Informativo Sindileite 50 12.01.2026

Ano 1 | nº 50 | 12 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS

Preço do leite ao produtor continua baixo e derivados não reagem

Leite começa 2026 em patamar baixo, derivados fracos e pouca reação no curto prazo.

O leite ao produtor entra em 2026 com o pé no freio. Depois de um 2025 marcado por queda forte de preços, o produtor começa o ano recebendo valores considerados baixos, enquanto os derivados seguem pressionados e o consumo não dá sinais de reação. O desafio imediato é claro: segurar margem num cenário em que a receita caiu, mas o custo não acompanhou na mesma intensidade. Os dados mais recentes do Cepea/Esalq mostram que o preço médio líquido do leite pago ao produtor no Brasil ficou em R$ 2,1122 por litro, referência de novembro de 2025, com divulgação em 02/12/2025. Esse patamar é reflexo direto de um ano inteiro de ajuste negativo. Quando se olha para os principais estados produtores, o cenário é parecido, com pequenas diferenças regionais, mas sem escapar da pressão geral. Em Minas Gerais, a média foi de R$ 2,1875 por litro. Em São Paulo, R$ 2,2340. Já no Paraná, R$ 2,0616, e no Rio Grande do Sul, R$ 2,0653, todos com referência em novembro de 2025. O ponto central é que o Cepea aponta que o preço ao produtor acumulou queda superior a 20% ao longo de 2025 até novembro. Não foi um ajuste pontual. Foi um movimento longo, consistente e que mexeu direto no caixa das fazendas. Na prática, o produtor sente no bolso quando os derivados não reagem. Ao longo de 2025, os preços de leite UHT e queijo muçarela apresentaram queda consistente, segundo o Cepea. Isso estreitou a margem da indústria, que respondeu repassando essa pressão para o preço do leite cru. O mecanismo é direto: derivados mais baratos reduzem a capacidade de pagamento da indústria. Sem melhora no consumo interno e com exportações fracas, o espaço para sustentar preços mais altos do leite praticamente some. O resultado é uma cadeia inteira operando mais defensiva. Mesmo com custos de produção ainda elevados em várias regiões, o repasse não acontece automaticamente. O Cepea destaca que a receita do produtor ficou mais apertada justamente porque a queda dos derivados veio mais rápida que qualquer alívio relevante nos custos. O cenário exige cautela porque a margem continua espremida. O produtor que atravessou 2025 já sentiu o impacto de preços mais baixos por vários meses seguidos.

Agronews

Estratégias práticas para atravessar 2026

Entrar em 2026 sem uma reação clara do mercado significa operar com atenção redobrada ao custo por litro produzido.

O ponto é que, com preços nesse nível, qualquer ineficiência pesa mais. Manejo de pasto, taxa de lotação, qualidade da silagem, descarte de vacas menos produtivas e controle fino de insumos passam a ser decisões estratégicas, não apenas operacionais. Não é um ambiente favorável para erro. Expandir produção sem ganho claro de produtividade pode significar diluir problema em vez de resolver. Por isso, as próprias análises do Cepea indicam que 2026 deve ser um ano de ajustes finos, e não de grandes apostas. Do lado da oferta, 2025 foi favorecido por um clima mais regular, principalmente no Sudeste e no Centro-Oeste. Isso ajudou a manter a produção elevada e limitou até mesmo a queda sazonal tradicional do Sul, segundo o Cepea. Para 2026, a projeção é de um crescimento mais moderado da oferta de leite cru, entre 2% e 2,5%. Isso indica um mercado menos volátil, mas não necessariamente mais remunerador no curto prazo. Os preços iniciam o ano em patamares bem abaixo dos observados em anos anteriores. A expectativa é de alguma recuperação apenas no período da alta sazonal entre abril e agosto. Até lá, o produtor precisa trabalhar com a ideia de mercado firme apenas o suficiente para evitar novas quedas expressivas, mas sem sinal claro de arrancada. Diferente de outras commodities, o leite começa 2026 sem o câmbio ou bolsas internacionais no centro da formação de preços. As fontes oficiais priorizadas não indicam influência relevante de Chicago ou do dólar neste momento. O que pesa mesmo é o mercado interno. O consumo doméstico segue estável em relação a 2025, enquanto as exportações de lácteos recuaram cerca de 53,8%. Esse leite que deixa de sair do país acaba ficando disponível internamente, aumentando a concorrência entre indústrias. Além disso, as importações de lácteos, especialmente leite em pó do Mercosul, continuam sendo um fator de pressão. Na prática, isso limita qualquer tentativa mais consistente de recuperação de preços no mercado físico. Com esse cenário posto, a conversa muda de expectativa de preço para estratégia de sobrevivência e eficiência. Algumas decisões ganham ainda mais peso dentro da porteira: Controle rigoroso de custos, olhando centavo por centavo no custo por litro. Foco em produtividade do rebanho, não em volume total.

