Informativo Sindileite 48 08.01.2026

Ano 1 | nº 48 | 08 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS

GDT 395: primeiro leilão indica possível recuperação para o mercado lácteo

Com demanda firme, oferta mais restrita e reflexos nos contratos futuros, o resultado reforça um cenário mais positivo para o mercado internacional.

O 395º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 06 de janeiro, apresentou ajustes positivos para todos os produtos, fazendo com que o preço médio (price index) dos produtos negociados aumentasse 6,3%, chegando a USD 3.533/tonelada — revertendo a queda vista no último evento do ano. O leite em pó integral (LPI) apresentou alta neste leilão, após oito eventos de queda, com reajuste de 7,2%, levando o preço médio a USD 3.407 por tonelada. O leite em pó desnatado (LPD) também registrou aumento no preço, de 5,4%, com o preço médio ficando em USD 2.564 por tonelada. A maior alta deste leilão foi observada na gordura anidra do leite com 7,4% de reajuste; este produto apresentou a maior baixa no último evento e desta vez reverteu o preço médio para USD 6.011 por tonelada. A manteiga também apresentou leve reação e, após 6 meses com pressão de baixa, apresentou alta de 3,8%, atingindo o preço de USD 5.206 por tonelada. Já o cheddar continua com certa tendência de estabilização, e neste evento apresentou variação de apenas 0,6%, com o preço médio em USD 4.665 por tonelada; e a muçarela também apresentou certa estabilidade, com variação de 0,7%, com preço médio de USD 3.418 por tonelada. O volume negociado neste leilão totalizou cerca de 29,3 mil toneladas, representando expressiva queda de 13,8% frente ao evento anterior, movimento visto também para o primeiro leilão do ano nos últimos dois anos. Frente ao mesmo mês do ano passado, o volume negociado também diminuiu 2,9%. Neste início de ano, os contratos futuros surpreenderam, com alta expressiva comparada ao final de 2025. A tendência de estabilidade para os primeiros meses do ano foi revertida por um movimento altista constante até o final do primeiro semestre, com tendência de recuos apenas para o segundo semestre do ano. O evento apresentou demanda firme, com a participação de 177 compradores. Esse apetite comprador, no entanto, encontrou uma oferta mais restrita em relação aos últimos leilões, o que contribuiu para reverter o cenário recorrente de quedas observado nos últimos meses. Em conjunto com esse resultado do GDT, os preços futuros dos contratos de leite em pó registraram alta expressiva, sinalizando um cenário potencialmente mais positivo para o mercado lácteo internacional, após um período prolongado de recuos. Esse movimento reflete a expectativa de um crescimento mais contido da oferta em 2026, em comparação ao avanço expressivo observado em 2025, quando a produção global de leite surpreendeu, além de uma perspectiva de demanda mais aquecida, favorecendo maior equilíbrio de mercado. No mercado brasileiro, os preços dos derivados têm apresentado maior estabilidade, influenciados pelo período de final de ano, com expectativa de melhora pontual para alguns produtos. No Mercosul, os preços também seguiram estáveis em dezembro, com relatos de expectativa de maiores ajustes após a virada para 2026. Vale lembrar que o Mercosul tende a ser influenciado pelos preços praticados no GDT, ainda que com diferenciais regionais. Nesse contexto, espera-se que a tendência de alta no mercado internacional se reflita gradualmente nos preços do Mercosul, o que pode abrir espaço para possíveis reajustes nos derivados no mercado interno, diante de uma menor pressão competitiva em relação ao preço dos produtos importados. Associado a esse cenário, o dólar tem apresentado movimentações distintas. Como a taxa de câmbio exerce influência direta sobre os preços de importação de produtos lácteos, essas oscilações podem impactar o volume e a competitividade das importações no curto prazo.

MILKPOINT/PANORAMA DE MERCADO

NACIONAL

Toxina que levou a suspensão de fórmulas infantis da Nestlé é resistente ao calor e provoca vômitos

Nestlé diz ter identificado toxina e comunicado a Anvisa, que suspendeu lotes de fórmulas infantis. A Nestlé identificou a possível presença da toxina cereulide em lotes de fórmulas infantis e comunicou a Anvisa. A Anvisa determinou a suspensão preventiva de alguns lotes dos produtos, apesar de não haver casos confirmados de doença até o momento.

