Ano 1 | nº 56 | 20 de janeiro de 2026
NOTÍCIAS
Com prêmios internacionais, cooperativa produz 23 toneladas de queijos finos por mês no Paraná
Cooperativa Witmarsum também possui selo de origem geográfica, que aponta para qualidade do produto
A Cooperativa Witmarsum, localizada na cidade de Palmeira (PR), nos Campos Gerais, começou a investir em queijos finos há 20 anos e hoje, tem a produção mensal de 23 toneladas de queijos, dividido em 12 tipos. Com mais de 600 cooperados, os produtos da empresa estão presentes na maioria dos estados brasileiros com consumo liderado pelo Paraná, Santa Catarina e São Paulo. “Um dos nossos principais negócios é o leite. Como é um leite de altíssima qualidade, entregar um leite como matéria-prima não agregava tanto valor. Assim, começamos a investir em um produto com o nível de qualidade”, recorda Rafael Wollmann, diretor de operações da Cooperativa Witmarsum. A cooperativa também conquistou prêmios com os queijos finos. Recentemente, a empresa conseguiu três medalhas no Mundial do Queijo, além de oito medalhas em concursos estaduais e oito medalhas em concursos nacionais. Os queijos finos da cooperativa são produzidos, principalmente, a partir de vacas das raças Holandesa, Jersey e Pardo Suíço. Essas raças são conhecidas por produzir um leite com alto teor de sólidos, gordura e proteína, importantes para a fabricação de queijos finos. Além disso, dois dos queijos da cooperativa receberam Indicação Geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). São eles: Witmarsum Colonial Natural e Witmarsum Colonial com Pimenta Verde. “O selo é como se fosse um atestado de que a origem do produto é boa. Os nossos clientes conseguem perceber que o nosso produto tem um nível superior de qualidade, principalmente, a origem da matéria-prima e a forma de produção”, destaca Wollmann. Segundo o diretor, a cooperativa tem expectativa de aumentar a produção e manter a qualidade do produto refinado para conquistar novos mercados, sem perder os clientes fidelizados. “A ideia é vender mais e, não somente para pessoas novas, mantendo também os nossos parceiros. Por ser uma cooperativa, temos essa questão de não só buscar novos, mas de fortalecimento dos laços com os nossos clientes”, comenta. A técnica do Departamento Técnico (Detec) do Sistema Faep/Senar-PR, Luciana Matsuguma, afirma que a tendência é que o Paraná avance na produção de queijos finos nos próximos anos por causa do potencial de crescimento que ainda existe no mercado nacional. “Temos um consumo, por pessoa, de 5,6 kg por ano de queijo no Brasil. Comparado com a Grécia, que consome, por pessoa, 37,4 kg/por ano, temos muito a crescer ainda. O Brasil é um país diversificado, com características climáticas que podem trazer diversificação nos queijos para o consumidor”, avalia.
GAZETA DO POVO
O estado que vai disputar com Minas a liderança na produção de queijo
Sudoeste do Paraná é destaque na produção de queijos por pequenos produtores.
