Informativo Sindileite 40 15.12.2025

Ano 1 | nº 40 | 15 de dezembro de 2025

NOTÍCIAS

Parque Tecnológico do Leite vira case de sucesso no Impacta Campos Gerais 2025

O evento organizado pelo Sebrae-PR teve como objetivo contribuir para a geração de negócios e o desenvolvimento de projetos com impacto direto no setor produtivo, reunindo, em um mesmo espaço, empresários e empreendedores que atuam em cooperativas e startups.

Com foco em tendências, oportunidades e novas soluções em áreas estratégicas para o ecossistema regional de inovação, o Impacta Campos Gerais 2025 reuniu diversos atores, entre eles as secretarias de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e de Inovação e Inteligência Artificial (Seia), e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), ao longo da semana. Compondo o primeiro painel do evento, “O futuro dos Campos Gerais: case Parque Tecnológico do Leite”, o vice-reitor da UEPG, Ivo Mottin Demiate, destacou a estrutura de pesquisa de alto nível que será montada na estrutura da Castrolanda. “Estamos com apoio financeiro engatilhado e consistente com a Fundação Araucária para a aquisição de equipamentos e desenvolvimento do projeto. Será uma estrutura de inovação, criação de riquezas e de novos negócios a partir da ciência na cidade de Castro, a capital nacional do leite”, afirmou. “A UEPG que vai coordenar esse espaço com tecnologia de alta qualidade, equipamentos científicos avançados, como biorreatores, para uma estrutura laboratorial e planta de filtração”, completou. “Certamente esse parque na Agroleite será um marco para a região dos Campos Gerais. Um grande investimento em uma região ainda mais inovadora e com características de liderança na parte produtiva do leite, além de uma liderança científica exercida pela UEPG, associada à cadeia produtiva tão importante da bioeconomia brasileira”.

O parque contará com aporte estadual de R$ 20 milhões. A proposta é desenvolver soluções tecnológicas que aumentem a competitividade da cadeia leiteira, com foco especial na realidade dos pequenos produtores, contribuindo para elevar a rentabilidade, a produtividade e a sustentabilidade no campo. O diretor de Ciência e Tecnologia, Marcos Aurelio Pelegrina, representou a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior na oportunidade e participou do primeiro painel com o vice-reitor da UEPG. Segundo ele, o evento foi muito importante para aumentar os laços científicos. “UEPG, Seti, Fundação Araucária têm um grande arranjo nos Campos Gerais no Parque Tecnológico do Leite, onde vamos colocar o laboratório Bioplat de biotecnologia. É um momento muito importante para região, que é pujante na área de inovação”, destacou. Entre os principais atores do ecossistema regional de inovação, como pequenos empreendedores, startups, cooperativas, universidades, investidores e instituições governamentais, também estavam a Agência de Inovação e Propriedade Intelectual (Agipi) e o Centro de Educação Empreendedora (CEE). Expoentes de inovação na UEPG, ambas participaram do Impacta Campos Gerais com suas startups e empresas pré-incubadas.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

Retrospectiva 2025: Como a oferta de leite se comportou em 2025?

O crescimento da captação formal marcou o ano de 2025. Para iniciar, o foco recai sobre o tema que mais marcou o setor ao longo do ano: a oferta de leite. Ao longo de 2025, a captação de leite apresentou um crescimento bastante expressivo, e esta análise busca explicar como esse movimento evoluiu ao longo dos trimestres e quais foram suas principais consequências para o mercado.