A cereulide é produzida por cepas da bactéria Bacillus cereus e resiste ao calor, a variações de pH e a processos de pasteurização. A toxina pode causar náuseas intensas, vômitos rápidos e, em casos raros, complicações graves, com risco maior para bebês. A Nestlé informou que está recolhendo voluntariamente os lotes afetados e oferecendo devolução gratuita e reembolso aos consumidores. A substância que levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvida)) a suspender a venda de alguns lotes de fórmulas infantis da Nestlé não é tão conhecida pelo público, mas tem sido amplamente estudada pela ciência. Trata-se da cereulide, uma toxina produzida por determinadas cepas da bactéria Bacillus cereus. A medida, publicada na quarta-feira (7), é preventiva e envolve produtos das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino. Segundo a Nestlé, a possível presença da toxina foi identificada em análises de rotina de controle de qualidade, associada a um ingrediente de fornecedor internacional. Até a última atualização desta reportagem, não havia registro de casos de doença relacionados aos lotes afetados. A Bacillus cereus é uma bactéria em forma de bastonete, capaz de formar esporos (estruturas minúsculas e altamente resistentes). Esses esporos sobrevivem a condições extremas, como calor, variações de pH e processos industriais comuns, incluindo pasteurização. Algumas cepas da bactéria produzem a cereulide, um pequeno peptídeo (cadeia curta de aminoácido) cíclico altamente tóxico. De acordo com revisões médicas publicadas no StatPearls/NCBI, essa toxina é termoestável, ou seja, não é destruída pelo aquecimento e resiste às enzimas digestivas. Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a infecção em humanos ocorre principalmente pela ingestão de alimentos contaminados, como arroz, massas, vegetais, leite e especiarias. A contaminação é favorecida pela capacidade dos esporos de sobreviver ao processamento térmico. Quando os alimentos não são resfriados adequadamente ou ficam armazenados em temperaturas acima do recomendado (entre 4 °C e 7 °C), os esporos podem germinar e a bactéria se multiplicar até níveis perigosos. A EFSA destaca que não existem métodos usuais na indústria capazes de inativar a cereulide depois que ela é formada. A Bacillus cereus é um agente reconhecido de intoxicação alimentar e pode causar dois quadros distintos: Síndrome diarreica: provocada por uma toxina termolábil, sensível ao calor, que causa diarreia e dor abdominal. Síndrome emética (vômitos): causada pela cereulide, termoestável, responsável por náuseas intensas e vômitos de início rápido. Além da intoxicação alimentar, a bactéria pode atuar como patógeno oportunista e causar infecções graves em pessoas imunocomprometidas, como septicemia (infecção generalizada grave), meningite (inflamação das meninges), abscessos pulmonares (cavidade no pulmão cheia de pus) e endocardite (inflamação ou infecção do endocárdio, camada interna do coração). De acordo com o StatPearls, os sintomas da síndrome emética surgem entre 30 minutos e 6 horas após o consumo do alimento contaminado e incluem náusea intensa, vômitos persistentes e, em alguns casos, diarreia. Em geral, os quadros se resolvem em até 24 horas, mas há registros raros de falência hepática grave associada à cereulide, inclusive em pessoas previamente saudáveis. Em bebês, o risco é maior porque o organismo ainda está em desenvolvimento, com menor capacidade de metabolizar toxinas. A Anvisa determinou a suspensão da venda porque, uma vez presente no produto, a cereulide não pode ser neutralizada no preparo doméstico, como fervura ou aquecimento. O órgão considerou o risco potencial grave, especialmente para lactentes, e adotou uma abordagem preventiva. A Nestlé informou que está recolhendo voluntariamente os lotes afetados e oferecendo devolução gratuita e reembolso integral, além de reforçar que não houve registro de reações adversas até o momento.

G1(O GLOBO)

GOVERNO

Funrural: produtores têm até o fim do mês para escolher forma de recolhimento

Escolha vale para todo o ano e precisa ser informada à empresa que compra a produção para evitar retenção automática na venda

Produtores rurais têm até o dia 31 deste mês para definir a forma de recolhimento do Funrural. A opção é válida para quem atua como pessoa física e vale para todo o ano-calendário de 2026. O Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) é uma contribuição obrigatória que financia a seguridade social dos trabalhadores do campo. A legislação permite que o produtor rural pessoa física empregador escolha a forma de recolhimento. No entanto, é necessário escolher entre uma das opções: pagar a contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento dos empregados ou manter a cobrança sobre a receita bruta da comercialização da produção. Conforme a legislação vigente, quando não há opção pelo recolhimento em folha, o Funrural é retido diretamente na venda, à alíquota total de 1,5% sobre a receita bruta. Já na opção pelo recolhimento em folha, a contribuição incide sobre os salários pagos aos empregados, com alíquota total que varia de 21,2% a 23,2%, conforme o grau de risco da atividade. Para que a opção pelo recolhimento em folha seja concretizada, o produtor deve apresentar declaração formal à empresa adquirente da produção, como frigoríficos, cooperativas, cerealistas, laticínios, tradings ou agroindústrias. Na prática, se houver comercialização antes dessa data, a declaração deve ser entregue na primeira venda do ano. Sem a formalização, a empresa adquirente é obrigada a aplicar a retenção padrão do Funrural sobre o valor da operação. A escolha antecipada ajuda a evitar surpresas no caixa. Algumas instituições, como a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) oferecem ferramentas de simulação da contribuição. O produtor interessado pode ainda obter orientação presencialmente nos sindicatos locais.