Segundo maior produtor de leite do país o Paraná tem pretensões de impulsionar a fabricação de lácteos. Uma peça crucial nesse planejamento é a construção daquela que pretende ser a maior fábrica de queijos do Brasil. Empreendimento da empresa goiana Piracanjuba, a nova sede está prevista para a cidade de São Jorge D’Oeste. Mas não para por aí. As cooperativas também auxiliam na manutenção dos pequenos produtores e na industrialização dos produtos. Uma grande contribuição da fabricação de queijos vem da agricultura familiar, distribuindo os produtos para empórios em todo o estado, fomentando o agroturismo e ganhando forte relevância nas premiações de queijo. O setor lácteo movimenta mais de 50 mil produtores no Paraná, que mantém uma produção diária de 12 milhões de litros de leite, dos quais 5 milhões são destinados à fabricação de queijos. O leite é o quarto produto agropecuário do Paraná em Valor Bruto de Produção (VBP), movimentando R$ 9 bilhões ao ano, de acordo com informações do governo estadual. As regiões dos Campos Gerais e Sudoeste paranaenses, que são os maiores produtores de leite do Paraná, também produzem queijos. Com foco na agricultura familiar, a maior concentração desses agricultores está no Sudoeste. O presidente da comissão técnica de pecuária de leite do Sistema Faep, Ronei Volpi, aponta que os produtores paranaenses têm relevância na fabricação de queijo muçarela. Segundo ele, a produção leiteira paranaense contribui para a fabricação de queijo. Porém, há mais fatores que facilitam a expansão do negócio. “A questão fundiária. Grande parte do Paraná é de pequenos e médios produtores, ou seja, a família está envolvida. O clima também é favorável. Além da origem dos produtores, quase todos são de origem europeia”, enumera. Para Volpi, a organização é outro diferencial. “A organização que existe no estado, através dos sindicatos, SENAR-PR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Paraná) e Sebrae. Há uma infraestrutura de apoio a produção, muito melhor que a média do país e isso contribui para que o Paraná se destaque”, ressalta. O presidente da comissão técnica de pecuária de leite do Sistema Faep evidencia o espaço ocupado por cooperativas com grande produção de queijo, como Frimesa e Witmarsum. “A metade da produção de leite vem de produtores que são cooperados. As cooperativas têm um papel relevante na sustentabilidade e no apoio aos pequenos produtores, e ajudam a permanecer na atividade”, diz. A Frimesa se destaca pela experiência consolidada há 43 anos e com mais de 20 tipos de queijo em seu portfólio. Recentemente, ganhou o prêmio de Queijo do Paraná com o parmesão. Também, conquistou medalhas de ouro com muçarela – peça e minas frescal. Do volume total de leite recebido pela Frimesa, 42% são destinados para a produção de queijos. Em 2022, a fabricação do produto alcançou 10.607 quilos. O preço médio de venda dos produtos lácteos, no geral, cresceu 30% de 2022 para 2021. Neste ano, a projeção é aumentar 45% sobre o volume anterior. Para alcançar o objetivo, a modernização é palavra-chave. “Modernizaremos o processo de coagulação em nossa indústria de muçarela, atualizaremos os sistemas de embalagens dos queijos fracionados e, principalmente, na aquisição do equipamento de paletagem do queijo coalho, inovador no meio laticinista”, conta o presidente-executivo, Elias José Zydek. O gerente da área leite, Erivelto Costa, destaca que a produção de queijos é um trabalho de anos e que vem gerando frutos. “O Paraná tem esse DNA de produzir leite e queijo há muito tempo, devido aos diversos imigrantes que colonizaram nosso estado: holandeses, italianos, alemães. O queijo estava sempre presente na dieta destes povos. Com a evolução das produções de leite, veio a necessidade de comercialização e os queijos são um meio de conservação e, principalmente, agregação de valor da cadeia leiteira”, afirma. “Aos poucos, o Paraná está se tornando um dos maiores produtores de queijo do país”, acredita Costa. Como o Paraná é o segundo maior produtor de leite do país, o queijo é uma das melhores opções dessa cadeia, por conta da variedade de tipos e agregação de valor. “A Frimesa vê essa oportunidade em produzir queijos usando seus processos e mantendo a tradição de cada um desses queijos, diversificando produtos em seu portfólio e