O ano começou acelerado: O preço ao produtor iniciou 2025 em patamares mais altos do que em períodos anteriores e os principais custos não estavam pressionando, o que manteve a produção estimulada. Até essa primeira divulgação, os números vinham muito alinhados às expectativas do mercado, sem grandes surpresas. A partir do segundo trimestre, a oferta brasileira de leite passou a surpreender. Foi nesse período que alguns impactos recentes e mudanças na estrutura produtiva do setor ficaram mais evidentes. O principal fator por trás do avanço expressivo da produção no segundo semestre foi a manutenção da rentabilidade em níveis satisfatórios, tanto em comparação com períodos anteriores quanto no próprio momento. Esse resultado foi sustentado por um cenário de custos relativamente equilibrados e por preços ao produtor ainda atrativos, combinação que estimulou a produção. Somado a isso, observou-se ao longo de 2025 um processo mais intenso de formalização, que elevou o volume de leite captado pela indústria. Além desses fatores, é importante lembrar que o segundo trimestre de 2024 havia sido afetado por fortes chuvas no Sul, o que reduziu a captação naquele período. Portanto, parte do crescimento registrado em 2025 reflete também uma base comparativa mais baixa. No entanto, o movimento vai além desse efeito estatístico. Paralelamente, o setor vem passando por transformações estruturais importantes. A pesquisa “Quem produz o leite brasileiro 2025”, que apresenta os principais perfis de produção e as mudanças no elo produtivo, aponta para o avanço dos sistemas mais intensivos, como o confinamento.  Esse avanço reduz a influência da sazonalidade sobre a produção nacional, diminuindo a diferença entre os volumes de pico e de vale ao longo da curva produtiva. Como consequência, o período tradicionalmente associado ao vale, normalmente concentrado no segundo trimestre, tende a se tornar mais suave e, em alguns casos, até mesmo a ocorrer de forma antecipada. Ou seja, ainda que o setor esteja passando por um processo de transformação há algum tempo, estas mudanças começaram a aparecer de forma mais clara e contundente nos dados de captação deste ano. Os dados prévios do terceiro trimestre confirmam que 2025 deve se consolidar como um ano de forte crescimento produtivo. A prévia do terceiro trimestre aponta um avanço de 10,3%. Este incremento não ocorreu isoladamente: a ausência de problemas climáticos significativos, um fator simples, mas decisivo, permitiu maior regularidade no manejo, melhor desempenho das pastagens e maior estabilidade das condições de produção. Com isso, o setor conseguiu sustentar um ritmo consistente de crescimento ao longo de todo o ciclo anual. Ainda que os dados do último trimestre só sejam publicados no início de 2026, a leitura dos três trimestres já divulgados, somada ao comportamento recente do mercado, permite antecipar que o quarto trimestre também deverá apresentar crescimento da captação em relação aos anos anteriores. O último trimestre de 2025 foi influenciado pela presença do fenômeno La Niña, porém com baixa intensidade, o que não deve ter gerado grandes impactos na produção. Mesmo assim, esse avanço tende a ser menor em comparação aos trimestres anteriores, já que a rentabilidade começou a perder força e a pressionar o produtor ao final do ano. Apesar disso, a expectativa é de que a divulgação confirme um 4º trimestre com crescimento na oferta. Nessa conjuntura, com 2025 marcado por um crescimento expressivo da produção, algumas consequências importantes surgiram: O aumento contínuo da oferta levou a indústria a ampliar sua produção de derivados ao longo do ano. Entretanto, a demanda por lácteos, tema que será detalhado na próxima análise, não acompanhou esse ritmo, o que impediu a absorção completa do volume adicional produzido.

Esse descompasso resultou na formação de estoques mais elevados nas indústrias, pressionando os preços dos derivados e reduzindo as margens industriais. Esse cenário rapidamente se transferiu para o campo, refletindo em quedas intensas no preço ao produtor ao longo do segundo semestre, especialmente no último trimestre. Em síntese, embora o ano tenha sido marcado por forte avanço produtivo, este acabou rompendo o equilíbrio entre oferta e demanda. Após um ano marcante em relação aos movimentos da oferta, a retrospectiva seguirá aprofundando os principais fatores que moldaram o mercado, como: demanda, preços internacionais e preços dos derivados. Nas próximas semanas, serão divulgados novos gráficos e análises, incluindo também as tendências projetadas para 2026.

MILKPOINT

NACIONAL

ES: nova lei amplia uso de créditos de ICMS no setor de lácteos

Deputados aprovam mudança que flexibiliza o uso de créditos de ICMS e beneficia cooperativas e indústrias de laticínios no Espírito Santo.

Os deputados do Espírito Santo aprovaram, em sessão ordinária híbrida nesta quarta-feira (10), o Projeto de Lei (PL) 837/2025, que tramitava em regime de urgência. A medida, assinada pelo governo do estado, altera a Lei 7.000/2001, que regula o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) no Estado. A proposta teve parecer favorável das comissões reunidas de Justiça e Finanças. A mudança afeta as regras de benefícios fiscais aplicadas a cooperativas e indústrias de laticínios. Hoje, quando a operação conta com redução da base de cálculo, ocorre a anulação do saldo credor para evitar que o contribuinte o utilize em outras obrigações tributárias. Com a nova redação, passa a ser permitido o uso desses créditos na venda de produtos industrializados em estabelecimentos do próprio contribuinte, estejam eles no Espírito Santo ou em outros estados. O objetivo é ajustar o tratamento tributário às atividades industriais, permitindo melhor aproveitamento dos créditos de ICMS oriundos de insumos no processo produtivo. Na justificativa enviada aos deputados, o governador Renato Casagrande (PSB) afirma que a alteração traz “maior racionalidade ao sistema de apuração do ICMS”, ao alinhar a legislação capixaba ao princípio da não cumulatividade e assegurar um tratamento mais justo aos contribuintes que realizam operações industriais integradas. O novo texto estabelece que o saldo credor de ICMS acumulado pela entrada de insumos poderá ser utilizado para compensar o imposto devido nas operações de comercialização de produtos industrializados, inclusive em estabelecimentos do contribuinte localizados em outros estados. Somente o saldo remanescente deverá ser estornado, conforme regulamentação.

O PL também determina que as novas regras sejam aplicadas a processos administrativos e judiciais que ainda não tenham decisão definitiva, ampliando o alcance da mudança.

Assembleia legislativa ES

Gadolando aponta ano ruim para o produtor e sugere medidas para um resultado melhor em 2026

Aumentar remuneração, regulamentar importações, campanhas para aumentar consumo e busca de mercados externos são reivindicações para reverter dificuldades do setor leiteiro

O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul, (Gadolando) Marcos Tang, fez um balanço do ano de 2025 para o setor leiteiro, bem como perspectivas para o ano que vem. Se, por um lado, Tang reconheceu que os produtores de leite trabalharam com muito esforço e dedicação com a parceria e assistência da Gadolando, 2025 termina como um ano bastante ruim devido, principalmente, à baixa remuneração paga pelo litro de leite.  “Nós amamos as nossas vacas, nós amamos a raça holandesa, nós amamos o setor leiteiro, mas nós não podemos viver só de paixão e amor. Nós precisamos de renda, nós precisamos ter lucro para a própria subsistência”, alerta. O dirigente argumenta que a atividade leiteira é uma das principais atividades econômicas, um trabalho que segura o homem, a mulher, o jovem no campo, e que ela precisa ser adequadamente reconhecida e mais bem remunerada. “Nós precisamos parar de entregar o leite, nós precisamos vender o leite, eu sempre tenho defendido isso”, ressalta. Com relação a 2025, Tang observa que as importações de leite dispararam depois de agosto, causando um problema ainda maior em um cenário onde já houve um aumento da produção local. “Então, isto vem culminar para um desfecho ruim do ano de 2025. A alta da produção local combinada com altos índices de importação, culminaram com um desfecho de ano bastante difícil”, explica. Sendo assim, o presidente da Gadolando se posiciona fortemente no sentido de reivindicar medidas urgentes como reduzir as importações de leite e derivados, impondo regras antidumping, uma pauta defendida em parceria com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). “Também defendemos que haja trabalhos conjuntos junto a produtores, indústria, varejo e autoridades no sentido de esclarecer os benefícios do consumo do leite. Nossa posição é a de que o país não seja importador de leite, nós temos um produto de qualidade e podemos, inclusive, sermos exportadores”, avança. Para 2026, Tang adianta que a ideia é que haja uma regulamentação urgente das importações, se valorize mais o produtor nacional e local e que o setor possa abrir novos mercados externos. O presidente da Gadolando reitera que, mesmo num quadro difícil, que o produtor possa continuar registrando seus animais, fazendo controle leiteiro e classificação morfológica.

Gadolando/RS

INTERNACIONAL

Gigante chinesa Mengniu avança sobre o Cone Sul em busca de novos fornecedores

Com forte foco em rastreabilidade e qualidade, a Mengniu busca novos parceiros na região e acompanha a reorganização do setor lácteo argentino.

A América Latina, especialmente a Argentina, tornou-se um ponto estratégico para a Mengniu Dairy Company Limited, grupo lácteo originário de Hohhot — capital da Mongólia Interior — que, em apenas 25 anos, deixou de ser uma empresa regional para se transformar em uma das líderes globais do setor. A companhia, que em 2018 chamou a atenção ao patrocinar Lionel Messi rumo à Copa do Mundo da Rússia, hoje importa produtos da região, trabalha com distribuidores locais e adquire ingredientes específicos para suas diferentes linhas de produção.

Para os exportadores latino-americanos de leite em pó, proteínas lácteas ou soro, a Mengniu representa um potencial comprador, exigente, porém relevante. Rastreabilidade completa, certificações ambientais, qualidade constante e regularidade nas entregas são requisitos essenciais para iniciar qualquer negociação. Fundada no fim da década de 1990, a Mengniu é hoje uma multinacional privada listada na Bolsa de Hong Kong, com mais de 38.800 funcionários e processamento anual de cerca de 13,95 milhões de toneladas de produtos lácteos. Sua estrutura industrial inclui 45 plantas na China, além de unidades na Austrália, Nova Zelândia, Indonésia e Filipinas, totalizando quase 14 bilhões de litros processados por ano.

O grupo faturou 88,675 bilhões de renminbis (RMB) em 2024, cerca de US$ 12,4 bilhões. No primeiro semestre de 2025, a receita alcançou 41,567 bilhões de RMB (aproximadamente US$ 5,84 bilhões), com margem bruta de 41,7%. O coração do negócio é o leite longa vida, responsável por mais de dois terços da receita. Somam-se os segmentos de iogurtes e sorvetes — com a marca Aice como líder na Indonésia —, queijos, mercado em plena expansão na China, e fórmulas infantis, altamente reguladas e sensíveis. A Mengniu consolidou sua estratégia por meio do modelo “One Core – Two Wings” (um núcleo, duas asas, em tradução literal). O núcleo é, como sempre, o leite. A primeira “asa” é a nutrição avançada, com produtos premium que incorporam biotecnologia, moléculas inspiradas no leite materno, alimentos funcionais e fórmulas de alto valor agregado. A segunda “asa” é a expansão internacional, com novas plantas industriais, maior acesso a mercados e redução da dependência do consumo interno chinês. Para suas linhas premium e infantis, a empresa utiliza leite e ingredientes importados da Austrália e da Nova Zelândia, mercados reconhecidos por seus padrões elevados de qualidade. A trajetória global da Mengniu é marcada pela crise alimentar de 2008, quando o setor lácteo chinês foi afetado pelo escândalo de adulteração de leite com melamina. Embora não tenha sido responsável pela fraude, a empresa foi impactada por falhas na cadeia de fornecedores. O episódio levou a uma reestruturação profunda: fechamento de fazendas inseguras, controles diários, rastreabilidade da vaca ao produto e investimentos contínuos em certificações ambientais, uso eficiente da água, redução de emissões e compromissos de não desmatamento para insumos importados. Argentina produz cerca de 30 milhões de litros de leite por dia, dos quais mais de 60% são processados por 15 grandes indústrias que operam plantas multiproduto com tecnologia de padrão internacional.

O setor passa por um processo de reorganização, marcado por falências recentes — como La Suipachense e ARSA, fabricante dos produtos SanCor — e pela delicada situação da cooperativa SanCor, que enfrenta planos de recuperação e intervenção judicial. Investidores internacionais acompanham de perto esse cenário, entre eles, segundo informações do mercado, a própria Mengniu. Para o gigante chinês, a Argentina é atrativa não apenas pela escala de produção, mas também pela qualidade dos insumos lácteos e pelo potencial de integração em cadeias globais de valor. A empresa já tem forte presença na região Ásia-Pacífico, com atuação relevante na Indonésia, e utiliza Austrália e Nova Zelândia como base para suas linhas premium. A possível inclusão de fornecedores sul-americanos dependerá, segundo fontes do setor, do cumprimento rigoroso dos padrões globais exigidos pela Mengniu: qualidade consistente, rastreabilidade total e sustentabilidade ambiental. Enquanto a indústria argentina busca se consolidar após anos turbulentos, o interesse do colosso asiático adiciona um novo capítulo

Paralelo 32/milkpoint

GOVERNO

Plano Clima atendeu demandas do setor agropecuário, diz Fávaro

Ministro informou que diretrizes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas estão “alinhadas”. Carlos Fávaro, ministro da Agricultura: ‘Negociam ponto a ponto, com responsabilidade’

