Informativo Sindileite 57 21.01.2026

Ano 1 | nº 57 | 21 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS

Faturamento da pecuária de leite aumenta 4,9% em 2025

Embora o avanço não seja tão expressivo, o aumento contínuo reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, melhora no custo de produção após anos de forte pressão e ajustes nos sistemas de manejo e nutrição.

O Valor Bruto da Produção (VBP) da pecuária de leite deve alcançar R$ 71,5 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento de aproximadamente 4,9% em relação aos R$ 68,1 bilhões registrados em 2024, o que demonstra recuperação gradual do setor. Embora o avanço não seja tão expressivo, o aumento contínuo reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, melhora no custo de produção após anos de forte pressão e ajustes nos sistemas de manejo e nutrição. A evolução nominal também ajuda a recompor margens que ficaram reduzidas em 2022 e 2023. No ranking estadual, Minas Gerais segue como o maior produtor de leite do país, com VBP projetado de R$ 18,26 bilhões em 2025, acima dos R$ 17,83 bilhões registrados no ano anterior. O Paraná vem na segunda posição, com forte incremento para R$ 11,51 bilhões, impulsionado por sistemas intensivos, cooperativismo estruturado e maior eficiência produtiva. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás completam o grupo dos principais estados da atividade. O histórico mostra uma curva de crescimento moderado, porém consistente: de R$ 53,7 bilhões em 2018 para mais de R$ 71 bilhões em 2025, uma alta sustentada por modernização, genética, mecanização e aumento da tecnificação das propriedades, especialmente entre cooperativas e bacias leiteiras consolidadas, mas é importante destacar que essa evolução ocorre em valores correntes, sem considerar a inflação acumulada no período, o que significa que parte do avanço reflete variações de preço, e não exclusivamente aumento de produção. Com uma expansão de 4,9% e resultados mais equilibrados entre regiões, a cadeia do leite segue avançando em direção a maior estabilidade e competitividade, reforçando seu papel social e econômico no agronegócio brasileiro. O Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

O Presente Rural

‘Beef on Dairy’: bezerro de corte pode alavancar rentabilidade da pecuária leiteira

A estratégia transforma bezerros machos em ativos lucrativos

O conceito de Beef on Dairy está revolucionando a gestão das fazendas leiteiras no Brasil em 2026. A estratégia consiste em transformar o bezerro macho de origem leiteira, antes considerado um “descarte”, em um ativo lucrativo através do cruzamento com raças de corte.
Em entrevista ao Giro do Boi, o zootecnista e especialista em genética Alexandre Zadra afirma que o programa permite que o produtor gere uma nova e robusta fonte de renda vendendo bezerros pesados e valorizados pelo mercado de carne premium. Nos Estados Unidos, a tendência já é absoluta: mais de 80% das vendas de sêmen para granjas leiteiras são de raças de corte. No Brasil, o movimento ganha força com a combinação de genômica e sêmen sexado, permitindo que o produtor escolha suas melhores vacas para repor o plantel de leite e utilize o restante do rebanho para produzir carne. A viabilidade do Beef on Dairy depende do uso inteligente das ferramentas genéticas disponíveis para não dar “tiro no escuro”. Para o Brasil Central e Norte, onde predomina a raça Girolando, Zadra faz uma ressalva importante sobre a adaptação ao calor. O tradicional “bezerro choqueado” (cruzamento de Zebu/Nelore sobre vaca leiteira) ganha nova roupagem com genética apurada. A conta do Beef on Dairy mostra que o segredo do lucro no Brasil está na persistência até o desmame. Diferente dos EUA, onde o bezerro é vendido com poucos dias, aqui o mercado valoriza o animal de sete meses.

Canal Rural

NACIONAL

Conseleite/MT divulga o valor do leite pago em janeiro/26

Conseleite/MT aprova e divulga redução de 8,3% nos valores de referência do leite entregue no mês de dezembro de 2025, a ser pago em janeiro de 2026.

A diretoria do Conseleite – Mato Grosso, atendendo aos dispositivos do seu Estatuto, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima, referente ao leite entregue no mês de novembro a ser pago em dezembro de 2025 e para o leite entregue no dezembro de 2025 a ser pago em janeiro de 2026. Os valores divulgados compreendem os valores de referência para o leite base e faixas de valores de referência levando em conta o volume médio mensal de leite entregue pelo produtor e os parâmetros de qualidade indicados na tabela abaixo.