oferecendo aos nossos consumidores produtos que são referência em concursos nacionais e internacionais”, ressalta. Para confirmar a qualidade nos produtos, o Paraná tem conquistado espaço em premiações nacionais e mundiais. No 2º Prêmio Mundial de Queijos, em 2022, os produtores paranaenses conseguiram 34 medalhas. Foram 1,2 mil queijos, de 11 países, que participaram da disputa. Na competição nacional, 60 queijos artesanais do Paraná foram contemplados no 6º Prêmio Queijo Brasil, neste ano. Desta premiação, dos 19 associados da Associação dos Produtores de Queijo Artesanal do Sudoeste do Paraná (Aprosud), 15 tipos foram premiados. A vice-presidente da Aprosud, Roseli Piekas Capra, conta que essas premiações impulsionam a visibilidade do negócio. “Teve várias premiações que alavancaram [os negócios] e ajudam na divulgação dessas queijarias”, diz. A família de Roseli atua na produção de queijo há 40 anos – os últimos 16 com a participação dela. Produtora de queijo em Francisco Beltrão, o foco da queijaria dela, assim como a maioria na região, é o queijo colonial, que virou marca registrada. “Temos a marca coletiva e é registrada. Estamos em processo de indicação geográfica desse queijo”, relata. Com a presença forte da agricultura familiar, as produções são com cerca de 500 litros/dia. O associado com maior produção trabalha com 2 mil litros/dia. Segundo Roseli, as queijarias começaram vendendo para o município. Agora, a maioria dos associados tem a certificação do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf), conseguindo ampliar a distribuição para todo o estado. A produtora diz que os produtos de sua queijaria são distribuídos em Curitiba, Cascavel e Maringá. “Com o Susaf, a maioria dos nossos associados conseguem comercializar no Paraná todo e isso agregou muito”, destaca. A produção de queijos no Paraná também impacta no agroturismo. A Rota do Queijo começou em dezembro de 2021, com o intuito que os produtores fossem mais conhecidos. A coordenadora estadual do turismo rural do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Terezinha Freire, conta que a Rota do Queijo conecta produtos, pois o queijo tem um apelo interessante para o turismo.
GAZETA DO POVO
NACIONAL
No Dia do Queijo, conheça oito produtos artesanais 100% brasileiros
Produtos reconhecidos com Indicação Geográfica têm proteção de origem. Reconhecimento é concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi)
No Dia do Queijo, celebrado nesta terça-feira (20/1), o Brasil tem bons motivos para comemorar. De Norte a Sul do país, iguarias artesanais conquistaram o selo de Indicação Geográfica (IG), reconhecimento concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A certificação, dividida em Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO), protege a origem, o modo de preparo e a identidade cultural de produtos lácteos que carregam, além de sabores únicos, tradição e segredos de gerações. Conheça abaixo queijos nacionais que representam o Brasil: 1 – Queijo de Autazes: Produzido em Autazes (AM), município conhecido pela tradição na pecuária, o queijo coalho recebeu o selo IG da espécie Indicação de Procedência em setembro de 2024. Ele é elaborado com leite de vaca ou búfala, tem formato retangular, sabor fresco e levemente salgado e apresenta textura macia e coloração amarelada, quando de origem bovina, ou esbranquiçada, se for produzido com leite bubalino. Conforme o Inpi, a IG amazônica “celebra uma tradição secular na produção de queijo intrinsecamente ligada às peculiaridades geográficas e culturais da região. Autazes adaptou-se ao ambiente fluvial, desenvolvendo um sistema de produção que ficou conhecido por características típicas e locais, garantindo autenticidade”. 2 – Queijo Artesanal Serrano. A Indicação Geográfica de nome “Campos de Cima da Serra” é da espécie Denominação de Origem e não abrange apenas um Estado brasileiro. São 18 municípios de Santa Catarina e 16 do Rio Grande do Sul que podem produzir a iguaria utilizando leite de vaca de raças com aptidão para corte ou de animais cruzados e alimentados em pastagens naturais. O Queijo Serrano apresenta textura compacta e macia, coloração amarelada e sabor ligeiramente ácido, picante e salgado, que varia conforme a quantidade de cloreto de sódio, umidade e grau de maturação. Além disso, o odor é agradável e torna-se mais acentuado com o tempo de maturação, enquanto a crosta é uniforme e de espessura lisa e sem trincas. 