Ano 1 | nº 38 | 11 de dezembro de 2025
NOTÍCIAS
Aquisição de leite teve alta de 10,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior
A aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária (federal, estadual ou municipal) no 3º trimestre de 2025, foi de 7,01 bilhões de litros.
O valor correspondeu a um acréscimo de 10,2% em comparação ao volume registrado no 3º trimestre de 2024 e aumento de 7,9% em comparação ao obtido no trimestre imediatamente anterior.
IBGE
Paraná regulamenta lei que proíbe reconstituição de leite em pó importado
Lei proíbe reconstituição de leite em pó importado quando destinado ao consumo humano. Medida se soma a um conjunto de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da atividade leiteira no Estado e a proteger a produção e a renda das famílias produtoras.
O Governo do Paraná publicou nesta quarta-feira (10) o Decreto 12.187/2025 que regulamenta a Lei nº 22.765/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó e outros derivados de origem importada quando destinados ao consumo humano no Estado. A norma detalha definições técnicas, procedimentos de fiscalização e obrigações das indústrias que utilizam produtos lácteos em seus processos produtivos. Pela regulamentação, ficam proibidas operações industriais, comerciais ou de beneficiamento que envolvam a adição de água ou outros líquidos a leite em pó, composto lácteo, soro de leite ou produtos similares importados, quando o resultado se destinar ao consumo no Paraná. A restrição não se aplica aos produtos importados já prontos para o varejo e devidamente rotulados conforme exigências da Anvisa.
A publicação do decreto representa uma resposta direta do Governo do Estado ao cenário desafiador enfrentado pelo setor. O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, destacou que a medida se soma a um conjunto de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da atividade no Estado. “Esse decreto é mais uma prova de que o Governo do Estado está do lado de quem produz. Estamos fortalecendo a cadeia do leite, garantindo um mercado mais justo e ajudando os produtores a aumentar a renda no campo, porque nosso compromisso principal é botar dinheiro no bolso do produtor rural”, afirma. A fiscalização do cumprimento deste Decreto caberá ao órgão ou entidade responsável pelo licenciamento ou registro do estabelecimento, conforme sua natureza e atribuições legais, sem prejuízo da atuação conjunta com órgãos de vigilância sanitária, defesa agropecuária e proteção ao consumidor. As ações de fiscalização incluem inspeções de rotina, programadas ou não, inspeções motivadas por denúncias ou comunicações oficiais, auditorias documentais sobre aquisição, origem, uso e destinação de produtos lácteos, vistorias in loco para verificação dos processos industriais e coleta oficial de amostras para comprovação técnico-sanitária, sempre que necessária. As empresas deverão manter, por pelo menos dois anos notas fiscais de aquisição de matérias-primas lácteas, com identificação do país de origem, certificados sanitários internacionais, quando aplicáveis, registros de produção, incluindo quantificação e uso de ingredientes e registros que permitam rastreabilidade completa das matérias-primas desde a aquisição até o uso industrial. Além disso, os fiscais podem adotar medidas em casos de suspeita ou confirmação de reconstituição proibida de produtos lácteos importados. Eles poderão apreender produtos, coletar amostras para análise e até interditar parcial ou totalmente setores ou todo o estabelecimento. Caso a irregularidade seja comprovada, serão aplicadas as penalidades previstas na legislação estadual, sem prejuízo de eventuais responsabilizações civil e penal dos responsáveis.
AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS
NACIONAL
SC avança com projeto para barrar uso de leite em pó importado nas indústrias
Projeto pretende fortalecer a cadeia produtiva do leite em Santa Catarina e segue agora para análise da Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação.
