Ano 1 | nº 51 | 13 de janeiro de 2026
NOTÍCIAS
Queijo brasileiro é incluído na lista de melhores do mundo por publicação americana
Iguaria apresenta casca dura, massa cremosa e notas amanteigadas
Produzido em Santa Catarina com características artesanais bem definidas, o queijo Morro Azul, da Queijos Pomerode, ganhou destaque internacional no fim de semana. A iguaria foi incluída pela Culture Magazine, uma das revistas especializadas no setor queijeiro mais importantes dos Estados Unidos, na lista dos melhores queijos do mundo de 2026. E detalhe: é o único brasileiro. Segundo a publicação americana que reuniu outros 64 produtos feitos com leite de vaca, cabra, ovelha e búfala, a seleção foi elaborada com base nos resultados das principais competições do ano passado. Entre elas estão: American Cheese Society Judging & Competition, Good Food Awards, Great Taste Awards, Mundial do Queijo do Brasil, United States Championship Cheese Contest e World Cheese Awards. Em entrevista à Globo Rural, Juliano Mendes, sócio da Queijos Pomerode com o irmão, Bruno, afirmou que o reconhecimento teve um significado especial por partir de um veículo muito conceituado do mundo. “Usamos a revista como referência desde o nosso início produzindo queijos e fomos surpreendidos neste ano na edição de melhores dos melhores, com o queijo Morro Azul figurando entre os mais respeitados do mundo. É uma grande felicidade para o nosso trabalho e mostra mais uma vez que é possível fazer queijos de qualidade e no mesmo nível dos melhores do mundo aqui no Brasil”. O Morro Azul é produzido com leite de vaca e envolto em uma cinta de madeira durante a maturação, técnica que garante casca firme, massa cremosa e sabor salgado com notas amanteigadas e lácteas predominantes. Para consumo harmonizado, a marca catarinense recomenda cervejas maltadas ou vinho chablis fresco. Em 2025, o queijo também acumulou prêmios e outras distinções internacionais: Entrou na lista dos 100 melhores do mundo do Taste Atlas, site americano considerado a enciclopédia da gastronomia; recebeu medalhas de prata e bronze na 37ª edição do World Cheese Awards; Conquistou a medalha de ouro no Prêmio Queijo Brasil; Ganhou a medalha Super Ouro na Copa América do Queijo, realizada no Peru. Além do brasileiro Morro Azul, a Culture destacou produtos dos Estados Unidos, França, Bélgica, Índia, Itália, Suíça, México, Alemanha, Japão, Holanda, Reino Unido, Suécia, Espanha e Portugal.
GLOBO RURAL
O que esperar do mercado em 2026 depois dos preços em 2025?
Após o expressivo ajuste de preços na reta final de 2025, o mercado lácteo tende a iniciar 2026 em busca de maior equilíbrio entre oferta e demanda. Confira os principais dados e perspectivas.
Em síntese, após um ano de forte crescimento da produção, o mercado lácteo brasileiro encerrou 2025 marcado por um expressivo desequilíbrio entre oferta e demanda. A expansão produtiva, estimulada pelos preços atrativos do primeiro semestre, superou o ritmo de crescimento da demanda, que avançou de forma mais contida, mesmo diante de um ambiente macroeconômico relativamente favorável no âmbito de consumo. Como resultado, houve acúmulo de estoques, pressão sobre os preços dos derivados e quedas significativas no preço ao produtor, sobretudo ao longo do segundo semestre. No cenário internacional, a ampla oferta global e a demanda mais contida intensificaram a competição entre exportadores e reforçaram o movimento de queda dos preços, enquanto as importações seguiram em patamar elevado, ainda que com leve recuo. O final de 2025 foi marcado por uma queda na rentabilidade do produtor de leite, influenciada principalmente pelo recuo dos preços do leite pagos ao produtor, especialmente no último trimestre do ano, enquanto os preços dos grãos permaneceram relativamente estáveis. Considerando-se a produção de 20 litros/vaca/dia e consumo de 7,2 kg de matéria seca de concentrado/vaca/dia e 10,2 kg de matéria seca de volumoso/vaca/dia. Essa compressão da rentabilidade em 2025 tende a resultar em um menor crescimento da produção em 2026, especialmente porque a base produtiva brasileira é majoritariamente composta por pequenos e médios produtores, que sentem esse impacto de forma mais intensa. Mesmo assim, 2026 deve seguir apresentando oferta em patamares elevados, impulsionada principalmente pelo crescimento dos sistemas de confinamento nos estratos de maior escala. Esse movimento tende a manter a produtividade em níveis altos, uma vez que esses produtores precisam sustentar volumes elevados de produção para diluir investimentos já realizados, mesmo em um cenário de compressão da rentabilidade. Assim, nesse contexto em que cerca de metade da base produtiva brasileira está concentrada nos estratos mais sensíveis à redução das margens, 2026 tende a apresentar um ritmo de crescimento da captação inferior ao observado em 2025. Ao contrário do cenário que marcou o início de 2025, 2026 começa com os preços dos derivados lácteos em patamares mais baixos, inclusive no varejo, segmento que tradicionalmente reage de forma mais lenta aos ajustes. Como referência, o ano se inicia com deflação aproximada de 9,9% no leite UHT e 9,5% na muçarela, segundo os preços da Fipe.
