e pela maior produtividade obtida pelos produtores. O melhor rendimento ocorre devido a maiores investimentos feitos em 2024, quando os preços proporcionavam margem maior de ganho para os pecuaristas. Os números de captação apontam a melhora na oferta. De janeiro a novembro, os produtores colocaram 16% mais leite no mercado, segundo o Índice de Captação de Leite do Cepea. As importações também ajudaram a elevar os estoques no país. No ano passado, o Brasil buscou 2,21 bilhões de litros de leite no mercado externo, 6% a menos do que em 2024. As exportações recuaram para 68 milhões de litros, 32% a menos. A queda do preço no campo reduz a margem de ganho do produtor, segundo o Cepea. O custo operacional efetivo teve alta de 0,6% no ano, auxiliado pelo milho. Em novembro de 2025, o produtor precisava de 32 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho. No mesmo mês de 2024, eram 28 litros. Os insumos agrícolas não devem exercer grandes pressões neste início de ano. A oferta de milho no mercado externo é boa, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), e a produção mundial de soja também cresce, o que ajuda a diminuir a pressão sobre o farelo. O recuo do valor do leite no campo puxa para baixo também os preços dos derivados no varejo. Pesquisa do Cepea e da OCB (Organização das Cooperativas do Brasil) mostra uma queda no preço do leite longa vida para R$ 3,35 por caixinha em dezembro, 24,4% a menos do que em igual período de 2024, descontada a inflação. No mesmo período, a muçarela caiu 15,2%, e o leite em pó, 12,7%. O custo médio do preço do leite é formado por coletas em sete estados. Três deles tiveram valores superiores à média nacional de R$ 2,1122, sendo que São Paulo obteve o maior valor, ao atingir R$ 2,2340. Outros quatro estados ficaram abaixo do valor médio, com Santa Catarina registrando R$ 2,0140, o menor de todos.
FOLHA DE SÃO PAULO
Cooperativa Capal realiza Expoleite 2026 nos dias 2 a 4 de julho
Em sua 52ª edição, feira promove o encontro de produtores rurais de diferentes segmentos em Arapoti/PR
A 52ª edição da Expoleite, promovida pela Cooperativa Agroindustrial, está marcada para os dias 2 a 4 de julho, em Arapoti/PR. Considerada uma das feiras mais importantes do calendário agropecuário, a Expoleite visa mostrar as principais tendências do campo, promover o aprimoramento através de palestras e rodadas técnicas e evidenciar a robustez e a qualidade genética do gado criado nos Campos Gerais do Paraná, uma das maiores regiões produtoras de leite do país. Em 2025 a Expoleite teve público recorde, chegando próximo a 30 mil visitantes, um crescimento de 45% se comparado à edição anterior. O evento contou com uma programação diversificada, que abordou pecuária leiteira, produção de suínos, cafeicultura e mercado agrícola, além de atrações para toda família, com eventos musicais e gastronômicos.
Quase 200 animais desfilaram na pista de julgamento, que integra o Circuito Nacional da Raça Holandesa. Cerca de 120 empresas expositoras estiveram presentes na feira, entre nutrição animal, soluções agrícolas, especialistas em veterinária e maquinários. “Nos últimos anos observamos a necessidade de ampliar as áreas de abrangência da feira devido aos resultados positivos alcançados no campo pelos nossos cooperados. Inicialmente o principal foco era a exposição do gado holandês da região, que é referência nacional em qualidade, e gradualmente a Expoleite foi incorporando outras áreas de atuação da cooperativa. Atualmente, a feira explora também uma variedade de mercados e culturas, incluindo cereais, forrageiras, café e pecuária de corte, entre outras atividades rurais”, explica Adilson Roberto Fuga, presidente-executivo da Capal. A expectativa para a edição de 2026 é de que o evento continue a fortalecer o setor e impulsionar a capacitação e o desenvolvimento do agronegócio. Como nos anos anteriores, a feira será realizada no Parque de Exposições Capal, em Arapoti. Mais novidades sobre a 52ª edição da Expoleite, como programação, serão anunciadas em breve. Local: Parque de Exposições Capal (Rua Luiz Binoto, 164) – Arapoti/PR
Revista Mais Leite
EMPRESAS
Piracanjuba amplia atuação com aquisição da Básel Lácteos
Empresa familiar com tradição na produção de queijos finos passa a integrar o grupo, que aguarda aval do CADE para concluir a operação.