OBS: (1) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Nos valores de referência está incluso Funrural de 1,5% a ser descontado do produtor rural.

O ESTADO DE SÃO PAULO

Queijos terão que mudar nomenclatura em decorrência do acordo do Mercosul-UE

O acordo entre Mercosul e União Europeia fará com que alguns alimentos bem conhecidos dos brasileiros tenham que mudar de nome.

O acordo entre Mercosul e União Europeia fará com que alguns alimentos bem conhecidos dos brasileiros tenham que mudar de nome. A medida tem o objetivo de proteger produtos agrícolas com Indicação Geográfica (IG) na UE limitando o uso de nomenclaturas expostas em embalagens que circulam por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Isso vai acontecer no sentido inverso, com produtos típicos de países que compõem o Mercosul, passando a ter reconhecimento no mercado do Velho Continente. Na prática, a mudança significa que queijos, embutidos, azeites, chocolates e bebidas de origem europeia só poderão ser comercializados com essas denominações se forem produzidos nas regiões de origem. O Brasil alcançou 150 IGs em dezembro de 2025, segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sendo 119 Indicações de Procedência (IP) e 31 Denominações de Origem (DO). Desse total, 36 produtos agrícolas foram reconhecidos pela União Europeia, entre eles a cachaça, o Queijo Canastra e o Café da Região do Cerrado Mineiro. Confira a lista completa: Açafrão de Mara Rosa; Arroz do Litoral Norte Gaúcho; Cacau de Linhares; Cachaça; Cachaça da Região de Salinas; Cachaça de Microrregião Abaíra; Cachaça de Paraty; Café Alta Mogiana; Café da Região da Serra da Mantiqueira de Minas Gerais; Café da Região de Pinhal; Café da Região do Cerrado Mineiro; Café de Norte Pioneiro do Paraná; Cajuína do Piauí; Camarão Costa Negra; Carnes do Pampa Gaúcho da Campanha Meridional; doces finos de Pelotas; Erva-Mate de São Matheus; Farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul; Goiaba de Carlópolis; Inhame da Região de São Bento de Ucrânia; Linguiça de Maracaju; Mel de Ortigueira; Mel do Oeste do Paraná; Mel do Pantanal; Melão de Mossoró; Própolis Verde do Vale do Própolis Verde de Minas Gerais; Própolis Vermelha dos Manguezais de Alagoas; Queijo Canastra; Queijo do Serro; Uvas de mesa Marialva; Uvas de mesa e manga do Vale do Submédio São Francisco; Vinho tinto, branco e espumante do Vale dos Vinhedos; Vinho tinto, branco e espumante de Pinto Bandeira; Vinhos e espumante dos Altos Montes; Vinhos e espumante de Monte Belo do Sul; Vinhos e espumante licoroso de Farroupilha. Durante as negociações, o Mercosul concedeu proteção a 356 Indicações Geográficas da União Europeia, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A lista inclui queijos como parmesão, feta, gorgonzola, roquefort, fontina, grana e gruyère, bebidas como Genebra e Steinhaeger, além de vinhos, azeites e embutidos, como os conhecidos e muito consumidos no Brasil, presunto parma e mortadela de Bolonha, ambos da Itália. Em 2022, o governo brasileiro realizou uma consulta pública para que produtores nacionais comprovassem o uso comercial prévio desses itens. Apenas as empresas que atenderam aos critérios poderão continuar utilizando as denominações protegidas (veja aqui o resultado). Para o advogado Frederico Favacho, especialista em agronegócio, a mudança de nomenclatura é vista menos como problema e mais como oportunidade, uma vez que o Brasil também poderá fazer o mesmo com os seus produtos. “Até porque, num país de tamanho continental como é o Brasil, temos a possibilidade de ter tantas designações geográficas, que sem dúvida temos a ganhar com isso”, avalia. Tudo irá depender, segundo ele, da forma como será feito o marketing desses produtos. Para a Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (Abiq), as tratativas envolvendo os produtos lácteos são positivas tanto na questão das Indicações Geográficas quando nas cotas de venda. Uma das novidades envolve os queijos italianos parmesão e gorgonzola. Isso porque, fabricantes brasileiros registrados até 2017 poderão manter as nomenclaturas das iguarias por meio do mecanismo conhecido como grandfather clause. Já as empresas criadas após a data deverão adotar nomes genéricos, como “queijo azul”, no caso do gorgonzola. O gruyère, da Suíça, e o grana, da Itália, também foram incluídos como grandfather clause, mas a data de corte é 2012. “Na negociação, os representantes do Ministério da Agricultura optaram por proteger mais os queijos com maior produção na indústria brasileira, em que o parmesão tem mais de 27 mil toneladas anuais, e o gorgonzola, mais de 6”, destaca a Abiq.

