Informativo Sindileite 43 18.12.2025

Ano 1 | nº 43 | 18 de dezembro de 2025

NOTÍCIAS

Leite Spot: confira valores da segunda quinzena de dezembro/25

Confira os preços médios para o leite spot na segunda quinzena de dezembro.

Na segunda quinzena de dezembro, o preço médio nacional do leite spot foi de R$ 1,74 por litro, registrando uma redução de R$ 0,04 em relação à quinzena anterior, segundo dados do MilkPoint Mercado. A segunda quinzena de dezembro seguiu marcada pelo desequilíbrio entre oferta e demanda, devido ao cenário de ampla disponibilidade de leite no mercado spot. O elevado volume ofertado segue pressionando as negociações entre produtores e laticínios, resultando em novos recuos nos preços. Todas as regiões registraram quedas nos preços praticados, evidenciando a dificuldade das indústrias em absorver o excedente produzido.

MilkPoint

NACIONAL

Assembleia aprova lei que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para consumo alimentar em rondÔnia

Lei aprovada pela Alero protege produtores locais, fortalece a agroindústria e combate concorrência desleal. Plenário aprovou lei que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para consumo alimentar em Rondônia.

A Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) aprovou o Projeto de Lei 1197/25, de autoria do deputado Ismael Crispin (PP), subscrito pelo presidente da Casa, deputado Alex Redano (Republicanos), e pelos deputados Jean Mendonça (PL) e Cláudia de Jesus (PT). A proposta proíbe, em todo o território estadual, a reconstituição de leite em pó e de outros derivados lácteos de origem importada quando destinados ao consumo alimentar humano. A medida representa um avanço na valorização da produção leiteira regional e no fortalecimento da agroindústria local, ao coibir práticas que afetam diretamente a competitividade dos produtores rondonienses. De acordo com o texto aprovado, fica vedada a reconstituição, por indústrias, laticínios e demais pessoas jurídicas, de produtos como leite em pó, composto lácteo em pó, soro de leite em pó e outros derivados lácteos importados, quando destinados ao consumo alimentar. A exceção prevista na lei se aplica exclusivamente aos produtos destinados diretamente ao consumidor final, para uso doméstico, comercializados no varejo e devidamente rotulados, conforme as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A nova legislação busca coibir a concorrência desleal provocada pela entrada de grandes volumes de leite em pó importado no mercado brasileiro, muitas vezes comercializado a preços inferiores aos praticados internamente. Esse cenário, segundo o entendimento dos parlamentares, tem causado desequilíbrios na cadeia produtiva do leite, afetando a renda dos produtores rurais e a sustentabilidade das agroindústrias locais. Com a aprovação da lei, Rondônia passa a adotar uma política pública voltada à valorização da produção interna, ao fortalecimento da economia regional e à proteção dos pequenos e médios produtores, especialmente no meio rural, onde a bovinocultura leiteira exerce papel estratégico no desenvolvimento social e econômico do estado. Além dos impactos econômicos, a iniciativa reforça o compromisso com a segurança alimentar e a transparência ao consumidor, assegurando a oferta de produtos com origem rastreável e em conformidade com as normas sanitárias vigentes. Inspirada em legislação semelhante já aprovada no estado do Paraná, a proposta foi adequada à realidade socioeconômica de Rondônia, cuja vocação agropecuária é amplamente reconhecida. O Poder Executivo poderá regulamentar a lei no prazo de até 90 dias, definindo critérios de fiscalização, controle e penalidades

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE RONDÔNIA

Aliança Láctea Sul Brasileira defende exportação como saída estrutural para o leite

Transformação estrutural reduz o número de produtores e amplia a necessidade de ganho de escala e eficiência. Aliança Láctea Sul Brasileira aposta na competitividade internacional como caminho para estabilizar o setor.

O itapiranguense Airton Spies, doutor em Economia dos Recursos Naturais, coordena um grupo de estudos da Aliança Láctea Sul Brasileira com foco no incentivo às exportações. Segundo ele, a crise enfrentada atualmente pelo setor leiteiro reflete uma realidade recorrente. Os ciclos de crise são frequentes, repetindo-se praticamente a cada dois anos, com intervalos curtos entre períodos de preços elevados e momentos de queda nos valores pagos ao produtor rural. O palestrante e consultor afirma que esse cenário está diretamente relacionado ao desequilíbrio entre oferta e demanda. Atualmente, a oferta supera o consumo, resultando em uma sobra estimada de 1,7 bilhão de litros de leite. Airton Spies demonstra preocupação com a baixa competitividade do Brasil no mercado internacional. “O ideal é ter um sistema semelhante ao da suinocultura, da avicultura e da bovinocultura de corte, em que cerca de um terço da produção é destinada ao mercado externo”, explica. De acordo com Spies, o Codesul — bloco que reúne Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul — realizará uma reunião, em Curitiba, com a presença dos governadores. Na ocasião, será debatido o Plano de Desenvolvimento e Incentivos às exportações de lácteos. O Conselho de Desenvolvimento da Região Sul atua em parceria com o BRDE, Banco Regional de Desenvolvimento Econômico. Conforme o consultor, o objetivo é garantir um “passaporte” para o leite brasileiro. Para alcançar uma solução definitiva, é necessário tornar o setor competitivo no mercado mundial.