Evitar expansão sem base técnica e econômica bem clara. Negociação mais próxima com a indústria, entendendo critérios de qualidade e bonificações. Planejamento financeiro conservador, considerando preços baixos no curto prazo. O Cepea é claro ao alertar que 2026 pede prudência na expansão de produção e nos investimentos. O produtor que atravessar esse período com caixa organizado e sistema eficiente chega mais forte quando o ciclo virar.

Agronews

Vendas de sorvete devem crescer 16,3% em 2026

Mais de 86% das empresas investiram em máquinas, fábricas ou tecnologia no último ano. Abrasorvete aponta que o crescimento vai além do clima e reflete planejamento estrutural.

Com a recorrência de ondas de calor em diferentes regiões do país, a indústria de sorvetes projeta um crescimento expressivo em 2026. A expectativa é de um aumento de 16,3% no faturamento, após o setor encerrar 2025 com avanço estimado de 6,8%. A projeção é da Abrasorvete, associação que representa fabricantes, fornecedores, distribuidores e varejistas de sorvetes. O desempenho esperado não está relacionado apenas às temperaturas mais elevadas. De acordo com a entidade, a expansão da renda dos consumidores e os investimentos realizados ao longo do último ano também sustentam o cenário positivo para o setor. Levantamento da Abrasorvete indica que 86,4% das empresas realizaram algum tipo de investimento recente, seja em máquinas, ampliação de fábricas ou adoção de novas tecnologias. Dentro desse grupo, 22% das empresas aportaram valores superiores a R$ 1 milhão. “Os números revelam que o setor não está apenas reagindo ao mercado, mas se estruturando para um novo patamar de consumo”, afirma Martin Eckhardt, presidente da Abrasorvete.

ISTO É DINHEIRO/MILK POINT

Setor lácteo em 2026: para o alto e avante!

Praticidade e saúde: duas características que nós, como consumidores, buscamos no nosso dia a dia.

Praticidade e saúde: duas características que nós, como consumidores, buscamos no nosso dia a dia. Após um período marcado pela percepção de que eram “vilões” – fruto de fake news que os chamavam de inflamatórios – os laticínios voltaram aos holofotes justamente por serem grandes aliados cotidianos para nutrição e praticidade. Esse cenário, visto este ano, já vinha se desenhando há algum tempo: segundo o Relatório Anual da Associação Brasileira da Indústria de Lácteos Longa Vida (ABLV), em 2024, o segmento de leite UHT cresceu 3,9% em relação ao ano anterior. Segundo o Top Global Consumer Trends 2025, da  Euromonitor, 52% das pessoas acreditam que estarão mais saudáveis nos próximos cinco anos do que estão hoje. Esse planejamento – ou desejo – a longo prazo, reforça a ideia de que, em suas refeições, os consumidores buscarão opções mais funcionais, que auxiliam nessa estratégia de saudabilidade. Além de saboroso e versátil, o leite também possui alto valor nutricional, com proteínas, cálcio e vitaminas. A indústria, que sempre precisa estar atenta às mudanças de comportamento para responder de maneira rápida, já deu uma resposta a essa nova maneira de consumir. Segundo os dados do Anuário Leite 2025, da Embrapa Gado de Leite, o Brasil produziu, em 2024, 25.375 bilhões de litros, o que equivale a +2,38% em relação ao ano anterior. Esse aumento mostra uma cadeia que está se organizando para aumentar volumes e atender às demandas internas. Apesar de positivo, o cenário previsto para 2026 também traz alguns desafios a serem superados. Um deles, talvez o mais difícil de lidar, é a concorrência externa. Nos últimos anos, o crescimento das importações tem aumentado de maneira expressiva e com preços bastante competitivos – sobretudo em 2024, quando o volume importado atingiu o seu recorde. Essa pressão pode afetar a rentabilidade dos produtores nacionais, o que, por sua vez, também influencia as decisões e investimentos dentro da cadeia. O tema exige atenção, já que o preço não é o único fator a interferir na competitividade: a eficiência produtiva, a qualidade dos produtos e a capacidade de inovar para novas oportunidades de consumo também fazem parte das regras do jogo. Ou seja, sozinho, apenas crescimento industrial não é o suficiente. Hoje, a sustentabilidade é um imperativo: é preciso produzir com responsabilidade, com uso mais eficiente de recursos e reduzindo ao máximo as perdas durante os processos. A atualização da planta industrial – que pode ser feita por meio de iniciativas como automatização, digitalização e otimização energética – surge como um potencial fator competitivo. É por isso que a inovação não pode ser um privilégio. Ela precisa ser acessível e adaptável a diferentes realidades, desde os menores produtores até os maiores. Felizmente, a tecnologia atual permitiu a criação de soluções eficientes e sustentáveis para empresas de diferentes portes, permitindo melhora de produtividade, ampliação de qualidade e redução de impacto ambiental. Entramos em 2026 com uma promessa: o aumento da demanda que responde aos desejos de saúde e bem-estar. Mas esse futuro promissor não cairá do céu: ele depende de inovação contínua, da modernização das plantas industriais, de estratégias de sustentabilidade e de leitura atenta do mercado consumidor para antecipar as tendências e transformar desafios em oportunidades.  

