Informativo Sindileite 42 17.12.2025

Ano 1 | nº 42 | 17 de dezembro de 2025

NOTÍCIAS

Estados avançam em restrições ao uso de leite em pó importado

Goiás sanciona lei que proíbe a reconstituição de leite em pó importado, seguindo iniciativas já adotadas por outros estados.

O governo de Goiás sancionou a Lei nº 23.928/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido no Estado. A legislação atende à reivindicação dos produtores, que tentam se proteger do avanço das importações. A decisão acompanha medidas adotadas recentemente no Paraná e em Santa Catarina para barrar o uso do leite em pó importado para a produção de lácteos no Brasil. No Paraná, o governo aprovou uma lei que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para venda como leite líquido ou para uso na indústria de laticínios. Em Santa Catarina, tramita na Assembleia Legislativa um projeto de lei que proíbe o uso do leite em pó importado ou derivados como soro lácteo para fabricar alimentos destinados ao consumo humano, como iogurtes, queijos e requeijões. Em Minas Gerais, produtores pediram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a suspensão das importações de leite em pó do Mercosul, sob a alegação de que o produto chega no Brasil a preços abaixo do custo de produção. “Essa é uma iniciativa determinante para a manutenção dos empregos na cadeia produtiva do leite, para a proteção dos pequenos produtores e, principalmente, para a população: que terá sempre um produto de alto valor nutricional, com padrão de qualidade e brasileiro em sua casa”, afirmou em comunicado o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. A proibição em Goiás se aplica a indústrias, laticínios e demais pessoas jurídicas estabelecidas no Estado. Segundo o governo estadual, a norma tem como finalidade garantir transparência e qualidade ao produto comercializado. O descumprimento pode resultar em multas, apreensão de produtos e suspensão do registro sanitário. No âmbito federal, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio instaurou uma investigação antidumping envolvendo a Argentina e o Uruguai, relacionada à importação de leite em pó com preços abaixo dos praticados nos mercados de origem. Além disso, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 5.738/2025, que propõe proibir, em todo o território nacional, a reconstituição de leite em pó e derivados importados para consumo humano.

GLOBO RURAL

“Aprovação do projeto que proíbe a reconstituição de leite em pó e derivados é um avanço em SC” avalia FAESC

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) comemora a recente aprovação na Assembleia Legislativa do Projeto de Lei 759/2025, que proíbe em Santa Catarina a reconstituição do leite em pó e outros derivados quando de origem importada. De autoria do deputado Altair Silva (PP) e do deputado Oscar Gutz (PL), a proposta prevê sanções e multas para quem adotar essa prática no Estado.

A Faesc integra o Grupo de Trabalho criado em razão da gravidade da crise, responsável por reunir as reivindicações do setor e articular medidas emergenciais junto ao governo federal. Se sancionada, a proibição valerá para indústrias, laticínios e quaisquer pessoas jurídicas que utilizem leite em pó, composto lácteo em pó, soro de leite em pó e outros produtos lácteos reconstituídos destinados ao consumo alimentar. Comprovada a reconstituição, o lote deverá ser apreendido e o responsável estará sujeito a multa, que pode dobrar em caso de reincidência, além da cassação da inscrição estadual. O vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo, parabeniza os parlamentares que votaram favoravelmente ao projeto e destaca que a medida representa um avanço para os produtores rurais, que vêm enfrentando baixos preços pagos pelo leite. “Queremos fortalecer o setor, garantindo competitividade e a continuidade dessa atividade, exercida com excelência em Santa Catarina. Não temos dúvidas de que, com a sanção do governador e a consequente entrada em vigor, a medida fortalecerá o mercado catarinense e valorizará o trabalho dos produtores.” Ele também relembra o manifesto encaminhado aos deputados federais e estaduais e ao governador de Santa Catarina, por meio do Conseleite de Santa Catarina (conselho paritário formado pela Faesc, pelo Sindileite e indústrias). Segundo o dirigente, o documento foi decisivo para evidenciar a união entre indústrias e produtores, preocupados com a atual realidade da cadeia leiteira no Estado.  

De acordo com o deputado Altair Silva, o objetivo do projeto é proteger a cadeia produtiva.

Altair Silva explica que, no âmbito do Mercosul, especialmente na Argentina, há excedente de produção de leite que não tem sido escoado para mercados tradicionais, como Oriente Médio e Ásia. Com isso, parte desse excedente acaba entrando no Brasil a preços muito baixos, muitas vezes, abaixo do praticado no país de origem, o que, segundo ele, configura prática de dumping.

