Informativo Sindileite 52 14.01.2026

Ano 1 | nº 52 | 14 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS

Lei paranaense tem seus efeitos iniciais na redução da importação de leite em pó

Medida adotada no Paraná começa a apresentar efeitos mensuráveis no mercado do leite. Com base em dados do comércio exterior, legislação estadual mostra impacto inicial sobre as importações.

A Lei nº 22.765/2025, de autoria do deputado estadual Luis Corti (PSB), começou a apresentar efeitos concretos no mercado do leite no Paraná. Levantamento do Departamento de Economia Rural (DERAL) indica que o volume de leite em pó importado pelo estado caiu 50% entre outubro e novembro do ano passado, após a entrada em vigor da norma que proíbe a reidratação de leite em pó importado em território paranaense. De acordo com os dados, baseados em informações oficiais do comércio exterior brasileiro (Siscomex/MDIC – Governo Federal), o Paraná importou 250 toneladas de leite em pó em outubro. Em novembro, o volume caiu para 125 toneladas, representando uma redução de 125 toneladas em um intervalo de 30 dias. A retração também se refletiu no valor desembolsado com as importações. Os gastos passaram de aproximadamente US$ 418 mil, o equivalente a R$ 2,2 milhões na cotação atual, em outubro, para cerca de US$ 209 mil (R$ 1,1 milhão) em novembro. A queda acompanha a redução do volume importado e contribui para diminuir a pressão sobre o mercado interno. Na avaliação do deputado Luis Corti, os números indicam que a legislação cumpriu seu objetivo inicial ao limitar uma prática que, segundo ele, impactava o equilíbrio do mercado e a renda dos produtores locais. A iniciativa adotada no Paraná já começa a servir de referência para outros estados. Santa Catarina e Goiás aprovaram legislações semelhantes, restringindo a reidratação de leite em pó importado com base no modelo paranaense. No âmbito federal, o tema também avançou. O deputado federal Zé Silva apresentou projeto de lei com objetivo semelhante, citando a experiência do Paraná como referência para uma possível política de alcance nacional.

Para este ano, o objetivo é intensificar a articulação com outros estados e com o Congresso Nacional, defendendo medidas estruturais que garantam previsibilidade, equilíbrio de mercado e melhor remuneração ao produtor de leite. Com dados oficiais e efeitos já mensuráveis, a Lei nº 22.765 coloca o Paraná na linha de frente do debate nacional sobre a proteção da cadeia do leite e o enfrentamento à concorrência do leite em pó importado. A discussão sobre o processo Antidumping também avança em Brasília, o que intensifica ainda mais o combate à prática de concorrência desleal dos países do Mercosul.

Assembleia Legislativa Paraná

Leite mais barato alivia custo da Alimentação nas capitais Brasileiras

Com recuo de até 5,6% em dezembro, produto foi um dos principais responsáveis por frear a alta da cesta básica, embora os preços sigam pressionados em grandes centros urbanos.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgaram no dia 8 a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos referente a dezembro de 2025, estudo publicado em parceria entre as duas instituições desde agosto do ano passado. Segundo o levantamento, o valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 17 capitais, diminuiu em outras nove cidades e se manteve estável em um município, João Pessoa (PB), em que o preço permaneceu em R$ 597,66. Entre novembro e dezembro de 2025, as elevações mais importantes ocorreram em Maceió (AL), com alta de 3,19%; Belo Horizonte (MG), com aumento de 1,58%; Salvador (BA), com crescimento de 1,55%; Brasília (DF), acréscimo de 1,54%; Teresina (PI), com alta de 1,39%; Macapá (AP), com aumento de (1,23%); Goiânia (GO), com alta de 1,19%; e Rio de Janeiro (RJ), que cresceu 1,03%. Já as quedas mais expressivas ocorreram em Porto Velho (RO), de 3,6%; Boa Vista (RR), de 2,55%; Rio Branco (AC), de 1,54%; Manaus (AM), de 1,43%; e Curitiba (PR), de 1,03%. São Paulo segue sendo a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresenta o maior custo (R$ 845,95), seguida por outras capitais do Centro-Sul como Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06), Cuiabá (R$ 791,29) e Porto Alegre (R$ 784,22). Em contraponto, nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01), Recife (R$ 596,10), Natal (R$ 597,15) e João Pessoa (597,66). Os alimentos com maior queda foram leite integral, arroz agulhinha, açúcar, café em pó e óleo de soja, principais produtos que fazem parte da cesta básica de alimentos que tiveram redução de preços.  O leite que caiu em 22 das 27 cidades, com variações entre -5,61%, em Curitiba (PR), e -0,69%, em Recife (PE). Em Palmas (TO), Aracaju (SE) e Maceió (AL), o valor não se alterou e observou-se aumento em outras duas cidades: Boa Vista (RR) com 3,28% de alta e Macapá (AP), com adição de 0,26%. De acordo com a pesquisa, a maior oferta interna, consequência da produção no campo e das importações de derivados, fez com que os preços diminuíssem no varejo.