Revista Mais leite

NACIONAL

Justiça Federal de Uberlândia endurece controle sobre uso de hormônios por produtores de leite

Decisão impõe medidas à União, Anvisa e laticínios do Triângulo e Alto Paranaíba para transparência e controle sobre o uso de hormônios, especialmente ocitocina e somatotropina.

A Justiça Federal em Uberlândia determinou que a União e a Anvisa adotem medidas mais rigorosas para controlar a comercialização e o uso de hormônios em vacas leiteiras. A decisão foi proferida no âmbito de uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O juiz Osmane Antônio dos Santos concluiu que há um problema estrutural no controle do uso de hormônios. A União e a Anvisa devem adotar providências para tornar mais rigoroso o controle da venda e do uso da ocitocina e da somatotropina em bovinos de leite. A decisão também determina que as cooperativas e indústrias Cemil, Calu e Itambé, apresentem em 90 dias relatórios detalhados comprovando a execução completa de seus Programas de Autocontrole e do Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite. A Justiça Federal em Uberlândia determinou que a União e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adotem medidas mais rigorosas para controlar a comercialização e o uso de hormônios em vacas leiteiras, após reconhecer falhas regulatórias que permitem o uso indiscriminado dessas substâncias no país. A Anvisa informou ao G1 que prestará as informações dentro do processo e ressaltou que não tem competência sobre os medicamentos de uso veterinário. Já a União, por meio da Advocacia Geral da União (AGU), disse que ainda não foi intimada. A decisão da 1ª Vara Cível e JEF Adjunto de Uberlândia foi proferida no âmbito de uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que apontaram riscos à saúde pública decorrentes da presença de resíduos químicos no leite, como antimicrobianos, pesticidas e hormônios, além de fragilidades na fiscalização da cadeia produtiva. Embora análises laboratoriais tenham demonstrado que os produtos comercializados por grandes laticínios estavam dentro dos padrões legais, o juiz Osmane Antônio dos Santos, concluiu que há um problema estrutural no controle do uso de hormônios, especialmente da ocitocina e da somatotropina bovina (lactotropina), frequentemente utilizadas de forma inadequada para aumentar artificialmente a produção de leite. De acordo com a sentença, ficou comprovado no processo que essas substâncias são comercializadas com baixa fiscalização e, muitas vezes, aplicadas de forma rotineira e sem acompanhamento veterinário, prática conhecida como uso “off-label”, quando, por exemplo, hormônios são aplicados para aumentar a produção de leite indiscriminadamente. O magistrado destacou que, embora a Anvisa classifique esses hormônios como de “limite máximo de resíduo não necessário”, o desvio de finalidade no uso pode gerar riscos indiretos relevantes, como a disseminação de doenças no rebanho. Com base nesse entendimento, a Justiça Federal determinou que a União e a Anvisa, no prazo de 120 dias, adotem providências administrativas e normativas para tornar mais rigoroso o controle da venda e do uso da ocitocina e da somatotropina em bovinos de leite. Entre as medidas obrigatórias estão: exigência de prescrição médico-veterinária, com retenção de receita ou sistema eletrônico de notificação; criação de mecanismos que permitam o rastreamento do uso desses hormônios; combate ao uso indiscriminado de hormônios com finalidade exclusiva de aumento de produção. Além disso, os órgãos federais deverão publicar e manter atualizados, em seus portais oficiais, relatórios semestrais detalhados do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), informando número de amostras coletadas, substâncias analisadas, índices de irregularidades por estado e sanções aplicadas a produtores e estabelecimentos infratores. A Cooperativa Central Mineira de Laticínios Ltda (Cemil) informou que ainda não foi formalmente notificada da decisão judicial, mas ressaltou que a decisão reconhece que todos os produtos analisados estavam em conformidade com a legislação e sem risco ao consumidor. Destacou ainda possuir a certificação internacional FSSC 22000, uma das mais exigentes em segurança de alimentos, e que todas as ações seguem as Instruções Normativas do Ministério da Agricultura. O Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais (Silemg), que também é citado na ação, informou que os laudos feitos pelo laboratório contratado pelo Ministério Público apontaram 100% de conformidade nas análises do leite avaliado e que, após a conclusão dos testes, que seguiram a legislação nacional e padrões internacionais como o Codex Alimentarius, ficou comprovado que o leite atende integralmente aos requisitos de qualidade e segurança.

