Informativo Sindileite 44 19.12.2025

Ano 1 | nº 44 | 19 de dezembro de 2025

NOTÍCIAS

Conseleite/PR divulga projeção do valor do leite a ser pago em janeiro/26

A diretoria do Conseleite-Paraná divulga a projeção dos valores de referência para o leite entregue em dezembro de 2025 a ser pago em janeiro de 2026.

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 17 de dezembro de 2025 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Novembro de 2025 e a projeção dos valores de referência para o mês de Dezembro de 2025, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes. 

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão” se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia. Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de dezembro de 2025 é de R$ 4,1250/litro. 

Conseleite/PR

Cidade do Paraná vai ganhar nova fábrica de derivados de leite de R$ 800 milhões; obra fica pronta em 2026

O empreendimento, da Sooro Renner Nutrição em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, que começou a ser construído em março de 2025, ficará pronto em 2026, representa um investimento privado de R$ 800 milhões e deve gerar 250 empregos diretos e cerca de 1.600 indiretos.

A nova unidade da Sooro Renner, conhecida como Projeto P3, ocupa uma área total de 203 mil metros quadrados, com 34 mil metros quadrados de área edificada. A estrutura inclui ainda 42 mil metros quadrados destinados à Estação de Tratamento de Efluentes e 39 mil metros quadrados de pavimentação interna. Quando estiver em operação, a planta terá capacidade para processar até 5 milhões de litros de soro de leite por dia, com funcionamento 24 horas por dia. Depois de pronta, a planta da Sooro Renner em Francisco Beltrão será voltada à produção de ingredientes de maior valor agregado, como lactose e insumos para fórmulas infantis, além de whey protein, com parte relevante da produção destinada ao mercado externo. O projeto envolve uma ampla cadeia produtiva, com dezenas de laticínios parceiros e centenas de produtores de leite da região Sul. O projeto prevê ainda uma estrutura energética dedicada para atender à alta demanda da planta, incluindo a construção de uma subestação própria e o uso de biomassa como fonte térmica, com cavaco de eucalipto, amplamente produzido na região. A unidade também será totalmente automatizada, o que exige mão de obra qualificada e investimentos contínuos em capacitação. A planta também já foi concebida com áreas reservadas para futuras ampliações, permitindo o aumento da capacidade produtiva nos próximos anos.  De acordo com o diretor Financeiro da Sooro Renner, Luiz Gustavo Uadi, a nova planta de Francisco Beltrão amplia a atuação da empresa no segmento de especialidades. “Esta será uma unidade com produção anual superior a 60 mil toneladas, o que amplia nossa capacidade e posiciona Francisco Beltrão como uma referência no segmento, inclusive para exportação”, afirmou. Segundo Uadi, a escolha do Paraná e do município foi estratégica, principalmente pela presença de uma das principais bacias leiteiras do País. “A região Sudoeste está inserida em uma bacia leiteira estruturada, com forte concentração de produtores e laticínios. Além disso, o apoio do Governo do Estado, por meio de incentivos como o Paraná Competitivo e investimentos em infraestrutura, foi decisivo para a escolha entre os estados avaliados”, concluiu. A Sooro Renner Nutrição S.A. atua na produção de proteínas e ingredientes derivados do soro de leite e atende a padrões internacionais de qualidade. A empresa tem controle acionário dos grupos Siente e Renner Herrmann, com matriz em Marechal Cândido Rondon, além de uma planta industrial em Estação, no Rio Grande do Sul.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

NACIONAL

Retrospectiva 2025: Como a demanda de leite se comportou em 2025?

Com a oferta de leite crescendo em ritmo acelerado ao longo de 2025, a demanda passou a ser o principal ponto de atenção do mercado lácteo. Apesar de o consumo no varejo ter avançado, o crescimento ocorreu de forma mais lenta do que no ano anterior.

Esse descompasso entre oferta e demanda levou à formação de estoques mais elevados nas indústrias e exerceu pressão sobre os preços dos derivados. Esse movimento rapidamente se refletiu no campo, com quedas no preço pago ao produtor ao longo do segundo semestre, especialmente neste último trimestre. Em uma análise inicial, considerando apenas esse indicador, seria possível concluir que a demanda se manteve estável ao longo do período. Ao aprofundar a análise em indicadores mais específicos do consumo de lácteos, é possível identificar com mais precisão o comportamento da demanda. Observa-se que o consumo da cesta de lácteos vinha em ritmo de crescimento no final de 2024 e manteve essa trajetória ao longo de 2025 no varejo alimentar. No entanto, embora o consumo tenha continuado a crescer em 2025, esse avanço ocorreu em ritmo mais lento do que o observado em 2024. Ao relacionar essa informação com a análise anterior desta série, focada na oferta, fica mais claro o motivo do desequilíbrio entre oferta e demanda ao longo do ano. O consumo de lácteos existiu e, de fato, avançou em 2025, mas esse crescimento foi mais modesto quando comparado a 2024. Em contrapartida, a produção de leite apresentou um aumento significativamente mais intenso do que no ano anterior. O resultado foi um cenário em que a oferta cresceu de forma acelerada, enquanto a demanda avançou, porém em um ritmo muito mais lento, aprofundando o desequilíbrio ao longo do período. Analisar demanda é sempre um desafio, pois não existe uma única resposta ou um fator isolado que explique esse movimento. Ainda assim, alguns pontos ajudam a construir esse diagnóstico. Do ponto de vista macroeconômico, 2025 apresentou um cenário relativamente estável em relação a 2024. A renda mostrou sinais de manutenção e até de leve crescimento, enquanto o mercado de trabalho trouxe indicadores positivos para o consumo, com a taxa de desemprego atingindo, ao longo do ano, o menor patamar da série histórica. Em tese, esses fatores tendem a estimular o consumo. No entanto, uma perspectiva importante a ser considerada é o comportamento dos preços ao consumidor final e a inflação dos lácteos. O ano de 2024 terminou com forte aceleração dos preços da categoria no varejo, que avançaram de forma significativa e, posteriormente, se mantiveram em níveis elevados ao longo de 2025. Quando se observa o ano como um todo, fica claro que os preços ao consumidor permaneceram em patamares altos, o que pode ter limitado o apetite por um crescimento mais intenso do consumo de lácteos, mesmo em um ambiente macroeconômico relativamente estável. Em 2025, os preços iniciaram o ano em um patamar significativamente mais elevado do que no começo de 2024, com uma diferença em torno de +14,6%. Esses níveis mais altos se mantiveram até junho, recuando apenas no segundo semestre. Esse comportamento dos preços no varejo ajuda a explicar um crescimento mais moderado do consumo de lácteos ao longo de 2025 em comparação a 2024, já que valores mais elevados por um período prolongado tendem a limitar a expansão da demanda, mesmo em um contexto de estabilidade econômica. O que se observa é um cenário em que a indústria promoveu quedas relevantes nos preços, em uma tentativa de corrigir o desequilíbrio entre oferta e demanda. O varejo também apresentou recuos ao longo do período, porém de forma consideravelmente menos intensa do que os observados no nível industrial. Esse descompasso no ritmo de repasse ajuda a explicar por que, apesar da queda dos preços do atacado (indústria), os valores ao consumidor final permaneceram elevados por mais tempo, podendo ter corroborado para um crescimento mais moderado da demanda. Em 2025, o mercado lácteo foi marcado por um desequilíbrio entre oferta e demanda. Enquanto a produção de leite cresceu de forma expressiva, impulsionando a ampliação da produção industrial, o consumo avançou em ritmo mais moderado. Apesar de um ambiente macroeconômico relativamente estável, com indicadores positivos de renda e emprego, os preços ao consumidor final permaneceram elevados durante boa parte do ano, o que pode ter ajudado a limitar uma expansão mais intensa da demanda. Esse cenário resultou em aumento de estoques, pressão sobre os preços dos derivados e quedas relevantes no preço ao produtor, especialmente no segundo semestre.