3 – Queijo Canastra. A iguaria da espécie Indicação de Procedência registrada pelo Inpi em 2024 só pode ser comercializada com o nome Canastra quando produzida na área que engloba os municípios mineiros de São Roque de Minas, Vargem Bonita, Medeiros, Bambuí, Delfinópolis, Piumhi, Tapiraí e São João Batista do Glória. O queijo é fabricado com leite de vaca cru integral e pode ser encontrado em três tamanhos de formato cilíndrico, plano ou ligeiramente abaulado nas laterais: De casca com crosta fina e manchas e coloração amarelada, o produto ainda tem odor suave que remete à gordura do leite e massa macia e homogênea. 4 – Queijo do Cerrado. O queijo com IG de Indicação de Procedência desde 2023 é produzido com leite de vaca das espécies Bos taurus e Bos indicus em uma área que engloba 19 municípios de Minas Gerais, todos inseridos no bioma Cerrado. Para comercialização, a iguaria de casca amarelada, lisa ou com pequenas texturas, massa consistente e sabor suave e notas amanteigadas ou discretamente picantes é dividida em dois tipos: 5 – Colônia Witmarsum. Em 2018, a comunidade rural de colonização alemã localizada em Palmeira (PR) recebeu o selo da espécie Indicação de Procedência pela produção de dois queijos entre os 12 que integram atualmente o cardápio local: o Queijo Colonial e o Queijo com Pimenta-Verde. Ambos são feitos com leite de vaca, passam por maturação de cerca de 25 dias e apresentam sabor suave, textura macia e massa envolta por casca, características que refletem o modo de produção tradicional preservado. 6 – Queijo de Marajó. Com IG de Indicação de Procedência concedido em 2021, o Queijo de Marajó é produzido na área que abrange Chaves, Cachoeira do Arari, Muaná, Ponta de Pedras, Santa Cruz do Arari, Salvaterra e Soure, municípios localizados na Ilha de Marajó, no Pará. O diferencial está no leite de búfala, que confere identidade e características próprias ao produto. No entanto, conforme estabelece o Inpi, a matéria-prima pode ser exclusivamente de origem bubalina ou resultar da mistura com o bovino, desde que ambos tenham origem na área delimitada. O queijo é comercializado de duas formas: creme e manteiga. A primeira tem como ingredientes obrigatórios o leite de búfala (ou misto), creme de leite e sal. Já a segunda é elaborada com leite de búfala (ou misto), manteiga e sal. 7 – Queijo Minas Artesanal do Serro. Conhecida popularmente na mesa do consumidor brasileiro apenas como Queijo Minas, a iguaria da espécie Indicação de Procedência foi registrada em 2011, após pedido da Associação dos Produtores Artesanais de Queijo do Serro (APAQS). Foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural do Brasil e pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. 8 – Queijo Colonial do Sudoeste do Paraná. Com Indicação de Procedência registrada em junho de 2025, a IG abrange uma área de 42 municípios no Sudoeste do Paraná, região onde 20 mil produtores de leite são responsáveis por 1 bilhão de litros da matéria-prima por ano, segundo dados da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab). O queijo artesanal é produzido com leite de vaca, principalmente da raça holandesa, e apresenta diferentes períodos de maturação: 10 ou 15 dias, 20 a 30 dias; 45 dias, 60 dias ou mais de 60 dias.
GLOBO RURAL
Criadores de búfalos projetam ganho de mercado para lácteos
Rebanho bubalino brasileiro registrou um crescimento de 20% na última década. Um dos desafios da atividade é a maior organização da cadeia para atender o mercado
Produtos lácteos de búfala e cortes especiais da carne do animal começam a ganhar espaço nas prateleiras dos supermercados brasileiros. Mas os criadores de búfalos de diferentes regiões do país querem mais e projetam continuar ganhando mercado este ano. Há movimentos que justificam o otimismo, porém também há desafios pela frente. “Esperamos seguir nesse ciclo de crescimento. Mas precisamos organizar melhor a cadeia de produção para atender a demanda”, afirma Simon Riess, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB). O rebanho bubalino brasileiro registrou um crescimento de 20% na última década, e a produção de carne e de leite tem aumentado no mesmo ritmo, segundo Riess.