Spies ressalta que indústrias e grandes redes de supermercados buscam produtos lácteos em outros países devido aos preços mais baixos em relação ao produto nacional. Ele reconhece que medidas emergenciais, atualmente em debate para amparar os produtores em um momento de crise aguda, são válidas. No entanto, destaca a necessidade de ações estruturantes para transformar o setor em uma cadeia competitiva. “A exportação é a saída”, reforça. O setor leiteiro passa por uma profunda transformação estrutural. Alguns produtores já operam dentro de padrões internacionais, mas a maioria ainda se encontra distante de um nível competitivo. Segundo Airton Spies, o principal ponto de atenção é a redução de custos.

Relatório da Aliança Láctea Sul Brasileira aponta que, nos últimos dez anos, houve uma expressiva redução no número de produtores nos três estados do Sul. No Rio Grande do Sul, o total caiu de 84 mil para 28 mil produtores. Em Santa Catarina, a redução foi semelhante, passando de 70 mil para cerca de 22 mil. Os produtores que permanecem na atividade estão ampliando seus plantéis, indicando que, para alguns crescerem, outros acabam deixando o setor. Airton Spies explica que esse movimento é consequência da ausência de exportações e que não há solução alternativa. “O propósito é desenvolver a competitividade global do leite brasileiro, assim como já ocorreu com o frango, o suíno e o gado de corte”, conclui.

Rede peperi/milkpoint

INTERNACIONAL

Produção de leite argentina cresce, mas concentração se intensifica

Enquanto a produção total de leite segue em crescimento na Argentina, o número de estabelecimentos produtores diminui. Essa equação evidencia que o maior volume produzido, que em 2025 registrou um salto de quase 11%, está concentrado em um número cada vez menor de propriedades. Esse movimento se traduz no fechamento de cerca de 50 fazendas leiteiras por mês.

Apesar da produção ter avançado 10,7% entre janeiro e outubro em relação ao mesmo período do ano passado, aproximadamente 1.120 fazendas leiteiras encerraram as atividades no país desde que Javier Milei assumiu a presidência. O cenário acende um sinal de alerta para o setor agropecuário, diante do avanço da concentração produtiva. Ao final de 2023, a Argentina contava com 10.063 propriedades leiteiras. Em outubro deste ano, restavam 8.941 estabelecimentos, o que representa uma redução de 12,5%. Das 1.122 fazendas que fecharam, mais de 450 interromperam as atividades apenas no último ano. Embora o processo de concentração tenha se intensificado recentemente, ele não teve início com o atual governo e tampouco é um fenômeno exclusivo da Argentina. Em 19 dos 25 países que respondem por 80% da produção mundial de leite, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), houve redução no número de estabelecimentos. De acordo com análise da Agência DIB, com base em dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina, o país possui hoje 30% menos fazendas leiteiras do que há uma década. As atuais 8.941 propriedades estão muito distantes das cerca de 15 mil existentes no período posterior à crise social e econômica de 2001. Atualmente, 91% das fazendas leiteiras e 95,7% das vacas em produção concentram-se nas quatro principais bacias do país: Santa Fé, Córdoba, Buenos Aires e Entre Ríos. Na província de Buenos Aires, que reúne 20% das propriedades, existem 1.805 estabelecimentos — 61 a menos do que no final de 2024. Dados oficiais mostram que mais de 40% das fazendas leiteiras argentinas possuem entre 100 e 250 vacas, enquanto 17% pertencem ao grupo das menores, com menos de 50 animais. Esse segmento vem encolhendo de forma consistente nos últimos anos. Até outubro deste ano, a bacia leiteira Mar e Serras, que abrange distritos como Tandil, Azul, Balcarce e Necochea, registra a maior produção média por propriedade do país, com 7.497 litros de leite por dia. A média nacional é de 3.690 litros. Outras regiões da província de Buenos Aires também superam esse patamar, como a Bacia Oeste — que inclui Trenque Lauquen, Pehuajó, Bolívar e municípios vizinhos — com média diária de 5.294 litros; o Abasto Sul, que engloba Lobos, Cañuelas e áreas próximas, com 4.510 litros; e o Abasto Norte, na região de Suipacha e Chivilcoy, com produção média de 4.426 litros por propriedade.

