Ano 1 | nº 148 | 05 de junho de 2026
NOTÍCIAS
Febre da proteína testa limites da indústria de alimentos e esgota estoques de whey
As grandes empresas de alimentos estão colocando proteína em salgadinhos, waffles e até nos cafés do Starbucks, e os consumidores parecem não se cansar. Mas essa demanda insaciável agora leva a indústria a enfrentar escassez e disparada nos preços do whey protein, obrigando alguns fabricantes a suspender a produção ou reformular seus produtos mais vendidos com ingredientes alternativos.
No início de maio, um fornecedor deu uma má notícia à empresa de panificação e bebidas HelloAmino: o estoque de whey protein havia acabado. A HelloAmino, sediada no Canadá, usa o ingrediente em todas as 30 misturas de panificação ricas em proteína que vende. A fundadora Aelie Swift encontrou outro fornecedor, mas isso significa importar whey protein fora dos EUA a um preço 50% maior e com nova alta prevista para breve. O whey protein de outro fornecedor trouxe outras complicações: deixou os produtos assados da empresa ressecados, devido ao método de processamento diferente usado pelo fabricante. “Nossas panquecas ficaram parecendo serragem”, disse Swift. A empresa pretende reformular os produtos com uma combinação diferente de proteínas, já que “o whey ficou caro demais para continuarmos usando da forma como usávamos antes”, afirmou. A febre da proteína que tomou conta da indústria de alimentos nos Estados Unidos e em muitas outras partes do mundo começa a esbarrar na realidade de uma cadeia de suprimentos que tem dificuldade para acompanhar a demanda. À medida que as maiores empresas de alimentos correram para lançar versões ricas em proteína de produtos queridos pelos consumidores, incluindo os waffles Eggo Protein, da Mars, os cold foams do Starbucks e uma proliferação interminável de barras, shakes, refrigerantes, doces e outros quitutes turbinados com proteína, o whey protein virou ingrediente de destaque. Trata-se de uma proteína completa, que se dissolve bem, é digerida com facilidade e pode ser adicionada a uma variedade de alimentos. Mas agora não há produto suficiente para tudo. Alguns fornecedores já venderam todo o estoque disponível até o fim do ano, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA. O que ainda está disponível disparou de preço: as ofertas de concentrado de whey com alto teor de proteína subiram mais de 40% em média, apenas nos últimos dois meses. “Você começa a se enxergar como uma empresa de proteína, não como uma empresa de queijo”, disse Bryan Weller, vice-presidente de vendas de commodities e laticínios da cooperativa Agri-Mark, que fabrica queijos sob a marca Cabot Creamery. “É esse o grau de loucura a que chegamos.” A empresa já vendeu toda a sua produção de proteína e continua recebendo pedidos diários para compras imediatas. Agora, os compradores precisam ter uma relação já estabelecida com os fabricantes de whey, enquanto antes eram os produtores que procuravam as empresas de alimentos, disse George Saker, vice-presidente de cadeia de suprimentos da fabricante de barras proteicas David. Isso se tornará ainda mais crucial no segundo semestre, afirmou, quando empresas de alimentos que registraram demanda acima do esperado terão de voltar aos fornecedores para negociar mais produto. Neste momento, muitas empresas estão simplesmente concentradas em garantir o abastecimento, disse David Lenzmeier, CEO da fornecedora de ingredientes Actus Nutrition. Elas estão dispostas a “aceitar o preço que o mercado estiver cobrando” apenas para conseguir algum whey, afirmou. A Majic Protein, que produz sobremesas de massa de biscoito com alto teor desse macronutriente, afirmou que encontrar um substituto para a proteína de soro de leite não é uma tarefa simples. A empresa inglesa viu o preço do whey subir 30% em três meses antes de o fornecedor avisar que ficaria sem estoque até setembro, disse o cofundador Ben Ayres. Duas semanas atrás, Ayres disse que a empresa comprou todo o concentrado de whey protein que ainda restava ao atacadista, o que, segundo ele, deve garantir o abastecimento por mais dois meses — ou menos. A Vitalura Labs, empresa de suplementos sediada nos arredores de Austin, no Texas, teve de suspender a venda do whey protein isolado, que respondia por cerca de metade de suas vendas, disse a cofundadora Anna Victoria. O custo do whey protein isolado de leite de vacas alimentadas a pasto subiu mais de 300% desde 2023. A Vitalura absorveu boa parte desse aumento antes de elevar os preços modestamente, e chegou a vender o produto com prejuízo antes de retirá-lo do portfólio. Até agora, os consumidores praticamente não sentiram os efeitos da escassez de proteína de soro de leite, mas isso pode mudar em breve. Os preços dos produtos enriquecidos com proteína provavelmente começarão a subir, disse Scott Dicker, diretor sênior e chefe de pesquisa e insights da Spins, empresa de pesquisa de mercado. “Sabemos que o preço da proteína como ingrediente está subindo”, disse, aumento que normalmente leva de 12 a 18 meses para aparecer nas prateleiras do varejo. Atualmente, o preço médio dos produtos que destacam o whey protein na embalagem está praticamente estável em relação a um ano atrás, embora tenha subido 32% em comparação com quatro anos atrás, segundo dados da NielsenIQ. As vendas em valor desses produtos aumentaram 7% no último ano.