O Plano Clima está “alinhado” entre o governo e o setor agropecuário. Pelo menos, é o que afirma o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Em nota divulgada no sábado (13/12), o Ministério da Agricultura informou que a apresentação do documento será na próxima reunião do Comitê Interministerial da Mudança do Clima. “Negociamos ponto a ponto, com responsabilidade. A equipe do Meio Ambiente foi compreensiva, ouviu nossos argumentos e chegamos a um bom termo”, disse o ministro, no comunicado da Pasta. A versão original do Plano Clima foi alvo de críticas do setor agropecuário. Lideranças e entidades questionavam, principalmente, o peso atribuído ao campo nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e sua responsabilidade nas ações de mitigação dos efeitos nocivos das mudanças climáticas. Um dos principais pontos de impasse era a vinculação da atividade agropecuária a pelo menos 70% das emissões de poluentes originárias do desmatamento ilegal, o que tornava o setor o maior poluidor do Brasil. Após conversas de lideranças com o Ministério do Meio Ambiente, a avaliação na Agricultura é a de que se chegou a um entendimento. O Plano Clima previa, de início, sete planos setoriais de mitigação de emissões, o que não agradava o agro nem o ministro Fávaro. Neste sábado, o Ministério da Agricultura informou que houve uma revisão destas configurações iniciais, especialmente em relação à agropecuária. Em nota, o Ministério informa que a conversa sobre as demandas do setor agropecuário no Plano Clima ocorreu no último dia 10 de dezembro. O documento final terá oito planos setoriais de mitigação (PSM), como antecipou a reportagem da Globo Rural. E as ações relativas ao campo têm ligação com três. O PSM de Agricultura e Pecuária inclui a adoção de práticas de agricultura de baixo carbono (Plano ABC+), aliando aumento de produção e uso eficiente de recursos naturais. Estará sob responsabilidade dos ministérios da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Pesca.

O PSM de Mudanças do uso da terra em Áreas Rurais Privadas visa a reduzir as emissões provocadas por desmatamento, além de incentivar o plantio de florestas, manejo conservacionista e recuperação de áreas degradadas, além de ampliar a adoção de sistemas integrados e agroecológicos. Estará sob responsabilidade dos Ministério da Casa Civil, Meio Ambiente, Agricultura e Desenvolvimento Agrário. O PSM de Mudanças do uso da terra em Áreas Públicas e Territórios Coletivos trata de desmatamento e recuperação de vegetação nativa em Unidades de Conservação, Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e assentamento. Estará sob responsabilidade dos Ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário.

Com as alterações, as emissões das atividades de agricultura e pecuária devem somar 643 milhões de toneladas de carbono equivalente (MtCO2e) por ano. Na proposta inicial, eram quase 1,4 bilhão de toneladas. A diferença agora é que as emissões de gases oriundas de terras públicas, unidades de conservação, assentamentos rurais, territórios de comunidades tradicionais, terras indígenas, entre outras, saem da conta do agro. Elas somam outros 448 MtCO2e. Conforme a reportagem antecipou, o novo plano com mudanças de uso da terra nas áreas privadas de agricultura reúne desmatamento legal e ilegal (cujos termos não deverão aparecer no texto final e sim supressões autorizadas ou não) e alguns tipos de remoção de gases, como boas práticas e florestas. Nessa categoria, a alocação é de 352 MtCO2e de emissões por ano, que também estavam na conta inicial do setor como um todo. “Algumas metas terão apoio nos dois planos de agricultura e de mudança em áreas privadas rurais”, afirmou um integrante do governo.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar termina sessão estável ante o real e acumula baixa de 0,40% na semana

O dólar encerrou a sexta-feira praticamente estável ante o real, em um ambiente de maior calmaria política no Brasil e sem gatilhos firmes para as cotações, enquanto no exterior a moeda norte-americana exibia ganhos ante uma cesta de moedas fortes.

O dólar à vista fechou o dia em leve alta de 0,08%, aos R$5,4129. Na semana, a moeda acumulou baixa de 0,40% e, no ano, recuo de 12,40%. Às 17h03, o contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — estava estável na B3, aos R$5,4320.