MILKPOINT

INTERNACIONAL

Aumento do volume de leite na Europa pressiona mercados globais

O avanço da produção de leite nos Estados Unidos e na Europa tem ampliado a oferta global e pressionado os preços internacionais. Entenda como o movimento aumenta a competitividade entre exportadores e ajuda a explicar os desafios e reflexos desse cenário para o mercado brasileiro.

O mercado global de lácteos atravessa um período de forte pressão, marcado por uma alta oferta de leite nos principais países produtores, inclusive nos Estados Unidos e na Europa. 

Dados recentes mostram que a produção alcançou níveis excepcionalmente altos em 2025, derrubando preços e intensificando a competição internacional por mercados. Nos EUA, a produção de leite cresceu de forma constante ao longo do segundo semestre de 2025, registrando avanços expressivos em relação ao mesmo mês no ano anterior: +4,1% em julho,

+3,4% em agosto, +3,8% em setembro, +3,7% em outubro. Esse foi o maior crescimento médio trimestral desde 2012, evidenciando não apenas maior produtividade, mas também uma expansão da oferta em praticamente todos os principais estados produtores.  Com esse volume adicional, o país mantém alguns dos produtos lácteos mais competitivos do mundo, fator determinante para sustentar as exportações diante do cenário global desafiador. Na outra ponta do Atlântico, a União Europeia teve um início de ano moderado, mas a curva mudou completamente a partir do outono europeu (a partir de setembro). De janeiro a agosto, a produção andou próxima aos números de 2024, porém setembro mostrou alta de 4,2% e outubro atingiu impressionantes 5,3%. Quando se inclui o Reino Unido, o avanço chega a 5,5% na comparação anual. A expansão se reúne nas principais bacias leiteiras (Para outubro/2025):

Alemanha: +6,8%, França: +5,3%, Reino Unido: +6,8%, Holanda: +7,8%, Polônia: +4,4%. Enquanto os produtores entregam mais leite, a indústria europeia trabalha trabalhando intensamente para absorver o excedente. De janeiro a setembro, a produção de manteiga cresceu 4,7% e a de queijos aumentou 1,6%. Já o leite em pó desnatado (SMP), estável na maior parte do ano, ganhou força com o aumento súbito da produção de leite, elevando a atividade das empresas que secam leite nos últimos meses. A consequência direta desse excedente global foi um choque negativo nos preços internacionais. Na Europa, a retração é significativa: Manteiga: –44% em 12 meses, Queijos: –30% desde dezembro de 2024, SMP: –22% no mesmo período.  A forte competição, especialmente entre exportadores europeus e norte-americanos, intensifica a pressão para que os preços permaneçam baixos — e possivelmente caiam ainda mais — à medida que comerciantes europeus buscam reconquistar mercados perdidos em 2024 e 2025. No mercado norte-americano, o quadro também revela impactos da oferta abundante. Em novembro de 2025, os preços de referência fecharam em:

Classe III: US$17,18/cwt, Classe IV: US$ 13,89/cwt. Ambos estão em patamares que refletem a dificuldade em sustentar margens diante da pressão internacional. Com produtos mais baratos, os Estados Unidos seguem bem-posicionados para abastecer mercados importadores. Porém, a estratégia americana depende da capacidade de manter preços baixos, já que a Europa demonstra clara intenção de recuperar espaço, especialmente em categorias como manteiga, SMP e queijos. Essa disputa acirrada cria um ambiente altamente competitivo para exportadores globais, com impactos diretos sobre destinos como América Latina, África do Norte, Sudeste Asiático e Oriente Médio — regiões sensíveis a variações de preço e que costumam ajustar fornecedores conforme o momento. Embora o relatório não trate diretamente do Brasil, seus efeitos são inevitáveis. Entre os desdobramentos esperados estão:

Risco de maior pressão competitiva externa, já que o avanço dos EUA e da Europa em outros mercados pode levar Argentina e Uruguai — também com oferta elevada e sem barreiras tarifárias — a voltar a mirar o Brasil. Isso ocorre mesmo com a nossa oferta interna já bastante alta, que até aqui vinha reduzindo o interesse desses países pelo mercado brasileiro. Pressão sobre os preços internos, especialmente de lácteos industrializados e derivados de leite em pó.