GLOBO RURAL

INTERNACIONAL

GDT 396: consolidação de preços sinaliza transição para um novo ciclo no mercado lácteo internacional

Após a forte alta do início do ano, o 396º leilão do GDT sinalizou um movimento de consolidação dos preços em patamares mais elevados. O índice geral avançou 1,5%, com destaque para a valorização dos leites em pó e das gorduras lácteas, enquanto alguns derivados registraram ajustes pontuais

O 396º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 20 de janeiro, apresentou um movimento de relativa estabilidade após a forte alta observada no primeiro evento do ano, indicando um processo de consolidação dos preços em patamares mais elevados. Em meio a movimentos mistos de altas e recuos entre os produtos, o preço médio dos lácteos comercializados atingiu USD 3.615/tonelada, registrando leve valorização de 1,5%.

O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado, apresentou comportamento consistente com esse cenário de ajuste, com pequena alta de 1,0%, alcançando o preço médio de USD 3.449/tonelada. Esse desempenho reforça a leitura de manutenção de uma demanda firme, especialmente diante das expectativas de crescimento mais moderado da produção global ao longo de 2026. O leite em pó desnatado (LPD) também apresentou valorização mais expressiva, com alta de 2,2%, sendo cotado a USD 2.615/tonelada, sinalizando recuperação também. Diferentemente do leilão anterior, o evento registrou recuos pontuais em alguns derivados, com destaque para a muçarela, que voltou a apresentar queda após dois leilões consecutivos de recuperação. O recuo foi de 2,3%, com preço médio de USD 3.340/tonelada. A lactose também apresentou desvalorização de 1,8%, enquanto o cheddar recuou 1,4%. Esses movimentos, no entanto, são ajustes técnicos após a recente recuperação, sem necessariamente caracterizar uma reversão de tendência. Por outro lado, as gorduras lácteas seguem como destaque estrutural do mercado. A gordura anidra do leite e a manteiga acumularam o terceiro leilão consecutivo de valorização, sustentadas por um balanço oferta-demanda mais ajustado. O volume total negociado no leilão somou cerca de 27,8 mil toneladas, representando queda de 5,0% em relação ao evento anterior. Ainda assim, frente ao mesmo período do ano passado, o volume permaneceu praticamente inalterado, o que reforça que a redução observada é sazonal, já que nos últimos anos, houve também a redução do volume comercializado entre o primeiro e o segundo leilão do ano. A participação de 164 compradores confirma esse cenário de interesse internacional consistente. No mercado futuro, a tendência de recuperação segue sendo reforçada. Os contratos de leite em pó negociados na SGX continuam apresentando viés de alta, refletindo a expectativa de crescimento menos acelerado da produção global neste ano. Esse movimento fortalece os sinais de uma virada de ciclo nos preços internacionais dos lácteos, especialmente ao longo do primeiro semestre.

Esse ambiente mais firme no mercado internacional já começa a se refletir regionalmente no Mercosul, onde preços de derivados de leite em pó e muçarela vêm apresentando reversão do cenário observado no final do ano passado, com reajustes positivos nas últimas semanas. Considerando que o Mercosul é o principal parceiro comercial de lácteos do Brasil, esse movimento tende a influenciar diretamente o mercado doméstico. No Brasil, a expectativa é de que a produção de leite permaneça em volumes elevados, semelhantes aos registrados em 2025. Nesse contexto, preços mais altos no mercado sul-americano, combinados à ampla oferta interna, podem reduzir a atratividade das importações, especialmente de leites em pó e muçarela. No entanto, o câmbio segue como variável-chave: um dólar em patamares mais baixos pode atenuar os efeitos da alta internacional e manter estímulos pontuais às importações. Em síntese, o resultado do 396º leilão do GDT reforça um cenário de transição para um ciclo de recuperação nos preços, com impactos no Mercosul e potenciais efeitos positivos para o equilíbrio do mercado brasileiro ao longo de 2026.