O Grupo Piracanjuba, de Goiás, anunciou na quinta-feira (22) a aquisição da Básel Lácteos, indústria especializada na produção de queijos finos, localizada no município de Antônio Carlos, em Minas Gerais, na região da Serra da Mantiqueira. Empresa de perfil familiar, a Básel reúne cerca de 50 anos de experiência acumulada por seus fundadores e é reconhecida pela tradição e pela qualidade de seus produtos. Com a operação, o grupo goiano passa a contar com dez unidades industriais em funcionamento no Brasil, conforme informado em comunicado. A fábrica está instalada em uma região de forte tradição leiteira e com características naturais privilegiadas. Localizada em um município com pouco mais de 11 mil habitantes, segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade de Antônio Carlos é reconhecida pela produção de queijos de alto valor agregado, resultado da qualidade do leite local, influenciada pelo clima ameno, pela altitude e pelas pastagens favoráveis à atividade agropecuária. De acordo com a companhia, a aquisição está alinhada ao plano de expansão do Grupo Piracanjuba no segmento de queijos especiais e à ampliação de sua presença no mercado nacional. “Reconhecida por sua linha premium, que inclui variedades como Emmental, Gruyère, Maasdam e Gouda, a Basel Lácteos agrega valor ao portfólio da companhia e fortalece sua atuação em categorias de alto padrão”, afirmou a empresa. Neste primeiro momento, o foco será a manutenção da linha de produção atual. “Nossa prioridade é preservar o que a Básel construiu até aqui. Para o futuro, a expectativa é ampliar gradualmente o portfólio e a capacidade produtiva da planta”, declarou o presidente do Grupo Piracanjuba, Luiz Claudio Lorenzo, na nota divulgada. Atualmente, a distribuição da Básel está concentrada no estado do Rio de Janeiro. O planejamento prevê a ampliação da comercialização para todo o território nacional, já sob a marca Piracanjuba. A companhia informou ainda que pretende manter todos os postos de trabalho diretos, atualmente em torno de 100 colaboradores, majoritariamente em funções fabris. Os produtores de leite que abastecem a unidade também serão visitados individualmente, em momento oportuno.
A conclusão da transação está condicionada à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Até que haja uma decisão definitiva do órgão, a Básel Lácteos e o Grupo Piracanjuba continuarão operando de forma autônoma e independente.
UOL ECONOMIA
INTERNACIONAL
Recall global de fórmulas infantis atinge Nestlé, Danone e Lactalis
Após a identificação de cereulida em ingredientes e produtos, empresas globais do setor adotaram medidas de recall e ampliaram a cooperação com órgãos reguladores.
Três das maiores empresas globais do setor de laticínios — Nestlé, Danone e Lactalis — iniciaram ações de recall e bloqueio de lotes de fórmulas infantis após a identificação de possível contaminação por cereulida, uma toxina que pode causar náuseas e vômitos.
O episódio teve início com produtos da Nestlé e, nesta semana, passou a envolver também os grupos franceses Danone e Lactalis. No início do mês, a Nestlé anunciou o recall de lotes de produtos de nutrição infantil comercializados em dezenas de países, incluindo o Brasil, como medida preventiva diante da possibilidade de contaminação. Paralelamente, um inquérito judicial foi aberto na França para apurar uma eventual relação entre a morte de um bebê e o consumo de um produto da empresa. O Ministério da Agricultura francês informou que os resultados da investigação devem ser divulgados em cerca de dez dias. No último sábado, a Agência de Alimentos de Cingapura determinou o recall preventivo de um lote do leite Dumex Dulac 1, produzido na Tailândia pela Danone, e do produto NAN HA1 SupremePro, da Nestlé, fabricado na Suíça, após a detecção da toxina. Na quarta-feira, a Lactalis informou que sua divisão de nutrição infantil está realizando o recall de lotes de fórmulas para bebês em 18 países. A decisão foi tomada após a identificação de cereulida em um ingrediente fornecido por um fornecedor externo. Os países afetados são: Austrália, Chile, China, Colômbia, Congo, Equador, Espanha, França, Georgia, Grécia, Kuwait, Madagascar, México, Mônaco, Peru, República Tcheca, Taiwan e Uzbequistão. A Danone informou que está colaborando com as autoridades regulatórias de Cingapura e destacou que seus controles internos não identificaram irregularidades relacionadas ao Bacillus cereus, bactéria capaz de produzir a toxina. Ainda assim, o mercado reagiu ao episódio, as ações da empresa registraram queda de aproximadamente 8,3%, atingindo o menor patamar desde fevereiro de 2025. Segundo analistas da Bernstein, a fórmula infantil representa cerca de 21% da receita global da Danone. No caso da Nestlé, essa categoria responde por aproximadamente 5% do faturamento total.
ForbeS/MilkPoint
ECONOMIA
Dólar cai abaixo dos R$5,30 com fluxo para a bolsa e alívio das tensões externas
O forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira e o alívio das tensões relacionadas à Groenlândia no exterior voltaram a pesar na quinta-feira sobre o dólar, que encerrou o dia abaixo dos R$5,30 pela primeira vez em 2026.