G1/O GLOBO/MG

INTERNACIONAL

Preços mundiais dos alimentos caem em dezembro, mas acumulam alta em 2025, diz FAO. índice de laticínios recuou 4,4% em dezembro

Os preços mundiais dos alimentos caíram em dezembro pelo quarto mês consecutivo, pressionados principalmente pelos laticínios, carnes e óleos vegetais, marcando a menor média desde janeiro de 2025, informou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) na sexta-feira.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha uma cesta de commodities alimentares comercializadas globalmente, alcançou uma média de 124,3 pontos em dezembro, abaixo dos 125,1 pontos em novembro e 2,3% abaixo do ano anterior. Para todo o ano de 2025, o índice registrou média de 127,2 pontos, um aumento de 4,3% em relação a 2024, já que os preços mundiais mais altos de óleos vegetais e laticínios compensaram as quedas nas cotações de cereais e açúcar. O índice de laticínios recuou 4,4% em dezembro, impulsionado por uma queda acentuada nos preços da manteiga após o aumento da oferta na Europa. Entretanto, para 2025 como um todo, os preços dos laticínios ficaram, em média, 13,2% acima de 2024, refletindo a forte demanda de importação e os suprimentos exportáveis limitados no início do ano. Os preços da carne caíram 1,3% no mês passado, liderados por quedas nas categorias bovina e de aves, mas o índice de 2025 permaneceu 5,1% acima do valor do ano anterior, apoiado pela forte demanda global e pela incerteza ligada a doenças animais e tensões geopolíticas, disse a FAO. Os preços dos óleos vegetais diminuíram 0,2% em dezembro, atingindo o menor valor em seis meses, já que as cotações mais baixas dos óleos de soja, colza e girassol compensaram os ganhos do óleo de palma. Para todo o ano de 2025, o índice de óleo vegetal ficou 17,1% mais alto, em média, do que em 2024, atingindo a maior alta em três anos em meio a uma oferta global restrita. O Índice de Preços de Cereais da FAO subiu 1,7% em dezembro, com o trigo sustentado por novas preocupações com os fluxos de exportação do Mar Negro e o milho impulsionado pela forte produção de etanol no Brasil e nos Estados Unidos. Para todo o ano de 2025, o índice de cereais ficou em média 4,9% abaixo de 2024, a terceira queda anual consecutiva e a menor média anual desde 2020. Os preços do açúcar subiram 2,4% em dezembro, após três quedas mensais consecutivas, principalmente devido à menor produção nas regiões do sul do Brasil. O índice de açúcar atingiu o menor valor em cinco anos para 2025, 17% abaixo de 2024, já que os suprimentos globais continuaram abundantes.

