Ano 1 | nº 55 | 19 de janeiro de 2026
NOTÍCIAS
Em apenas um mês, importação de leite em pó cai pela metade no Paraná
Lei estadual que proíbe a reidratação de leite em pó importado reduz em 50% o volume comprado pelo Paraná em apenas 30 dias e reacende debate nacional sobre proteção ao produtor
A importação de leite em pó no Paraná registrou queda de 50% em apenas um mês após a entrada em vigor da Lei nº 22.765/2025, de autoria do deputado estadual Luis Corti (PSB), que proíbe a reidratação de leite em pó importado em território paranaense. Levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), com base em dados oficiais do comércio exterior brasileiro do Siscomex, aponta que o volume importado caiu de 250 toneladas em outubro para 125 toneladas em novembro de 2025. A redução ocorreu em apenas 30 dias. A retração também impactou os valores desembolsados com a importação. O montante caiu de aproximadamente US$ 418 mil (cerca de R$ 2,2 milhões) em outubro para US$ 209 mil (R$ 1,1 milhão) em novembro, acompanhando a queda no volume e reduzindo a pressão sobre o mercado interno.
Gazeta do Paraná
Pecuaristas triplicam produção de leite em projeto no Paraná
Usina de Itaipu investiu R$ 26 milhões em 17 projetos de integração entre solo e água. Produtor Francarlos Bueno Sudak: projeto permite melhorar à produção leiteira e adotar novas tecnologias
Em 2020, Francarlos Bueno Sudak trocou a profissão de treinador de cavalos pela de pequeno produtor de leite em um sítio de 14 hectares em Porto Rico, região noroeste do Paraná. Trabalhando sozinho, no primeiro ano, ele tinha 25 vacas e produzia cerca de 200 litros de leite por dia. Atualmente, Sudak mantém 45 animais, sendo 34 em lactação e produz cerca de 700 litros por dia em duas ordenhas. Em Alto Paraná, a 120 km de Porto Rico, Ademar Rodrigues Sobrinho trocou a sericultura, atividade que exerceu por 40 anos, pela produção de leite em um sítio de 14 hectares. Ele tirava 320 litros de leite por dia, com uma média de nove litros por vaca. Hoje, tem 42 vacas em lactação com uma produção média de 17 litros por animal, o que rende mais de 700 litros diários. O “pulo do gato” para os produtores foi a entrada no Programa Ação Integra de Solo e Água (Aisa) da Itaipu Binacional, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (antigo Iapar-Emater e agora IDR-Paraná), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped). No total, em 4 anos, a Itaipu investiu R$ 25,94 milhões em 17 projetos. Francarlos e Ademar foram selecionados em 2021 para integrar o projeto da Aisa e começaram a receber assistência técnica do IDR-Paraná. “Consegui aumentar a produção com uma melhor adubação do pasto para oferecer mais alimento e de maior qualidade para os animais, incluindo os meses de inverno. Minhas vacas produziam uma média de 13 a 14 litros por vaca e agora já chegaram a 23 litros. A campeã conseguiu 53 litros e uma novilha já produziu 42 litros. Além disso, com mais comida, já nasceram 40 bezerras para serem as futuras matrizes do sítio”, diz Francarlos. Segundo ele, mesmo tendo feito muitos cursos no Senar, a assistência técnica do IDR foi fundamental para tirar dúvidas e orientá-lo sobre adubação de pasto, manejo dos animais, financiamento de equipamentos e custeio, ampliação das estruturas e controle de gastos. Por recomendação dos técnicos e veterinários do IDR, o produtor comprou mais vacas, instalou 27 piquetes com rodízio de pastos e passou a fazer silagem de capim para ter comida para as vacas no inverno, de abril a agosto. Ivanildo Passareli, o técnico agrícola do IDR que atende Francarlos, diz que escolheu o produtor para participar do projeto ocorreu porque ele é agricultor familiar interessado em melhorar sua produção, adotar novas tecnologias e ser uma referência para outros. “Alguns produtores querem assistência, mas não querem o compromisso. Com Francarlos foi diferente. Já fizemos dias de campo no sítio, que recebeu também excursão de produtores. Ele produz um leite de qualidade com custo competitivo para permanecer na atividade. Como produz o volumoso e a silagem, barateia seus custos e fica com margem mesmo em época de preço de leite baixo.” Seguindo as orientações do IDR, Ademar Sobrinho também reformou a pastagem, cuidou do solo que estava muito degradado, comprou 12 novilhas e passou a plantar silagem para os meses de inverno. “Virei referência como produtor de leite na minha região. O solo do sítio melhorou 100% e eu mudei muitos conceitos. Por exemplo, eu não fazia silagem porque achava que aumentava o custo, mas, quando a gente planta a comida, reduz o gasto e mantém as vacas produzindo bem mesmo no inverno.” Simony Marta Bernardo Lugão, pesquisadora do IDR-Paraná na área de produção animal e coordenadora do Projeto Intensificação Sustentável da Pecuária Leiteira, diz que o projeto atendeu 40 produtores nas três microbacias do Paraná diretamente ligadas ao reservatório da Itaipu. Foram mobilizados mais de 50 técnicos em visitas mensais, impactando diretamente