Em lácteos, a entrada de grandes empresas e o lançamento de novos produtos têm fortalecido o segmento. O principal ganho de mercado acontece no Sul e no Sudeste do país, onde a industrialização do leite de búfala avança. De acordo com dados da ABCB, em 2024 laticínios receberam cerca de 20,4 milhões de litros de leite de búfala no Brasil, quase 20 vezes a quantidade coletada em 2001, que foi de 1 milhão de litros. O aumento médio anual na captação desde então tem sido de 13,67%, estima a entidade, que não tem dados consolidados sobre a produção de derivados do leite de búfala no Brasil. Mas o aumento na oferta e a diversificação de produtos é evidente. Basta olhar nas gôndolas. Um dos resultados dessa diversificação é o primeiro leite de búfala em pó no Brasil, lançado pela Bom Destino, de Oliveira (MG). A iniciativa, segundo a empresa, visa ampliar as possibilidades de industrialização e diversificação de produtos derivados de búfala. A empresa já tem no portfólio outros produtos derivados de leite de búfala, como queijos, manteigas, creme de leite e versões zero lactose. Outro movimento importante recente foi a aquisição da Levitare, de Sete Barras (SP), pelo tradicional Laticínios Tirolez, em outubro passado. Para Simon Riess, o negócio sinaliza o interesse de grandes players do setor lácteo pela cadeia do leite de búfala e abre novas perspectivas de escala e mercado. Uma boa notícia para produtores como Wellington Paris, de Itaperuçu (PR), no Vale do Ribeira. Ele, que se define como “apaixonado pelos búfalos”, começou a criação há quatro anos. “São animais extremamente dóceis”, diz.
Com um rebanho de 55 matrizes, ele faz um escalonamento de inseminação dos animais para ter produção de leite o ano todo e aponta como principal desafio a redução do custo de produção para aumentar a rentabilidade. O leite produzido por Paris é destinado à produção de muçarela de búfala, manteiga e outros produtos da Levitare. O segmento de carne de búfalo também cresce, segundo o presidente da ABCB, mas encontra alguns obstáculos no caminho. Um deles é que a comercialização da carne de búfalo com essa nomenclatura ainda não é uma realidade no país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam para um rebanho de 1,8 milhão de cabeças de búfalos no país em 2024. Desse total, 775 mil cabeças estão no Pará, o principal Estado produtor. Na região Norte, o rebanho é voltado à produção de carne, que acaba chegando ao consumidor como carne bovina, segundo Riess. Na avaliação do dirigente, o Rio Grande do Sul tem o melhor know how na produção e desenvolvimento de mercado para a carne de búfalo. O produtor Rogério Gonçalves, de Rosário do Sul (RS), atua com a bubalinocultura desde a década de 1970. Ele lançou, no ano passado, a Baby Buf Premium, linha de cortes especiais de carne de búfalo. “É uma alternativa diferente, com cortes nobres direto do Pampa Gaúcho”, ressalta. Depois do lançamento em Caxias do Sul e Porto Alegre, a marca busca se consolidar em municípios da Serra Gaúcha. “Estamos prospectando mercado para, no futuro, levar o produto para outros Estados”, conta. O portfólio inclui ainda hambúrgueres e linguiças com as partes de carne com menor valor agregado. Segundo Gonçalves, a carne tem como características a suculência e a maciez, além de ter menos colesterol e gordura. Entre as práticas adotadas para garantir a qualidade dos produtos está o abate dos animais jovens, antes dos 20 ou 22 meses, acrescenta, realizado em um frigorífico da região.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar acompanha exterior e tem leve baixa em dia de liquidez menor
Em uma sessão de liquidez reduzida em função de feriado nos Estados Unidos, o dólar fechou a segunda-feira com leve viés de baixa ante o real, em sintonia com o sinal negativo visto também no exterior, após novas ameaças tarifárias do governo Trump contra a Europa terem pressionado a moeda norte-americana.