REUTERS

ECONOMIA

IPCA fecha 2025 com alta de 4,26%, menor taxa anual desde 2018

Resultado ficou abaixo do teto da meta de inflação, de 4,5%

A inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 0,33% em dezembro, encerrando 2025 em 4,26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a menor taxa anual de inflação desde 2018 (3,75%) e veio em linha com a mediana das projeções do Valor Data (4,26%). As estimativas variavam entre 4,20% e 4,45%. O resultado também veio abaixo do teto da meta da inflação, que era de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Em 2024, a taxa tinha ficado acima do limite, em 4,83%. Foi a menor taxa anual de inflação desde 2018 (3,75%) e veio em linha com a mediana das projeções do Valor Data (4,26%). As estimativas variavam entre 4,20% e 4,45%. Representa também o quinto menor resultado anual desde o Plano Real, em 1994. No resultado de dezembro, a taxa ficou em linha com mediana das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias, ouvidas pelo Valor Data. O intervalo das projeções ia de alta de 0,28% a 0,51%. Das nove classes de despesas usadas para cálculo do IPCA, alimentação e bebidas mudou de direção de novembro para dezembro (de -0,01% para 0,27%), mesmo comportamento visto em artigos de residência (de -1% para 0,64%), saúde e cuidados pessoais (de -0,04% para 0,52%) e comunicação (de -0,20% para 0,37%). Subiram mais transportes (de 0,22% para 0,74%) e educação (de 0,01% para 0,08%). Habitação, por sua vez, foi para o campo negativo (de 0,52% para -0,33%); enquanto registraram alta menos marcada, vestuário (de 0,49% para 0,45%) e despesas pessoais (de 0,77% para 0,36%). O IBGE calcula a inflação oficial brasileira com base na cesta de consumo as famílias com rendimento de um a 40 salários-mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além das cidades de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília. A inflação se espalhou mais pelos itens que compõem o IPCA em dezembro. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, passou de 55,7% em novembro para 60,5%, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta. Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador também avançou, de 49,3% para 64,6%.

VALOR ECONÔMICO

Dólar cai ante real após dados de emprego dos EUA e acordo Mercosul-UE

O dólar fechou a sexta-feira em baixa no Brasil, após a divulgação de novos dados sobre o mercado de trabalho norte-americano e a aprovação pela União Europeia do acordo de livre comércio com o Mercosul.

O movimento no Brasil esteve na contramão do que era visto no fim da tarde no exterior, onde a moeda norte-americana subia ante boa parte das demais divisas. O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,42%, aos R$5,3664. Na semana, a divisa acumulou queda de 1,06%. Às 17h04, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,48% na B3, aos R$5,3940. Pela manhã, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos informou que foram gerados 50.000 postos de trabalho em dezembro no país, abaixo dos 60.000 projetados em pesquisa da Reuters com economistas. Por outro lado, a taxa de desemprego nos EUA ficou em 4,4%, ante projeção de 4,5%. Em uma primeira reação aos números, os rendimentos dos Treasuries de dez anos — referência global de investimentos — perderam força, assim como o dólar ante boa parte das demais divisas, incluindo o real. No Brasil, porém, o dólar se manteve em queda, em movimento ampliado após a aprovação do acordo comercial Mercosul-UE, confirmada no início da tarde. O acordo prevê que a UE eliminará progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul ao longo de um período de até dez anos. Em contrapartida, o Mercosul eliminará as tarifas sobre 91% das exportações da UE ao longo de um período de 15 anos. “O acordo UE-Mercosul tem impacto mais estrutural do que tático sobre o dólar, ao favorecer exportações, ampliar o acesso a mercados desenvolvidos e melhorar a percepção de integração e previsibilidade do Brasil, contribuindo para uma redução marginal do prêmio de risco cambial no longo prazo, ou seja, valorização do real frente ao dólar”, disse Eduardo Amorim, especialista em investimentos da Manchester Investimentos. “No curto prazo, porém, o efeito é limitado, podendo sim ter uma leve melhora e valorização do real, mas o processo é longo”, acrescentou. Pela manhã, com efeitos mais diretos na curva de juros, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em dezembro, após elevação de 0,18% em novembro, encerrando 2025 com alta acumulada de 4,26%. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam elevações de 0,35% no mês e de 4,30% no ano. Apesar do resultado, a abertura dos dados ainda mostrou um cenário de pressão de preços, em especial os de serviços, reforçando as apostas de que o Banco Central não cotará a taxa básica Selic no fim de janeiro.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta após dados de emprego abaixo do esperado nos EUA

