Informativo Sindileite 64 30.01.2026

Ano 1 | nº 64 | 30 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS

Conseleite/PR projeta valor de referência do leite a ser pago em fevereiro/26

O Conseleite-Paraná divulga a projeção de alta de 0,02% dos valores de referência para o leite entregue no mês de janeiro a ser pago em fevereiro de 2026.

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 28 de janeiro de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Dezembro de 2025 e a projeção dos valores de referência para o mês de Janeiro de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão” se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de janeiro de 2026 é de R$ 3,9940/litro. 

CONSELEITE/PR

Leite ao produtor cai 22,1% no Paraná

Preços do leite mantêm queda em 2026 no Paraná

De acordo com o Boletim Conjuntural divulgado na quinta-feira (29) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), os preços do leite em 2026 mantêm no Paraná um comportamento semelhante ao observado ao longo de 2025, “marcado por quedas graduais e persistentes ao longo do ano”. O documento aponta que a “combinação entre oferta elevada e alto custo de alimentos, no geral, segue pressionando as cotações”. No campo, o preço médio recebido pelo produtor pelo leite posto na indústria deve encerrar o período em torno de R$ 2,15 por litro. O valor representa queda de 22,1% em relação ao mesmo mês de 2025, quando a média era de R$ 2,76 por litro. No varejo, a tendência de retração também permanece. Em janeiro de 2026, o preço médio do litro do leite UHT no Paraná foi de R$ 3,75, recuo de 3,1% frente ao mês anterior, quando o produto era comercializado a R$ 3,87. Na comparação anual, a redução é mais acentuada, com o preço atual 23,2% inferior ao registrado em janeiro de 2025, quando o litro do leite longa vida atingia, em média, R$ 4,88 nos supermercados do estado. O boletim também destaca o aumento da oferta externa de leite em pó. Segundo o Deral, as importações cresceram em dezembro de 2025, passando de 125 toneladas em novembro para 150 toneladas, um incremento de 20% no período.

AGROLINK

Produtor vende o litro de leite por R$ 2, mas gasta R$ 2,23 para produzir

Setor leiteiro no Brasil passa por uma das piores crises da sua história; preço do leite no campo tem queda de 25,8% em um ano. Excesso de oferta de leite prejudica produtores: preço de venda é menor que o custo de produção

