Ano 1 | nº 49 | 09 de janeiro de 2026
NOTÍCIAS
As principais tendências de consumo para o verão
Autoindulgência, funcionalidade e bem-estar moldam as tendências de consumo no verão brasileiro. Do sorvete premium ao skincare, marcas apostam em prazer aliado à saúde.
Autoindulgência, produtos funcionais, cuidados com a pele e até novas formas de consumir sorvetes despontam como algumas das principais tendências para o verão brasileiro. O pano de fundo desse movimento é um consumidor mais seletivo, impactado por restrições orçamentárias, mas que segue buscando experiências de prazer, conveniência e bem-estar no dia a dia. Com o orçamento mais apertado, a tendência é que o brasileiro passe uma parte maior das férias em casa. “O delivery deve crescer bastante, assim como o consumo de produtos digitais e de streaming. Quando há viagens, elas tendem a ser curtas ou em formato de bate-volta”, afirma Roberto Falcão, coordenador do MBA em Gestão de Negócios da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap). Segundo Falcão, o cenário econômico tem ampliado a busca por pequenos momentos de prazer. “Observamos um movimento muito forte de autoindulgência, que é o ato de se mimar”, destaca. Esse comportamento se reflete de forma clara no setor de alimentos e bebidas, especialmente nos lácteos. No segmento de sorvetes, a aposta recai sobre produtos premium e experiências de maior valor agregado. Pesquisa da Abrasorvete (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis) indica que, para o verão 2025/2026, o setor investe em formatos diferenciados, como o “bombom de sorvete”, que combina recheio cremoso com cobertura crocante de chocolate. A mesma estratégia aparece em lançamentos que exploram novas combinações e releituras de clássicos. Entre as apostas do Rei do Mate para o verão estão uma nova receita de doce de leite 100% mineiro, um brigadeiro Ovomaltine, fruto de collab exclusiva com a marca, e o Café Gelado, inspirado no iced coffee americano. Segundo a empresa, a bebida tem duas versões, uma pura e outra com toque de leite condensado. “Isso atende tanto quem prefere a refrescância clássica do café quanto quem busca uma experiência mais doce e indulgente”, explica Antônio Carlos Nasraui, CEO do Rei do Mate, reforçando como a personalização da experiência se tornou um diferencial competitivo. Paralelamente, cresce a demanda por produtos que conciliem prazer e atributos funcionais. Alimentos e bebidas low-calorie e high-protein ganham espaço, impulsionados por um consumidor mais atento à saúde. Para Falcão, a tendência é de expansão de produtos que entreguem benefícios claros. No setor de sorvetes, isso já se traduz em inovações como a linha “Flow Up”, criada pela Duo Gelatto em parceria com a maca goiana Flow, composta por picolés funcionais, zero açúcar, à base de colágeno e wheycom sabores como chocolate com colágeno e morango com whey. De acordo com a Abrasorvete, o portfólio do mercado já contempla uma ampla diversidade de opções, incluindo sorvetes veganos, sorbets sem leite, versões sem lactose, diet, sem açúcar e produtos proteicos. Ainda assim, o apelo sensorial permanece central. “O consumidor não quer renunciar ao prazer e da autoindulgência, mas busca produtos compatíveis com um estilo de vida mais saudável. Essa combinação deve impulsionar o mercado neste verão”, afirma Martin Eckhardt, presidente da entidade. Para a indústria de lácteos, esse conjunto de sinais aponta para um consumidor que valoriza indulgência, funcionalidade e conveniência, sem enxergar essas dimensões como excludentes. O verão reforça um movimento estrutural: produtos precisam entregar prazer imediato, mas também dialogar com saúde, bem-estar e novos estilos de vida.