MILKPOINT MERCADO

GOVERNO

Banco do Brasil espera liberar recurso para pastagens no primeiro semestre

Banco vai desembolsar as primeiras operações do Caminho Verde Brasil, destinado a recuperação de pastagens degradadas com recursos do segundo leilão do Ecoinvest.

Gilson Bittencourt: vamos buscar operações diretas com grande produtor

O Banco do Brasil espera desembolsar as primeiras operações do Caminho Verde Brasil, destinado a recuperação de pastagens degradadas com recursos do segundo leilão do Ecoinvest, neste primeiro semestre. O programa tem meta de recuperar até 40 milhões de hectares com algum grau de degradação em dez anos. Em dezembro de 2025, o BB recebeu a primeira tranche de recursos do Tesouro Nacional, de R$ 1,05 bilhão, para empréstimo aos agricultores. A carteira para desembolsos já foi mapeada e está concentrada em grandes produtores, para contratação de forma direta. O banco também estuda operacionalizar os financiamentos por meio de um fundo e por “empresas-âncoras”, como frigoríficos e companhias que atuam com reflorestamento, informou o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Bittencourt. O total de investimentos do BB no programa deverá ser de R$ 6,8 bilhões, com R$ 4,1 bilhões de capital catalítico do Tesouro e R$ 2,7 bilhões de recursos próprios mobilizados no leilão do Ecoinvest, em 2025. A previsão é alcançar a recuperação de 275 mil hectares degradados em todos os biomas. O banco lidera a indicação de alocação na Caatinga, Amazônia, Pampa e Pantanal. “Seguimos na estruturação das soluções para o atendimento das demandas. A expectativa e os esforços continuam direcionados para um portfólio mais amplo, que vai desde operações diretas com produtores rurais, até estruturas mais complexas de mercados de capitais”, informou o BB, em nota enviada à reportagem. Em conversa com jornalistas em dezembro do ano passado, Bittencourt já havia relatado a complexidade da linha. “Não é um simples desembolso de recursos, tem monitoramento e todo o controle para entregar aquela quantidade de hectares, demonstrar a captura de carbono e todo o processo de monitoramento ao longo da operação”, disse. O executivo ressaltou que a linha não será oferecida diretamente a pequenos e médios produtores, que têm acesso a linhas do Plano Safra com juros compatíveis e menor exigência de monitoramento. “Vamos buscar operações diretas com produtores de maior porte. Pequenos e médios continuarão atendidos nos programas existentes”, disse. O vice-presidente do BB considera a possibilidade de atender produtores de médio porte por meio de operações indiretas, realizada por empresas com ampla base de clientes que farão a distribuição dos recursos. “Até pode acontecer, mas de forma indireta. Se houver um acordo com uma grande empresa que, na sua base, tenha produtores médios e grandes, ela pode fazer esse ajuste. Estamos buscando possibilidades com empresas amplas que atuem e façam essa distribuição”, afirmou. Bittencourt disse que os recursos podem ser distribuídos por meio de frigoríficos a pecuaristas interessados na recuperação de suas pastagens e empresas de reflorestamento, que têm relação direta com produtores. Estão no radar também operações via fundos. A discussão é se serão usadas estruturas próprias do banco ou de parceiros com experiência para organizar o fluxo financeiro com o controle e acompanhamento necessários para verificação da recuperação das áreas financiadas.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar à vista fecha em alta após tensão sobre Groenlândia elevar percepção global de risco

Moeda americana, porém, termina sessão longe das máximas intradiárias

O dólar à vista encerrou a sessão da terça-feira em valorização frente ao real. O dia foi marcado pela maior percepção global de risco em meio à preocupação dos agentes financeiros com uma escalada nas tensões geopolíticas devido à intenção dos Estados Unidos em anexar a Groenlândia. Apesar da maior aversão a risco, o dólar encerrou a sessão longe das máximas alcançadas no dia, indicando que a busca por proteção hoje não se deu necessariamente via compra de dólar. Pelo contrário, hoje, a fuga de ativos de risco pesou principalmente para os mercados americanos, com as bolsas em Wall Street em forte desvalorização, enquanto no Brasil o Ibovespa renovou recorde histórico intradiário. Encerradas as negociações da terça-feira, o dólar à vista fechou em alta de 0,30%, cotado a R$ 5,3802, depois de ter tocado na mínima de R$ 5,3592 e batido na máxima de R$ 5,4086. Já o euro comercial registrou apreciação de 0,89%, a R$ 6,3011. Perto das 17h15, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,79%, aos 98,607 pontos.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa renova recorde com apoio de blue chips e encosta em 166.500 pontos