mais de mil produtores por meio de dias de campo e capacitações. Segundo ela, a pecuária se encaixa no programa da Itaipu de preservação de água para gerar energia com qualidade porque a atividade mantém grande área de pastagens no Estado e apenas 25% não são degradadas, problema que compromete o solo, a infiltração de água e a sustentabilidade da atividade. “O Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil e 79% são produtores familiares que entregam menos de 500 litros por dia, ou apenas 19% do volume total do Estado. Para ter renda com leite, o maior custo é a alimentação, que representa 75% dos gastos. Um manejo adequado das pastagens aumenta a comida para as vacas e produz alimento para o inverno, quando o pasto não cresce.” O projeto, diz, focou em manter as pastagens produtivas, não deixar degradar o solo, melhorar a nutrição das vacas, a qualidade do leite, a sanidade dos animais e a gestão da propriedade. Segundo a coordenadora, nos quatro anos do projeto, a Itaipu bancou a gasolina para deslocamentos dos técnicos e equipamentos, num investimento aproximado de R$ 970 mil. A contrapartida do IDR foi equivalente. “O produtor precisa de assistência técnica permanente porque não tem tempo para estudar esses gargalos. Com a reforma e recuperação das pastagens, saímos de 1 animal por hectare para 5 ou 6. A produção subiu de 4 mil litros/hectare ano para 12 mil litros/hectare.” Além das visitas mensais aos pequenos pecuaristas, o IDR criou a cooperativa Coopermais, que dá assistência aos produtores e garante parcerias com laticínios e o Sebrae. O Aisa concluiu sua primeira fase no final de 2025 com 17 projetos para auxiliar agricultores familiares a produzir mais, com mais rentabilidade econômica. O programa nasceu com o objetivo de conservar e garantir água de qualidade e segurança hídrica na área incremental do reservatório da Itaipu, que é de aproximadamente 147.000 km² e abrange 228 municípios no Paraná e no Mato Grosso do Sul.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
Argentina: produção de leite registrou em 2025 seu melhor resultado da última década
A produção de leite encerrou 2025 com um desempenho recorde, marcando um ponto de inflexão para a atividade na Argentina.
Entre janeiro e dezembro do último ano, o volume total alcançou 11,618 bilhões de litros, o nível mais alto dos últimos 10 anos e o segundo maior registro histórico do setor, segundo dados oficiais da Direção Nacional de Leite (DNL). O crescimento interanual foi de 9,7% em relação a 2024, consolidando uma tendência positiva e sustentada na produção primária, de acordo com as informações divulgadas. Em termos diários, o aumento foi próximo de 10%, um indicador que reflete a solidez do processo de recuperação e expansão pelo qual passa a atividade leiteira. A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca (SAGyP) do Ministério da Economia destacou que esses resultados estão diretamente ligados ao processo de modernização da cadeia láctea. A maior adoção de tecnologia, a melhoria dos sistemas produtivos e a incorporação de boas práticas explicam grande parte do salto produtivo registrado no último ano. Um dos fatores centrais foi o acesso a ferramentas de financiamento específicas para o setor. Nesse contexto, desde o lançamento das linhas de crédito atreladas ao valor do produto, mais de 20 bilhões de pesos já foram destinados ao segmento leiteiro por meio do Banco de Investimento e Comércio Exterior (BICE). Esses recursos permitiram acelerar os investimentos em infraestrutura e equipamentos, gerando mudanças estruturais nos estabelecimentos. O impacto desse processo se reflete na adoção de novas tecnologias. No último período, foi registrado um aumento de 20% na implementação de sistemas rotativos e um crescimento superior a 30% na incorporação de robôs de ordenha, números que “representam um marco histórico para a pecuária leiteira nacional”. A automação e a melhoria da eficiência operacional possibilitaram otimizar a produção, reduzir custos e melhorar o bem-estar animal. Paralelamente aos investimentos, a abertura e disponibilidade de estatísticas setoriais e a promoção das Boas Práticas Leiteiras contribuíram para gerar um ambiente mais previsível para a tomada de decisões. O trabalho articulado entre os setores público e privado, somado ao esforço dos produtores e da indústria, aparece como um elemento-chave por trás do desempenho alcançado. O contexto também foi favorável. Condições climáticas mais estáveis, rentabilidade positiva para o produtor e maior previsibilidade do negócio foram outros fatores que acompanharam o crescimento. Nesse cenário, a atividade conseguiu recuperar volume e consolidar uma trajetória de expansão após anos marcados pela volatilidade. O bom desempenho produtivo foi complementado por uma melhora no mercado externo. Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações do setor cresceram 13% na comparação anual, com um total de 2,775 bilhões de litros de leite enviados ao exterior.