O dólar à vista fechou com queda de 0,71%, aos R$5,2833, na menor cotação de fechamento desde 11 de novembro do ano passado, quando atingiu R$5,2746. Em 2026, a divisa acumula queda de 3,75%. Às 17h28, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,79% na B3, aos R$5,2915. A bolsa de ações brasileira voltou a ser destaque na quinta-feira, com o Ibovespa chegando a oscilar acima dos 177 mil pontos pela primeira vez na história, em meio ao forte fluxo de investimentos estrangeiros. A entrada de recursos no país pesou sobre o dólar, que caiu abaixo dos R$5,30, em movimento favorecido ainda pelo recuo da moeda norte-americana ante boa parte das divisas de emergentes no exterior, em função do alívio sobre a disputa pela Groenlândia. Na véspera, o presidente dos EUA, Donald Trump, já havia descartado o uso da força para assumir o controle da ilha e desistido de impor tarifas a países europeus como forma de pressão. Na quinta-feira, Trump disse que garantiu acesso total e permanente dos EUA à Groenlândia, em um acordo com a Otan. Este cenário colocou o dólar em baixa ante moedas emergentes como o peso colombiano, o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. No Brasil, em meio à forte alta do Ibovespa, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,2816 (-0,74%) às 16h34, já na reta final da sessão. “O Brasil permanece como uma das moedas com maior ‘carry’ entre os emergentes, fator que, combinado a um ambiente global construtivo para risco, segue favorecendo a valorização do real frente ao dólar este ano”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.
REUTERS
Ibovespa avança em novo pregão de máximas sustentadas por capital externo
A bolsa paulista experimentou uma nova sessão de recordes na quinta-feira, com o Ibovespa aproximando-se da marca inédita de 178 mil pontos no melhor momento, com bancos entre os principais suportes, enquanto as ações brasileiras seguem beneficiadas pelo movimento global de realocação de recursos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 2,3%, a 175.775,02 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 177.741,56 pontos, após superar pela primeira vez as marcas de 172 mil, 173 mil, 174 mil, 175 mil, 176 mil e 177 mil. O pregão foi mais de volume financeiro expressivo, somando R$40,99 bilhões antes dos ajustes finais – contra uma média diária de R$30 bilhões no ano e de R$24 bilhões em 2025.
REUTERS
Arrecadação federal cresce 3,65% em 2025 e marca recorde histórico
A arrecadação do governo federal teve alta real de 3,65% em 2025 sobre ano anterior, somando R$2,887 trilhões, informou a Receita Federal na quinta-feira, no melhor resultado anual já registrado na série histórica do governo, iniciada em 1995.
O desempenho do ano foi ajudado por medidas arrecadatórias adotadas pelo governo ao longo da atual gestão e reflete o desempenho da atividade econômica, que mostrou resiliência mesmo diante de uma política monetária restritiva implementada pelo Banco Central para controlar a inflação. No ano, os recursos administrados pela Receita, que englobam a coleta de impostos de competência da União, cresceram 4,27% em termos reais frente a 2024, a R$2,763 trilhões. Em relação à receita administrada por outros órgãos, que tem peso de royalties de petróleo, o dado caiu 8,40% no ano passado, a R$123,612 bilhões. O desempenho de dezembro também foi positivo e atingiu nível recorde de R$292,724 bilhões, com alta de 7,46% acima da inflação. O dado do mês passado deu forte impulso à arrecadação acumulada ao longo do ano. Após atingir um pico de crescimento real acumulado no ano de 4,41% em julho, o dado passou a cair, em movimento atribuído aos juros restritivos, indo a 3,73% em agosto, 3,49% em setembro e 3,20% em outubro. Depois, subiu levemente a 3,25% de novembro, avançando a 3,65% em dezembro. O governo atuou com foco em recuperação de arrecadação ao longo da atual gestão, com medidas como elevação de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), taxação de apostas online, reoneração da folha salarial de setores da economia, limitação de compensações tributárias e encerramento de benefícios direcionados ao setor de eventos. O IOF aparece entre os destaques de 2025, com arrecadação R$14,7 bilhões maior do que no ano anterior, uma alta de 20,5%. Também foram registrados ganhos nas receitas da Previdência (3,27%), Pis/Cofins (3,03%), Imposto de Importação (9,49%) e nas diversas formas de coleta de Imposto de Renda de empresas e pessoas físicas. O crescimento da arrecadação é fator determinante na busca do governo pela meta fiscal de 2025, estipulada em déficit zero para o ano, e que tem 0,25% do PIB de margem de tolerância. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo central fechou 2025 com um déficit primário estimado em 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar obtido após abatimento de despesas que não serão contabilizadas após decisão judicial, como precatórios e indenizações a aposentados. Os dados oficiais do resultado fiscal de 2025, que considera receitas e despesas, serão apresentados pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central no final de janeiro.
REUTERS
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