Essa conjuntura, marcada por preços em patamares mais baixos e por um ano eleitoral, no qual historicamente há estímulos à atividade e à renda, seja por meio da ampliação de programas de transferência de renda ou de outras medidas econômicas, tende a sustentar uma demanda ao menos em níveis semelhantes aos de 2025, ou até superiores. No cenário internacional, a conjuntura de preços também aponta para um momento semelhante, marcado por redução da rentabilidade dos produtores. Como evidência dessa tendência, o compilado dos preços do leite pagos ao produtor, em dólar por litro, mostra que, no segundo semestre de 2025, os valores passaram a recuar. Completando a perspectiva do cenário internacional, assim como no Brasil, o mercado global também registrou redução nos preços dos principais derivados lácteos. Análise do índice de preços médios de lácteos da FAO indica uma expectativa de entrada em 2026 com preços em patamares mais baixos, o que tende a favorecer uma retomada gradual do consumo ao longo do ano. Após o expressivo ajuste de preços na reta final de 2025, o mercado lácteo tende a iniciar 2026 em busca de maior equilíbrio entre oferta e demanda. A forte redução da rentabilidade ao longo do segundo semestre sustenta a expectativa de um crescimento mais moderado da oferta em 2026. Aliado a isso, a demanda deve se manter estável ou levemente estimulada pelos preços mais baixos dos derivados, favorecendo a construção de um cenário mais equilibrado ao longo do ano. Essa perspectiva, contudo, não elimina as incertezas e os desafios estratégicos do setor. Ao mesmo tempo, surgem oportunidades relevantes ligadas à consolidação da indústria, à rentabilidade, ao financiamento da cadeia, ao potencial exportador do Brasil e ao crescimento do consumo em segmentos como proteínas lácteas e queijos. Nesse ambiente, marcado por desafios de curto prazo e decisões estruturais de longo prazo, a discussão qualificada sobre mercado, eficiência e estratégia torna-se fundamental
MILKPOINT
TECNOLOGIA
Teste identifica leite livre de proteína ligada à má digestão
Tecnologia foi desenvolvida pela startup brasileira Scienco Biotech. Teste é realizado logo após a ordenha do animal, semelhante ao de gravidez
A startup brasileira Scienco Biotech desenvolveu e patenteou uma tecnologia capaz de identificar o tipo de leite que é livre de uma proteína associada à má digestão. Trata-se de um teste realizado logo após a ordenha do animal, semelhante ao de gravidez. O teste rápido da Scienco pode ser feito pelo próprio pecuarista, com um pingo de uma amostra de leite, e o resultado sai na hora, segundo a veterinária Maria de Lourdes Magalhães, criadora do teste e CEO da startup. Ela observa que, no modo convencional, esse processo é feito por meio da análise do DNA dos animais, com testes laboratoriais “caros e demorados”. As vacas podem produzir leite com a proteína A1, relacionada à má digestão, ou a proteína A2, que não está associada ao problema e é a mesma encontrada no leite materno. O leite A2 provém de vacas com o gene A2A2 e não promove a formação da beta-casomorfina-7 (BCM-7), associada a possíveis desconfortos digestivos e presente no leite A1, explica Diana Jank, diretora de marketing da Letti. A Letti pertence ao grupo Agrindus, um dos maiores produtores de leite do Brasil, e fabrica produtos lácteos apenas com a proteína A2, utilizando outra tecnologia para identificação. Gustavo Silva, diretor de inovação da Scienco Biotech, vê potencial para “revolucionar” a cadeia de leite no Brasil com os testes rápidos. “São simples e de baixo custo. Podemos acelerar a tomada de decisão dos pecuaristas”, afirma. Atualmente, cerca de 1.900 fazendas no Brasil, Colômbia e Coreia do Sul, já utilizam o teste da Scienco. Agora, a empresa começou a vender o teste no mercado da Nova Zelândia, país onde o leite A2 foi identificado pela primeira vez na década de 1990, e onde esse leite começou a ser comercializado em 2003.