Desafios para produtores brasileiros, cuja rentabilidade já é afetada por custos elevados. O ano de 2025 se encaminha para ser marcado por uma das maiores expansões simultâneas de oferta láctea, seja no Brasil, na América do Sul, nos EUA e na Europa dos últimos anos. Com um verdadeiro “tsunami” de leite inundando o mercado, os preços internacionais desabam e a disputa pelo consumidor global se intensifica. Para países como o Brasil, entender esse movimento é fundamental para tomar decisões estratégicas, seja na gestão da produção, na política de importações ou na competitividade da indústria local.

PANORAMA DE MERCADO/MILKPOINT

ECONOMIA

Dólar fecha estável com comentários de Galípolo e cenário político no foco

Após subir a R$5,56 pela manhã, o dólar perdeu força no Brasil e encerrou a sessão praticamente estável ante o real, em sintonia com a melhora mais ampla dos ativos brasileiros após o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçar em entrevista à imprensa que a decisão sobre a Selic em janeiro ainda não está tomada.

A esperança de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ainda seja o principal nome da direita na eleição presidencial também tirou força da moeda norte-americana, em meio ao noticiário político do dia. O dólar à vista fechou o dia com variação positiva de 0,04%, aos R$5,5244. No ano, a moeda acumula baixa de 10,59%. Às 17h29, o contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,01% na B3, aos R$5,5340. Entre o fim da manhã e o início da tarde a moeda perdeu força, chegando a ceder ante o real, em meio a uma melhora dos ativos locais. Um dos fatores para isso foi a sinalização de Galípolo de que o BC ainda não definiu se cortará ou não em janeiro a taxa básica Selic, hoje em 15% ao ano. Mais cedo, o Relatório de Política Monetária mostrou que o BC projeta uma inflação em 12 meses de 3,2% no terceiro trimestre de 2027 — ainda um pouco acima do centro da meta contínua perseguida pela instituição, de 3%. O terceiro trimestre de 2027 passou a ser considerado pelo mercado como um período-chave, já que se torna a referência para o horizonte relevante da política monetária na reunião de janeiro do BC. Durante coletiva de imprensa sobre o relatório, porém, tanto Galípolo quanto o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, pontuaram que as projeções são embutidas de incerteza e que há limitações para elas em um horizonte de 18 meses. Sobre isso, Guillen reforçou a ideia, já contida no comunicado da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), de que o BC mira “o redor da meta” de inflação. Galípolo também disse que a autarquia segue dependente de dados e que “não há portas fechadas” nem “setas dadas” para as decisões de política monetária. Os comentários de Galípolo e Guillen mantiveram a expectativa de que o BC possa cortar a Selic em 25 pontos-base em janeiro, o que pesou sobre a curva de juros e deu força ao Ibovespa.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com endosso de Wall St

O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, após duas quedas seguidas, em movimento endossado por Wall Street e com as ações da petrolífera Brava Energia e da fabricante de papel e celulose Suzano entre os destaques positivos.

Investidores também repercutiram dados mais fracos do que o esperado sobre a inflação nos Estados Unidos e declarações do presidente do Banco Central do Brasil de que “não há portas fechadas” nem “setas dadas” para as decisões envolvendo a Selic, enquanto seguem acompanhando noticiário sobre eleições no país. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,53%, a 158.163,42 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 158.495,49 na máxima e 157.123,58 na mínima do dia. O volume financeiro somava R$24,3 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

BC espera desaceleração do crescimento e vê sinais de moderação do mercado de trabalho, diz Guillen

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, afirmou nesta quinta-feira que a instituição espera a desaceleração da atividade ao longo dos próximos trimestres e reforçou a ideia de que o BC mira “o redor da meta” de inflação.

