Informativo Sindileite 35 08.12.2025

Ano 1 | nº 35 | 08 de dezembro de 2025

NOTÍCIAS

Bubalinocultura cresce no Paraná com foco em carne magra e leite nutritivo

Com ações do IDR-Paraná, produção de búfalos deve ter salto de 50% na renda dos criadores

Carnes mais magras e leite mais nutritivo

Estamos falando da bubalinocultura (cultura de búfalos) que conta com um rebanho de 35 mil animais no Paraná, concentrados majoritariamente no Vale do Ribeira, que abriga 70% do rebanho de búfalos do estado. Conforme informações do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), a bubalinocultura contribuiu com R$ 39,1 milhões para o Valor Bruto da Produção (VBP) do Paraná, em 2024. Desses valores, R$ 27,9 milhões vieram da comercialização de bubalinos de corte, e R$ 11,2 milhões do leite de búfala. Para desenvolver essa cadeia produtiva, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), da Seab, promoveu em Itaperuçu o III Encontro Regional de Produtores de Búfalo do Vale do Ribeira. O evento reuniu 126 produtores de búfalo da região e teve o apoio da prefeitura do município e da Associação dos Produtores de Leite de Búfala de Campo Largo e Vale do Ribeira (AproleVale). Esse evento faz parte das ações que o IDR-Paraná vem movimentando no sentido de atender à demanda dos produtores e trabalhar quatro eixos essenciais para a bubalinocultura: sanidade, nutrição, genética e comercialização. “Ao trabalharem esses quatro eixos junto ao Instituto, a rentabilidade para os produtores de búfalo deve crescer 50% até o final de 2026”, estima Juliano de Lima Souza, assessor regional de extensão do IDR-Paraná, que coordenou o encontro.  Ele conta que o primeiro eixo começou a ser tratado em novembro, quando veterinários do IDR-Paraná iniciaram os exames de brucelose e tuberculose nos rebanhos, uma exigência do mercado de lacticínios. Para Juliano, a bubalinocultura se destaca pela rusticidade dos animais – que se adaptam bem a diferentes terrenos e são mais resistentes a doenças – e pela produção de carne e leite de alto valor agregado. “A carne de búfalo é considerada uma proteína nobre e com baixo teor de gordura, e o leite de búfala é mais nutritivo e mais digestivo do que o leite de vaca, sendo matéria-prima para queijos de alto valor, como a muçarela de búfala”, explica. O produtor Wellington Vinícius Paris, de Itaperuçu, trocou o gado Nelore por búfalo e se diz satisfeito com a escolha. “Eu não imaginava que um búfalo, pelo seu porte tão avantajado, fosse uma espécie mais dócil do que os bovinos, mas de fato é. Além disso, a produção de leite é maior do que em relação ao leite de vaca, então resolvemos investir nisso”, conta ele. Wellington tem um rebanho de 50 búfalos em Itaperuçu.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

NACIONAL

Santa Catarina tem queda de 75% na importação de leite

Encontro da Epagri em Florianópolis expôs novas estratégias para recuperar exportação leiteira de Santa Catarina

Um encontro promovido na sede da Epagri, em Florianópolis, elencou maneiras de contornar a crise pela qual passam os produtores de leite de Santa Catarina. Após queda de 75% nas importações, uma série de medidas foi proposta pelas lideranças do setor. Entre elas, destaca-se a criação de um sistema de produção de leite à base de pasto – reduzindo custos e, de acordo com os especialistas, aumentando a eficiência. Segundo Dirceu Leite, presidente da instituição, a expansão da tecnologia exige menos insumos externos. Outra estratégia apresentada envolve o reforço das compras públicas de leite da agricultura familiar, sobretudo para o Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Estudos da economista Lilian Elias apontam que os governos federal, estadual e municipais poderiam adquirir até 68 milhões de litros por ano, sem elevação significativa de despesas, criando um mercado estável para o setor.

Somente em 2024, os investimentos estaduais destinados à cadeia leiteira somam mais de R$ 216,3 milhões. O encontro, promovido pela Sape (Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária), reuniu lideranças do segmento, parlamentares e representantes da Cidasc e debateu temas como custo de produção, rentabilidade, impactos das importações, produtividade e desafios para ampliar o consumo interno de leite e derivados.