O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, em linha com o ambiente favorável a ativos de risco observado no exterior, após dados de emprego dos Estados Unidos virem abaixo do esperado.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,27%, a 163.370,31 pontos. O volume financeiro no pregão da sexta-feira somou R$22,3 bilhões. Destaque da agenda da semana, o Departamento do Trabalho dos EUA informou na sexta-feira que foram gerados 50.000 postos de trabalho em dezembro no país, abaixo dos 60.000 projetados em pesquisa da Reuters com economistas. Ao mesmo tempo, contudo, a taxa de desemprego ficou em 4,4%, abaixo da projeção de 4,5%. Havia grande expectativa pelo dado divulgado mais cedo, com os investidores temendo que números muito altos de geração de emprego pudessem eliminar as perspectivas de cortes nos juros pelo Fed neste ano já precificadas pelo mercado. Contudo, segundo Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, o relatório de emprego manteve “a expectativa de dois a três cortes” para este ano, acrescentando que as atenções do mercado, agora, se voltam para a nomeação do novo presidente da autarquia norte-americana. Nesse contexto, em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 0,68%. Já na agenda doméstica, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em dezembro, após elevação de 0,18% em novembro, encerrando 2025 com alta acumulada de 4,26%. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas de 0,35% no mês e de 4,30% no ano. Embora tenha ficado acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%, a inflação está dentro do intervalo de tolerância, de até 4,50%. O arrefecimento da inflação mais forte que o projetado pelo mercado “valida a redução de juros”, como destacou Sidney Lima, analista da Ouro Preto investimentos, o que favorece ativos de risco. Os agentes também acompanharam a notícia da aprovação do acordo comercial Mercosul-UE, confirmada no início da tarde.

REUTERS

ApexBrasil: acordo Mercosul – União Europeia cria mercado de quase US$ 22 trilhões e ele pode gerar aumento de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras

Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, o resultado reflete um esforço político e institucional consistente, com protagonismo do governo brasileiro.

“O presidente Lula teve um papel essencial. A Apex também, junto com o Itamaraty. Nosso escritório em Bruxelas trabalhou continuamente para esse resultado”, afirmou. “A diplomacia brasileira muda de patamar”, acrescentou o chefe de Assuntos Estratégicos da ApexBrasil Europa, Aloysio Nunes, que calcula em US$7 bilhões o aumento das exportações brasileiras para a União Europeia. Segundo Viana, o acordo representa uma conquista em um cenário internacional marcado pelo enfraquecimento de mecanismos multilaterais e pela fragmentação do comércio global. “Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando. A própria Organização Mundial do Comércio perdeu importância, e nós estamos falando aqui do maior acordo econômico do mundo”, destacou.  “Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, ressaltou o presidente da ApexBrasil, ao analisar o potencial econômico do acordo. “É o segundo fluxo comercial que o Brasil tem com o mundo, só perde para a China, e o mais importante: é um comércio equilibrado, praticamente 50 a 50”, afirmou. “A ApexBrasil se preparou e saiu na frente, buscando expansão do comércio com a Europa neste ano, em resposta ao tarifaço. Houve um aumento de 4% das exortações brasileiras para região, e isso aumentará ainda mais”, acrescentou Aloysio Nunes. Jorge Viana também destacou a qualidade da pauta exportadora brasileira com o bloco. “Mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento. Temos um comércio de excelente qualidade com a União Europeia”, ressaltou. Na indústria, o acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil.  Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa, até zerar, das tarifas sobre diversas commodities (sujeitos a cotas). Destacam-se os principais produtos brasileiros exportados em 2025: carne de aves, carne bovina e etanol. Para o presidente da ApexBrasil, a combinação entre países do Mercosul, com economias tropicais e complementares, e uma das regiões com maior poder de consumo do mundo cria um cenário extremamente positivo. “O Mercosul se associa a uma das regiões com o maior potencial de consumo do mundo. O resultado será muito bom para todos, inclusive para o mundo”, afirmou.