Segundo Maria de Lourdes Magalhães, a chegada à Nova Zelândia é um divisor de águas porque, além de pioneiro, o país exporta para a China, que tem alta demanda pelo leite A2, e onde é utilizado na fabricação de fórmulas infantis. No Brasil, a maior parte dos pecuaristas não costuma identificar o tipo de leite e acaba misturando a produção do rebanho e comercializando tudo como leite A1, que pode causar o desconforto digestivo. “Com a identificação, o produtor pode separar o leite das vacas A2 e vendê-lo de forma diferenciada”, diz ela. Os pecuaristas que fazem a segregação recorrem a testes de laboratório. No início de 2025, a Scienco recebeu um investimento de R$ 1,8 milhão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para desenvolver um novo teste que identifica leites com maior rendimento para produzir queijos. Magalhães afirma que a tecnologia já está em operação em cerca de 20 fazendas. “O teste identifica de forma instantânea as vacas que produzem um leite com melhor capacidade de coagulação na produção de queijo, que resulta em um rendimento até 30% maior, com menos perdas e maior padronização na fabricação de queijos”, explica a CEO da Scienco. Para 2026, o objetivo é lançar uma terceira tecnologia que identifica resquícios de antibiótico no leite. A projeção da Scienco é alcançar cerca de R$ 2 milhões de faturamento com a consolidação das tecnologias.
VALOR ECONÔMICO
Queijo Brie e Camembert estão ameaçados
Ameaça invisível pode fazer um dos queijos mais amados do mundo desaparecer das prateleiras.
Os queijos Brie e Camembert são ícones da gastronomia mundial, mas uma crise silenciosa ameaça sua existência. Quase toda a produção global depende de uma única cepa de mofo branco que, segundo cientistas, está à beira da extinção genética. O risco vem da falta de diversidade genética. Quase toda a produção mundial usa uma única cepa do mofo Penicillium camemberti, que tem sido clonada por mais de um século para garantir a aparência e o sabor padronizados que os consumidores esperam. Essa reprodução assexuada impede a evolução e torna o mofo extremamente vulnerável a doenças e mutações. Cientistas franceses alertam que a cepa está degenerando e produzindo cada vez menos esporos, um caminho que pode levar ao seu desaparecimento, assim como aconteceu com variedades de banana no passado.
Antigamente, esses queijos eram feitos com mofos selvagens e tinham cascas de cores variadas, como cinza, laranja e até azul. O sabor era muito mais intenso e rústico, refletindo a biodiversidade local da França, o berço desses queijos. No final do século XIX, uma mutação “albina” rara do mofo foi isolada. Seu visual branco e aveludado e sabor mais suave agradaram em cheio ao mercado, e essa única cepa foi clonada e distribuída globalmente até se tornar o padrão que conhecemos hoje. Existem alternativas para salvar esses queijos? Sim, a solução pode estar em voltar à natureza. Cientistas e produtores visionários estão pesquisando mofos “selvagens”, como o ancestral Penicillium biforme, que possui maior diversidade genética e, portanto, é muito mais robusto. O grande desafio é encontrar cepas que sejam seguras para o consumo e que não produzam toxinas. Além disso, há o obstáculo cultural: convencer os consumidores a aceitarem um Camembert que talvez não seja perfeitamente branco, mas que seja sustentável a longo prazo. Possíveis soluções para a crise: Pesquisa e identificação de mofos selvagens seguros. Reintrodução da diversidade genética na produção. Educação do consumidor para novas aparências e sabores. Qual a diferença entre um mofo ‘domesticado’ e um selvagem? O mofo “domesticado” (P. camemberti) é previsível e esteticamente agradável, mas geneticamente frágil. A segurança de qualquer microrganismo em alimentos é uma prioridade, seguindo normas como as da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil, que regula o uso de culturas em alimentos. Já os mofos selvagens são geneticamente diversos e resistentes, mas imprevisíveis em sabor e cor. A identidade de um queijo é protegida por regras rígidas, como as do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para produtos de origem, o que torna a introdução de novas cepas um processo complexo.