O setor leiteiro nacional passa por uma das piores crises já vividas: os produtores rurais realizaram, em quase todas as regiões brasileiras, grandes investimentos em suas propriedades rurais, para aumentar a capacidade e o clima, em 2024, também ajudou a manter pastagens fartas. O resultado foi uma oferta tão grande de leite que provocou a 8ª forte queda consecutiva nos preços. Para os consumidores finais, porém, nada mudou. O preço do leite captado em dezembro do ano passado, mais uma vez, registrou queda de preços e a média não chega a R$ 2 por litro. Ou seja, o produtor rural que vive da atividade recebeu, em média, R$ 2 por litro vendido aos laticínios. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada),a redução de 5,78% em relação a novembro. No entanto, o Custo de Produção de Leite (calculado pelo ICPLeite/Embrapa) registrou uma alta de aproximadamente 3% no ano, devido à alta de preços dos concentrados (ração), milho e energia elétrica. A média nacional de custo de produção, foi de R$ 2,23 por litro. O problema é que o preço veio caindo mês a mês durante todo o ano e os produtores viram o preço cair 25,8% em 2025. A média anual de preços ficou em R$ 2,5617 por litro, valor 6,8% inferior ao registrado no ano anterior, refletindo um mercado pressionado pelo excesso de oferta. Para os consumidores finais, porém, o preço do leite não baixou. O principal fator para os recuos sucessivos no campo é o elevado volume de estoques de derivados lácteos nas indústrias. Ao longo de 2025, a oferta de leite aumentou consideravelmente devido aos investimentos feitos em 2024 e ao clima favorável, que beneficiou as pastagens. Embora o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) tenha apresentado uma leve retração de 0,41% entre novembro e dezembro, o saldo do ano foi de um crescimento de 15,4% na produção. Esse volume excedente, somado às importações, manteve o mercado saturado. As importações, inclusive, desempenharam um papel crucial na manutenção dos estoques elevados. Em 2025, o Brasil adquiriu 2,21 bilhões de litros em equivalente leite do exterior. O volume é apenas 5,9% menor que o recorde histórico de 2024, mantendo a pressão sobre os preços domésticos. A situação financeira das propriedades rurais tornou-se mais delicada. Enquanto o preço de venda do leite despencou, os custos de produção permaneceram estáveis, o que resultou em um estreitamento das margens de lucro. O Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,57% na média nacional. Para o pecuarista de leite, um dos maiores desafios atuais é o poder de compra em relação aos insumos. O milho, base da ração animal, valorizou-se e dificultou a conversão. Em dezembro, o produtor precisou de 34,87 litros de leite para comprar uma saca de 60 kg de milho. Esse índice de troca é 9,04% superior ao de novembro e está 21,7% acima da média dos últimos 12 meses. Na prática, o pecuarista está gastando muito mais leite para alimentar o rebanho, o que compromete a viabilidade da atividade no curto prazo. A pressão chega também às gôndolas e nas negociações entre laticínios e canais de distribuição. De acordo com o levantamento do Cepea em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), os principais derivados registraram baixas em dezembro. O leite UHT (caixinha) teve a queda mais expressiva, recuando 6,67% em termos reais. O queijo muçarela e o leite em pó também apresentaram variações negativas de 1,38% e 0,79%, respectivamente. Esse cenário indica que, apesar dos preços menores para o consumidor, a cadeia produtiva enfrenta dificuldades para equilibrar a balança entre oferta e demanda.

AGRO BAND

FEIRAS & EVENTOS

Caravana Giro do Leite abre agenda 2026 com participação na Coopershow em Cândido Mota (SP)

Iniciativa itinerante leva tecnologia, conhecimento e práticas de manejo sustentável para produtores durante a 19ª edição da feira, que tem como tema “Inteligência no Campo”.

A Caravana Giro do Leite, projeto nacional voltado à difusão de conhecimento e inovação na cadeia produtiva do leite, iniciou oficialmente suas atividades de 2026 com presença confirmada na 19ª edição da Coopershow, realizada entre 27 e 30 de janeiro, em Cândido Mota (SP). O evento, promovido pela Coopermota, é reconhecido como uma das principais vitrines tecnológicas do Vale do Paranapanema, reunindo agricultores, pecuaristas, empresas do agronegócio, instituições de pesquisa e especialistas em tecnologias aplicadas ao campo.

Com o tema “Inteligência no Campo”, a Coopershow 2026 tem como foco a aplicação da tecnologia na agricultura e pecuária, apresentando soluções que impulsionam produtividade e sustentabilidade. Em edições anteriores, o evento ultrapassou a marca de 30 mil visitantes e movimentou cerca de R$ 230 milhões em negócios, consolidando-se como uma das feiras agropecuárias mais importantes do interior paulista. A programação inclui palestras técnicas, demonstrações a campo, painéis de debate e apresentações de inovações, oferecendo aos participantes um ambiente de aprendizado e troca de experiências. Durante os quatro dias de feira, a Caravana Giro do Leite estará presente com seu Laboratório Móvel, espaço interativo que oferece orientações técnicas, análises, demonstrações práticas e atendimento personalizado aos produtores de leite. A iniciativa tem como missão aproximar ciência, tecnologia e campo, promovendo melhoria da qualidade do leite, nutrição animal, gestão da propriedade e sustentabilidade dos sistemas produtivos. Além dos atendimentos, o projeto também estimula o intercâmbio de conhecimento entre pesquisadores, técnicos e produtores, fortalecendo o diálogo entre a pesquisa científica e a realidade da pecuária leiteira brasileira. Criada para valorizar o produtor e difundir boas práticas na cadeia do leite, a Caravana Giro do Leite já percorreu mais de 12 mil quilômetros e participou de mais de 25 eventos nacionais, atendendo mais de 14 mil produtores rurais. Com o apoio de The Product Makers Brasil, FOSS, Revista Balde Branco, ATW Comunicação e DO Criativo, o projeto tem se destacado por sua abordagem técnica e educativa, que alia inovação a uma linguagem prática e acessível ao campo.

PORTAL DO AGRONEGÓCIO

INTERNACIONAL

Acordo Mercosul–UE reacende debate sobre competitividade do leite brasileiro e pressiona cadeia por eficiência e dados

Após 26 anos de negociações, tratado abre cotas para lácteos europeus, é judicializado e expõe gargalos históricos do setor no Brasil; especialistas apontam gestão, informação e valor agregado como chaves para enfrentar o novo cenário

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), assinado após mais de duas décadas de negociações e já judicializado, voltou a colocar o setor lácteo brasileiro em estado de alerta. Embora a redução de tarifas dentro de cotas para produtos como queijos e leite em pó europeus gere apreensão entre produtores, especialistas ouvidos avaliam que os maiores desafios não estão, necessariamente, na concorrência externa, mas em problemas estruturais da própria cadeia do leite no Brasil. Do ponto de vista da prestação de serviço ao produtor rural e ao mercado, o consenso é que o acordo escancara dificuldades antigas: custos elevados, margens apertadas, volatilidade de preços, falta de dados confiáveis e baixa eficiência produtiva e industrial. Para o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Dr. Paulo Martins, a narrativa de que o produtor brasileiro será automaticamente prejudicado pela entrada de lácteos europeus precisa ser relativizada. Segundo ele, o principal entrave à competitividade do leite nacional está na gestão deficiente, tanto na produção primária quanto nos laticínios. “O principal problema brasileiro é a baixa qualidade de gestão no setor primário e nos laticínios. Isso faz com que os nossos produtos sejam mais caros”, afirma. Para o pesquisador, reconhecer essa realidade é condição básica para avançar em eficiência e redução de custos. Dr. Paulo Martins destaca ainda que é fundamental aprofundar estudos sobre os subsídios recebidos pelos produtores europeus, especialmente transferências diretas e possíveis incentivos a insumos. Caso esses subsídios sejam confirmados, caberia ao Brasil discutir medidas compensatórias. Ainda assim, ele avalia que há tempo suficiente para ajustes internos antes que o acordo produza efeitos mais concretos no mercado. “O que não dá é para não fazer o acordo. Ele será bom para o Brasil no seu conjunto”, resume. Outro ponto sensível para o produtor é o receio de que a previsibilidade de importações europeias seja usada como argumento para pressionar o preço do leite pago ao campo. Para o pesquisador da Embrapa, essa leitura simplifica excessivamente a dinâmica do mercado. “A indústria não é a vilã do setor”, afirma Martins. Segundo ele, quem mais captura valor na cadeia são os supermercados e as indústrias que utilizam leite como matéria-prima para outros alimentos, como biscoitos, doces e chocolates. Esses elos têm maior poder de barganha e influenciam os preços pagos aos laticínios, que acabam repassando essa pressão ao produtor. Além disso, o grande número de laticínios no país faz com que o preço do leite seja resultado direto da oferta e demanda. Quando há escassez, como em 2022, com retração de cerca de 10% na produção, os preços sobem. Em momentos de excesso de oferta, como no cenário atual, influenciado pelo crescimento da produção e pelas importações, os preços tendem a cair. Na avaliação de Paulo Martins, a elevada volatilidade de preços não é fruto apenas de disputas entre produtores e indústria, mas da ausência de dados confiáveis ao longo da cadeia. A falta