APEX Brasil

Acordo Mercosul – eu estreita discussões ambientais e favorece agro mais sustentável

O acordo comercial Mercosul-União Europeia confirmado pela maioria dos países europeus nesta sexta-feira deve beneficiar exportações do agronegócio brasileiro com a eliminação ou redução de tarifas, mas também deverá estreitar as discussões ambientais e sanitárias entre os blocos, ainda que a tendência é que favoreça em um primeiro momento empresas e setores que já operam com elevados padrões de sustentabilidade, avaliaram especialistas.

“A agricultura brasileira se fortalece tendo o acordo União Europeia-Mercosul para discutir temas superimportantes na agenda de desenvolvimento sustentável, temas sanitários, evitar barreiras radicais não-tarifárias, ambientais simplesmente, e ter um acordo como um canal, como uma relação aprimorada”, disse o sócio-diretor da consultoria Agroicone, Rodrigo Lima, à Reuters. Ele avaliou que o Brasil já tem um nível sanitário “muito elevado” na produção de carnes, demonstrando ter controlado rapidamente um único caso isolado de gripe aviária em granja comercial no ano passado. Mas, ainda assim, ressaltou que o acordo permitirá que os blocos tenham um grupo para debater tais temas, incluindo aqueles relacionados ao meio ambiente. “As cotas do Mercosul (para exportação sem tarifa) … são interessantes, embora não sejam substanciais…, Mas ter um acordo vai muito além das cotas concedidas, e aí entra exatamente nas questões de sustentabilidade e sanitárias”, afirmou. A criação de um comitê para tratar dessas questões, prevista no acordo, será importante, especialmente para dirimir controvérsias ligadas a desmatamento, que é um assunto “caloroso” por conta da lei antidesmatamento da UE. Outros especialistas chamaram a atenção para aqueles setores que já estão mais bem preparados para atender as exigências europeias. “O ponto central: na prática, o acordo não beneficia ‘o agro brasileiro’ como um bloco único. Ele favorece quem já opera em padrão internacional e consegue atender às exigências de sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade…”, disse o consultor de Estratégia e M&A da StoneX, José Luiz Mendes. Ele ressaltou que a questão da sustentabilidade seguirá norteando os processos.

“É bom para o Brasil e amplia o acesso a um dos mercados mais relevantes do mundo. Mas ele também deixa claro que competitividade no agro, daqui para frente, não será apenas produzir mais ou mais barato, e sim produzir com eficiência, governança e estratégia”, acrescentou ele, em nota. De acordo com Mendes, da StoneX, estudos variados indicam que o acordo Mercosul-UE pode gerar, no longo prazo, um aumento próximo de 2% na produção do agronegócio brasileiro, com ganhos concentrados em cadeias como pecuária, aves, suínos, óleos e gorduras vegetais. “É um efeito relevante, mas que acontece de forma gradual, ao longo de vários anos, e depende muito da capacidade de execução das empresas”, declarou. Gustavo Menon, especialista em Relações Internacionais e Direito Internacional da American Global Tech University (AGTU), concorda. E lembrou que o acordo incorpora temas considerados estratégicos, como compromissos ambientais, compras públicas e regras preferenciais para setores específicos. Segundo ele, essa formatação refletirá em uma tendência de alinhar comércio internacional e sustentabilidade. “Esse enfoque impõe desafios adicionais aos países do Mercosul, que precisarão conciliar competitividade, sustentabilidade e adaptação regulatória.” O potencial para ampliar negócios, entretanto, é considerável, já que grande parte das exportações agrícolas do Mercosul para a União Europeia terão algum nível de liberalização, sendo uma parcela relevante com tarifa zero, conforme avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) citada pela StoneX. A consultoria também aponta entre os mais beneficiados os setores de café solúvel, suco de laranja, frutas frescas e pescados e crustáceos. “Esses produtos tendem a se beneficiar de forma mais direta, porque a retirada de tarifas vira ganho de margem, aumento de competitividade e maior previsibilidade de acesso ao mercado europeu, onde o Brasil já é fornecedor relevante”, disse Mendes. Ele também destacou as indústrias de carne bovina, aves, suínos e etanol entre aquelas que podem também ter benefício, mas observou que o acordo prevê cotas para tais produtos, e não a isenção de tarifas ilimitada.

REUTERS

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