Assessoria Conab

PESQUISA & DESENVOLVIMENTO

Genética do leite de búfala avança e reforça potencial produtivo

Pesquisa paulista identifica variabilidade genética com impacto direto no rendimento de queijos. Resultados ampliam ferramentas técnicas para seleção de rebanhos bubalinos.

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Zootecnia (IZ), em Nova Odessa (SP), e publicada na revista científica internacional Molecular Biology Reports, amplia as perspectivas de viabilidade econômica da bubalinocultura leiteira no Brasil. O estudo analisou a kappa-caseína, proteína do leite de búfala diretamente associada ao rendimento industrial, e apresenta informações inéditas que fortalecem os programas de melhoramento genético da atividade. A investigação avaliou 538 amostras de búfalos provenientes de seis regiões do estado de São Paulo e identificou três genótipos da kappa-caseína — AA, AB e BB — com predominância do alelo A. A variabilidade genética observada entre os rebanhos indica potencial para avanços na seleção e no cruzamento de animais, com reflexos diretos sobre produtividade, qualidade do leite e retorno econômico ao produtor. Segundo o pesquisador Anibal Eugênio Vercesi Filho, do IZ, o alelo B da kappa-caseína apresenta relação direta com melhor rendimento na fabricação de queijos, principal destino do leite de búfala no Brasil. Esse aspecto torna o marcador genético uma ferramenta estratégica para aumentar a eficiência industrial e agregar valor à produção, contribuindo para a sustentabilidade da atividade. Como resultado do estudo, foi desenvolvida uma metodologia própria de genotipagem baseada em genética molecular, ampliando as ferramentas técnicas disponíveis aos criadores. A técnica já está à disposição da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) e pode ser aplicada diretamente na seleção dos rebanhos, orientando decisões produtivas com maior precisão. Financiado pelo CNPq, o trabalho passa a integrar o banco de dados técnicos da ABCB e reforça a aplicação da ciência na melhoria dos sistemas produtivos. O reconhecimento internacional da pesquisa evidencia o avanço da genética aplicada à bubalinocultura e reforça a atividade como uma alternativa de alto valor agregado e com crescente competitividade no agronegócio brasileiro.

A HORA/MILKPOINT

ECONOMIA

Dólar fecha estável ante real em dia de dados de inflação nos EUA

O dólar voltou a apresentar variações contidas na terça-feira no Brasil, encerrando novamente muito próximo da estabilidade, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas, em dia de novos dados de inflação nos EUA.

O dólar à vista encerrou o dia em leve alta de 0,07%, aos R$5,3759. No ano, a divisa acumula queda de 2,06%. Às 17h03, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,06% na B3, aos R$5,3985. No meio da manhã o Departamento do Trabalho informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,3% em dezembro, em linha com a projeção mediana dos economistas consultados pela Reuters. Nos 12 meses até dezembro, o índice avançou 2,7%, igualando a leitura de novembro.

O núcleo do CPI — que exclui alimentos e energia – subiu 0,2% em dezembro, levemente abaixo do 0,3% projetado pelo mercado. Na esteira da divulgação dos números, o dólar reduziu a força ante boa parte das demais divisas, incluindo o real, em sintonia com o recuo da curva de juros norte-americana. A moeda norte-americana ainda recuperou força no Brasil, atingindo a máxima de R$5,3949 (+0,42%) às 13h27, mas ao longo da tarde se manteve próxima da estabilidade, em mais uma sessão em que o noticiário interno teve pouca influência nas cotações. No fim da manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez algumas declarações em Brasília sobre a área fiscal, na primeira entrevista a jornalistas após retornar de férias. Ele afirmou que o governo central fechou 2025 com um déficit primário estimado em 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), cumprindo a meta de déficit zero para o ano, que tem 0,25% do PIB de margem de tolerância.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com bancos e “utilities”; Petrobras e Vale atenuam perda