AGÊNCIA BLOOMBERG
NACIONAL
Linha de crédito dá fôlego a produtores de leite em SC
Linha voltada à pecuária leiteira catarinense já soma 3.721 contratos
Produtores de leite de Santa Catarina já podem acessar uma linha de crédito que movimentou R$ 108 milhões em 90 dias. O Pronampe Leite BRDE/SC, segundo dados divulgados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), foi criado para apoiar a atividade leiteira em um cenário de queda nos preços pagos ao setor. O avanço do programa mostra a procura por crédito entre produtores catarinenses. Em três meses, foram aprovadas 3.721 operações, distribuídas por 203 municípios do Estado, de acordo com levantamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A proposta é atender principalmente pequenos e médios produtores, público mais sensível às oscilações de mercado e ao aperto no fluxo de caixa. “O foco está no atendimento de pequenos e médios produtores de leite, numa iniciativa que disponibiliza crédito com condições especiais para apoiar produtores afetados pela queda nos preços do setor”, destaca o diretor vice-presidente do BRDE, Mauro Mariani. O Pronampe Leite BRDE/SC tem prazo total de 24 meses. O produtor conta com 12 meses de carência e mais 12 meses para quitar o financiamento. Segundo dados divulgados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), a linha prevê juros de 6% ao ano para produtores com mais de 30 matrizes, desde que os pagamentos sejam feitos em dia. O valor liberado depende do rebanho. O limite é de R$ 1 mil por matriz, com teto de R$ 50 mil por produtor. Para acessar o crédito, o produtor precisa ter rebanho registrado na Cidasc e comprovar a comercialização de leite em 2025. A documentação exigida inclui relatório do Sigen + Cidasc, emitido há no máximo 30 dias. O documento deve comprovar o número de vacas leiteiras e de bovinos fêmeas com 25 meses ou mais. Também é necessário apresentar nota fiscal de venda de leite em 2025. Em propriedades coletivas, há uma exigência adicional: apresentar declaração informando que será feita apenas uma operação pelo programa. O acesso ao Pronampe Leite BRDE/SC deve ser feito pelas cooperativas de crédito do município. A linha é operada pelo BRDE e foi formulada em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape).
AGROLINK
Projeto Vivaleite, do Governo de SP, distribui mais de 175 milhões de litros no estado
Integrado às ações da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS) no combate à insegurança alimentar, o Projeto Vivaleite atende cerca de 273 mil beneficiários, entre crianças e idosos, com a distribuição de aproximadamente 4 milhões de litros de leite por mês.
Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial do Leite é celebrado em 10 de junho com o objetivo de destacar a importância do leite como alimento global e conscientizar sobre seu papel em uma alimentação balanceada. No estado de São Paulo, este reconhecimento ganha ainda mais relevância por meio do Projeto Vivaleite que, durante a atual gestão, garantiu a distribuição de mais de 175 milhões de litros de leite enriquecido, contribuindo diretamente para a segurança alimentar de crianças e idosos em situação de vulnerabilidade social. Maior programa estadual de distribuição de leite pasteurizado e fortificado do Brasil, o Vivaleite está presente nos 645 municípios paulistas. Ao longo de quatro anos, atendeu a 11,7 milhões de beneficiários — sendo 7,4 milhões de crianças na primeira infância e 4,3 milhões de idosos. Para alcançar esses números expressivos, o Governo do Estado de São Paulo investiu mais de R$ 912 milhões. “Chegar aos 645 municípios paulistas com uma política pública de segurança alimentar é um desafio que exige planejamento, parceria e compromisso. O Vivaleite é um exemplo de como o Estado pode atuar de forma eficiente para alcançar quem mais precisa, garantindo um alimento nutritivo e fortalecendo a rede de proteção social”, afirma a secretária de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, Andrezza Rosalém. Já para o coordenador do Projeto Vivaleite, Marco Antonio Brabo, o Vivaleite é uma política pública consolidada no enfrentamento à fome, garantindo um alimento essencial para milhares de famílias paulistas. “No Dia Mundial do Leite, reforçamos o compromisso do Governo de São Paulo com a segurança alimentar e com o desenvolvimento saudável de crianças e idosos em situação de vulnerabilidade”, destaca. O leite fornecido pelo programa possui fórmula enriquecida com ferro e vitaminas A e D. Para as crianças, auxilia no crescimento e no desenvolvimento, além de ser uma importante fonte de hidratação. Já para os idosos, contribui para o fortalecimento da estrutura óssea. “Desde quando eu comecei a ser beneficiária do Vivaleite, eu não perco uma distribuição. O leite, além de ser o favorito dos meus filhos, auxiliou no crescimento das crianças e trouxe mais tranquilidade para a nossa alimentação no dia a dia.”, elogia a venezuelana, mãe de quatro filhos, Ithiana Yoselyth. Integrado às ações da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS) no combate à insegurança alimentar, o Projeto Vivaleite atende cerca de 273 mil beneficiários, entre crianças e idosos, com a distribuição de aproximadamente 4 milhões de litros de leite por mês.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
EVENTOS
EMBRAPA LANÇA ANUÁRIO DO LEITE 2026
Evento reuniu autoridades e representantes da Associação Girolando.
Embrapa Gado de Leite lançou na última segunda-feira (1º de junho), durante a Megaleite 2026, o Anuário do Leite 2026. A publicação mapeia o cenário contemporâneo e aponta as diretrizes estruturantes para o futuro do setor lácteo no país. O grande destaque do anuário é o encarte especial em comemoração aos 50 anos da Embrapa Gado de Leite, que resgata as ações e conquistas da Unidade. A edição reúne depoimentos e relatos de grandes personalidades do agronegócio que testemunharam a transformação e a profissionalização do setor nas últimas cinco décadas. A publicação também traz inovações tecnológicas que prometem revolucionar a atividade no campo. Entre os temas principais estão a biópsia embrionária baseada na genética (que permite antecipar a seleção genômica e conhecer o potencial da futura bezerra antes mesmo da gestação) e as biotécnicas de reprodução voltadas para otimizar o manejo reprodutivo. No âmbito sanitário e de sustentabilidade, ganham espaço as orientações para o controle de doenças como a tristeza parasitária bovina, a nutrição de precisão voltada à eficiência ambiental e as práticas de manejo que priorizam o bem-estar animal. O Anuário Leite 2026 é um produto editorial produzido em parceria com o grupo Texto Comunicação Corporativa. https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1187298
EMBRAPA
Megaleite 2026 concentra debates sobre importações, sanidade e mercado futuro do leite
Programação em Belo Horizonte reuniu entidades, cooperativas e representantes do setor para discutir temas da cadeia leiteira até sábado (6)
A Megaleite 2026 abriu espaço, na terça-feira (2) e na quarta-feira (3), para discussões sobre temas centrais da bovinocultura de leite em Belo Horizonte (MG). A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou de debates sobre importações no Mercosul, sanidade, inovação e mercado futuro do leite. A feira segue até sábado (6), com programação voltada à cadeia produtiva do setor. Na terça-feira (2), a CNA participou da live Mercado de Leite em Transformação, promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). O debate foi conduzido pelo presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Jônadan Ma, e reuniu representantes de cooperativas, entidades setoriais e da Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite. Segundo o assessor técnico da CNA, Guilherme Dias, a atuação da entidade em 2026 tem se concentrado em três frentes: importações consideradas desleais no Mercosul, pauta sanitária e desenvolvimento do mercado futuro do leite. O material divulgado não apresentou números de importação, preços ou volume de produção, o que limita uma avaliação quantitativa imediata dos efeitos dessas frentes sobre a renda do produtor.
CANAL RURAL
ECONOMIA
Dólar tem alta firme antes de feriado no Brasil em dia de tensão no Oriente Médio
O dólar fechou a quarta-feira pré-feriado em alta firme ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior após novos ataques de EUA e Irã no Oriente Médio.