BM&C NEWS/ MilkPoint
ECONOMIA
Dólar fecha estável no Brasil apesar de recuo no exterior
Em mais uma sessão sem gatilhos fortes no noticiário brasileiro, o dólar encerrou a segunda-feira próximo da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou perdas ante a maior parte das demais divisas, após o governo Trump voltar a ameaçar o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, desta vez com uma possível acusação criminal.
O dólar à vista encerrou o dia em leve alta de 0,11%, aos R$5,3723. No ano, a divisa acumula queda de 2,13%. Às 17h04, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,08% na B3, aos R$5,3975. No domingo, Powell revelou que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça referentes a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de uma reforma de US$2,5 bilhões na sede da instituição, em Washington. De acordo com o chair do Fed, “essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças do governo e da pressão contínua” por taxas de juros mais baixas e, de forma mais ampla, por uma maior influência sobre a instituição. A ameaça a Powell conduzia nesta segunda-feira a queda do dólar ante boa parte das demais divisas, como o euro, a libra, o franco suíço e a maior parte das moedas de países emergentes.
Neste cenário, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,3489 (-0,33%) às 9h02, logo após a abertura do mercado, mas depois a moeda se recuperou no Brasil. “Embora o índice DXY (índice do dólar) esteja em queda, a princípio o cenário doméstico não traz nada específico para justificar a desvalorização do real em relação ao dólar, ao que parece ser apenas uma pontual saída de capital”, disse no início da tarde Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. “O Brasil ainda negocia em um ambiente de liquidez reduzida, operando no patamar entre R$5,35-R$5,40, com baixa amplitude de preço e poucos catalisadores domésticos”, acrescentou. No noticiário local, destaque apenas para o encontro entre representantes do Banco Central e do Tribunal de Contas da União (TCU), para discutir o caso do Banco Master. Após a reunião, o presidente do tribunal, ministro Vital do Rêgo, afirmou ter sido informado pelo BC que é “muito importante” que o órgão faça inspeção na autoridade monetária sobre a liquidação do banco. Segundo ele, a inspeção pelo TCU será feita com interlocução entre os dois órgãos. Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim de 2026 e de 2027 seguiu em R$5,50. Já a inflação esperada para 2026 passou de 4,06% para 4,05% e para 2027 seguiu em 3,80%. A taxa básica Selic para o fim deste ano continuou em 12,25% e para o final do próximo ano permaneceu em 10,50%.
REUTERS
Ibovespa tem queda modesta com Powell sob holofotes
O Ibovespa teve uma queda modesta na segunda-feira, marcada pela repercussão da ameaça de acusação criminal contra o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, e receios sobre a autonomia do BC norte-americano, enquanto, na cena corporativa, Vamos disparou mais de 8% após dados do quarto trimestre de 2025.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação negativa de 0,13%, a 163.150,35 pontos, após marcar 162.277,01 na mínima e 163.493,22 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$18,02 bilhões. No final do domingo, Powell disse que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça referentes a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de um projeto de reforma de um prédio de US$2,5 bilhões no complexo da sede do Fed em Washington. Ele citou o movimento como “pretexto” do governo do presidente Donald Trump para tentar ganhar mais influência sobre as taxas de juros que o republicano quer reduzir drasticamente. Na visão do economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, a ameaça contra Powell reforça preocupações com a independência do banco central dos Estados Unidos. Ele afirmou, contudo, não ter dúvidas de que Powell tomará decisões com base nos dados econômicos e não será influenciado de uma forma ou de outra. Para o analista Nícolas Merola, da EQI Research, está havendo uma escalada de tensões entre o governo de Trump e o Fed, o que adiciona incerteza no cenário, principalmente sobre o posicionamento da autoridade monetária norte-americana em relação à inflação. Ele destacou que o mandato de Powell está próximo do final e que Trump já disse que tem como pré-requisito para o próximo candidato a comandar o Fed que ele seja mais “dovish”, mais leniente com a inflação e, por consequência, tenha uma tendência ou uma visão de queda da taxa básica de juros. A oscilação discreta do Ibovespa ocorre após uma semana positiva, a primeira completa do ano, com alta de 1,76%, quando voltou a superar os 164 mil pontos no melhor momento. Em 2025, ano marcado por novas máximas históricas, acumulou uma valorização de quase 34%, melhor desempenho anual desde 2016. Estrategistas do Bank of America elevaram a recomendação das ações brasileiras a “overweight” em seu portfólio de América Latina, conforme relatório na segunda-feira, destacando que o país está na direção de um ciclo de queda de juros acentuado, possivelmente começando no primeiro trimestre do ano.