Durante coletiva de imprensa na manhã de ontem em Brasília, Guillen pontuou que dados iniciais referentes ao quarto trimestre deste ano indicam uma continuidade da moderação da atividade. Além disso, o diretor avaliou que o mercado de trabalho apresenta sinais incipientes de moderação no Brasil. Mais cedo, o BC informou por meio de seu Relatório de Política Monetária que a projeção de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 passou de 2,0% para 2,3%. No caso de 2026, a estimativa de elevação passou de 1,5% para 1,6%. No documento, a instituição informou ainda que a projeção de inflação em 12 meses é de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027 — horizonte relevante para a política monetária a partir de janeiro –, ainda um pouco acima do centro da meta contínua perseguida pela instituição, de 3%. Ao tratar das projeções, no entanto, Guillen pontuou que elas “são embutidas de grande incerteza”. “Discordo da visão mecanicista que se tem sobre projeções”, disse o diretor de Política Monetária. “Por conta das incertezas de projeções que chamamos atenção no comunicado que miramos o redor da meta de inflação”, acrescentou. No comunicado mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC afirmou que “decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”. O terceiro trimestre de 2027 passou a ser considerado pelo mercado como um período chave, já que se torna a referência para o horizonte relevante da política monetária na reunião de janeiro do BC. No mercado, os agentes seguem divididos sobre se a instituição cortará ou não a Selic no próximo mês.

REUTERS

IPPA/Cepea: IPPA cai em novembro, mas acumula alta de 10% no ano

Levantamento do Cepea mostra que, em novembro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou queda nominal de 0,71% em relação a outubro. 

Segundo pesquisadores, o recuo esteve atrelado sobretudo à forte retração de 21,62% no IPPA-Hortifrutícolas; para o IPPA-Grãos e o IPPA-Pecuária, as variações foram positivas em 1,62% e 0,2%, respectivamente. O IPPA-Cana-Café caiu 1,88% e o IPA-OG-DI, 0,18%, indicando que, em novembro, os preços agropecuários apresentaram desempenho ligeiramente inferior ao dos valores industriais acompanhados pelo Índice. No âmbito internacional, os preços dos alimentos em dólares recuaram 1,2%, movimento acompanhado pela desvalorização de 0,83% da taxa de câmbio, o que resultou em queda de 2,02% nos preços internacionais de alimentos medidos em reais. No ano, levantamentos do Centro de Pesquisas indicam que o IPPA/CEPEA acumula alta de 10,2%, com destaque para os expressivos avanços do IPPA-Pecuária (17,31%) e do IPPA-Cana-Café (20,71%). O IPPA-Grãos também apresenta variação positiva, de 2,7%, enquanto o IPPA-Hortifrutícolas registra queda, de 14,41%. Em termos comparativos, o IPA-OG-DI acumula elevação de 3,11%, e os preços internacionais de alimentos em reais avançam 3,57%, apesar da baixa de 1,66% quando medidos em dólares. 