Entre as moedas negociadas globalmente, o real foi a que teve pior desempenho, com as cotações refletindo também a busca pela segurança do dólar antes do feriado de Corpus Christi e o mal-estar com a nova ameaça tarifária ao Brasil. O dólar à vista encerrou com alta de 1,12%, aos R$5,0661. No ano, passou a acumular baixa de 7,70% ante o real. Às 17h05, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,12% na B3, aos R$5,0975. Os EUA dispararam um míssil na terça-feira contra um navio-tanque que se dirigia ao Irã, enquanto as forças iranianas lançaram dois mísseis contra o Kuweit e três contra o Barein, que não atingiram seus alvos, conforme fontes norte-americanas. As dúvidas sobre um possível acordo entre Irã e EUA deram força ao dólar ante quase todas as demais divisas, incluindo pares do real como o peso chileno, o rand sul-africano e a rupia indiana. No Brasil, as cotações aceleraram à tarde em meio ao noticiário sobre as tarifas comerciais. Após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) defender uma cobrança de 25% sobre várias exportações brasileiras, o órgão propôs uma tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre vários países, incluindo o Brasil, por falhas no combate ao trabalho forçado. No caso brasileiro, a tarifa seria de 12,5%. Ainda que as tarifas ainda precisem de aprovação, a percepção mais geral entre os agentes foi negativa, poucos dias depois de os EUA também designarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Após marcar a cotação mínima de R$5,0119 (+0,04%) às 9h03, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,0917 (+1,63%) às 15h38, com os investidores se posicionando antes do feriado de quinta-feira, quando o mercado brasileiro estará fechado. Durante a sessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o anúncio de tarifas, após ter lançado na véspera uma ofensiva para colar na família Bolsonaro a culpa pela deterioração das relações entre Brasil e EUA. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, é atualmente visto como o principal adversário de Lula na disputa pelo Planalto. Os anúncios sobre as organizações criminosas e sobre as novas tarifas ocorreram após encontro recente de Flávio com Trump, em Washington. À tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$743 milhões em maio.
REUTERS
Ibovespa fecha em forte queda com aversão a risco global
O Ibovespa fechou em forte queda na quarta-feira, embalado pela maior aversão aos ativos de risco nos mercados globais após novos ataques envolvendo os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio, pressionando os preços do petróleo e as perspectivas para a inflação.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,21%, a 170.348,44 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 170.007,55 na mínima e 174.192,19 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão desta segunda-feira somava R$25,3 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Produção industrial no Brasil cresce mais que o esperado em abril com impulso de petróleo em meio à guerra
A indústria brasileira marcou em abril o quarto mês consecutivo de alta e o melhor resultado para o mês em 13 anos com o impulso do aumento da produção de petróleo, iniciando o segundo trimestre com desempenho acima do esperado mesmo em meio a uma política monetária ainda restritiva.
A produção industrial registrou avanço de 0,7% em abril na comparação com o mês anterior, com destaque para a indústria extrativa em meio à guerra no Golfo Pérsico, com expansão de 2,7% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados, divulgados na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficaram acima das expectativas de economistas apontadas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,4% no mês e de 1,7% na base anual. O avanço no mês foi o mais alto para abril desde 2013, quando houve ganho de 1,7%, mas ainda assim a indústria brasileira opera 12,9% abaixo do nível recorde, alcançado em maio de 2011, de acordo com o IBGE. “O resultado confirma que a atividade industrial segue aquecida”, disse Leonardo Costa, economista do ASA. “Vale notar que o principal destaque positivo veio das indústrias extrativas, … movimento que reflete em parte o impacto do conflito no Oriente Médio sobre a produção de petróleo bruto e gás natural, fator de natureza essencialmente transitória.” A indústria teve no primeiro trimestre alta de 1,0% sobre os últimos três meses do ano passado, de acordo com os dados do PIB divulgados pelo IBGE no mês passado, recuperando-se da queda de 0,7% no final de 2025 e registrando o melhor resultado desde o quarto trimestre de 2023. A indústria brasileira vem buscando se recuperar em meio aos juros altos, com a Selic a 14,50% ao ano, um mercado de trabalho favorável e renda em alta. Também pairam os efeitos da guerra no Oriente Médio, que interrompeu o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz e vem pressionando a inflação, embora o Brasil também registre impactos positivos. Os dados mostraram que 