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Projeção para inflação este ano no Focus cai a 4,05%
Os especialistas consultados pelo Banco Central fizeram apenas pequenos ajustes em suas projeções econômicas na pesquisa Focus divulgada na segunda-feira, vendo a inflação ligeiramente mais baixa este ano.
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 caiu 0,01 ponto percentual, a 4,05%. Para 2027 permanece projeção de inflação de 3,80% ao final do ano. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A inflação no Brasil acelerou em dezembro a 0,33%, mas ainda encerrou 2025 abaixo do teto da meta, com uma taxa de 4,26%, consolidando um processo de desinflação no país apesar da pressão do setor de serviços. Os analistas no Focus seguem vendo o início dos cortes da taxa de juros em março, com uma redução de 0,5 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%. Também não houve mudanças nas expectativas de que a taxa básica terminará 2026 em 12,25% e 2027 a 10,50%. Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento permaneceram em 1,80% tanto este ano quanto no próximo.
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Tesouro piora projeções para dívida pública e prevê trajetória de alta até 2032
O Tesouro Nacional piorou significativamente suas projeções para a dívida pública bruta do Brasil, diante do nível elevado dos juros no país, prevendo uma trajetória de alta no endividamento até 2032, quando chegaria a 88,6% do PIB, segundo novas estimativas divulgadas na segunda-feira.
Em seu relatório de projeções fiscais, a secretaria estimou que a dívida bruta subirá a 83,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no fechamento deste ano, contra uma previsão de 79,3% do PIB em 2025. A pasta estimou que o pico da dívida bruta será de 88,6% do PIB em 2032, passando a cair sutilmente nos anos seguintes. Em 2035, último ano da projeção, o patamar ficaria em 88,0% do PIB. A previsão do relatório anterior, de julho do ano passado, previa um pico mais baixo, de 84,3% do PIB em 2028, caindo gradualmente até atingir 82,9% do PIB em 2035.
O novo documento apontou que a piora “se explica, principalmente, pelo nível dos juros nominais, que seguem pressionando a dívida nos anos seguintes”. “As expectativas de resultados primários positivos e de redução dos juros/PIB serão determinantes para assegurar a trajetória de queda da dívida bruta do governo geral/PIB no médio prazo para além das estimativas feitas no cenário de referência deste relatório”, afirmou. O Banco Central tem mantido a taxa Selic em 15% ao ano desde junho do ano passado, patamar mais alto em quase duas décadas, ainda sem dar sinal de quando poderá iniciar um ciclo de redução dos juros.
O nível dos juros básicos impacta diretamente o endividamento do governo porque aproximadamente metade do estoque de títulos públicos do país usa a Selic como referência para remunerar os investidores.
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Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 4,11 bi nas duas primeiras semanas de janeiro
O valor é resultado de US$ 9,96 bilhões em exportações e US$ 5,85 bilhões em importações, no período
A balança comercial registrou superávit de US$ 4,11 bilhões nas duas primeiras semanas de janeiro, período com seis dias úteis. O valor é resultado de US$ 9,96 bilhões em exportações e US$ 5,85 bilhões em importações, no período, informou a Secretaria do Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic). A média diária de exportações (US$ 1,66 bi) avançou 43,8% nas duas primeiras semanas de janeiro, quando comparadas ao mesmo mês de 2025. A alta foi impulsionada pelas vendas externas da indústria extrativa (+82,3%) e acompanhada pela agropecuária (+32,5%) e indústria de transformação (+27%). Já a média diária de importações até a segunda semana de janeiro (US$ 974,86 milhões) caiu 7%, quando comparada a janeiro do ano passado. A indústria extrativa puxou a queda nas compras (-34,6%), seguida por agropecuária (-26,2%) e indústria de transformação (-4,6%). Em dezembro, a balança registrou superávit de US$ 9,63 bilhões. Com isso, o superávit comercial do Brasil no ano passado foi de US$ 68,3 bilhões.
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