O Ibovespa fechou em alta na terça-feira, renovando máximas perto dos 166.500 pontos, com o desempenho robusto de blue chips como Vale e Itaú ajudando a descolar o pregão brasileiro do viés negativo de mercados acionários no exterior, onde o clima segue tenso após novas ameaças de tarifas dos Estados Unidos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,87%, a 166.276,90 pontos, recorde de fechamento, após marcar 166.467,56 no melhor momento, topo intradia. O volume financeiro na bolsa somou R$23,55 bilhões. O Ibovespa ganhou fôlego no final da manhã, quando as bolsas norte-americanas abriram. Enquanto isso, preocupações envolvendo os planos de Donald Trump para a Groenlândia e incertezas relacionadas ao comando do Federal Reserve pressionaram Wall Street e endossaram o movimento de rotação de recursos que marcou 2025. Na visão do analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, o Brasil acaba se beneficiando desse movimento, uma vez que a bolsa ainda está “bastante depreciada”. Dados da B3 neste começo de ano mostram entrada líquida de capital externo na bolsa, com o saldo positivo em R$7,3 bilhões até a última sexta-feira. Em Nova York, o S&P 500 fechou em queda de 2,06%, após fim de semana prolongado por feriado nos EUA na segunda-feira, em meio a ameaças recentes de Trump sobre tarifas adicionais de importação a produtos europeus em sua busca para assumir o controle da Groenlândia, que pertence à Dinamarca. Para o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, o fato de o Brasil não ter sido afetado pelas discussões geopolíticas mais recentes também favorece uma “tranquilidade” no mercado brasileiro. “O pessimismo passou longe da bolsa” nesta sessão, acrescentou.

REUTERS

Produção agroindustrial cai após dois meses de expansão

Índice de Produção Agroindustrial recuou 0,3% em comparação com novembro de 2024

Único segmento que registrou aumento de produção em novembro foi o de produtos alimentícios, que cresceu 4%

A agroindústria brasileira teve uma pequena contração em novembro, pressionada mais uma vez pelo fraco desempenho das fabricantes de produtos não alimentícios e pelas de bebidas. O Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), recuou 0,3% em comparação com novembro de 2024. Com isso, até o indicador acumulou queda de 0,2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Segundo os pesquisadores do FGV Agro, o declínio refletiu os efeitos da política monetária contracionista do Banco Central e as “incertezas no ambiente externo”, como o tarifaço que os Estados Unidos impuseram ao Brasil. Até 20 de novembro, grande parte dos produtos que o Brasil exporta aos EUA continuaram a pagar sobretaxa para entrar no mercado americano. A agroindústria de produtos não alimentícios teve uma contração de 3,6%, e a de bebidas, 4,2%. O único segmento que registrou aumento de produção em novembro foi o de produtos alimentícios, que cresceu 4%. Entre as indústrias de produtos alimentícios e bebidas, a de melhor desempenho foi a de alimentos de origem animal, que avançou 4,8%. O segmento de carne bovina puxou o aumento da produção, mas também tiveram bom desempenho os laticínios e as indústrias de carnes suínas, de aves e de pescados. A indústria de alimentos de origem vegetal cresceu 2,7%, puxada pelo aumento da produção de arroz, trigo, óleos e gorduras e, notadamente, de conservas e sucos. Já a produção de café e açúcar recuou, segundo o indicador. No segmento de produtos não alimentícios, as quedas foram generalizadas, com destaque para a de biocombustíveis, que recuou 8,9%, e a de insumos agropecuários, que caiu 5,3%. Também diminuiu a produção de produtos intermediários para fertilizantes, de defensivos agrícolas e de tratores e máquinas. Já a produção de adubos e fertilizantes cresceu em novembro.

VALOR ECONÔMICO

POWERED BY

EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA

041 99697 8868 (WhatsApp)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *