Informativo Sindileite 47 07.01.2026

Ano 1 | nº 47 | 07 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS

Balança comercial de lácteos: balança fecha 2025 com queda de 6,1% nas importações frente a 2024

O saldo da balança comercial de lácteos voltou a melhorar em dezembro, puxado pela continuidade da queda nas importações e pelo avanço das exportações.

O saldo da balança comercial de lácteos fechou em -155,4 milhões de litros em equivalente-leite, o que representa uma redução de 10% (-172,3 milhões de litros em novembro). As exportações seguiram aumentando e neste mês registraram alta de 3%, enquanto as importações continuam recuando 9% em relação a novembro. Em dezembro, as exportações de lácteos totalizaram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite, um aumento de 3% frente ao mês anterior, porém 7% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024. No acumulado anual de 2025, as exportações fecharam com queda de 23,4% em relação ao ano de 2024. As importações continuaram a recuar em dezembro. Com queda de 9% na entrada de lácteos no Brasil, totalizando 160,5 milhões de litros em equivalente-leite. Na comparação com dezembro de 2024, a queda é de 17%. No acumulado anual de 2025, as importações registraram retração de 6,1% frente ao ano de 2024. Em dezembro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os diferentes produtos: O leite UHT registrou expressiva alta de 167,1 mil em litros no volume exportado, representando 16% do total das exportações de lácteos; O soro de leite apresentou crescimento de 30% nas exportações, após o recuo observado no mês anterior; O leite condensado também registrou desempenho positivo, com aumento de 16% no volume exportado. Em contrapartida, o creme de leite manteve trajetória de queda, com recuo de 17% nas exportações no mês. A manteiga também seguiu em movimento negativo, registrando redução de 7% no volume exportado. No campo das importações, observam-se os seguintes movimentos: O leite em pó integral (LPI), principal item importado, apresentou uma queda mais moderada, de 5% em relação ao mês anterior, após o forte recuo de 30% registrado no último mês. Já o leite em pó desnatado (LPD), segundo principal produto importado, que havia apresentado alta no mês anterior, acompanhou a tendência de retração do LPI e registrou queda de 22% no volume importado frente a novembro.

A ampla oferta global de lácteos e o dólar mais baixo ao longo de 2025 sustentaram elevados volumes de importação, cenário que, somado ao forte crescimento da produção nacional, pressionou os preços da indústria e os valores pagos ao produtor, especialmente no segundo semestre. Para 2026, embora a produção de leite deva seguir em patamares elevados, a queda na rentabilidade observada no final de 2025 tende a desacelerar o ritmo de crescimento da oferta. Ao mesmo tempo, a expectativa de preços mais firmes no mercado internacional pode reduzir a atratividade das importações. Assim, após um ano marcado por desequilíbrios entre oferta e demanda, o mercado lácteo inicia 2026 em um contexto de preços mais baixos, consumo estável e expectativa de maior equilíbrio. Nesse cenário, a tendência é de redução gradual das importações, o que pode contribuir para uma menor pressão sobre os preços no mercado doméstico ao longo de 2026.

COMEXSTAT/MilkPoint

NACIONAL

MT: melhoramento genético transforma a cadeia leiteira da agricultura familiar

Investimentos em genética, embriões e assistência técnica estão elevando a produtividade, a renda e a competitividade da agricultura familiar leiteira em Mato Grosso.

Por meio de projetos coordenados pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), com acompanhamento técnico da Empaer-MT, produtores têm acesso à genética de alto valor, tecnologia e assistência contínua, o que se traduz em ganhos de produtividade, eficiência e renda no campo. Entre 2020 e 2025, foram distribuídas 36.297 doses de sêmen, entre convencional e sexado, de cinco raças leiteiras — Holandês, Jersey, Girolando ¾, Girolando 5/8 e Gir Leiteiro — beneficiando produtores de 60 municípios e cinco cooperativas. Apenas em 2025, a Seaf adquiriu 8.275 doses, das quais 5.585 eram sexadas, ampliando significativamente o potencial de formação de rebanhos voltados à produção de leite. No período, o investimento total em prenhes, embriões e sêmen somou R$ 10,5 milhões. Outro eixo estratégico é o Projeto de Melhoramento Genético por Transferência de Embriões, iniciado em 2020 e mantido até hoje. No período, foram realizadas 4.378 prenhes sexadas de fêmeas em 34 municípios, beneficiando 925 produtores, todos acompanhados tecnicamente pela Empaer. O projeto é executado por meio de termos de cooperação com prefeituras e acordos com cooperativas e associações, que oferecem como contrapartida 20% a mais de prenhes, garantindo maior alcance e eficiência. A iniciativa alcançou 100% de satisfação entre os produtores participantes e foi reconhecida com um Prêmio de Inovação e Eficiência.  O Projeto de Fornecimento de Novilhas Prenhes, executado entre 2022 e 2024, também contribuiu para esse avanço. Foram entregues 324 novilhas Girolando meio-sangue a 177 produtores de seis municípios — Novo Horizonte do Norte, Colniza, Bom Jesus do Araguaia, Comodoro, Terra Nova do Norte e Alta Floresta. Cada produtor recebeu duas novilhas: uma adquirida com recursos da Seaf e outra como contrapartida das entidades parceiras. Além disso, os beneficiários receberam assistência técnica obrigatória por um ano, com a apresentação de relatórios mensais à equipe técnica da secretaria. Um dos casos de sucesso é o do produtor Marcus Aurélio, do Sítio Recanto, localizado na Gleba Veado, em Pontes e Lacerda. O investimento em melhoramento genético tem transformado a realidade da produção de leite no município. Em propriedades onde a média era de três a quatro litros de leite por vaca/dia, já se registram picos de até 16 litros. “Eu tenho uma vaca que produzia três litros e hoje produz, em média, 16 litros. Nossa meta é obter bons resultados sem sair do campo, manter minha família e viver aqui”, relata o produtor. No município de Vera, o projeto teve início em junho de 2022, com o atendimento a três produtores. Até então, a produção de leite do casal Sidnei e Luzia dependia de 20 vacas, com uma média diária entre 15 e 20 litros. “Cada vaca produzia leite apenas de quatro a cinco meses por ano”, recorda Luzia. Com a adoção da tecnologia, a produtividade passou a alcançar 178 litros/dia na primeira cria, com expectativa de incremento na segunda gestação. “Com a transferência de embriões, os animais produzem leite por até nove meses. Na segunda cria, uma vaca que produzia 31 litros por dia pode chegar a 35 litros ou mais”, explica a produtora. A aplicação da biotecnologia de transferência de embriões sexados de fêmeas da raça Girolando meio-sangue nas 20 vacas da propriedade transformou a fazenda Santa Helena em um caso de sucesso.

Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT),

GOVERNO

Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal para produtores rurais

Extinção do talão do produtor marca nova etapa de modernização fiscal no setor agropecuário. O aplicativo Nota Fiscal Fácil é a principal alternativa gratuita para emissão de documentos fiscais no campo.

Seguindo a norma estabelecida pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), a emissão de nota fiscal eletrônica passou a ser obrigatória para todos os produtores rurais em operações internas no Rio Grande do Sul a partir desta segunda-feira (5/1). Com a mudança, o documento eletrônico passa a ser utilizado por mais de 800 mil produtores que atuam no território gaúcho. Para operações interestaduais, a obrigatoriedade já estava em vigor.

Com isso, o modelo 4 da Nota Fiscal em papel, conhecido como “talão do produtor”, deixa de ser permitido a partir desta data. Caso as notas fiscais eletrônicas não sejam emitidas, as transações ficam sem documentação fiscal, caracterizando descumprimento da legislação tributária. A modernização da documentação fiscal no setor agropecuário torna o processo de emissão de notas mais ágil e seguro, reduz a burocracia, minimiza falhas no preenchimento de dados e elimina o risco de perda de documentos. A medida também antecipa a realidade prevista com a Reforma Tributária, que deverá extinguir definitivamente o uso de notas fiscais em papel. A emissão de documentos fiscais eletrônicos pode ser realizada por diferentes meios, ficando a critério do produtor a escolha do emissor. Existem soluções oferecidas por associações, cooperativas e a possibilidade de desenvolvimento de sistemas próprios. A Secretaria da Fazenda (Sefaz) disponibiliza duas alternativas gratuitas. A principal delas é o aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), indicado especialmente para produtores rurais. O aplicativo pode ser baixado gratuitamente no celular, possui navegação intuitiva e utiliza o login gov.br.

Para realizar a emissão, o produtor precisa apenas informar dados básicos, como o produto comercializado, as informações do cliente e a forma de transporte. Após o preenchimento, a operação é autorizada e a nota fiscal é emitida, podendo ser compartilhada. Toda a complexidade tributária é processada automaticamente pela Receita Estadual. Uma das funcionalidades do NFF foi desenvolvida especialmente para a realidade do campo. Como muitos produtores atuam em áreas sem acesso constante à internet, o aplicativo pode ser utilizado em modo off-line. Nessa condição, é possível emitir a nota fiscal e, posteriormente, quando houver conexão com a internet, realizar a autorização. O uso off-line permite até 30 notas fiscais eletrônicas, com limite de R$ 300 mil ou 168 horas. Após esse período, é necessário restabelecer a conexão para continuar utilizando a ferramenta. Conforme mais usuários passam a utilizar a plataforma, melhorias vêm sendo incorporadas. No próprio aplicativo, os produtores podem relatar problemas, sugerir funcionalidades ou solicitar a inclusão de novos produtos para transação. O sistema também conta com um ambiente de testes.

O ESTADO DE SÃO PAULO

INTERNACIONAL

Nestlé faz recall de leite infantil na Europa por suspeita de toxina

O gigante suíço de alimentos Nestlé anunciou um recall voluntário de lotes de leites infantis devido à possível presença de uma toxina bacteriana “capaz de provocar distúrbios digestivos”.

A medida preventiva foi adotada em diversos países da Europa, incluindo Alemanha, Áustria, Dinamarca, Itália, Suécia e França. Até o momento, nenhum caso de doença foi registrado. Países de outros continentes, como o Brasil, não foram mencionados. No site oficial, a Nestlé informou ter detectado um problema de qualidade em um ingrediente fabricado por um de seus principais fornecedores. Na França, está sendo realizado “um recall preventivo e voluntário” de determinados lotes de leites infantis Guigoz e Nidal, ampliando um recall iniciado no início de dezembro no país, referente a um lote da marca Guigoz. Novas investigações dos produtos comercializados na França “revelaram a presença potencial de cereulida, uma substância de origem bacteriana produzida pelo micro-organismo Bacillus cereus, capaz de provocar distúrbios digestivos (diarreia e vômitos)”, detalha o comunicado. O grupo explicou que “realizou uma análise de todos os óleos de ácido araquidônico (um ácido graxo essencial) e misturas de óleos correspondentes utilizados na fabricação dos produtos de alimentação infantil potencialmente afetados”. Questionada pela AFP, a Nestlé afirmou “estar em contato com as autoridades dos países envolvidos para garantir que as providências necessárias sejam tomadas”. Trata-se de uma medida de precaução, “não havendo até o momento nenhum caso confirmado de doença relacionada aos produtos”, enfatizou a empresa. Nos sites locais de cada país afetado, a Nestlé publicou fotos com os números dos lotes dos produtos, que são comercializados sob diferentes nomes dependendo do país. Na Alemanha, por exemplo, eles são vendidos sob as marcas Beba e Alfamino. A Nestlé fornece instruções para devolução dos produtos e reembolso, além de um número de telefone para esclarecer dúvidas dos consumidores. Em dezembro, a Nestlé já havia realizado um recall de leite infantil, inclusive na França, após detectar o micro-organismo Bacillus cereus em uma linha de produção, o que gerou críticas da ONG Foodwatch, que acusou a empresa de ter comunicado a determinação de forma “muito vaga”. Na segunda-feira, o grupo explicou que o novo recall se deve à cereulida, uma toxina produzida por algumas cepas desse micro-organismo. A Nestlé afirmou estar trabalhando com seu fornecedor, que está realizando uma análise aprofundada da possível contaminação. O comunicado não cita nenhum outro país fora da Europa afetado pelo problema. No site da Nestlé no Brasil não há nenhuma referência a um eventual recall voluntário de leites para bebês.

UOL/AGÊNCIA FRANCE PRESSE

O “vale da inteligência” que conecta leite, indústria e ciência na China

Na China, um megaprojeto alimenta inovação, pesquisa e produção em escala global no setor de laticínios. Com mais de 40 fábricas interligadas, o Yili Modern Smart Health Valley representa um novo modelo de agroindustrialização.

O Yili Modern Smart Health Valley é um dos maiores e mais avançados complexos agroindustriais do mundo, reunindo em um único território atividades de produção primária, processamento industrial, pesquisa tecnológica, logística e inovação em alimentos. Localizado em Hohhot, na região da Mongólia Interior, no norte da China, o empreendimento foi concebido pela Yili Group como um polo integrado de agro, indústria e ciência.  Com uma área central de cerca de 38 quilômetros quadrados e uma região de desenvolvimento coordenado ainda maior, estimada em 120 km², o vale integra dezenas de instalações industriais, centros de pesquisa, unidades logísticas e infraestrutura de suporte, posicionando-se entre os maiores projetos agroindustriais integrados globalmente. No coração do Modern Smart Health Valley estão mais de 40 fábricas e instalações integradas em um sistema produtivo contínuo, desde a entrada de matérias-primas até a saída de produtos prontos para o mercado nacional e para exportação. Dentro do complexo são processados leite e derivados, fórmulas nutricionais e alimentos funcionais, além de produtos de alto valor agregado voltados à saúde e nutrição especializada. Essa diversidade permite que o vale não dependa de um único tipo de produto, aumentando sua resiliência diante de flutuações de mercado.  O projeto foi planejado para atender demandas em grande escala, abastecendo tanto grandes centros urbanos chineses quanto mercados internacionais. Para isso, conta com logística interna própria, incluindo centros de distribuição, terminais de carga ferroviária, sistemas automatizados de armazenamento e infraestrutura de transporte integrada às operações industriais. Além disso, a fábrica principal já utiliza tecnologias como 5G, Internet das Coisas (IoT), big data e inteligência artificial, permitindo produção automatizada e eficiente em larga escala. Em uma das linhas de fabricação de leite, a capacidade de enchimento alcança cerca de 40.000 embalagens por hora, o suficiente para suprir o consumo diário de milhões de pessoas em grandes cidades, segundo dados da própria Yili Group. Uma das características estratégicas do empreendimento é a presença de centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) integrados fisicamente às fábricas. Laboratórios de nutrição, biotecnologia alimentar e controle de qualidade permitem ciclos rápidos de inovação, padronização e resposta a exigências sanitárias e regulatórias, reduzindo o tempo entre pesquisa, testes e produção. Segundo a China Daily, o Yili Valley também está no centro de projetos inovadores em tecnologia alimentar para 2025, incluindo projetos de 150.000 toneladas de queijo e 63.000 toneladas de leite em pó, além de esforços intensificados para reduzir consumo de energia e água e impulsionar a transformação verde e de baixo carbono ao longo de toda a cadeia industrial. Além disso, o grupo desenvolveu tecnologias próprias, como extração independente de lactoferrina com alta retenção de atividade, e chips genômicos para seleção de bovinos de alta produção, vida longa e resistência a doenças, colocando-se na vanguarda da pesquisa genética aplicada ao setor lácteo. O Yili Modern Smart Health Valley funciona na prática como um complexo com infraestrutura integrada, incluindo sistemas de energia, abastecimento de água industrial, tratamento de efluentes e gestão ambiental que garantem alto grau de autonomia das operações e apoio logístico para milhares de trabalhadores e equipes técnicas. O projeto reflete uma estratégia ampla da China de controlar toda a cadeia de valor dos alimentos, desde a produção agrícola até a industrialização avançada e distribuição. Ao concentrar produção, ciência, logística e inovação em um único território, o país busca reduzir dependências externas, aumentar a eficiência sistêmica e consolidar uma base tecnológica competitiva no setor alimentar global. 

CHINA DAILY/MILKPOINT

ECONOMIA

Dólar tem quarta baixa consecutiva no Brasil com receio menor sobre Venezuela

O dólar emplacou na terça-feira a quarta sessão consecutiva de queda ante o real, encerrando abaixo dos R$5,40, em um dia no geral positivo para os ativos brasileiros e de menor preocupação com a situação da Venezuela.

A moeda norte-americana à vista fechou o dia em baixa de 0,43%, aos R$5,3819, acumulando um recuo de 3,50% nas últimas quatro sessões. Às 17h03, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,60% na B3, aos R$5,4155. Na segunda-feira, o dólar chegou a ser impulsionado ante o real pelo ataque dos Estados Unidos à Venezuela, em meio a preocupações quanto aos desdobramentos econômicos da operação que prendeu o líder venezuelano Nicolás Maduro. Mas na mesma sessão a divisa já virou para o negativo ante o real, com os temores sobre o ataque diminuindo. Na terça-feira, após chegar a exibir leves altas no início do dia, o dólar se firmou em baixa no fim da manhã, replicando o movimento da véspera. “Depois do ataque dos EUA (à Venezuela), eu imaginava uma aversão a risco entre as moedas da América do Sul, com investidores saindo de divisas como o real”, pontuou durante a tarde Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, acrescentando que aparentemente o mercado absorveu a ação norte-americana. No exterior, o dólar sustentava durante a tarde ganhos ante as divisas fortes, mas tinha sinais mistos em relação a moedas de emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano. Às 17h07 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,18%, a 98,565. Para o restante da semana, a expectativa gira em torno da divulgação de dados de inflação no Brasil, na sexta-feira, e de números do mercado de trabalho norte-americano, na quarta e na quinta-feira. Durante a tarde da terça-feira, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que o Brasil encerrou 2025 com saldo positivo de US$68,293 bilhões na balança comercial, terceiro melhor resultado anual já registrado, com recorde de exportações e crescimento mais forte de importações. A projeção do MDIC para a balança comercial em 2026 é de superávit de US$70 bilhões a US$90 bilhões.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com maior apetite ao risco; Vale e bancos avançam

O Ibovespa fechou em alta firme na terça-feira, impulsionado pelo ambiente global mais favorável a ativos de risco, tendo também como suporte ganhos de ações de peso do índice, como Vale e papéis do setor financeiro, que tiveram mais uma sessão positiva.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,11%, a 163.665,56 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 161.869,76 na mínima e 164.135,03 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão da terça-feira somava R$22 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Brasil tem superávit comercial de US$68,3 bi em 2025 e governo vê saldo de até US$90 bi em 2026

O Brasil encerrou 2025 com saldo positivo de US$68,293 bilhões na balança comercial, terceiro melhor resultado anual já registrado, com recorde de exportações e crescimento mais forte das importações, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados na terça-feira.

Também na terça, o MDIC apresentou sua projeção para o saldo comercial em 2026, prevendo um resultado positivo de US$70 bilhões a US$90 bilhões. Pela estimativa do MDIC, este ano deve ser encerrado com exportações entre US$340 bilhões e US$380 bilhões, enquanto as importações ficariam entre US$270 bilhões e US$290 bilhões. O superávit de US$68,3 bilhões da balança comercial brasileira em 2025 ficou acima das previsões do governo. O MDIC previa um saldo positivo de US$60,9 bilhões para o ano, em estimativa informada em outubro. O resultado comercial do ano passado reflete um valor de US$348,7 bilhões em exportações — patamar mais alto da série histórica — e de US$280,4 bilhões em importações, nível também recorde. As exportações em 2025 ficaram 3,5% acima do resultado do ano anterior, consequência de aumento do volume vendido, mais do que compensando um recuo nos preços médios dos produtos. Já as importações subiram com mais força, alta de 6,7% em relação ao verificado em 2024. Em meio ao tarifaço implementado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, houve recuo nos embarques para o país norte-americano, uma queda de 6,6% no ano, segundo o MDIC. A participação do país norte-americano no total das exportações brasileiras caiu de 12,0% em 2024 para 10,8% em 2025. Por outro lado, as vendas para China cresceram 6% no período, levando o país asiático a responder por uma fatia de 28,7% das exportações brasileiras no ano passado, ante 28,0% em 2024. A China é o maior comprador de produtos do país. Os Estados Unidos impuseram em agosto do ano passado uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros, provocando alarme em setores produtivos e levando o governo a anunciar medidas emergenciais de crédito e alívio tributário.

Enquanto produtores buscavam mercados alternativos para direcionamento dos produtos, negociações levaram os Estados Unidos a ampliarem exceções à tarifa ao longo do ano, aumentando a lista de itens poupados da cobrança. Em novembro o governo estimou que 22% das exportações para os EUA seguiam sujeitas à taxa de 50%. No recorte por setores, as vendas do Brasil ao exterior cresceram com mais força na agropecuária (+7,1%), seguida da indústria de transformação (+3,8%). Por outro lado, as exportações da indústria extrativa caíram 0,7%. O saldo anual foi incrementado pelo resultado de dezembro, um superávit de US$9,633 bilhões, com US$31,037 bilhões em exportações e US$21,405 bilhões em importações.

REUTERS

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