TN/MilkPoint
Peru habilita 36 novas unidades brasileiras para exportação de material genético animal e renova autorizações até 2028
Habilitação inclui 31 unidades de genética de aves e 5 de material genético bovino; autorizações existentes foram renovadas até dezembro de 2028. No segmento de material genético bovino, a inclusão de cinco unidades representa um aumento de 83% na lista de estabelecimentos aptos, com foco no atendimento à pecuária de corte e de leite
O Serviço Nacional de Sanidade Agrária do Peru (Senasa) oficializou a habilitação de 36 novas unidades brasileiras para a exportação de material genético animal. Do total, 31 são voltadas à genética de aves e cinco ao material genético bovino. Além das novas inclusões, a autoridade peruana renovou as licenças de exportação de todos os estabelecimentos do segmento que já operavam com o mercado peruano, com validade estendida até dezembro de 2028. Com as novas habilitações, o setor avícola dobra o número de estabelecimentos autorizados a exportar para o Peru. No segmento de material genético bovino, a inclusão de cinco unidades representa um aumento de 83% na lista de estabelecimentos aptos, com foco no atendimento à pecuária de corte e de leite. A extensão do prazo das autorizações até dezembro de 2028 busca conferir maior previsibilidade às operações comerciais entre os dois países. A decisão do Senasa foi tomada com base em critérios técnicos e reforça o reconhecimento do controle sanitário e das medidas de biosseguridade adotadas pelo Brasil na produção e exportação de material genético animal. No último ano, o vizinho latino-americano importou mais de US$ 729 milhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para produtos florestais, carnes, cereais, farinhas e preparações.
MAPA
GOVERNO
Após 26 anos de negociações, acordo Mercosul-UE é assinado
A cerimônia começou com o discurso de sete representantes dos blocos envolvidos e não contou com a presença do presidente Lula
Com recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os representantes da União Europeia e do Mercosul assinaram no sábado o acordo de livre comércio entre os dois blocos. Após mais de 25 anos de negociações, a assinatura foi realizada em uma cerimônia reunindo presidentes, ministros das relações exteriores e representantes da diplomacia europeia em Assunção, no Paraguai. A cerimônia começou com o discurso de sete representantes dos blocos envolvidos. Os presidentes do Paraguai, Santiago Peña, da Argentina, Javier Milei, do Uruguai, Yamandú Orsi, e da Bolívia, Rodrigo Paz, discursaram. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteve presente e o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Em seu discurso, Vieira destacou a importância da cooperação, diálogo e de soluções construídas de forma coletiva. O ministro mencionou que o cenário internacional é mercado por incertezas e tensões. “O acordo representa um baluarte erguido com sólida convicção no valor da democracia e da ordem multilateral, diante de um mundo batido pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção”. Pelo lado da União Europeia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, discursaram. O evento ainda reservou um espaço para discurso do presidente do Panamá, José Mulino, que foi convidado a participar da cerimônia. Em seu discurso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o acordo manda uma mensagem “forte” para o mundo de escolha do comércio no lugar de tarifas. “Nós escolhemos comércio justo sobre as tarifas. Escolhemos uma parceria produtiva e de longo termo no lugar de isolamento. Acima de tudo, temos a intenção de entregar benefícios reais e tangíveis para nossos povos e nossas empresas”, disse. O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, seguiu na mesma linha e afirmou que o acordo manda uma mensagem de defesa do livre comércio e do multilateralismo do direito internacional como base das relações entre os países. Já o presidente da Argentina, Javier Milei, citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump no contexto da situação da Venezuela. “A situação que atravessa a Venezuela mostra essa realidade [de isolamento e crescimento da pobreza]. Por essa razão, valorizamos a decisão e determinação demonstrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por todo seu governo”, citando a captura de Nícolas Maduro e classificando o venezuelano de “ditador” e “terrorista”. Antes do início do evento Lula, nas redes sociais, chamou a assinatura do acordo de “marco histórico” e destacou que tanto a União Europeia quanto o Mercosul terão benefícios com a tratativa. “O Acordo representa a vitória do multilateralismo e trará benefícios para as populações dos países do Mercosul e da União Europeia. Um marco histórico de fortalecimento do diálogo e do entendimento entre os blocos, que vai criar oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico”, afirmou o presidente brasileiro. Depois dos discursos, os ministros das relações exteriores dos países do Mercosul, Pablo Quirno (Argentina), Mauro Vieira (Brasil), Mario Lubetkin (Uruguai) e Rubén Ramirez (Paraguai), além do comissário de Comércio e Segurança Econômica da União Europeia, Maroš Šefčovič, assinaram o acordo. Como parte do cerimonial, ainda está prevista uma coletiva de imprensa e um almoço oficial no Palácio de Governo do Paraguai. Ainda que o acordo tenha sido assinado, ainda há processos formais para que o texto entre em vigor. Por exemplo, ele precisa ser internalizado por aprovação legislativa nos país e no Parlamento Europeu. Caso o Congresso Nacional brasileiro já aprove, o acordo começa a valer para o Brasil.
GLOBO RURAL
Com acordo, UE vai eliminar tarifas para 92% das exportações do Mercosul
Em comunicado conjunto dos países do Mercosul, divulgado pelo Ministério da Agricultura, acordo é chamado de “conquista histórica”
A assinatura do Acordo de Associação e do Acordo Interino de Comércio entre Mercosul e União Europeia realizada nesta tarde de sábado (17) em Assunção, no Paraguai, é “uma conquista histórica que fortalece as relações comerciais, políticas e de cooperação entre ambas as regiões”, afirma comunicado conjunto dos países do bloco sul-americano publicado pelo Ministério da Agricultura. De acordo com o comunicado, divulgado para anunciar a assinatura, esses “acordos estabelecem um marco integral e equilibrado que promove o intercâmbio de bens e serviços, o investimento e o desenvolvimento econômico”. Para o Mercosul, diz o documento, implica o acesso preferencial à UE, a terceira economia global, um mercado de 450 milhões de pessoas e cerca de 15% do PIB mundial. O documento destaca que a União Europeia eliminará tarifas para 92% das exportações do Mercosul, no valor aproximado de US$ 61 bilhões. Também ressalta que a União Europeia dará acesso preferencial para outros 7,5%, equivalente a US$ 4,7 bilhões, beneficiando assim quase a totalidade das exportações do Mercosul para o bloco europeu. Conforme o comunicado conjunto, o acordo amplia “significativamente o acesso” do Mercosul ao mercado europeu, melhora as condições de comércio e fortalece a competitividade das empresas da região. Além disso, o pacto entre os blocos estabelece mecanismos de cooperação em áreas estratégicas, “contribuindo para o crescimento econômico e social dos países-membros”. “Com esta assinatura, os Estados Partes do Mercosul reafirmam seu compromisso com a integração regional, o desenvolvimento e a cooperação internacional, consolidando uma relação estratégica de longo prazo que gerará benefícios concretos para os cidadãos, as empresas e a economia da região”, finaliza o comunicado.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar fecha em leve alta em linha com exterior
O dólar fechou a sexta-feira em leve alta no Brasil, próximo da estabilidade, em linha com o desempenho das divisas pares no exterior, em uma sessão de liquidez reduzida nos mercados.
O dólar à vista encerrou o dia em leve alta de 0,09%, aos R$5,3733. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,13%.
Às 17h37, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — avançava 0,02% na B3, aos R$5,3890. No exterior, moedas pares do real, como o peso chileno e o peso mexicano seguiram tendência similar à divisa brasileira, registrando perdas contra o dólar. Às 17h37, O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,03%, a 99,373. Localmente, os agentes avaliaram os dados do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador subiu 0,7% em novembro sobre o mês anterior, segundo dado dessazonalizado informado pelo BC. A leitura superou expectativa de economistas em pesquisa da Reuters de avanço de 0,30%. Os números mais fortes podem indicar que o Banco Central tenha que postergar o início do corte dos juros. “Em tese, isso puxaria o câmbio para baixo. Mas hoje, a parte externa parece ter prevalecido, com as Treasuries subindo, fazendo o dólar se valorizar contra as moedas de emergentes”, disse Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos. Os rendimentos dos Treasuries americanos subiram nesta sexta-feira, com investidores avaliando dados econômicos recentes e a trajetória da taxa de juros do Federal Reserve no curto prazo. Os investidores também acompanharam comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse que o Mercosul busca abrir outros mercados após concluir o acordo comercial com a União Europeia e quer fazer parcerias com o mundo todo, em especial com Canadá, México, Vietnã, Japão e China. A declaração foi feita ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, na véspera da assinatura do acordo comercial entre UE e Mercosul, no sábado, em Assunção, no Paraguai.
REUTERS
Ibovespa recua em pregão de ajustes com vencimento de opções após recordes
O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, abaixo dos 165 mil pontos, em pregão marcado por ajustes e vencimento de opções sobre ações, após renovar máximas na véspera, quando tocou os 166 mil pontos pela primeira vez.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,6%, a 164.581,25 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 165.871,66 pontos na máxima e 164.099,89 pontos na mínima do dia. Ainda assim, encerrou a semana com alta acumulada de 0,74%, ampliando o ganho no ano para 2,14%. O volume financeiro somava R$29 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Reforma Tributária altera a emissão da nota fiscal do produtor
Enquanto isso, CNPJ ainda aguarda regulamentação da Receita Federal, alerta CNA
A transição do novo modelo de tributação sobre o consumo começou no dia 1º de janeiro e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta o produtor rural para as principais mudanças que vão impactar o agro, como a emissão de nota fiscal eletrônica. A ferramenta Nota Fiscal Fácil (NFF) foi criada para promover a inclusão fiscal, aumento da formalidade, simplificação e conformidade tributária. No aplicativo, é possível um CPF ou CNPJ ter vários dispositivos associados simultaneamente. Ele também permite consulta aos documentos emitidos. A ferramenta ainda não está disponível no Mato Grosso do Sul, Tocantins, Amazonas, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas, que possuem ferramentas próprias para emissão do documento fiscal. O app é gratuito e pode ser baixado em celular (Android e iOS) nas lojas virtuais. De acordo com o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, apesar de a reforma já estar valendo, 2026 será um ano de testes. “Todo contribuinte, inclusive o produtor, que possui sistema próprio de emissão de nota fiscal terá que ajustá-lo para incluir os novos campos dos tributos CBS e IBS, para aqueles produtores que usam a NFF ou similar, não é necessária qualquer mudança”. A CBS e o IBS substituirão impostos federais, estaduais e municipais na reforma tributária do consumo (Lei Complementar 214/2025) e compõem o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Renato explicou que esses novos campos terão função experimental para que a Receita Federal calibre a alíquota que será aplicada ao contribuinte e passará a valer a partir de 2027. Outra mudança importante prevista este ano é a entrada em vigor do CNPJ Alfanumérico. Mesmo o produtor que opera como pessoa física passará a ter essa nova identificação de cadastro, assim como uma pessoa jurídica, mas sem perder a característica de pessoa física. “É uma mudança de paradigma, e a expectativa é que comece a valer a partir do segundo semestre e exige preparação e mudança de mentalidade por parte dos produtores rurais”, destacou Conchon. “Mas é importante aguardar as regras que a Receita Federal do Brasil irá divulgar ao longo do primeiro semestre deste ano.” Para apoiar o produtor nesse processo, a CNA lançou uma calculadora da reforma tributária, disponível gratuitamente no site da entidade. A ferramenta permite ao produtor ou contador fazer um planejamento e melhor gestão fiscal da sua atividade, além de simular o valor da CBS e do IBS a serem pagos.
Faça seu cadastro: https://calculadoratributaria.cna.org.br/login.
CNA
Brasil deve bater novo recorde na produção de grãos
A soja, principal produto agrícola brasileiro, deverá puxar crescimento da colheita na safra 2025/26, projeta Conab
O Brasil deverá produzir 353,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, estabelecendo um novo recorde, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estatal divulgou na quinta-feira (15/1) seu quarto relatório de acompanhamento da safra atual.