O dólar à vista encerrou o dia em leve baixa de 0,16%, aos R$5,3647. No ano, a divisa acumula queda de 2,26%. Às 17h03, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,10% na B3, aos R$5,3810, tendo movimentado apenas cerca de 90 mil contratos, bem menos que a média para o horário. O feriado do Dia de Martin Luther King manteve a bolsa fechada nos Estados Unidos, o que reduziu a liquidez ao redor do mundo, incluindo nos mercados de moedas. No sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a intenção de aplicar novas tarifas comerciais sobre produtos de oito países europeus, até que os norte-americanos tenham permissão para comprar a Groenlândia, hoje ligada à Dinamarca. No domingo, embaixadores da União Europeia disseram que preparam medidas de retaliação aos EUA. Neste cenário, os investidores globais procuraram nesta segunda-feira a proteção de outras moedas fortes, como o franco suíço, o euro e a libra, em detrimento do dólar. Às 17h14, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,08%, a 99,067. “O dólar (DXY) cai globalmente por um pouco de correção e um pouco (de) reflexo deste movimento do (presidente) Trump, que vai minando aos poucos os EUA como referência”, disse Bruno Perri, economista-chefe e sócio fundador da Forum Investimentos, em comentário escrito. No Brasil, após marcar a cotação máxima intradia de R$5,3831 (+0,18%) às 9h06, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,3458 (-0,51%) às 13h17. No fim da manhã, sem efeitos maiores nas cotações, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista ao portal UOL que iniciou uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre seu papel nas eleições de 2026, mas que os dois ainda não chegaram a um consenso. Haddad também disse que o governo discute a ampliação do poder de fiscalização do Banco Central sobre os fundos, incorporando atribuições que hoje são da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e criticou o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto. Segundo ele, o atual comandante da autarquia, Gabriel Galípolo, herdou problemas como a fraude no Banco Master.
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Ibovespa fecha quase estável e com volume reduzido em pregão sem EUA
O Ibovespa fechou quase estável na segunda-feira, em pregão com agenda macro esvaziada e feriado nos Estados Unidos, o que reduziu o volume de negócios no pregão.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação positiva de 0,03%, a 164.849,27 pontos, após marcar 164.264,75 na mínima e 165.154,76 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$12,6 bilhões, de uma média diária de quase R$31 bilhões no mês até agora – que foi puxada principalmente pelo pregão da última quarta-feira, com vencimento de opções sobre o Ibovespa. Também na semana passada o Ibovespa renovou máximas históricas, ultrapassando os 166 mil pontos no melhor momento da sessão de quinta-feira pela primeira vez na sua história. De acordo com o analista Nícolas Merola, da EQI Research, a bolsa paulista teve um pregão morno com o feriado nos Estados Unidos, que, além de servir como um “timão”, afeta os volumes em outros mercados no mundo. “As bolsas ao redor do mundo tendem a ficar com menos volume (com o ferido nos EUA) e aqui no Brasil não foi diferente”, acrescentou, observando também uma dispersão de performances entre as ações do Ibovespa bem baixa. As bolsas norte-americanas ficaram fechadas na segunda-feira em razão do feriado do Dia de Martin Luther King Jr., mas, na Europa, o índice STOXX 600 fechou em queda de 1,19%, em meio à escalada da tensão envolvendo a Groenlândia. O presidente Donald Trump prometeu no sábado aplicar tarifas comerciais adicionais sobre aliados europeus até que os EUA tenham permissão para comprar a ilha da Dinamarca. Países da União Europeia criticaram as ameaças e avaliam uma resposta.