de informações sobre produção primária e industrial cria um ambiente de incerteza, no qual ninguém consegue prever, com segurança, os preços praticados em horizontes de médio prazo. “Isso mostra imaturidade e desorganização da indústria”, afirma. Para ele, a coleta e divulgação de dados consistentes são essenciais para reduzir a instabilidade e permitir decisões mais racionais por parte de produtores, laticínios e investidores. Do lado da indústria, o CEO da Cia do Leite, Ronaldo Carvalho, adota um tom ainda mais cauteloso ao avaliar riscos e ganhos do acordo para o setor lácteo brasileiro. Segundo ele, o tratado não altera de forma relevante a dinâmica de oferta no curto e médio prazo. “Eu não vejo nem risco e nem ganho”, afirma. Carvalho destaca que os principais fornecedores externos de leite em pó para o Brasil já são Argentina e Uruguai, países com custos de produção mais competitivos, moeda mais fraca e logística mais favorável do que a europeia. Nesse contexto, a entrada de produtos da UE não mudaria de forma significativa o volume ofertado no mercado brasileiro. Para ele, mesmo com subsídios, o custo da terra na Europa, a limitação de área produtiva e a força da moeda tornam o leite europeu menos competitivo frente aos vizinhos do Mercosul. Se por um lado o acordo não deve inundar o mercado brasileiro com lácteos europeus, por outro pode abrir oportunidades pontuais para produtos brasileiros de maior valor agregado. Carvalho avalia que a exportação de commodities lácteas para a Europa é pouco viável, mas vê espaço para nichos específicos. “Alguns produtos de valor agregado nosso podem, sim, entrar no mercado europeu”, afirma, com destaque para produtos proteicos, que vêm ganhando força no mercado interno e poderiam avançar também no exterior. Ainda assim, ele pondera que a cadeia produtiva do leite no Brasil é conservadora e tende a reagir lentamente. Investimentos e mudanças estratégicas só devem ocorrer após a consolidação efetiva do acordo e o mapeamento claro das oportunidades. Barreiras sanitárias e ESG entram no radar. Apesar do potencial, os entraves técnicos e sanitários são considerados reais. Segundo Carvalho, é natural que a UE busque criar barreiras sanitárias e ambientais como forma de conter a entrada de produtos brasileiros, especialmente se a balança comercial passar a favorecer o Brasil. Nesse cenário, estados do Sul aparecem em vantagem. De acordo com o executivo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão há mais de uma década à frente de outras regiões na adequação a exigências sanitárias, certificações e práticas ligadas à sustentabilidade. Para acessar o mercado europeu, ele avalia que será indispensável investir em ESG, rastreabilidade, certificações e, sobretudo, em uma narrativa consistente. “O europeu agrega valor contando uma boa história”, afirma, citando o apelo ambiental, familiar e emocional dos produtos lácteos vendidos na Europa. No fim das contas, tanto a pesquisa quanto a indústria concordam em um ponto central: o acordo Mercosul–UE não cria, por si só, uma crise para o leite brasileiro, mas expõe fragilidades históricas da cadeia.

Notícias Agrícolas

ECONOMIA

Dólar fecha abaixo dos R$5,20 após decisões sobre juros no Brasil e nos EUA

Em uma sessão de volatilidade alta, o dólar fechou a quinta-feira em queda ante o real, abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, no dia seguinte às decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.