A moeda norte-americana oscilou em margens estreitas ante o real, em um dia de agenda relativamente esvaziada de indicadores e sem ruídos na área política. Após o estresse causado na semana passada pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência — por indicação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado –, as preocupações do mercado foram diminuindo. Notícias na imprensa de que Flávio tenta uma aproximação com a Faria Lima, inclusive sinalizando uma agenda econômica pró-mercado, ajudaram a acalmar os ânimos, pelo menos por enquanto, ponderou um operador de renda fixa ouvido pela Reuters. Neste cenário, o dólar à vista oscilou entre a cotação de R$5,3799 (-0,53%), às 10h20, e a de R$5,4270 (+0,34%), às 12h36, para depois se reaproximar da estabilidade. No exterior, o dólar exibiu ganhos durante o dia em relação a uma cesta de moedas fortes, mas no fim da tarde tinha sinais mistos antepares do real — com baixa ante o peso chileno e o peso mexicano, mas alta ante a lira turca e a rupia indiana.

Reuters

Ibovespa tem semana de recuperação e volta a flertar com 161 mil pontos

O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, superando os 161 mil pontos na máxima da sessão, com as ações da Hapvida e da Vivara entre os destaques positivos, em semana de recuperação na bolsa paulista.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,99%, a 160.766,37 pontos, após marcar 161.263,4 pontos e 159.189,1 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somou R$20,48 bilhões. Na semana, o Ibovespa avançou 2,16%. Na sexta-feira passada, o Ibovespa testou os 165 mil pontos pela primeira vez na sua história, mas o clima azedou após Flávio Bolsonaro se lançar candidato à Presidência, desencadeando uma queda de mais de 4% no fechamento naquele dia. Ao longo da semana, sem maiores desdobramentos envolvendo o episódio, o clima na B3 acalmou. “A bolsa experimentou acomodação após o choque provocado pela notícia sobre Flávio Bolsonaro concorrer em 2026”, disse o gestor de uma empresa de previdência complementar, vislumbrando uma tendência de recuperação no curto prazo. “A pancada da notícia já ocorreu. O risco de seguir em frente não está totalmente precificado, mas há possibilidade de a candidatura não se confirmar. Ainda estamos distantes do prazo da definição oficial”, afirmou. Os ajustes na semana também tiveram como pano de fundo decisão de política monetária nos Estados Unidos, com a percepção entre agentes financeiros de um Federal Reserve menos “hawkish” que o esperado. No Brasil, por sua vez, o Banco Central não sinalizou quando pretende começar um ciclo de cortes na Selic estimado pelo mercado para 2026, enquanto manteve a taxa em 15% ao ano, maior patamar em quase 20 anos.

REUTERS

Receita com exportação do agro do Brasil sobe 6,2% em novembro e é recorde no ano

As exportações do agronegócio do Brasil alcançaram US$13,4 bilhões em novembro, um crescimento de 6,2% em relação ao mesmo mês de 2024, impulsionadas pelas receitas da soja, café e carne bovina, entre outros, informou o Ministério da Agricultura na sexta-feira.

A receita com as exportações em novembro foi a segunda maior para o mês da série histórica do ministério, enquanto no acumulado do ano o total atingiu um valor recorde acima de US$155 bilhões. Em novembro, o total faturado com as exportações de soja em grãos somou US$1,83 bilhão, alta de 64,6% em relação ao mesmo período do ano passado, com maior produtor e exportador global da oleaginosa se beneficiando da demanda firme da China em um ano em que colheu uma safra recorde. Já a carne bovina do Brasil, também o maior exportador global, registrou receita de US$1,75 bilhão em novembro, alta anual de 51,8%, com elevados volumes embarcados para diversos mercados, que compensaram uma redução nas exportações para os EUA, que até a parte final do mês tinha uma sobretaxa para o produto brasileiro. A exportação de café verde do país, líder global no segmento, atingiu US$1,5 bilhão em novembro, alta de 9,1%, impulsionada por preços mais altos. “Tanto a carne bovina quanto o café registraram recordes em valor, enquanto o volume exportado de carne bovina ultrapassou 318 mil toneladas, o maior já registrado para um mês de novembro”, disse o ministério. De janeiro a novembro de 2025, as exportações do agronegócio somaram US$155,25 bilhões, o maior valor já registrado para o período e 1,7% acima do mesmo período do ano passado. “As vendas externas seguem cumprindo seu papel complementar ao mercado interno: ampliam escala, fortalecem cadeias produtivas, geram empregos e renda e estimulam investimentos em todas as regiões do país”, disse a nota do governo. A China, rendendo US$52,02 bilhões no acumulado do ano (+10,0%), União Europeia (US$22,89 bilhões, +5,4%) e Estados Unidos (US$10,48 bilhões, –4,0%) seguem entre os principais destinos do agronegócio brasileiro no acumulado de janeiro a novembro. Outros mercados relevantes também ampliaram suas compras no período, como Índia (US$3,02 bilhões, +11,0%) e México (US$3,0 bilhões, +8,5%), “movimento que aponta para uma expansão geográfica gradual e consistente, com ganhos distribuídos em diferentes regiões”.