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Analistas reduzem projeção de inflação este ano pela 2ª vez, a 4,02%
Analistas consultados pelo Banco Central reduziram pela segunda vez seguida a projeção para a inflação este ano, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira.
A estimativa para a alta do IPCA em 2026 agora é de 4,02%, contra 4,05% na semana anterior. Para 2027, permanece a expectativa de uma inflação de 3,80%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento foram mantidas em 1,80% tanto para este ano quanto para o próximo. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda manutenção na perspectiva de que a taxa básica de juros terminará 2026 a 12,25% e 2027 a 10,50%. Eles seguem vendo manutenção da Selic nos atuais 15% na reunião de política monetária de janeiro, com o início dos cortes em março, com 0,50 ponto percentual.
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FMI eleva projeção de crescimento global em 2026 com boom de IA
O Brasil foi um caso atípico notável na tendência de melhoria, com uma redução de 0,3 ponto percentual em sua taxa de crescimento de 2026, para 1,6%. Autoridades do FMI disseram que o corte na perspectiva para este ano ocorreu principalmente pela política monetária restritiva para conter a inflação elevada no ano passado.
O Fundo Monetário Internacional elevou novamente sua previsão de crescimento global para 2026 na segunda-feira, à medida que as empresas e as economias se adaptam às tarifas dos Estados Unidos e a um contínuo boom de investimentos em IA, que alimentou os ganhos de ativos e as expectativas de aumentos de produtividade. O FMI, em sua atualização do relatório Perspectiva Econômica Global, previu um crescimento do PIB global de 3,3% em 2026, um aumento de 0,2 ponto percentual em relação à sua última estimativa, de outubro. Isso se iguala ao crescimento de 3,3% em 2025, que também superar a estimativa de outubro em 0,1 ponto percentual, disse o FMI. O Fundo previu um crescimento de 3,2% em 2027, sem alteração em relação à previsão anterior. Ele vem revisando as taxas de crescimento global para cima desde julho passado, em resposta aos acordos comerciais que reduziram as tarifas do presidente Donald Trump, que atingiram o pico em abril de 2025. “Descobrimos que o crescimento global continua bastante resiliente”, disse o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, a repórteres, acrescentando que as previsões de crescimento do Fundo para 2025 e 2026 agora superam as previsões feitas em outubro de 2024, antes de Trump ser eleito para um segundo mandato. “Portanto, de certa forma, a economia global está se livrando dos distúrbios comerciais e tarifárias de 2025 e está se saindo melhor do que esperávamos antes de tudo começar”, disse Gourinchas. Ele disse que as empresas conseguiram se adaptar às tarifas mais altas dos EUA redirecionando as cadeias de oferta, enquanto os acordos comerciais reduziram algumas tarifas e a China transferiu as exportações para mercados fora dos EUA. As últimas previsões do FMI pressupõem uma taxa tarifária efetiva de 18,5% dos EUA, ante cerca de 25% na previsão de abril de 2025 do Fundo. O FMI estimou o crescimento dos EUA para 2026 em 2,4%, um aumento de 0,3 ponto percentual em relação a outubro, devido, em parte, ao impulso do investimento em infraestrutura de inteligência artificial, incluindo data centers, chips poderosos de IA e energia. O FMI reduziu sua previsão de crescimento para 2027 em 0,1 ponto, para 2,0%. O FMI também disse que o investimento em tecnologia está impulsionando a atividade na Espanha, que viu um aumento de 0,3 ponto percentual em sua previsão do PIB para 2026, a 2,3%, e no Reino Unido, onde o FMI manteve sua previsão em 1,3% para 2026. Gourinchas disse que o boom da IA apresenta riscos de aumento da inflação se continuar em seu ritmo alucinante. Mas ele acrescentou que, se as expectativas de ganhos de produtividade e lucros impulsionados pela IA não se concretizarem, isso poderá desencadear uma correção nas altas avaliações do mercado, o que poderá reduzir a demanda. O