O dólar à vista fechou com recuo de 0,27%, aos R$5,1941, no menor valor de fechamento desde os R$5,1539 de 28 de maio 2024. Às 17h09, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,02% na B3, aos R$5,1965. No início da sessão o dólar emplacou baixas ante boa parte das moedas de emergentes, como o real do Brasil, o peso do Chile e o peso do México, em mais um dia de fluxo de investimentos para estes países. O movimento no Brasil ocorreu ainda que, na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tenha indicado a intenção de começar a cortar juros em março, após ter mantido a Selic em 15%. “Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”, disse o BC em comunicado. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.” Nos EUA, a taxa de referência foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75% pelo Federal Reserve na tarde de quarta-feira, mas a instituição deu poucas pistas sobre quando haverá espaço para mais cortes. Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes como o Brasil — com destaque para a bolsa — vem pesando sobre as cotações do dólar. Durante a tarde o dólar voltou a perder força ante as divisas de emergentes, o que fez a moeda norte-americana voltar a cair no Brasil, para abaixo dos R$5,20 — ainda que o Ibovespa seguisse pressionado. Com o movimento da quinta-feira, o dólar acumulou queda de 5,37% ante o real em 2026. Ao avaliar a depreciação recente do dólar, o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, lembrou que isso se deve principalmente a uma maior percepção de risco em relação aos Estados Unidos, e não à perspectiva de corte de juros pelo Federal Reserve.

Reuters

Ibovespa fecha em queda com exterior negativo

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em queda, apagando os fortes ganhos registrados pela manhã que levaram a uma nova máxima histórica, pressionado pelo humor negativo que tomou os mercados acionários de Nova York.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,84%, a 183.313,75 pontos. Na mínima, marcou 181.566,56 pontos e, na máxima, 186.449,75 – recorde intradia. O volume financeiro somou R$38,75 bilhões. Ao longo da manhã desta quinta-feira, a bolsa brasileira chegou a subir mais 1%, impulsionada pela leitura positiva do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgado ontem à noite. Na ocasião, o BC decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, como esperado pelo mercado, e fez a indicação de que poderá fazer um corte de juros em março, mas enfatizou que manterá “a restrição adequada” para levar a inflação à meta de 3%. “O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o BC em comunicado. Contudo, o bom humor do mercado doméstico sucumbiu no início da tarde após a abertura das bolsas de Wall Street. Por lá, os índices tiveram quedas firmes, pressionados por uma perda de 11% nas ações da Microsoft, após divulgação de números trimestrais, enquanto os agentes ainda avaliavam a decisão do Federal Reserve, divulgada na quarta-feira. “A sessão de hoje [do Ibovespa] foi um bom retrato de ‘digestão’ pós-superquarta”, destacou Jose Áureo Viana, sócio da Blue3 Investimentos. O profissional acrescentou que o recorde intradiário da bolsa brasileira “teve muito de reprecificação local [juros futuros e prêmio] e a virada teve muito de correlação com o risk-off no exterior”, além de realização de lucros, tendo em vista o forte do mês. Na agenda doméstica, um dos destaques foram os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram que o Brasil fechou 618.164 vagas formais de trabalho em dezembro, mas terminou 2025 com saldo positivo acumulado de 1.279.498 vagas. Economistas ouvidos em pesquisa da Reuters esperavam fechamento líquido de 478.000 vagas. Pela manhã, outro ponto de atenção foi a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao portal Metrópoles, em que ele afirmou que “com certeza” deixará o governo em fevereiro.

REUTERS

Estoque de crédito no Brasil sobe 10,2% em 2025, desempenho mais forte que o esperado pelo BC

O estoque total de crédito no Brasil cresceu 10,2% em 2025 na comparação com o ano anterior, a R$7,123 trilhões, informou o Banco Central na quinta-feira, em desempenho significativamente mais forte do que o projetado pela autarquia em dezembro.