A Comissão dos Direitos do Consumidor e do Contribuinte e de Legislação Participativa da Alesc aprovou, nesta terça-feira (9), o projeto de lei (PL) 759/2025, de autoria do deputado Oscar Gutz (PL), que propõe proibir a reconstituição de leite em pó importado em Santa Catarina. O objetivo da proposta é reduzir os impactos da crise no setor leiteiro catarinense e fortalecer a cadeia produtiva estadual. Outro projeto com o mesmo propósito, de autoria do deputado Altair Silva (PP), foi anexado ao texto. Pelo texto aprovado, fica proibido que o leite em pó de origem importada seja transformado por indústrias de processamento e laticínios em leite fluido para comercialização dentro do estado. O argumento é que o produto importado chega ao estado com custo mais baixo, gerando concorrência desleal com o leite produzido em Santa Catarina. O PL 759/2025 foi relatado pelo presidente da comissão, deputado Mário Motta (PSD). No parecer, ele manteve a emenda aprovada previamente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), apresentada pelo autor da proposta, que amplia a proibição para outros produtos lácteos.
Assembleia legislativa de SC
Gadolando faz balanço de 2025 e aponta prioridades para fortalecer o setor leiteiro
Associação defende medidas antidumping, mais valorização ao produtor e abertura de novos mercados.
Aumentar a remuneração ao produtor, regulamentar as importações, promover campanhas para estimular o consumo e buscar mercados externos são algumas das reivindicações para reverter as dificuldades enfrentadas pelo setor leiteiro. O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, fez um balanço do ano de 2025 e apresentou perspectivas para o próximo ano. Ele reconheceu o esforço e a dedicação dos produtores, apoiados pela Gadolando, mas afirmou que 2025 se encerra como um ano ruim devido, principalmente, à remuneração do litro de leite. Tang destacou que trabalhar com uma remuneração baixa inviabiliza a continuidade da atividade. “Nós amamos nossas vacas, amamos a raça holandesa, amamos o setor leiteiro, mas não podemos viver só de paixão. Precisamos de renda e de lucro para a nossa própria subsistência”, alertou. Ele lembrou que a atividade leiteira é uma das principais forças econômicas do campo e que precisa ser reconhecida e mais bem remunerada. “Nós precisamos parar de entregar o leite; precisamos vender o leite. Sempre defendi isso”, afirmou. Sobre o desempenho do setor em 2025, Tang apontou que as importações avançaram após agosto, agravando um cenário que já contava com aumento da produção local. “A alta da produção combinada com o avanço das importações resultou em um desfecho de ano bastante difícil”, explicou. Diante disso, o presidente da Gadolando se posiciona fortemente no sentido de reivindicar medidas urgentes como reduzir as importações de leite e derivados, impondo regras antidumping, uma pauta defendida em parceria com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Ele também reforçou a necessidade de ações conjuntas entre produtores, indústria, varejo e autoridades para esclarecer os benefícios do consumo de leite. “Nossa posição é a de que o país não seja importador de leite. Temos um produto de qualidade e podemos, inclusive, ser exportadores”, afirmou. Para 2026, Tang adianta que a ideia é que haja uma regulamentação das importações, se valorize mais o produtor nacional e local e que o setor possa abrir novos mercados externos. “Precisamos amadurecer a cadeia e virar um país exportador, mas neste momento, clamamos que as autoridades políticas e administrativas tomem alguma medida no sentido de regulamentar as importações para salvar os produtores locais”, reforça. Por fim, o presidente da Gadolando reitera que, mesmo em um cenário difícil, os produtores continuam registrando seus animais, realizando controle leiteiro e classificação morfológica. “Mesmo com a crise, o produtor tem feito trabalhos maravilhosos, como podemos constatar nos nossos destaques de fim de ano, a evolução genética que o nosso produtor está fazendo. Isso realmente muito nos honra e mostra que o produtor, especialmente o sócio da Gadolando, é um maestro nessa atividade de produzir leite e de criar vacas holandesas desde o seu nascimento até a sua maturidade com excelência e com bem-estar animal”, conclui.
GADOLANDO/MILKPOINT
GOVERNO
Brasil tenta destravar rastreabilidade de bovinos após duas décadas de atraso
Plano prevê que todo o rebanho nacional esteja identificado até o final de 2032. “Temos índices zootécnicos que estão muito abaixo da média nacional”, afirma Barbra Lopes
Passadas mais de duas décadas desde o anúncio do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), o Brasil ainda não conseguiu implementar a rastreabilidade bovina de forma ampla e funcional. Pressionado por mercados exigentes, o país tenta agora colocar em prática o que já deveria estar consolidado. O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), lançado em dezembro do ano passado pelo governo federal, prevê que a totalidade do rebanho brasileiro — calculada em 238 milhões de cabeças — esteja identificada até o dia 31 de dezembro de 2032. Na prática, será como se cada bovino ou búfalo tivesse o seu próprio “RG”. Atualmente, a rastreabilidade dos animais no Brasil se dá por lotes. Até a etapa final do Pnib, que se encerra no dia 31 de dezembro de 2032, deverão ser obrigatoriamente identificados todos os animais que, independentemente do motivo, transitem em território nacional. Os principais argumentos do governo federal para a implementação do programa estão relacionados à capacidade de resposta a surtos epidemiológicos e à tentativa de ampliar as exportações para mercados exigentes. Caso os bovinos não estejam identificados no dia 1 de janeiro de 2033, antes da primeira movimentação, será configurada infração de trânsito de animais. “No entanto, as regras específicas de trânsito, incluindo eventuais penalidades, são de competência de cada Estado”, informou o Ministério da Agricultura, por meio de sua assessoria. Antes mesmo do lançamento do plano nacional, alguns Estados deram os primeiros passos para rastrear o gado bovino. No Rio Grande do Sul, o tema já havia sido discutido na década passada. Desde 2017, o Estado tinha um sistema de rastreabilidade individual em propriedades leiteiras. Em 2023, uma iniciativa começou a ser colocada em prática em cerca de 400 animais de corte em uma propriedade pertencente ao governo do Estado. Em novembro deste ano, a Secretaria da Agricultura disponibilizou um formulário para a adesão voluntária de produtores. O objetivo é trabalhar com 50 propriedades para, então, verificar a necessidade de melhorias visando a implantação do plano estadual. Segundo o diretor-adjunto do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal, Francisco Nunes Lopes, a ideia é finalizar o estudo em maio de 2026, para dar início ao ingresso de propriedades voluntárias de forma ampla. O modelo de rastreabilidade segue as diretrizes do programa nacional. Em uma das orelhas, está localizado o brinco com um número visual impresso; na outra, o botton com um chip com a tecnologia de radiofrequência (RFID), “lido” por um bastão de leitura. Adiantado em relação a outros Estados, o Pará efetuou em agosto deste ano o primeiro abate de animais identificados pelo sistema de rastreabilidade bovídea — no caso, um lote de 20 machos oriundos de uma fazenda de Marabá. Até meados de novembro, o Estado tinha 304 mil animais identificados em um rebanho de 26 milhões de cabeças. O prazo para a entrada em vigor da obrigatoriedade, porém, foi prorrogado na última semana por um decreto do governador Helder Barbalho, que atendeu a uma demanda do setor produtivo. A identificação dos animais poderá ser feita até 31 de dezembro de 2030. Na versão inicial, a data limite era janeiro de 2027. O adiamento não era esperado pela equipe técnica do programa, conforme apurou o Valor. “Somos o segundo maior rebanho, mas temos índices zootécnicos que estão muito abaixo da média nacional”, diz a veterinária Barbra Lopes, coordenadora de Rastreabilidade e Cadastro Agropecuário da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará). O percentual de abate de animais até 24 meses, por exemplo, é inferior ao índice do Brasil. Uma das diretrizes da política pública é apoiar os pequenos produtores. Para aqueles com até 100 animais, os brincos e bottons serão doados pelo Estado. No caso dos demais, o custo por animal está estimado entre R$ 8,50 e R$ 11,50. Há outras iniciativas para adotar o rastreamento pelo país. Mesmo antes de a rastreabilidade obrigatória entrar em vigor, um grupo de pecuaristas do Centro-Oeste se uniu para difundir informações sobre boas práticas no campo. Hoje, cerca de 70 produtores fazem parte da iniciativa denominada Carne do Futuro — a maioria deles localizada nas regiões norte, sul e noroeste de Mato Grosso. “Para podermos passar a informação à população, precisamos ter como fazer a validação dessas informações. E uma das formas para fazer isso é tendo a rastreabilidade”, diz Luciano Resende, um dos idealizadores do grupo. O rebanho dos produtores associados soma cerca de 700 mil cabeças, das quais Resende calcula que 75% já estejam rastreadas. O mercado, porém, oferece um diferencial pequeno para compensar a rastreabilidade, o que faz com que a conta fique “muito apertada” para o produtor, segundo Resende. Em novembro, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou uma lei que cria um sistema estadual de rastreabilidade socioambiental para todo o rebanho bovino e bubalino. O modelo será implantado de forma escalonada a partir de janeiro de 2026.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
BC mantém Selic em 15%, maior patamar desde julho de 2006
Foi a quarta manutenção consecutiva do patamar de juros. Decisão era esperada pelo mercado
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano pela quarta reunião consecutiva. Com essa decisão, o nível continua no maior patamar desde julho de 2006. A decisão de manter os juros veio dentro das expectativas. Levantamento do Valor com 112 instituições mostrou que apenas duas casas esperavam que o ciclo de redução de juros começasse nesta última reunião do ano. Outros 54% responderam que o Copom deve começar a reduzir os juros em janeiro e 44% apontaram para março. A reunião do colegiado ocorre no mesmo dia da divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e da decisão do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos. Por aqui, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou uma aceleração do IPCA para 0,18% em novembro, após alta de 0,09% em outubro. O resultado ficou abaixo da mediana de 0,19% das projeções coletada pelo Valor Data. Outro ponto de atenção do comitê são as expectativas de inflação, que vêm arrefecendo nos últimos meses. A mediana das projeções colhidas no relatório Focus ficou em 4,40% para 2025 contra 4,55% há quatro semanas. Para 2026, a mediana passou de 4,20% para 4,16%. Já para 2027, atual horizonte relevante da política monetária, período em que a condução dos juros faz mais efeito, permaneceu em 3,80%. A meta contínua é de 3%. Já o Fed cortou os juros pela terceira vez em 2025, como era esperado pelo mercado. O Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do Fed reduziu em 0,25 ponto percentual (p.p.) para a faixa entre 3,50 e 3,75% ao ano. A decisão não foi unânime, com dois dirigentes votando pela manutenção e um por um corte de 0,50 p.p. No seu comunicado, o Banco Central afirmou que “o ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica. Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, como observado na última divulgação do PIB, enquanto o mercado de trabalho mostra resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”.
VALOR ECONÔMICO
IPCA fica abaixo do teto da meta em novembro pela 1ª vez em mais de um ano
A inflação no Brasil acelerou um pouco menos do que o esperado em novembro apesar da pressão das passagens aéreas, e a taxa em 12 meses foi abaixo do teto da meta pela primeira vez em pouco mais de um ano.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou nos 12 meses até novembro alta de 4,46%, de 4,68% em outubro e expectativa de 4,49%. Com isso, o IPCA em 12 meses volta a ficar abaixo do teto da meta contínua — 3,0% medida pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos — pela primeira vez desde setembro de 2024 (+4,42%). Na base mensal, o IPCA subiu em novembro 0,18%, menor leitura para o mês desde 2018 (0,21%), depois de avançar 0,09% no mês anterior, mostraram os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mensal ficou ligeiramente abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de 0,20%. De acordo com o gerente da pesquisa no IBGE, Fernando Gonçalves, a inflação caminha para terminar o ano dentro do objetivo: “Não tem nenhuma pressão forte para a inflação nesse fim de ano que possa ameaçar o cumprimento da meta”, afirmou, calculando que se o IPCA registrar 0,56% de alta em dezembro, o índice bate na meta de 4,5%. Os dados do IPCA foram divulgados no dia em que o Banco Central anuncia sua última decisão de política monetária do ano, com ampla expectativa de manutenção da taxa básica de juros em 15%. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou recentemente que a autoridade monetária vai colocar os juros no nível necessário pelo tempo necessário para que a inflação convirja para a meta, e que deve perseguir o centro do objetivo, não o teto. “O quadro inflacionário brasileiro segue em processo de desinflação”, avaliou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. “Apesar disso, o Banco Central deve manter uma postura cautelosa na reunião do Copom desta quarta-feira, com o objetivo de preservar sua credibilidade e evitar ruídos que comprometam a condução da política monetária.” Em novembro, o principal impacto positivo no índice foi exercido pela passagem aérea, com alta de 11,9% de 4,48% no mês anterior. Isso ajudou a inflação de serviços, ponto de atenção do BC em meio à resiliência do mercado de trabalho e à renda elevada, a acelerar para 0,60%, de 0,41% em outubro. Já a hospedagem registrou avanço de 4,09% em novembro diante da alta de cerca de 178% desse serviço registrada em Belém por conta da realização da COP-30. Assim o grupo Despesas pessoais subiu 0,77% em novembro, de 0,45% no mês anterior. A energia elétrica residencial também pesou com alta de 1,27% diante de reajustes tarifários em algumas concessionárias. A bandeira tarifária para a conta de energia foi mantida em novembro como vermelha patamar 1, com cobrança adicional de R$4,46 a cada 100 kWh consumidos. Para dezembro, a Aneel informou que a bandeira será amarela e o consumidor passará a pagar R$1,885 a cada 100 KW/h consumidos. Na outra ponta, o grupo Alimentação e bebidas voltou a cair, com variação negativa de 0,01%, sendo que a alimentação no domicílio fechou em queda pelo sexto mês consecutivo, de 0,20%. “(A) pressão em serviços (foi) atenuada por queda maior do que a esperada nos preços dos alimentos e dos bens industriais, ambos espelhando os descontos da Black Friday. Este resultado é positivo e reforça o viés de baixa para inflação deste ano”, apontou o banco Daycoval em nota O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em novembro alta a 56%, de 52% no mês anterior. A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a expectativa do mercado para a inflação vem diminuindo, com projeção de que o IPCA encerre este ano com alta de 4,40%, com a Selic a 15,0%.
Reuters
Dólar contraria exterior e sobe ante o real com política no radar
O dólar voltou a subir ante o real nesta quarta-feira, com as cotações ainda contaminadas pelas movimentações políticas visando a eleição de 2026 no Brasil, enquanto no exterior a moeda norte-americana cedia na esteira do corte de juros pelo Federal Reserve.
O dólar à vista fechou em alta de 0,49%, aos R$5,4675. No ano, porém, a divisa acumula perdas de 11,51%. Às 17h02, o contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,53% na B3, aos R$5,4900. Na abertura da sessão o dólar chegou a oscilar no território negativo, mas a moeda se fortaleceu rapidamente ainda por conta da cautela em relação ao cenário eleitoral brasileiro. Desde o anúncio na última sexta-feira do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, à candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), à Presidência, os ativos brasileiros têm sido pressionados. A visão de boa parte do mercado é de que Flávio tem menos chances que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Ainda existe uma aversão a risco por conta da indicação do Flávio”, comentou durante a tarde Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos. “Há uma tentativa de amenizar a candidatura, com a leitura de que ela existe apenas para se conseguir a anistia ou a redução de pena para Bolsonaro, mas o fato é que Flávio não tem popularidade para bater o Lula em eventual disputa”, acrescentou. O dólar manteve a alta ante o real até o fim da sessão, ainda que no exterior a divisa tenha cedido ante outras moedas na esteira da decisão do Fed. O banco central norte-americano anunciou o corte de 25 pontos-base de sua taxa de referência, para a faixa de 3,50% a 3,75%, como esperado pelo mercado. Além disso, suas projeções indicaram mais um corte de 25 pontos-base em 2026 e outro em 2027. Embora as apostas de manutenção da Selic em 15% na quarta-feira sejam praticamente unânimes, os agentes estarão atentos às indicações do Copom sobre se o ciclo de cortes começará em janeiro ou em março. À tarde, o Banco Central informou que o Brasil recebeu US$4,710 bilhões líquidos na semana passada, sendo que US$2,373 bilhões entraram no país pela via financeira, que inclui operações ligadas a investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros e pagamento de juros.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com apoio de Vale tendo Fed, BC e política nacional no radar
O Ibovespa fechou em alta na quarta-feira, sustentado principalmente pelas ações da Vale, em sessão também marcada por corte de juros nos Estados Unidos, enquanto o cenário político nacional permaneceu no radar.
Investidores ainda aguardavam na quarta-feira a decisão de política monetária do Banco Central brasileiro, com as expectativas apontando manutenção da Selic em 15% e o foco voltado ao comunicado e sinais sobre os próximos passos. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 0,67%, a 159.038,81 pontos, de acordo com dados preliminares, alcançando 159.690,7 pontos na máxima, após registrar 157.628,3 pontos na mínima. O volume financeiro no pregão somava R$21,15 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
CNI projeta crescimento de 1,8% do PIB em 2026
Entidade estima que o setor de serviços vai crescer 1,9%, que a indústria registre uma perda de ritmo em relação a 2025, com crescimento de 1,1%, e que a agropecuária apresente estabilidade
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta crescimento de 1,8% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, com impacto principal da expansão do setor de serviços. As projeções para os indicadores econômicos do país foram divulgadas nesta quarta-feira no relatório “Economia Brasileira 2025-2026″. Segundo a CNI, o setor de serviços deve crescer 1,9% no próximo ano. Enquanto isso, a tendência é que a indústria registre uma perda de ritmo em relação a 2025, com crescimento de 1,1%. Já a agropecuária deve se manter estável. Na avaliação da entidade, os juros altos e o enfraquecimento do mercado de trabalho são os principais fatores de desaceleração da economia. A CNI ainda projeta que o Banco Central (BC) vai reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para 12% no fim de 2026. Atualmente, a Selic está em 15%. Ainda na avaliação da confederação, a inflação fechará 2026 em 4,1%, acima da meta de 3%. Mário Sérgio Telles, diretor de economia da confederação, destacou que o cenário para 2026 “infelizmente, não é muito positivo” com crescimento mais baixo, além de menor participação da indústria nesse crescimento. Telles destacou que apesar da tendência de queda dos juros, o efeito na economia é defasado. “O Banco Central deve começar em janeiro ou fevereiro o processo de redução da taxa Selic, que deve chegar em 12% no fim de 2026. É positivo, mas ainda muito pouco. Com isso e com a trajetória de expectativas de inflação, devemos chegar no fim de 2026, ainda com taxa de juros real de 7,9%, bem acima da taxa neutra, ou seja, é uma política monetária ainda muito contracionista”, disse Telles. O diretor de economia apontou que, na visão da CNI, a taxa Selic poderia estar mais baixa hoje, em torno de 11% ou 11,5% ao ano, em vez dos 15% atuais. Na avaliação da confederação, queda da demanda interna e aumento das importações, além do patamar dos juros, vão afetar a indústria, em especial a de transformação. Já a construção deve ter um bom desempenho em 2026. Segundo Telles, a dinâmica do setor está relacionada ao programa Minha Casa, Minha Vida, além de mudanças no modelo de financiamento e de “algum efeito” da redução da Selic. Já a indústria extrativa deve registrar alta de 1,6% nas projeções da confederação devido à extração de petróleo e de minério de ferro. Segundo Telles, a exploração de terras raras que está sendo discutida com outros países, como Estados Unidos e China, ainda não foi incluída nas projeções porque as conversas ainda estão em andamento. Sobre os efeitos do ano eleitoral, Telles destacou que o impacto está incluído nas projeções das estatísticas para os governos estaduais que, segundo destacou, costumam aumentar despesas em anos de eleição. A projeção da CNI para investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) em 2026 é de crescimento menor, de 0,6%. Para 2025, a projeção é de 3,7%. Neste ano, a entidade espera crescimento de 2,5% no PIB, de 2,4% estimados antes. Ao contrário de 2024, quando a indústria e o setor de serviços puxaram o PIB, neste ano, a agropecuária foi a que mais contribuiu. Segundo a CNI, depois de crescer 3,3% em 2024, o PIB industrial deve aumentar 1,8% neste ano. Para a confederação, a desaceleração será mais sentida pelos segmentos de transformação e de construção que são mais sensíveis aos juros.
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