Cepea

BC eleva projeção para crescimento do PIB para 2,3% em 2025 e para 1,6% em 2026

Mudanças se devem a revisões na série e efeito do Imposto de Renda

O Banco Central (BC) elevou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025 para 2,3%, de 2%, principalmente por causa das revisões nos dados do primeiro semestre por parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A projeção para 2026 foi ajustada para 1,6%, de 1,5%, mantendo a perspectiva de crescimento moderado ao longo do ano. As informações constam do Relatório de Política Monetária (RPM) do BC de dezembro. A nova projeção para 2025 contou ainda com o resultado do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado e com uma reavaliação do desempenho esperado para o quarto trimestre, considerando os indicadores disponíveis até a data de corte do relatório. A revisão do IBGE foi particularmente relevante para a atualização da projeção da agropecuária, segundo o BC. Para a indústria e o setor de serviços, diz, o impacto agregado das revisões das séries foi pequeno, embora significativo em alguns segmentos específicos. Pela ótica da demanda, a revisão afetou principalmente a estimativa para o consumo do governo, afirma o BC. Sob a ótica da oferta, houve alta nas projeções para agropecuária (para 11%, de 9%) e indústria (para 1,6%, de 1%), acompanhada de leve redução na estimativa para o setor de serviços (para 1,7%, de 1,8%). “A projeção para os setores menos cíclicos foi elevada, refletindo, principalmente, revisões altistas na agropecuária e na indústria extrativa, parcialmente compensadas pela redução na previsão para serviços de intermediação financeira. A previsão para os setores mais cíclicos também avançou, com aumento nas estimativas para construção, indústria de transformação e algumas atividades mais cíclicas do setor de serviços”, diz o BC no relatório. No âmbito da demanda interna, a projeção do BC para o crescimento do consumo das famílias recuou para 1,5%, de 1,8%. Em sentido oposto, as estimativas para o consumo do governo e para a formação bruta de capital fixo (FBCF), medida para os investimentos no PIB, foram elevadas, para 2%, de 0,5%, e para 3,8%, de 3,3%, respectivamente. “Essas revisões foram bastante influenciadas por surpresas nos resultados do terceiro trimestre — baixa para o consumo das famílias e alta para o consumo do governo e para a FBCF. No caso do consumo do governo, a estimativa de crescimento foi ainda afetada pela revisão da série, que elevou o resultado no primeiro semestre”, afirma o BC. No setor externo, a projeção para as exportações foi elevada para 4%, de 3%, enquanto a estimativa para as importações passou para 5%, de 4,5%. Assim, as contribuições da demanda interna e do setor externo para a evolução do PIB em 2025 são estimadas pelo BC em 2,4 ponto percentual (p.p.) e -0,1 ponto, respectivamente. No caso da projeção para 2026, a revisão foi influenciada, segundo o BC, pela maior “herança estatística” decorrente do crescimento mais alto de 2025 e pela inclusão de estimativas preliminares para os efeitos da isenção ou desconto no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para as primeiras faixas de renda. Em contrapartida, diz, revisões negativas para agropecuária e indústria extrativa, devido às primeiras projeções da safra e às perspectivas menos favoráveis para minério de ferro, limitaram a alta para 2026. “Entre os fatores que influenciam esse cenário estão a expectativa de manutenção da política monetária em campo restritivo, o baixo nível de ociosidade dos fatores de produção, a perspectiva de desaceleração da economia global e a ausência do impulso agropecuário observado em 2025. A dinâmica projetada também incorpora os efeitos de medidas recentes com impacto potencial sobre a demanda, como a isenção ou desconto no IRPF para as faixas iniciais de renda”, afirma o BC. Do lado da oferta, na indústria, a previsão de alta passou para 1,9%, de 1,4%, influenciada por altas nas perspectivas para a indústria de transformação e para a construção. Por outro lado, a expectativa para a indústria extrativa foi reduzida devido a perspectivas menos favoráveis para a produção de minério de ferro, diz o BC. Nos serviços, a revisão foi pequena, para 1,6%, de 1,5%, mantendo-se a perspectiva de crescimento gradual ao longo do ano. Por fim, a projeção para agropecuária foi reduzida para 0,5%, de 1%, refletindo as primeiras previsões para a safra de 2026, segundo o BC. Pelo lado da demanda, as previsões para o consumo das famílias, o consumo do governo e a FBCF foram ampliadas para 1,5%, 1,5% e 1%, respectivamente, ante 1,4%, 1% e 0,3%. “As revisões para o consumo do governo e a FBCF refletem, sobretudo, ajustes nas estimativas de crescimento desses componentes em 2025, que elevaram o carregamento estatístico. Já a leve alta na previsão para o consumo das famílias foi influenciada pelo impacto esperado de medidas aprovadas recentemente, especialmente a isenção ou desconto no IRPF para as faixas iniciais de renda”, diz o BC. No setor externo, a previsão para as exportações foi reduzida para 2%, de 2,5%, refletindo, principalmente, diminuição nas projeções para a agropecuária e para a indústria extrativa, enquanto a estimativa de crescimento das importações permaneceu em 1%. As contribuições das demandas interna e externa para o crescimento de 2026 são estimadas pelo BC em 1,4 ponto e 0,2 ponto percentual, respectivamente.

VALOR ECONÔMICO

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