relatório do FMI lista a IA como um dos riscos negativos, juntamente com os problemas nas cadeias de oferta e nos mercados decorrentes de tensões geopolíticas, bem como novos surtos de tensões comerciais. Uma decisão da Suprema Corte contra as tarifas impostas por Trump sob uma lei de sanções emergenciais, esperada para os próximos dias ou semanas, “injetaria outra dose de incerteza na política comercial da economia global” se Trump ressuscitar novas tarifas sob outras leis comerciais, disse Gourinchas. No entanto, o FMI disse que a IA representa uma vantagem significativa para a economia global se o aumento dos investimentos levar a uma rápida adoção e se os ganhos de produtividade forem realizados e impulsionarem o dinamismo e a inovação das empresas. Como resultado, o crescimento global poderá ser elevado em até 0,3 ponto percentual em 2026 e entre 0,1 e 0,8 ponto percentual por ano no médio prazo, dependendo da velocidade da adoção e das melhorias na prontidão da IA em todo o mundo. O FMI afirmou que, em nível global, a previsão é de que a inflação continue a cair, passando de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026 e 3,4% em 2027. Gourinchas disse que isso deixa espaço para uma política monetária mais acomodatícia que ajudará a sustentar o crescimento.
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Faturamento real da indústria cresce 1,2% em novembro após três quedas consecutivas, diz CNI
Por outro lado, emprego mantém trajetória de retração com seu terceiro mês seguido de queda
O faturamento real da indústria cresceu 1,2% em novembro sobre outubro, na série com ajuste sazonal, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de queda. As informações são do levantamento Indicadores Industriais, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o avanço do faturamento foi de 0,3%. Em outubro, por sua vez, havia registrado queda de 2,7%. Já o emprego industrial segue caindo pelo terceiro mês consecutivo. Em novembro, a queda foi de 0,2% sobre outubro, na série dessazonalizada. A queda foi acentuada a partir de setembro e, de lá para cá, acumula retração de 0,6%. Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a crescente perda de ritmo da atividade industrial fez o emprego perder força no setor, mas esse impacto não é sentido de forma imediata. “Demitir e recontratar é custoso para a indústria, entre outros fatores, porque a mão de obra na indústria requer qualificação, muitas vezes realizada dentro da própria empresa. Assim, somente após meses de resultados mais fracos da atividade industrial, o emprego passou a ser afetado”, afirma Azevedo. Apesar do desempenho negativo recente, a CNI destaca que o indicador de emprego ainda registra alta de 1,7% entre janeiro e novembro de 2025 frente ao mesmo período de 2024. O número de horas trabalhadas na indústria acompanhou o cenário desfavorável para o emprego e recuou 0,7% em novembro, na margem. O índice vinha de duas altas consecutivas de 0,3% nos meses anteriores. No acumulado do ano, o indicador apresenta crescimento de 0,9% na comparação com os 11 primeiros meses de 2024. Segundo a CNI, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) recuou 0,6 ponto percentual em novembro, na série com ajuste, passando de 78,1% para 77,5%. A UCI registrada em novembro de 2025 ficou 2,4 pontos percentuais abaixo do nível observado em novembro de 2024. Massa salarial A massa salarial da indústria cresceu 1,5% em novembro, sobre outubro, no dado dessazonalizado, após quatro meses consecutivos de queda. Antes do avanço, o indicador acumulava retração de 1,4%. No acumulado do ano, porém, a massa salarial registra queda de 2,3%, em relação ao mesmo período de 2024. O rendimento médio dos trabalhadores industriais também interrompeu uma sequência de quatro quedas consecutivas e avançou 1,6% em novembro na comparação dessazonalizada com outubro, segundo a confederação. Apesar da alta mensal, o rendimento médio ainda acumula retração de 4% entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024.
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