Para ilustrar o cenário, Altair Silva afirma que, em muitas propriedades, produzir 1 litro de leite custa, em média, R$ 2,50. Quando o produtor vende a R$ 1,80 ou R$ 1,60, isso representa quase R$ 1,00 de prejuízo por litro. “A conta não fecha, a propriedade não aguenta e muitos acabam deixando a atividade. O objetivo do projeto é justamente reverter essa situação”, reforçou. O deputado destaca que uma lei semelhante já foi aprovada no Paraná. “Também estamos trabalhando para que essa mesma lei avance no Rio Grande do Sul. Ela já está em tramitação em Goiás e em Minas Gerais, que estão entre os principais estados produtores de leite e onde se concentra boa parte das indústrias”. A expectativa é que o governador sancione o projeto ainda neste ano.

Faesc/Senar

NACIONAL

Conseleite/MT divulga valor de referência do leite a ser pago em dezembro/25

A diretoria do Conseleite – Mato Grosso divulgou os valores de referência para a matéria-prima, referente ao leite entregue no mês novembro a ser pago em dezembro de 2025.

A diretoria do Conseleite – Mato Grosso atendendo os dispositivos do seu Estatuto, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima, referente ao leite entregue no mês de outubro a ser pago em novembro de 2025 e para o leite entregue no novembro a ser pago em dezembro de 2025. Os valores divulgados compreendem os valores de referência para o leite base e faixas de valores de referência levando em conta o volume médio mensal de leite entregue pelo produtor e os parâmetros de qualidade indicados na tabela abaixo.

OBS: (1) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Nos valores de referência está incluso Funrural de 1,5% a ser descontado do produtor rural.

MILKPOINT

Com 700 milhões de litros ao ano, leite mantém protagonismo nas mesas de Natal em MT

MT Leite destaca cultura, afeto e valor nutricional do ingrediente que se mantém essencial nas celebrações de fim de ano

O leite segue essencial nas receitas da ceia de Natal. O ingrediente não apenas compõe pratos tradicionais, mas também carrega memórias afetivas que se renovam a cada dezembro. Para a Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso (MT Leite), é um elo entre gerações, sabores e histórias de família. Levantamento do Centro de Inteligência do Leite (CILeite), de 2024, aponta que, cada brasileiro consome em média 189 litros de leite por ano. Em Mato Grosso, o consumo estimado, somado ao número de população, seria em torno de 700 milhões de litros/ano. É o caso da costureira Nilza Limeira, onde o Natal começa muito antes da mesa posta. Ela transforma a cozinha em palco de lembranças sempre que começa a preparar a ceia. Nas suas receitas, o leite é presença garantida. “Sempre que uso leite, parece que estou trazendo minha mãe de volta pra cozinha comigo. Era ela quem dizia que a ceia só ficava completa quando o cheiro doce do creme começava a subir da panela”, contou. Nilza, que recebe filhos e netos na celebração do Natal, aposta em preparações clássicas que têm o leite como base: rabanada, fricassê de frango, torta salgada, bolo gelado, pavê tradicional e a tradicional maionese com toque de creme de leite. Para ela, além dos nutrientes e dos cuidados, há algo que nenhum manual técnico consegue traduzir, a memória construída a cada colherada. É como se cada receita tivesse uma história. O leite dá aquela textura que abraça a gente, sabe? Parece que a comida fica mais afetiva. O Natal é meu momento favorito do ano. Quando vejo todo mundo sentado, rindo, saboreando os pratos feitos com leite, sinto que valeu a pena cada minuto na cozinha”, descreve. Esse vínculo entre alimento e memória é algo que a MT Leite reforça nesta temporada de festas. Para o presidente da instituição, Antônio Carlos Carvalho de Sousa, o leite se mantém como símbolo de aconchego e de valorização da produção local. “O leite está no centro da mesa das famílias, especialmente no Natal, quando buscamos aconchego e referência afetiva na comida. Além de tudo, estamos falando de um alimento completo, que valoriza o produtor local e fortalece a cadeia leiteira em Mato Grosso”, afirma. “Quando a família escolhe uma receita com leite para a ceia, ela está levando para a mesa um alimento seguro, nutritivo e que nasce do trabalho de milhares de famílias no campo. É uma forma de celebrar o Natal valorizando quem produz”, acrescentou
ÁGUA BOA NEWS

ECONOMIA

Dólar sobe no Brasil com fluxo de moeda para O EXTERIOR

O dólar fechou a terça-feira em alta firme ante o real, na contramão do recuo da moeda norte-americana ante outras divisas, em meio ao fluxo de recursos para o exterior neste fim de ano e a uma nova pesquisa eleitoral indicando vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em todos os cenários para 2026.