O ESTADO DE SÃO PAULO/AGRO

ECONOMIA

Dólar fecha estável no Brasil em dia de liquidez menor

O dólar fechou a quarta-feira próximo da estabilidade no Brasil, em mais um dia de pouca oscilação e liquidez reduzida, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou ganhos ante boa parte das divisas de países emergentes.

O dólar à vista fechou o dia em leve alta de 0,09%, aos R$5,3869, interrompendo uma sequência de quatro sessões de baixas. Às 17h10, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — subia 0,20% na B3, aos R$5,4205, mas a liquidez era menor que a média para o horário, com cerca de 157 mil contratos negociados. Com o Congresso brasileiro em recesso, Brasília deixou de fornecer gatilhos fortes para as operações no mercado brasileiro, pelo menos neste início de 2026. O resultado é que nos últimos dias a liquidez diminuiu, assim como as variações de preços. As atenções ficaram voltadas principalmente para o exterior, onde foram divulgados novos dados da economia norte-americana. Enquanto alguns dados sugeriram enfraquecimento do mercado de trabalho, outros indicaram força do setor de serviços no encerramento de 2025. Os sinais mistos alimentaram a expectativa pela divulgação do relatório de emprego payroll na sexta-feira, que pode influenciar mais diretamente as apostas para a decisão sobre juros do Federal Reserve no fim do mês. No Brasil, o destaque foi o noticiário em torno da liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Em entrevista exclusiva à Reuters, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, afirmou que eventual reversão da liquidação não caberia à corte de contas, mas sim ao Supremo Tribunal Federal (STF). Pela manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$33,316 bilhões no acumulado de 2025. A saída de recursos do país no ano passado foi superior à verificada em 2024, quando o fluxo foi negativo em US$18,564 bilhões.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com ajuste e exterior negativo

O Ibovespa e fechou em queda na quarta-feira, em movimento de ajuste após os ganhos observados na véspera, ao mesmo tempo em que dados de emprego dos Estados Unidos e os novos desdobramentos do ataque norte-americano à Venezuela geraram temores entre os investidores.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,01%, a 162.007,93 pontos, de acordo com dados preliminares. O volume financeiro no pregão desta terça-feira somava R$21,5 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Brasil tem fluxo cambial negativo de US$33,3 bi em 2025, diz BC

O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$33,316 bilhões no acumulado de 2025, em movimento puxado pela via financeira, informou na quarta-feira o Banco Central. A saída de recursos do país no ano passado foi bem superior à verificada em 2024, quando o fluxo foi negativo em US$18,564 bilhões.

Somente no mês passado, saíram do país líquidos US$13,562 bilhões, conforme os dados do BC. Tradicionalmente, dezembro é marcado por envios de recursos ao exterior por parte das empresas, para pagamento de dividendos. No mês passado, o fluxo financeiro foi negativo em US$20,982 bilhões, enquanto o comercial foi positivo em US$7,421 bilhões. Em 2025, especificamente, os envios em dezembro foram potencializados por quem buscou se antecipar ao fim, em janeiro de 2026, da isenção de imposto de renda sobre as remessas ao exterior, que passaram a ser taxadas em 10%, e ao início da cobrança de 10% sobre valores recebidos acima de R$50 mil por mês em dividendos. Ainda assim, a saída líquida de US$13,562 bilhões do país em dezembro último foi menor que saldo negativo de US$26,961 bilhões registrado em dezembro de 2024 — quando uma forte aversão ao risco atingiu o mercado brasileiro, na esteira das preocupações com o equilíbrio fiscal do Brasil e o início do governo Trump nos EUA. Os dados mais recentes são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$82,467 bilhões no acumulado de 2025. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, o saldo de 2026 foi positivo em US$49,151 bilhões. Somente na semana passada, que abrangeu o período de 29 de dezembro a 2 de janeiro, o fluxo cambial total foi negativo em US$4,127 bilhões. A semana teve apenas três dias úteis em função do Ano Novo.

REUTERS

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