UOL/MILKPOINT
NACIONAL
Embrapa cria protocolos para reduzir emissões na produção de leite
Seleção de animais superiores, otimização de dietas e oferta de água de qualidade são estratégias para redução do metano. As medidas, se adotadas, devem representar redução do impacto no clima e economia de dinheiro na redução do uso de fertilizantes
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) desenvolveu 3 protocolos para reduzir a emissão de GEE (gases de efeito estufa) e aumentar o sequestro de carbono na produção de leite. Há orientações sobre processos geradores de GEE, como a aplicação de fertilizantes nos solos e o uso de insumos na produção de alimentos para os animais. Os documentos “Boas práticas para a mitigação da emissão de metano dos bovinos”, “Boas práticas para a redução da emissão de amônia e óxido nitroso no solo” e “Boas práticas de manejo de solos para acúmulo de carbono” são resultado de anos de pesquisa. Os protocolos, que fazem parte de um livro publicado pela Embrapa Pecuária Sudeste, prometem contribuir para os objetivos de descarbonização da cadeia leiteira do País e para o atendimento da meta 13 dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), de combate às mudanças climáticas. Segundo a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), a atividade leiteira é desafiadora para o produtor. A redução das emissões é mais um fator de preocupação que pecuaristas devem considerar na tomada de decisões nas propriedades para garantir a segurança alimentar das gerações futuras, com menor impacto ambiental, e atendendo ao mercado consumidor, cada vez mais exigente. Segundo estimativas do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), de 2024, ano base 2022, o setor agropecuário é responsável por 30,5% das emissões de GEE do Brasil. Dessas, 19% são de metano. Das emissões de metano, 97% são provenientes dos bovinos e, desse montante, 86% do rebanho de corte e 11% do rebanho leiteiro. Os 3 protocolos desenvolvidos pela Embrapa estabelecem métodos e tecnologias que podem ser adotados nos sistemas de produção de leite para diminuir as emissões e aumentar o sequestro de carbono. Técnicos e produtores têm à disposição soluções para cooperar na garantia da sustentabilidade do Planeta. “A adoção de tecnologias adequadas para cada tipo de sistema é crucial para desenvolver uma pecuária mais resiliente, sustentável e responsável”, afirmou o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt.
CANAL RURAL
Boletim Seapa aponta queda nos preços de lácteos em Goiás
Boletim mostra ajuste nos preços de derivados lácteos ao fim de 2025. O leite UHT liderou quedas e puxou índice da cesta láctea em dezembro.
A Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) divulgou o Boletim de Mercado do Setor Lácteo Goiano de dezembro de 2025. Elaborada pela Câmara Técnica e de Conciliação da Cadeia Láctea de Goiás, a publicação encerra a série de boletins do ano e apresenta as variações de preços da cesta de derivados lácteos no atacado do estado. No período, a maioria dos produtos apresentou comportamento semelhante. O creme a granel teve alta de 2,37%, enquanto o leite UHT integral registrou maior retração, de 12,93%. Também recuaram os preços do leite condensado (-3,16%), do leite em pó integral (-4,17%) e do queijo muçarela (-4,44%). Considerando o peso de cada item na composição da cesta, o índice geral apresentou redução de 5,49% em dezembro, em comparação com novembro. Segundo o titular da Seapa, Pedro Leonardo Rezende, o resultado reflete um movimento de ajuste nos principais derivados lácteos ao final do ano e reforça o boletim como ferramenta de acompanhamento das oscilações de preços ao longo da cadeia láctea goiana. “Os resultados de dezembro mostram um movimento de ajuste nos principais derivados lácteos, com destaque para a redução do preço do leite UHT. Ao longo do ano, o boletim permitiu registrar essas oscilações e oferecer subsídios para planejamento de produtores, indústrias e formuladores de políticas públicas, fortalecendo a organização da cadeia láctea em Goiás.”
Seapa
ECONOMIA
Dólar oscila em margens estreitas e termina sessão perto da estabilidade
Após oscilar em margens bastante estreitas, o dólar fechou a quinta-feira praticamente estável ante o real, com investidores posicionados para a divulgação na sexta-feira de novos dados econômicos no Brasil e nos EUA.