REUTERS

Para IBGE, safra de grãos recua; Conab vê novo recorde

Diferenças nos números estão na área e na produtividade dos principais produtos. Divergência na produção de soja chega a 10 milhões de t entre as duas entidades

A safra de grãos aumenta ou diminui em 2026? Ainda é cedo para um dado final em tempos de clima tão incerto, mas Conab e IBGE divulgaram suas estimativas na quinta-feira (11). Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o recorde obtido no ano passado fica para trás. Para a Companhia Nacional de Abastecimento, ele amplia. Os técnicos do IBGE, por ora, estimam em 336 milhões de toneladas a safra de grãos do próximo ano, 10 milhões a menos do que o recorde de 2025. Já a Conab espera que a safra, após o recorde de 352 milhões de toneladas neste ano, suba para 354 milhões no próximo. As diferenças ocorrem basicamente na área estimada de plantio e na produtividade esperada para as principais culturas. Os números da Conab indicam que a produção nacional de grãos superará em 18 milhões de toneladas os do IBGE. Apenas nos quatro principais itens (arroz, milho, soja e trigo), a diferença entre as duas instituições é de 16 milhões. Esses quatro produtos representam 95% de toda a produção de grãos do país. A soja é o grande motivo de divergência. A Conab aposta em uma área de plantio de 48,9 milhões de hectares, 2,5% a mais do que a do IBGE. No rendimento médio, a estimativa é de 3.620 kg por hectare, 3% superior à do instituto. Esses dois indicadores indicam uma safra recorde de 177 milhões, segundo a Conab, 10 milhões a mais do que a prevista pelo IBGE. Os dois, no entanto, trazem uma má notícia para o consumidor. A oferta de arroz, feijão, trigo e milho será menor. Este último, com previsão de 139 milhões pela Conab e de 132 milhões pelo IBGE, afeta o consumidor indiretamente, via custos das proteínas. O IBGE espera uma queda na oferta de arroz, mas com um volume ainda superior ao previsto pela Conab. Segundo o instituto, serão 11,6 milhões de toneladas em 2026, 1 milhão a menos do que neste ano. Para o feijão, ambos preveem produção de 3 milhões de toneladas, o que é suficiente para o abastecimento interno, segundo o IBGE. As condições favoráveis de 2025, principalmente com relação ao clima, podem não repetir no próximo. Por ora, há uma expectativa de que, das 11 culturas de verão avaliadas pela Conab, apenas soja, sorgo e mamona vão ter aumento de produção. Com relação às plantações de inverno, a empresa ainda trabalha com os dados de 2025. Em um período de margens de ganho mais apertadas e custos maiores, o produtor reduz a área na maioria das culturas. Nos cálculos do IBGE, a alta ocorre apenas no milho, que vai a 22,6 milhões de hectares, com expansão de 1,5%. Algodão e arroz têm as principais reduções percentuais. O plantio do cereal se estenderá por 1,68 milhão de hectares no país, com queda de 3,6%. Com área menor e produtividade 4,6% inferior à deste ano, a safra fica abaixo do recorde de 12,6 milhões de 2025, segundo o IBGE. O consumo nacional do cereal é de 11 milhões de toneladas, e 2,1 milhões desse volume vai para o exterior. As importações devem somar 1,4 milhão, conforme os dados atuais da Conab. O consumo de feijão é de 2,8 milhões de toneladas, dentro da previsão de produção.

FOLHA DE SP

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