O Ibovespa fechou em queda pelo segundo pregão seguido na terça-feira, acompanhando o viés negativo em Wall Street, com ações de bancos e de serviços de utilidade pública, como Axia e Sabesp, entre as maiores pressões de baixa, enquanto Petrobras e Vale evitaram um declínio mais acentuado.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,72%, a 161.973,05 pontos, após marcar 161.765,08 pontos na mínima e 163.146,26 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$24,9 bilhões. Na visão do estrategista de investimentos Bruno Perri, economista-chefe e sócio fundador da Forum Investimentos, a bolsa brasileira refletiu um movimento mais amplo de aversão ao risco, que combina questões geopolíticas e pressão exercida pelo presidente Donald Trump sobre o Federal Reserve. Em meio ao aumento das tensões no Irã, com chance de maior envolvimento norte-americano, citou Perri, a pressão política sobre o Fed traz receios de perda de independência do mais relevante banco central do mundo. O S&P 500, uma das referências do mercado acionário dos EUA, caiu 0,19%. Ainda no radar dos agentes financeiros nesta sessão, o índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 0,3% em dezembro, com a taxa em 12 meses mostrando avanço de 2,7%. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, houve alta de 0,2% em dezembro e de 2,6% em 12 meses. Na visão do analista de investimentos Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o viés negativo tende a persistir nos mercados, dado que os riscos que estão pressionando os negócios “não vão morrer hoje”.

REUTERS

Haddad estima déficit primário do governo central de 2025 em 0,1% do PIB, com meta cumprida

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na terça-feira que o governo central fechou 2025 com um déficit primário estimado em 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), cumprindo a meta de déficit zero para o ano, que tem 0,25% do PIB de margem de tolerância.

O resultado desconsidera despesas que ficam fora da contabilidade fiscal após autorização judicial, disse o ministro em entrevista a jornalistas. Segundo ele, se considerados gastos com precatórios e com indenização de aposentados, o déficit deve ficar em 0,48% do PIB. “Nós estamos em uma trajetória de melhoria dos resultados primários a cada ano, como está sendo demonstrado”, disse. Os dados oficiais do resultado fiscal de 2025 serão apresentados pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central apenas no final de janeiro. Após o Tesouro Nacional prever nesta semana uma piora significativa na trajetória da dívida pública, o ministro afirmou na entrevista que o que tem mais afetado o indicador é o nível dos juros no país, não os resultados primários. Na primeira entrevista a jornalistas após retornar das férias, Haddad disse que conversará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “quando ele quiser” sobre sua saída do comando da Fazenda. No fim do ano passado, ele estimou que deixaria a pasta até fevereiro. O ministro ainda defendeu a atuação do Banco Central ao liquidar o Banco Master, afirmando que o trabalho da autarquia foi robusto. Ele enfatizou que o tema tem relevância também porque os bancos públicos Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil respondem por cerca de um terço da capitalização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que será usado para ressarcir clientes do Master. “O caso inspira muito cuidado, nós podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país, e temos que tomar todas as cautelas devidas com as formalidades”, afirmou.

REUTERS

Setor de serviços do Brasil recua em novembro e interrompe nove meses de ganhos

O setor de serviços brasileiros registrou recuo inesperado em novembro depois de nove meses de ganhos, pressionado por transportes e informação e comunicação, em meio à desaceleração da economia diante de uma política monetária restritiva.

O volume de serviços teve em novembro queda de 0,1% em relação a outubro, resultado que frustrou a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,2% no mês. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o volume de serviços apresentou alta de 2,5%, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contra expectativa de ganho de 3,0%. “O resultado reflete uma certa manutenção do setor de serviços em patamares elevados, já que no mês anterior o setor havia alcançado o topo da sua série histórica, iniciada em janeiro de 2011”, destacou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa no IBGE. Os fornecedores de serviços nacionais registraram resultados positivos durante a maior parte do ano passado, com retração no volume apenas em janeiro, graças ao desemprego em mínimas recordes e aumento da renda, o que ajudava a compensar o peso dos juros elevados, com a Selic atualmente em 15%. “Apesar do resultado abaixo do esperado, o dado (de novembro) parece refletir mais uma normalização após um período de crescimento mais intenso do que, propriamente, um sinal contundente de fraqueza da atividade no setor”, disse o economista da Armor Capital Gustavo Rostelato. Entre as cinco atividades pesquisadas, duas tiveram resultados negativos no mês de novembro — transportes teve queda de 1,4% e informação e comunicação apresentou recuo de 0,7%. “O destaque no campo negativo fica no setor de transportes, pressionado pelo transporte aéreo, transporte rodoviário coletivo de passageiros, transporte dutoviário e logística de cargas”, disse Lobo. Na outra ponta, os profissionais e administrativos (1,3%) e os outros serviços (0,5%) mostraram ganhos na comparação mensal, enquanto os serviços prestados às famílias ficaram estáveis. Já o índice de atividades turísticas teve ganho de 0,2% em novembro na comparação ao mês anterior, no quarto resultado positivo seguido, ficando 0,8% abaixo do ápice da sua série histórica, de dezembro de 2024. “Podemos dizer que (em novembro) as receitas dos restaurantes tiveram um ligeiro predomínio sobre o recuo observado no transporte aéreo de passageiros”, disse Lobo. O IBGE destacou ainda os efeitos no setor de serviços da realização da COP-30 no Pará entre 10 e 21 de novembro — o volume de serviços no Estado registrou alta de 2,6% no mês. Com participação de 1,09% no volume total de serviços, o avanço no Pará exerceu o terceiro maior impacto positivo na comparação com outubro.