O dólar à vista encerrou o dia em leve alta de 0,04%, aos R$5,3892. Às 17h02, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,01% na B3, aos
.R$5,4205. A moeda norte-americana à vista oscilou durante o dia entre a cotação mínima de R$5,3753 (-0,22%) às 10h03 e a máxima de R$5,3974 (+0,19%). Da mínima para a máxima, a variação foi de apenas +0,41%, em um sinal claro de que os investidores pouco movimentaram suas posições. “O ambiente ainda é de cautela, visto que o mercado aguarda a divulgação de dados cruciais amanhã: o relatório de emprego americano (payroll) e o IPCA no Brasil”, afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. “Sem a presença de catalisadores relevantes no curto prazo, a moeda manteve-se em relativa estabilidade e sem uma tendência definida.” O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciará o IPCA — o índice oficial de inflação — de dezembro e do acumulado de 2025 às 9h de sexta-feira, enquanto o Departamento do Trabalho dos EUA publicará o relatório de empregos payroll de dezembro às 10h30. Na manhã desta quinta-feira, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em 8.000 na semana encerrada em 3 de janeiro, para 208.000, em dado com ajuste sazonal. Economistas consultados pela Reuters previam 210.000 pedidos para a última semana. Já o IBGE informou no início do dia que a produção industrial brasileira ficou estável em novembro ante outubro e cedeu 1,2% ante novembro de 2024. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 0,2% na comparação mensal e queda de 0,1% em base anual.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta na espera por dados; Petrobras sobe
O Ibovespa fechou em alta moderada na quinta-feira, enquanto agentes aguardam dados de emprego dos Estados Unidos e de inflação no Brasil.
Os ganhos em ações de peso, como a Petrobras, deram suporte ao índice. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,49%, a 162.761,25 pontos, de acordo com dados preliminares. O volume financeiro no pregão da quinta-feira somava R$21,08 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Exportação do agronegócio do Brasil avança 3% em 2025 e tem recorde, diz ministério
O agronegócio brasileiro registrou exportações recordes de US$169,2 bilhões em 2025, alta de 3% em relação a 2024, em ano em que o Brasil teve volumes históricos nos embarques de soja, carnes e receitas elevadas de café, segundo nota publicada na quinta-feira pelo Ministério da Agricultura.
Em dezembro de 2025, as exportações somaram US$14 bilhões, recorde para o mês e crescimento de 19,8% em comparação com as exportações do mesmo mês de 2024, adicionou o ministério. O comunicado destacou o efeito da safra recorde de grãos 2024/2025, que atingiu 352,2 milhões de toneladas, representando um incremento de 17% em relação ao ciclo anterior. “Na pecuária, a produção atingiu níveis recordes para as carnes bovina, suína e de frango, permitindo a existência de excedentes exportáveis sem comprometer a oferta de produtos agropecuários para o mercado interno”, completou. Entre os três principais compradores de produtos agropecuários brasileiros, a China liderou o ranking com US$55,3 bilhões, 32,7% das exportações e crescimento de 11% em relação a 2024. As exportações para a União Europeia somaram US$25,2 bilhões, aumento de 8,6% em relação ao ano anterior. O bloco europeu foi seguido pelos Estados Unidos, com US$11,4 bilhões, queda de 5,6% em relação a 2024 em meio ao tarifaço de Donald Trump. Entre os principais produtos da pauta exportadora, a soja em grãos manteve-se como o principal item, gerando US$43,5 bilhões em receitas cambiais (+1,4%). A carne bovina teve receitas de US$17,9 bilhões (+39,9%) e incremento de 20,4% em volume. Durante o ano de 2025, foram abertos 11 mercados para a carne bovina brasileira, ressaltou o ministério. O café apresentou crescimento de 30,3% em valor, totalizando US$16 bilhões, impulsionado por preços internacionais que atingiram níveis históricos.
Reuters
Produção da indústria brasileira fica estagnada em novembro
A produção industrial no Brasil ficou estagnada em novembro e frustrou a expectativa de um avanço, reforçando percepção de que o setor apresentou pouco fôlego em 2025 em meio à política monetária restritiva e ao tarifaço dos Estados Unidos.