Em um ano marcado por atividade econômica resiliente apesar do nível elevado dos juros, houve uma expansão mais intensa que o esperado no crédito às famílias, que cresceu 11,6% — a projeção do BC apontava para uma alta de 10,4%. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem apostado em uma sustentação da atividade por meio de novas medidas de crédito, como um programa para facilitar empréstimos a trabalhadores privados com desconto em folha. O crescimento do crédito no país é registrado em meio a uma política monetária restritiva implementada pelo BC para controlar a inflação, tendo colocado a taxa Selic em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas. No caso das empresas, o estoque de crédito fechou 2025 com alta de 8,1%, ligeiramente acima da projeção de 8,0% feita pela autoridade monetária em dezembro. Em dezembro, as novas concessões de empréstimos no Brasil subiram 20,8% na comparação com o mês anterior, acumulando em 2025 alta de 9,1%, segundo o BC. As concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, avançaram 20,2% em relação ao mês anterior, com ganho de 9,0% em 2025. Para as operações com recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve aumento de 26,4% no mês e de 9,4% no ano. No último mês de 2025, a inadimplência no segmento de recursos livres ficou em 5,4%, contra 5,3% no mês anterior. Já os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre ficaram em 47,2% ao ano, uma queda de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior. Nos recursos direcionados, houve alta de 0,3 ponto nos juros médios no mês, a 11,4%. O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, caiu para 33,6 pontos percentuais nos recursos livres em dezembro, contra 33,8 pontos no mês anterior.

Reuters

Governo central tem déficit de R$13 bi em 2025 e cumpre meta com gastos fora da conta

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta quinta-feira ter alcançado um resultado fiscal em 2025 compatível com a meta de déficit zero estipulada para o ano, após excluir da conta R$48,7 bilhões em gastos que não serão contabilizados na apuração do resultado.

Dados do Tesouro Nacional mostram que o governo central fechou o ano com um déficit de R$13,008 bilhões, ou 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), saldo que exclui despesas com precatórios, ressarcimentos a aposentados e algumas despesas de saúde, educação e defesa.

Desse modo, o resultado após as deduções cumpre a meta de déficit primário zero, que tem uma tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. O rombo total do ano, no entanto, é de R$61,691 bilhões, equivalente a 0,48% do PIB. Esse é o valor que, de forma efetiva, impacta negativamente a dívida pública do país. Há duas semanas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, antecipou o resultado agora oficializado. O déficit total do governo central, composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, foi maior no ano passado do que o observado em 2024, quando o saldo negativo ficou em R$42,924 bilhões. Os números dizem respeito à diferença entre receitas e despesas do governo, sem contar o gasto com juros da dívida pública. As despesas totais de 2025 tiveram alta real de 3,4%, a R$2,394 trilhões. Já a receita líquida do governo, que desconta transferências a Estados e municípios, subiu 2,8% em termos reais sobre 2024, a R$2,333 trilhões. Em entrevista à imprensa, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, disse que os resultados fiscais da atual gestão, ainda que precisem melhorar, mostram rombos menores que os observados em governos anteriores, que eram “declaradamente fiscalistas”. “O processo de recuperação fiscal está acontecendo, e com crescimento econômico robusto para nosso padrão histórico”, disse. Ele reconheceu, no entanto, que pode ser necessário um debate sobre revisão de parâmetros do arcabouço fiscal para intensificar o ritmo de recuperação das contas públicas a depender do nível dos juros no país, que elevam o custo da dívida pública. Segundo ele, essa discussão poderia passar por eventuais mudanças no teto de crescimento real de 2,5% ao ano dos gastos federais ou na trava que limita a alta das despesas a 70% do desempenho da arrecadação. Os ganhos de receitas em 2025 foram impulsionados por uma arrecadação adicional de R$43,6 bilhões de Imposto de Renda (+5,2%), R$15,4 bilhões de Imposto sobre Operações Financeiras (+21,3%), recentemente elevado pelo governo, e R$9,0 bilhões de Imposto de Importação (+10,9%).