Caso a projeção se confirme, a produção nacional será 0,3% maior do que a da temporada 2024/25. No ciclo passado, o país colheu 352,1 milhões de toneladas. A nova estimativa é 1,3 milhão de toneladas menor do que a Conab apresentou em dezembro de 2025. No relatório anterior, a empresa estimou produção total de 354,4 milhões de toneladas. “A segunda safra está sendo semeada agora, então ajustes ainda podem acontecer em relação à área”, ponderou o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Fabiano Vasconcellos. A soja, a principal cultura agrícola do Brasil, deverá, mais uma vez, puxar o crescimento da produção de grãos do país. A Conab revisou para baixo sua estimativa de colheita da oleaginosa – a estatal previu 177,1 milhões de toneladas no documento de dezembro e 176,1 milhões de toneladas no relatório desta quinta. Em 2024/25, o país colheu 171,5 milhões de toneladas de soja. A produção de milho deverá totalizar 138,8 milhões de toneladas, projeta a Conab, que, em sua metodologia de acompanhamento de safra, considera três ciclos anuais da cultura. No primeiro, a colheita deverá ser de 25,9 milhões de toneladas; no segundo, de 110,4 milhões de toneladas; e no terceiro, de 2,5 milhões de toneladas. A produção total de milho deverá cair 1,5% em comparação com a safra 2024/25, que foi de pouco mais de 141 milhões de toneladas. Para o algodão em caroço, a estatal projeta colheita de 5,4 milhões de toneladas. Com esse desempenho, a Conab calcula que a produção de algodão em pluma será de 3,8 milhões de toneladas. A produção de arroz deverá diminuir em 2025/26, somando 11 milhões de toneladas (o volume considera as lavouras irrigadas e de sequeiro), projeta a Conab. Na temporada anterior, a colheita foi de 12,7 milhões de toneladas. Já a safra de feijão deve se manter em 3 milhões de toneladas, considerando os três ciclos anuais da cultura, nas variedades cores (que inclui o feijão-carioca), caupi e preto. A primeira safra deve ser de 983,6 mil toneladas; a segunda, de 1,3 milhão de toneladas; e a terceira, de 702,6 mil toneladas. “A expectativa é que o total produzido (de arroz e feijão) abasteça o mercado interno e ainda possibilite alguma exportação”, ressaltou Vasconcellos. Entre as culturas de inverno, a Conab prevê uma colheita de 10,1 milhões de toneladas. Na principal dessas lavouras, a de trigo, a produção deverá ser de 7,8 milhões de toneladas. Em seguida, aparece a produção de aveia, com 1,3 milhão de toneladas. A Conab estima que a área de plantio de grãos no Brasil crescerá 2,6% na safra 2025/26, somando 83,8 milhões de hectares. No ciclo passado, os agricultores brasileiros semearam 81,7 milhões de hectares.
GLOBO RURAL
Preços ao produtor recuam 0,55% em dezembro, aponta Cepea
No acumulado do ano, o IPPA/Cepea fechou 2025 com alta de 8,73%
Resultado de foi afetado pela queda mais forte nos preços ao produtor no segmento pecuária
O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) recuou 0,55% em dezembro de 2025, em relação a novembro, de acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O resultado foi afetado pela queda mais forte nos preços ao produtor no segmento pecuária, de 3,43%, e pela queda de 1,88% nos preços ao produtor de hortifrutícolas. Já os preços ao produtor de cana e café subiram 1,57% em dezembro. Os preços ao produtor de grãos também fecharam o mês com alta de 1,24%.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo – Origem – Disponibilidade Interna (IPA-OG-DI) apresentou alta de 0,44% no mês, indicando que os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos preços industriais monitorados pelo índice. No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares recuaram 0,63%, movimento acompanhado por uma desvalorização de 2,1% do real, o que resultou em alta de 1,46% dos preços internacionais de alimentos em reais. No acumulado do ano, o IPPA/Cepea fechou 2025 com alta de 8,73%. Os aumentos mais expressivos foram nos preços de café e cana (18,43%) e da pecuária (15,05%). O IPPA-Grãos registrou valorização no ano de 1,94%, enquanto o IPPA-Hortifrutícolas apresentou queda de 14,35%. Em termos comparativos, o IPA-OG-DI acumulou alta de 2,62%, e os preços internacionais de alimentos em reais avançaram 1,39% no ano, apesar da queda de 2,32% quando medidos em dólares.