JOVEM PAN NEWS/SC

SC: nova emenda em prol dos produtores de leite é apresentada

A deputada estadual Luciane Carminatti (PT) apresentou uma emenda parlamentar que proíbe a importação de leite e derivados em pó em Santa Catarina

A deputada estadual Luciane Carminatti (PT) apresentou uma emenda parlamentar que proíbe a importação de leite e derivados em pó em Santa Catarina. A medida busca conter o que o setor classifica como prática de dumping, quando produtos chegam do exterior por valores abaixo do custo de produção local, e que vem pressionando os preços pagos aos produtores catarinenses. Nos últimos meses, sindicatos rurais, cooperativas e representantes da cadeia leiteira alertaram que o custo de produção no estado supera o valor recebido por litro, levando famílias produtoras a operarem no prejuízo. Santa Catarina possui um perfil majoritariamente formado por pequenos produtores ou produtores familiares, especialmente em regiões do oeste e do meio-oeste, onde a atividade tem peso econômico e social significativo. A deputada afirma que a proposta busca “corrigir uma distorção criada pelo excesso de importações e garantir condições mínimas de competitividade ao produtor local. Não podemos permitir que práticas predatórias destruam uma cadeia inteira que sustenta milhares de famílias em Santa Catarina.” Medidas de proteção temporárias são fundamentais para reequilibrar o mercado até que políticas estruturantes sejam implementadas.

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA SC

Deputada consegue 362 assinaturas e pressiona votação de projeto sobre leite importado

Requerimento supera número mínimo de assinaturas e coloca tema no centro da pauta da Câmara. Deputada Daniela protocola urgência para levar PL do leite reconstituído direto ao plenário.

A deputada federal Daniela Reinehr (PL/SC) protocolou o Requerimento de Urgência nº 5420/2025, que busca levar diretamente ao plenário o Projeto de Lei (PL) 4309/2023, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para venda como leite fluido no Brasil. A prática, segundo a parlamentar, derruba o preço pago ao produtor, distorce o mercado e acelera o fechamento de propriedades rurais. O pedido recebeu apoio expressivo na Câmara Federal, com 362 deputados assinando o requerimento, número bem acima do mínimo de 257 exigido pelo regimento. Para Daniela, o resultado demonstra que a Casa reconhece a gravidade da crise enfrentada pelo setor leiteiro e a urgência de uma ação imediata. A deputada afirma que o produtor brasileiro está competindo em condições desiguais. “A cada dia que passa sem uma resposta legislativa, mais famílias perdem renda, mais propriedades fecham e mais o campo se esvazia. O produtor está competindo com um produto importado que chega muitas vezes abaixo do custo nacional. Isso não é mercado, é desequilíbrio.” Daniela lembra que o projeto já está tecnicamente pronto para votação em plenário, após avançar na CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) sob relatoria do deputado Domingos Sávio (PL/MG). Para ela, segurar a matéria significaria ampliar os prejuízos diários e fragilizar ainda mais a cadeia produtiva do leite. Com a urgência aprovada, o texto poderá seguir diretamente ao plenário para votação, acelerando um debate considerado decisivo para os produtores de leite de Santa Catarina e de todo o país.

ASCOM

ECONOMIA

Dólar tem forte alta e atinge R$5,4346 após Flávio Bolsonaro ser apontado pelo pai como candidato

O dólar disparou no Brasil e voltou a fechar acima dos R$5,40 na sexta-feira, com o mercado reagindo negativamente à notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu o filho Flávio como candidato à Presidência em 2026, para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A visão do mercado é de que o nome de Flávio, senador pelo PL, inviabiliza a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — o favorito dos investidores para a disputa com Lula. O dólar à vista fechou aos R$5,4346, com forte alta de 2,34% — o maior avanço percentual desde 10 de outubro deste ano, quando a moeda disparou 2,39% em meio ao mau humor do mercado com a política fiscal do governo. No ano, porém, a divisa acumula perdas de 12,05%. Às 17h21, o contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 2,40% na B3, aos R$5,4690. O dólar chegou a oscilar abaixo dos R$5,30 no início do dia no Brasil, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior, mas a indicação de Flávio para a corrida presidencial caiu como uma bomba no mercado. Preso por tentativa de golpe de Estado e inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro escolheu o senador Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência em 2026, informou o Metrópoles no início da tarde. Posteriormente, a Reuters confirmou a informação com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o próprio Flávio disse no X que havia sido escolhido. Em reação, o dólar disparou ante o real, escalando rapidamente para acima dos R$5,40. “O mercado fez a leitura de que a candidatura de Flávio desarticula qualquer possível aliança mais ampla da direita. E com isso as chances de Lula para 2026 sobem substancialmente”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, acrescentando que houve um “movimento agudo especulativo”. O forte avanço do dólar ante o real esteve na contramão do recuo da moeda norte-americana no exterior, onde investidores seguiam apostando em novo corte de juros pelo Federal Reserve na próxima semana. Às 17h21, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,07%, a 99,009.