No sentido contrário, houve redução de 57,9% nos ganhos com concessões e permissões do governo (-R$10,0 bilhões), além de uma queda de 34,3% nas receitas de dividendos e participações (-R$26,3 bilhões). No caso da arrecadação com exploração de recursos naturais, houve alta de 11,7% (+R$14,8 bilhões). O Tesouro informou ainda que o empoçamento — recursos que haviam sido liberados para ministérios, mas terminaram o ano em caixa — ficou em R$8 bilhões, contra R$12,5 bilhões observados no fechamento de 2024. Em relação ao mês de dezembro, o governo central registrou um superávit primário de R$22,107 bilhões, saldo menor que os R$24,106 bilhões de superávit em dezembro de 2024. Para 2026, Ceron afirmou que o governo espera entregar um resultado fiscal mais próximo da meta estabelecida para o ano do que o observado em 2025. Em entrevista à imprensa, Ceron afirmou que “o grande objetivo da política fiscal” neste ano é alcançar um superávit nas contas públicas. O alvo fiscal para 2026 é de superávit primário de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB.

Reuters

Brasil criou 1,2 milhão de vagas formais no ano passado, pior saldo desde 2020, aponta Caged

Ao longo de 2025, houve 26,59 milhões contratações e 25,3 milhões de desligamentos. Ministro do Trabalho atribui resultado à taxa de juros; desemprego está na mínima histórica

Em 2025, o Brasil teve o pior resultado na geração de empregos formais desde 2020, com a criação de 1,2 milhão de novos postos entre janeiro e dezembro, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quinta-feira (29).

Ao longo de 2025, houve 26,59 milhões contratações e 25,3 milhões de desligamentos, com número de celetistas indo de 47,1 milhões para 48,4 milhões. O aumento no total de vagas formais é de 2,71%, percentual menor do que os registrados em 2023 (3,3%) e 2024 (3,69%).

O resultado de dezembro também mostrou uma piora na comparação com 2024, com saldo negativo de 618 mil postos de trabalho formais. O número representa uma queda de 1,26% na comparação com o último ano. No acumulado do ano, todos os principais agrupamentos de atividades econômicas tiveram aumento nas contratações. O maior crescimento foi de serviços, com 758 mil postos formais, um aumento de 3,29%. O segundo setor com maior saldo foi de comércio, com 247 mil novos postos formais. Por estado, no acumulado de janeiro a dezembro, as maiores altas foram no Amapá, onde houve aumento de 8,4% no total de postos de trabalho formais, na Paraíba, onde houve aumento de 6%, e em Piauí, com 5,81%. O pior resultado foi no Espírito Santo, onde houve um aumento de apenas 1,52%. O ministro Luiz Marinho, de Trabalho e Emprego, atribuiu o resultado menor em dezembro à alta da taxa de juros. Nesta quarta (28), o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a Selic em 15%, percentual que permanece inalterado desde a metade de 2025. Segundo o ministro, a política monetária tem afetado investimentos e a desaceleração do ritmo de crescimento da economia. Ele afirma que, se houver demora na redução dos juros, ainda haverá um tempo para que isso seja sentido pelo mercado, o que comprometeria o resultado do restante do ano. “Procurei dialogar com o Banco Central, mostrando o que a gente conseguia interpretar das atas e que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo [da economia]. Enxergava, insistia que iríamos ter processo de diminuição de velocidade. É o que o BC esperava e trabalhou para diminuir, dada a sua responsabilidade de cumprimento nas metas. Mas isso reflete em queimar orçamento para pagar juros.” O ministro disse ainda que o tarifaço do presidente americano Donald Trump, que chegou a sobretaxar importações brasileiras em 50%, gerou impactos menores do que a Selic elevada, devido à abertura de mercado do Brasil para outros países. O setor de indústria, que foi um dos mais afetados pela política de Trump, teve a criação de 144 mil empregos formais. “O impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo para abrir novos mercados. Isso deu uma minimizada muito grande”, disse Marinho. O resultado negativo na formalidade surge apesar de o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrar que o Brasil vem seguindo uma tendência de renovar a mínima histórica do desemprego. No trimestre até novembro do ano passado, a taxa de desocupação foi a 5,2%, menor percentual desde 2012, início da série histórica.

FOLHA DE SP

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