O dólar à vista fechou o dia em alta de 0,78%, aos R$5,4640. No ano, porém, a moeda acumula baixa de 11,57%. Às 17h03, o contrato de dólar futuro para janeiro – atualmente o mais líquido no Brasil – subia 0,88% na B3, aos R$5,4800. A moeda norte-americana oscilou em alta ante o real durante praticamente toda a sessão, impulsionada desde cedo pelas tradicionais remessas de recursos ao exterior no fim de ano, feitas por empresas e fundos, conforme profissionais ouvidos pela Reuters. O movimento se intensificou ainda durante a manhã, em meio às especulações no mercado de que a pesquisa Genial/Quaest mostraria Lula bem colocado na disputa em relação a seus adversários de direita. Em um dos cenários estimulados do levantamento, divulgado no início da tarde, Lula obteve 41% das intenções de voto para presidente, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 23% e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 10%. Em um cenário sem Tarcísio, Lula tem 39%, Flávio soma 23% e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), aparece com 13%. Lula venceria uma eventual disputa em segundo turno contra todos os candidatos mais competitivos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não foi incluída no levantamento, cuja margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Mais do que a vitória de Lula nos diferentes cenários, chamou a atenção o fato de Flávio estar mais bem colocado na pesquisa do que Tarcísio, nome favorito do mercado para a disputa com o atual presidente. “Houve compras (de dólares) características de fim de ano e desde cedo a moeda se descolou do que ocorria lá fora”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “E o mercado operou antes mesmo da divulgação da pesquisa eleitoral, porque havia comentários de que ela seria ruim para a oposição”, acrescentou. No início do dia, o Banco Central publicou a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), que na semana passada manteve a taxa básica Selic em 15% ao ano. No texto, o BC apontou ganhos gerados pela “condução cautelosa” dos juros, vendo contribuição determinante da política monetária para a desaceleração dos preços. Além disso, o BC enfatizou o firme compromisso com a meta de inflação, de 3%. Os efeitos da mensagem da ata sobre o câmbio, no entanto, foram diluídos pela maior influência do fluxo.

REUTERS

Ibovespa cai 2,4% com perda de força do ‘trade Tarcísio’

Papéis da Petrobras também não conseguiram escapar em um dia de maior aversão eleitoral

Antes mesmo da abertura dos negócios do Ibovespa na terça-feira, rumores de uma pesquisa eleitoral, que apontava para uma distância maior do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação a possíveis candidatos da oposição, elevaram os prêmios de risco no mercado. Horas depois, a confirmação dos números ventilados anteriormente nas mesas de operação ajudou a manter o tom mais negativo no mercado. Segundo a pesquisa da Genial/Quaest, Lula manteve a liderança nos cenários de primeiro e segundo turnos, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecendo em segundo lugar, desbancando o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que despontava como o preferido do mercado para concorrer à Presidência em 2026. No fim do dia, o Ibovespa cedeu 2,40%, aos 158.578 pontos, na mínima do dia. O aumento do risco eleitoral afetou em cheio ações mais líquidas, caso de bancos. As units do BTG Pactual responderam pela maior queda, de 5,22%. Outras instituições financeiras também cederam: Santander Units (-3,58%), Bradesco PN (-2,75%), Itaú Unibanco PN (-2,58%), e Banco do Brasil (-1,36%). Papéis da Petrobras também não conseguiram escapar em um dia de maior aversão ao risco eleitoral e de recuo forte nos preços de petróleo. No fim, as ações PN da petroleira cederam 3,03%. Por outro lado, o dia foi positivo para as ON da Vale, que avançaram 0,38%. Em relatório, analistas do Morgan Stanley destacaram que a companhia virou uma história mais “limpa e subavaliada”. Nesse sentido, o banco optou por elevar a recomendação para os papéis, de neutra para compra, aumentando também o valor dos recibos de ações (ADRs) de US$ 13 para US$ 15. No cenário eleitoral, o enfraquecimento do atual governador de São Paulo na pesquisa divulgada ontem pela Genial/Quaest pesou sobre o humor dos agentes financeiros, ao embaralhar ainda mais o jogo político. “Tarcísio ficou bem mais fraco e o Flávio mais forte. Isso aumentou a chance de o Lula ganhar”, observa co-CIO da Novus Capital, Luiz Eduardo Portella. Portella também avalia que a nova pesquisa deixou mais distante a possibilidade de que Flávio desista de concorrer à Presidência.

VALOR ECONÔMICO

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