A expectativa de economistas para o resultado de novembro, divulgado na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de um avanço de 0,2%, segundo pesquisa da Reuters, depois de alta de 0,1% em outubro. Contra o mesmo mês do ano anterior, houve queda de 1,2%, ante expectativa de recuo de apenas 0,1%. Assim, a produção industrial, que teve resultados próximos ou iguais a zero em quase todos os meses de 2025, ainda está 14,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. “A indústria mantém uma estabilidade observada nos últimos meses e no ano de 2025, mas houve desempenho predominantemente negativo em novembro”, destacou o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo. A indústria brasileira vem apresentando um quadro de estagnação afetada principalmente pela taxa de juros elevada, embora o mercado de trabalho aquecido ajude a impulsionar a economia. A taxa básica de juros Selic encerrou 2025 em 15% depois de o Banco Central tê-la mantido nesse patamar na última reunião do ano, em dezembro, sem sinalizar quando poderá iniciar um ciclo de cortes, reforçando que a manutenção desse nível por período bastante prolongado é a estratégia adequada para levar a inflação à meta. “O resultado de novembro reafirma a tendência de desaceleração do setor industrial, que sofre de um problema duplo, a elevada taxa de juros e o tarifaço americano, que mesmo com diversos recuos, ainda mantém a sobretaxa de 50% em boa parte da produção industrial exportada aos EUA”, disse André Valério, economista sênior do Inter. De acordo com o levantamento do IBGE sobre a indústria, em novembro 15 dos 25 ramos pesquisados mostraram recuo contra o mês anterior. A principal influência negativa foi dada por indústrias extrativas, com retração de 2,6% na produção. “A queda observada neste mês foi influenciada pela menor produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro”, afirmou Macedo. Também apresentaram retração relevante os setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,6%), de produtos químicos (-1,2%), de produtos alimentícios (-0,5%) e de bebidas (-2,1%). Entre as categorias econômicas, bens de consumo duráveis tiveram queda de 2,5% em novembro, enquanto a produção de bens intermediários caiu 0,6%. Por outro lado, houve aumento de 0,7% entre bens de capital e de 0,6% nos bens de consumo semi e não duráveis.
Reuters
Primeira queda anual do IGP-DI desde 2023 foi puxada por commodities, diz FGV
Índice acumulou queda de 1,2% de janeiro a dezembro de 2025
O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) acumulou queda de 1,2% de janeiro a dezembro de 2025, a primeira desde 2023, informou na quinta-feira (8) o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas. Naquele ano, o indicador havia recuado 3,3%. O resultado é explicado pela queda das commodities minerais, metálicas e energéticas no mercado internacional, que afetaram o preço de produção no Brasil, segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que inclui as commodities, recuou 3,61% em 2025, também o primeiro resultado anual negativo desde 2023. O pesquisador aponta que as matérias-primas contribuíram de maneira generalizada para a queda anual do indicador geral, com as agrícolas também influindo na desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que fechou o ano com alta de 4%. “O Índice de Preços ao Consumidor começou o ano em patamares bem mais elevados e foi caminhando para a desaceleração. Caso a gente não tivesse essa queda das commodities agropecuárias, teríamos um IPC mais elevado”, observou. Segundo Dias, os preços finais ao consumidor refletiram as quedas para o produtor acumuladas ao longo de 2025, principalmente, em itens como soja, farelo de soja e milho. Por outro lado, segmentos de serviços e habitação permaneceram pressionados, impedindo que a queda anual do IGP-DI fosse maior. As principais influências positivas em 2025 foram a tarifa de eletricidade residencial (16,26%), plano de seguro e saúde (6,16%) e refeições em bares e restaurantes (7,76%). Na comparação mensal, o IGP-DI subiu 0,10% em dezembro, depois de registrar alta de 0,01% em novembro. De acordo com a FGV, a principal influência para o resultado mensal foi o avanço do minério de ferro (4,1%), que tem peso relevante no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). O IPA subiu 0,03% em dezembro, invertendo o comportamento em relação a novembro, quando caiu 0,11%. O IPC aumentou 0,28%, repetindo a taxa de variação do mês anterior. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também teve alta, de 0,21%, mas abaixo da taxa de 0,27% registrada em novembro. Dias também aponta aumentos relevantes no farelo de soja (4,28%) e no milho (1,09%) no último mês do ano. Ele diz que a alta dos alimentos deve ser observada até fevereiro, mas dentro de um patamar esperado para a época do ano. “É natural que a gente se observe um aumento de preços dos alimentos a partir de dezembro pela questão da sazonalidade, especialmente no verão. Mas tem sido uma alta comportada”, ressalta. Sobre a trajetória do índice em 2026, o pesquisador avalia que o principal desafio será o setor de serviços, que apresentou resiliência no ano passado diante do contexto de pleno emprego e aumento da renda. “Esse cenário positivo de emprego e renda tende a se manter em 2026, então esse é o grande desafio para este ano. A questão do controle da inflação de serviços é a convergência para a meta”, diz.
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