GLOBO RURAL
Agroindústrias anunciaram R$ 60 bilhões em investimentos em 2025
Levantamento feito pela reportagem do Valor mostra que a conta foi engrossada pela onda de novas usinas de etanol de milho
Ao longo de 2025, foram anunciados mais de R$ 60 bilhões em investimentos em ampliações e em novos projetos agroindustriais e de infraestrutura no Brasil, de acordo com levantamento inédito feito pela reportagem do Valor, com base em dados de consultorias, entidades setoriais e anúncios à imprensa. Essa conta foi engrossada pela onda de novas usinas de etanol de milho. Apenas no ano passado os investimentos em capacidade industrial de produção de etanol de milho divulgados somaram R$ 41 bilhões, conforme levantamento da consultoria FG/A feito a pedido do Valor. Os recursos serão destinados a 44 projetos que, se confirmados, vão adicionar à capacidade de produção de etanol do Brasil 12 bilhões de litros ao ano. O principal anúncio foi feito no fim de 2025 pela Inpasa, envolvendo investimentos de R$ 3,5 bilhões em uma nova planta em Rondonópolis (MT) e a ampliação da unidade de Nova Mutum (MT). O volume de investimentos anunciados para o etanol de milho só em 2025 supera o montante que o setor de etanol de cana de açúcar anunciou em novos projetos — R$ 30 bilhões — no período de 2009 a 2012, conforme levantamento do Valor feito em 2009. Para Willian Hernandes, sócio da FG/A, a expansão do segmento de etanol de milho está relacionada às margens atrativas do negócio e às condições de financiamento também vantajosas. Com a abundância de milho no país, o custo de produção de etanol a partir do grão mostrou-se mais competitivo que o do etanol de cana, o que tem permitido ao biocombustível feito do cereal alcançar novos mercados. “É uma oportunidade de operar um produto com valor agregado maior [que o do milho], e a infraestrutura está pronta”, observa Felippe Serigatti, professor da FGV Agro. Para driblar os juros altos, muitos dos investimentos anunciados contaram com empréstimos do Fundo Clima do BNDES — cujas taxas estão na casa dos 8%. Foi o caso da ampliação da planta da São Martinho em Boa Vista (GO). E há empresas que têm feito investimentos apenas com a geração de caixa, o caso da Inpasa, líder em etanol de milho no Brasil. Outro fator que contribuiu para o avanço dos projetos na área é a ampliação da mistura do etanol anidro na gasolina, viabilizada pela Lei Combustível do Futuro, que permite que o governo aumente esse teor até 35%, a depender de estudos técnicos. A cadeia de produção de biodiesel é outro segmento que também anunciou investimentos bilionários em 2025, ainda que em menor escala. As processadoras de soja têm investimentos previstos de pelo menos R$ 5,9 bilhões a serem executados até setembro de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Os aportes referem-se a investimentos voltados ao esmagamento de soja e refino de óleo e representam um acréscimo de 2,4% sobre o ano móvel anterior. Em menor escala, os frigoríficos anunciaram ao menos R$ 1,539 bilhão em investimentos no país no ano passado, e mais US$ 1,065 bilhão fora do Brasil, conforme levantou o Valor. A maior parte dos investimentos anunciados é destinada a expansões de linhas de produção nas unidades existentes para atender à crescente demanda por carne no mundo. Para Serigatti, da FGV, ainda que a taxa básica de juros atual em 15% prejudique os investimentos, “quando olhamos o longo prazo, os fundamentos, faz todo o sentido [o agro] ser um dos setores que mais realiza investimentos”. “Dentro dos grandes setores, foi o que mais conseguiu se inserir nas cadeias globais de valor. Tem demanda tanto quando a economia do mercado interno está bem, como responde a movimentos favoráveis do setor externo”, acrescentou. Na visão do Citi, há um aumento da demanda global por alimentos, e o Brasil se destaca como uma das poucas regiões com grande capacidade de expansão agrícola. Para o banco, os investimentos são impulsionados pela expansão da área de grãos, sobretudo pela conversão de pastagens, e o crescimento na produção de biocombustíveis. Entretanto, a projeção do Citi para 2026 indica uma possível redução no nível de investimentos do setor. “Isso se deve ao cenário desafiador atual, marcado por alta alavancagem, taxa Selic elevada, escassez de crédito e margens apertadas para os produtores. Acreditamos que a prioridade da maioria das empresas será a resiliência e a redução do endividamento ao longo do próximo ano”, disseram Gabriel Barra e Renata Cabral, analistas do Citi.