LA OPINIÓN/MILKPOINT

ECONOMIA

Dólar sobe pela quarta sessão e supera R$5,50

O dólar emplacou a quarta alta consecutiva no Brasil na quarta-feira, voltando a superar os R$5,50, em meio a preocupações em torno da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência em 2026, enquanto no exterior a divisa norte-americana também sustentou ganhos.

O dólar à vista fechou o dia em alta de 1,07%, aos R$5,5223. No ano, porém, a moeda acumula baixa de 10,63%. Às 17h07, o contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,13% na B3, aos R$5,5350. Na terça-feira, o dólar já havia sido impulsionado por uma pesquisa Genial/Quaest, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bem colocado na disputa presidencial em relação a seus adversários de direita. Em um dos cenários estimulados do levantamento, Lula obteve 41% das intenções de voto em primeiro turno para presidente, com Flávio com 23% e Tarcísio com 10%. Lula venceria todos os oponentes em um eventual segundo turno. Por trás da pressão recente sobre os ativos brasileiros está a leitura de que a opção da direita por Flávio sepulta a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome preferido do mercado, potencialmente favorecendo a reeleição de Lula. Na quarta-feira, os temores em relação a Flávio foram intensificados após nota do site Metrópoles informar que o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, disse a integrantes do mercado que Tarcísio tentará a reeleição em São Paulo e que Flávio deve mesmo disputar o Planalto. Neste contexto, Flávio embarcou para São Paulo no início da tarde para novo encontro com representantes do mercado, dando continuidade ao esforço de aproximação com a Faria Lima. No exterior, os agentes seguiam especulando sobre os próximos passos da política monetária do Federal Reserve no curto prazo. Além disso, o dólar subiu ante a libra com a expectativa de corte de juros pelo Banco da Inglaterra na quinta-feira.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com nova correção tendo juros e eleição no radar

O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, com a ausência de sinais claros sobre taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além de receios envolvendo o cenário eleitoral de 2026 avalizando novo movimento de realização de lucros, após fortes ganhos acumulados na bolsa em 2025.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,79%, a 157.327,26 pontos, após marcar 156.350,81 pontos na mínima e 158.610,62 pontos na máxima. No ano, ainda sobe mais de 30%, tendo superado 165 mil pontos pela primeira vez na sua história no começo do mês. O volume financeiro somou R$66,88 bilhões nesta quarta-feira, marcada ainda por vencimento de opções sobre o Ibovespa e de contrato futuro do índice. De acordo com o operador de renda variável Patrick Buss, da Manchester Investimentos, é um novo dia, mas os motivos para a queda da bolsa são os mesmos – perspectivas para a Selic e eleições do próximo ano. No caso das perspectivas para os próximos passos do Banco Central, mesmo com muitos economistas reiterando previsão de corte da Selic em janeiro, ele avalia que o mercado tem começado a descartar tal possibilidade e começou a ajustar a aposta de uma redução apenas em março. Em relação ao cenário eleitoral, mesmo com expectativas de maior volatilidade apenas no próximo ano, a partir do final do primeiro trimestre, o noticiário sobre potenciais candidatos de oposição continua no radar, principalmente sinalizações de que Flávio Bolsonaro (PL) deve mesmo concorrer ao Planalto. Investidores temem uma divisão na oposição com a entrada de Flávio Bolsonaro, o que poderia reduzir as chances de uma eventual vitória sobre Lula. Uma das esperanças no mercado com uma mudança em Brasília é de melhora no quadro fiscal do país, dada a trajetória crescente da dívida pública em relação ao PIB. A queda na bolsa ainda teve como pano de fundo o viés negativo nos pregões em Wall Street, onde o S&P 500 fechou em baixa de mais de 1%, com preocupações persistentes sobre inteligência artificial pesando sobre as ações de tecnologia.

REUTERS

Brasil tem fluxo cambial positivo de US$3,108 bi em dezembro até dia 12, diz BC

O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$3,108 bilhões em dezembro até o dia 12, em movimento puxado pela via comercial, informou na quarta-feira o Banco Central.

Os dados mais recentes são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$1,146 bilhão em dezembro até o dia 12. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, o saldo de dezembro até o dia 12 foi positivo em US$4,254 bilhões. Na semana passada, de 8 a 12 de dezembro, o fluxo cambial total foi negativo em US$1,601 bilhão. No acumulado do ano até 12 de dezembro, o Brasil registra fluxo cambial total negativo de US$16,646 bilhões.

REUTERS

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