14 dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram avanço na produção em abril sobre março, com as influências mais significativas vindas das indústrias extrativas (3,1%) e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,1%). Os setores “extrativo e de derivados têm usado uma estratégia de aumento de produção em sequência. Isso tem sim algum reflexo da guerra. Os setores atuam para minimizar os impactos e as consequências da guerra, fechamento do estreito de Ormuz e outros impactos”, disse André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE. Nestas atividades, as pressões mais relevantes foram exercidas por óleos brutos de petróleo, gás natural e minério de ferro, no caso do setor extrativo; e de álcool etílico e dos derivados do petróleo, especialmente o óleo diesel, para a atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis, segundo Macedo. “Não obrigatoriamente é aumento de exportação. Alguns setores estão aproveitando o aumento de preços por conta da guerra para ampliar produção e receita”, acrescentou. Dados da reguladora ANP mostraram que a produção de petróleo do Brasil registrou recorde pelo terceiro mês consecutivo em abril, ao atingir 4,34 milhões de barris por dia (bpd). Entre as categorias econômicas, tiveram resultados positivos em abril bens intermediários (1,5%) e bens de capital (0,1%). Por outro lado, os segmentos de bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) e de bens de consumo duráveis (-3,2%) registraram quedas. “A produção industrial tende a enfrentar um ambiente menos favorável ao longo dos próximos meses”, disse Rafael Perez, economista da Suno Research. “A política monetária contracionista, a perspectiva de menos cortes de juros, a manutenção de condições de crédito restritivas e a pressão observada na curva de juros devem reduzir gradualmente o ritmo de crescimento da atividade, especialmente nos segmentos mais dependentes da demanda doméstica.”
Reuters
Setor de serviços do Brasil fica quase estagnado em maio em meio à alta da inflação por guerra, mostra PMI
A atividade de serviços no Brasil ficou quase estagnada em maio, contida pela falta de novos pedidos conforme o forte aumento dos preços cobrados em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio reduziu uma demanda já frágil, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras na quarta-feira.
O PMI de serviços, compilado pela S&P Global, caiu a 50,4 em maio, de 52,3 em abril, aproximando-se da marca de 50 que indica estagnação da atividade. “Os dados do PMI de maio soam como um alerta, já que o papel do setor de serviços como amortecedor da fraqueza da indústria parece estar perdendo força. Muitos esperam que essa desaceleração seja temporária e que uma recuperação no próximo mês possa sustentar os resultados do segundo trimestre”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence. Várias empresas relataram queda da produção devido a pressões competitivas, questões financeiras e um ambiente cada vez mais desafiador para a demanda. Os novos pedidos feitos aos fornecedores de serviços no Brasil ficaram, de modo geral, estagnados em maio, com o respectivo índice ficando pouco abaixo do nível neutro de 50,0. O segmento de transporte, informação e comunicação foi o único setor monitorado a registrar aumento na produção, tendo ainda o melhor desempenho em termos de vendas, apesar de o crescimento ter recuado para o menor nível em cinco meses. A estagnação das vendas em maio coincidiu com um forte aumento nos preços cobrados pela prestação de serviços. Apesar de ter recuado em relação a abril, o ritmo de inflação foi o segundo mais alto em 15 meses, com os participantes da pesquisa citando o repasse do aumento de custos aos clientes. Os preços dos insumos subiram no ritmo mais forte desde fevereiro de 2025, com as empresas indicando que a guerra no Oriente Médio elevou os custos de combustíveis e materiais. Elas relataram ainda aumento de preço em itens como materiais de construção, produtos químicos, componentes eletrônicos, energia, alimentos, metais e embalagens. “Fissuras estão surgindo na economia de serviços do Brasil, à medida que empresas e consumidores enfrentam a inflação”, disse De Lima. “Orçamentos apertados levaram os consumidores a cortar gastos não essenciais, impactando setores como entretenimento, hotelaria e lazer”. O aumento dos custos e a fragilidade da demanda prejudicaram os esforços de contratações em maio, que aconteceram no ritmo mais lento dentro do atual período de quatro meses de geração de vagas. Além disso, as pressões de preços, aliadas à forte concorrência e às difíceis condições operacionais, reduziram a confiança empresarial, com queda no nível de otimismo em relação à perspectiva de produção para o próximo ano. Diante do enfraquecimento do setor de serviços e da contração do setor industrial, já reportada, o PMI Composto do Brasil voltou ao território de contração ao cair a 49,5 em maio, de 52,4 em abril.
Reuters
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