REUTERS

Crescimento global deve ficar estável, diz Banco Mundial; Brasil deve avançar 2% em 2026

Em parte, a expansão da economia global em 2026 e 2027 será puxado pelo maior dinamismo da economia dos Estados Unidos, segundo o órgão

A economia global deve se manter estável neste ano e no próximo, com crescimento previsto de 2,6% em 2026 e 2,7% em 2027, apesar das persistentes incertezas políticas e tensões comerciais no cenário internacional. As previsões constam em um relatório divulgado pelo Banco Mundial na terça-feira. Na nova edição do “Perspectivas Econômicas Globais”, o Banco Mundial elevou a previsão de expansão da economia global em 0,2 ponto percentual. Para o próximo ano, a estimativa foi de alta 0,1 ponto maior que o relatório anterior. Em parte, o crescimento será puxado pelo maior dinamismo da economia dos Estados Unidos, que responde por dois terços da revisão para cima na projeção para 2026. Para o Brasil, o órgão prevê expansão de 2% em 2026. O Banco Mundial estima que o PIB global cresceu 2,7% no ano passado, uma revisão para cima de 0,4 ponto percentual em relação ao relatório de junho. Para este ano, economistas do Banco Mundial preveem uma leve desaceleração no crescimento porque os impulsos do ano passado devem perder força, graças a uma queda na demanda interna dos países que também deve afetar o comércio global. Apesar disso, a flexibilização das condições financeiras internacionais e as políticas de expansão fiscal em várias grandes econômicas devem ter o efeito oposto, ajudando a amortecer a queda na atividade. Apesar da revisão para cima, o Banco Mundial ressalta que, se as previsões se confirmarem, a década de 2020 caminha para ser a mais fraca em termos de crescimento global desde os anos 1960, um problema gravado pelo fato de os países estarem com níveis recordes de dívida pública e privada. “A cada ano que passa, a economia global se tornou menos capaz de gerar crescimento e aparentemente mais resiliente às incertezas políticas”, afirmou o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, em comunicado que acompanha o relatório. “Mas dinamismo econômico e resiliência não podem divergir por muito tempo sem prejudicar as finanças públicas e os mercados de crédito.” Para 2026, o crescimento nas economias avançadas deve ser de 1,6%, segundo o relatório, o mesmo percentual previsto para 2027. Já para os mercados emergentes e economias em desenvolvimento, o Banco Mundial prevê uma expansão de 4% neste ano e de 4,1% no próximo, altas de 0,2 ponto percentual em relação às estimativas anteriores. No relatório, o Banco Mundial ressalta que o ritmo lento de expansão da economia está ampliando a desigualdade entre países ricos e pobres. Ao final do ano passado, quase todas as economias avançadas terão uma renda per capita superior aos níveis de 2019 – ainda que a previsão de crescimento em 2026 seja de 3%, 1 ponto percentual abaixo da média da década de 2000-2019. Por outro lado, uma em cada quatro economias em desenvolvimento fechará o ano com uma renda per capita menor. Na avaliação da entidade, essas tendências podem intensificar o desafio de gerar empregos nas economias em desenvolvimento, onde 1,2 bilhão de jovens atingirão a idade ativa ao longo da próxima década. O Banco Mundial prevê que a economia brasileira crescerá 2,3% em 2025, uma queda de 0,1 ponto percentual em relação ao último relatório. Para 2026, a estimativa é de uma leve queda na taxa de crescimento para 2%, ante 2,2% de junho, e de uma alta, para 2,3%, no ano seguinte. Segundo a entidade, a desaceleração neste ano “reflete os impactos das taxas de juros reais elevadas, dos ventos contrários relacionados ao comércio e à maior incerteza global”. Ao analisar as tendências para as economias da América Latina e do Caribe, não só do Brasil, o Banco Mundial afirma que as perspectivas regionais tendem para o “lado negativo”. Fora as incertezas comerciais devido às tarifas de Donald Trump, a expectativa de um crescimento global abaixo do esperado pode causar uma queda acentuada nos preços das commodities, o que pesaria nas receitas dos governos da região, já pressionados por níveis elevados de dívida pública. Do lado positivo, o Banco Mundial ressalta as perspectivas de rápida adoção da inteligência artificial, que podem aumentar a produtividade na região, especialmente em países mais bem posicionados para aproveitar os benefícios da tecnologia e com forças de trabalho mais capacitadas.

VALOR ECONÔMICO

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