REUTERS

Ibovespa desaba com pré-candidatura de Flávio Bolsonaro revertendo começo de mês positivo

O Ibovespa desabou mais de 4% na sexta-feira, na maior queda em um dia desde fevereiro de 2021, pressionado por anúncio de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi escolhido pelo pai para ser candidato a presidente da República em 2026.

A forte correção ocorreu após o índice renovar recorde mais cedo no dia, quando ultrapassou os 165 mil pontos pela primeira vez. A piora na bolsa paulista teve como gatilho o noticiário sobre decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de escolher seu filho mais velho para ser o candidato do bolsonarismo à Presidência no ano que vem, confirmada pelo próprio senador em publicação no X. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 4,25%, a 157.462,94 pontos, de acordo com dados preliminares, após avançar a 165.035,97 na máxima do dia, renovando topo histórico. No pior momento, recuou a 157.006,61 pontos. Com tal desempenho, a primeira semana de dezembro acabou com queda acumulada de 1,01%, ante acréscimo de mais de 3% até a véspera. No ano, o Ibovespa ainda sobe 30,91%. O volume financeiro no pregão desta sexta-feira somava R$40,95 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Preços mundiais dos alimentos caem pelo terceiro mês em novembro, diz FAO

Os preços mundiais das commodities alimentares caíram pelo terceiro mês consecutivo em novembro, com todos os principais alimentos básicos, exceto os cereais, apresentando declínio, informou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) na sexta-feira.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha uma cesta de commodities alimentares comercializadas globalmente, atingiu uma média de 125,1 pontos em novembro, abaixo dos 126,6 pontos revisados em outubro e o menor valor desde janeiro. A média de novembro também ficou 2,1% abaixo do nível do ano anterior e 21,9% abaixo do pico em março de 2022, após a invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia, disse a FAO. A referência de preço do açúcar caiu 5,9% em relação a outubro, atingindo o menor patamar desde dezembro de 2020, pressionado por amplas expectativas de oferta global, enquanto o índice de preços dos laticínios caiu 3,1% em um quinto declínio mensal consecutivo, refletindo o aumento da produção de leite e da oferta de exportação. Os preços dos óleos vegetais recuaram 2,6%, atingindo uma mínima de cinco meses, já que as baixas nas cotações da maioria dos produtos, incluindo o óleo de palma, superaram a alta do óleo de soja. Os preços das carnes retraíram 0,8%, com a carne suína e de aves liderando a queda, enquanto as cotações da carne bovina se estabilizaram após a remoção das tarifas dos EUA sobre as importações de carne bovina, disse a FAO. Em contrapartida, o preço de referência dos cereais da FAO aumentou 1,8% em relação ao mês anterior. Os preços do trigo subiram devido à demanda potencial da China e às tensões geopolíticas na região do Mar Negro, enquanto os preços do milho foram sustentados pela demanda por exportações brasileiras e por relatos de interrupções climáticas nos trabalhos de campo na América do Sul. Em um relatório separado sobre oferta e demanda de cereais, a FAO elevou a previsão de produção global de cereais para 2025 para um recorde de 3,003 bilhões de toneladas, em comparação com 2,990 bilhões de toneladas projetadas no mês passado, principalmente devido ao aumento das estimativas de produção de trigo. A previsão de estoques mundiais de cereais no final da temporada 2025/26 também foi revisada para cima, para um recorde de 925,5 milhões de toneladas, refletindo as expectativas de expansão dos estoques de trigo na China e na Índia, bem como estoques mais altos de grãos nos países exportadores, disse a FAO.

FAO

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