VALOR ECONÔMICO
Pesquisa revela que o agronegócio não está pronto para a reforma tributária
Levantamento mostra que apenas 36% das grandes empresas do agro têm visão estratégica da reforma e somente 9% avançaram na adequação tecnológica. Segundo a PwC, movimentação das empresas para adequação à reforma ainda é lenta
Com a implementação da reforma tributária iniciada em 2026, o agronegócio brasileiro entra em um período decisivo de adaptação a um novo modelo de tributação sobre o consumo. Embora o setor seja tratado como prioritário, dados recentes da PwC Brasil indicam que a maioria das empresas ainda não está preparada para lidar, de forma estratégica e integrada, com os impactos da mudança. Em conversa com o Agro Estadão, Mayra Theis, sócia e líder do setor de Agronegócio da PwC Brasil, ressaltou os dados compilados: apenas 36% das empresas com faturamento acima de R$ 5 bilhões afirmam ter um entendimento estratégico avançado da reforma. Esse percentual cai à medida que o faturamento diminui. No panorama geral, 37% das empresas ainda estão em estágio inicial de maturidade estratégica, enquanto 32% se encontram em fase considerada intermediária. “A reforma exige uma leitura ampla do negócio, da cadeia de valor e do fluxo financeiro. O que vemos é uma mobilização ainda lenta e fragmentada”, disse. Nesse aspecto, a tecnologia é um gargalo crítico. De acordo com a pesquisa da PwC, apenas 9% das empresas respondentes concluíram o diagnóstico tecnológico e iniciaram ajustes nos sistemas de nota fiscal. Outros 37% ainda estão no estágio inicial de avaliação de estrutura e sistemas de tecnologia da informação, o que, segundo a especialista, representa um risco relevante para a operacionalização do novo modelo tributário. Para o agronegócio, esse atraso é especialmente sensível. “Há um gargalo claro entre a definição estratégica e a capacidade operacional de implementar a reforma. Sem sistemas preparados, a não cumulatividade ampla prometida pelo novo modelo pode não se materializar na prática”, alerta Mayra. Conforme o mapeamento, a principal apreensão do setor de agronegócio está relacionada à liquidez: cerca de 60% das empresas apontam a elevação da carga tributária e o impacto no caixa como os maiores riscos. A preocupação se concentra no início da cadeia produtiva, marcado por elevados desembolsos com insumos, máquinas e equipamentos.
Embora a reforma preveja mecanismos de não cumulatividade que podem reduzir o resíduo tributário ao longo do tempo, o efeito inicial tende a ser uma maior demanda por capital de giro. “Mesmo com instrumentos como o diferimento, o acúmulo de créditos pode drenar o fluxo de caixa e gerar custo financeiro relevante, especialmente em um cenário de Selic elevada”, explica a executiva. Ela destaca que, nesse contexto, a agilidade no ressarcimento de créditos se torna, portanto, um posto-chave para a sustentabilidade financeira das empresas do setor. Diferentemente de outros segmentos da economia, o agronegócio tende a reagir à reforma com mudanças mais profundas em sua estrutura. A pesquisa mostra que 53% das empresas do agro planejam reestruturações societárias e operacionais, ante 31% na média geral dos outros setores. Essa estratégia passa menos pelo reposicionamento de portfólio e mais pela revisão do modelo operacional. “A logística, por exemplo, tende a ser redesenhada com foco no produtor rural e na eficiência da cadeia, e não mais para contornar ineficiências tributárias entre estados”, exemplifica Mayra. Outro ponto sensível é a área de suprimentos. A partir de 2027, com a entrada da CBS, diversos incentivos de créditos presumidos de PIS e Cofins deixarão de existir. Ainda assim, apenas 41% das empresas esperam impacto elevado nessa área, o que preocupa a PwC. “Será fundamental renegociar contratos, mapear resíduos tributários e evitar inflação de custos. Sem isso, a perda de competitividade pode ser significativa”, afirma Mayra. Além disso, a pesquisa confirma uma percepção recorrente no mercado: a ausência de uma abordagem para o todo. No levantamento, percebe-se que os esforços têm se concentrado nas áreas de Contabilidade (93%), TI (83%) e jurídico (68%), enquanto comercial (59%), Suprimentos (57%) e logística (43%) seguem menos engajadas. Esse descompasso aumenta o risco de uma transição meramente operacional. “O maior perigo é chegar a 2027 com sistemas funcionando, mas sem clareza sobre margens, fluxo de caixa e eficiência do negócio no novo ambiente tributário”, alerta a sócia da PwC Brasil.
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