Ano 1 | nº 99 | 24 de março de 2026
NACIONAL
CCGL distribui R$ 195 milhões de ICMS e amplia arrecadação de municípios produtores no RS
A Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) distribuiu R$ 195 milhões em valor adicionado de ICMS em 2025, relacionados à industrialização de lácteos em sua planta em Cruz Alta (RS). O montante foi repartido entre municípios conveniados, de acordo com o volume de leite entregue para processamento.
O mecanismo impacta diretamente o índice de participação dos municípios na arrecadação do ICMS estadual, influenciando os repasses recebidos pelas prefeituras. Na prática, parte da receita gerada pela industrialização retorna às cidades onde a matéria-prima é produzida. Segundo a cooperativa, os recursos podem reforçar investimentos locais, especialmente em infraestrutura rural e logística, como manutenção de estradas utilizadas no escoamento da produção. Também há potencial de aplicação em serviços públicos, conforme a gestão de cada município. O modelo adotado pela CCGL vincula a geração de valor industrial ao desempenho das cadeias produtivas locais, criando uma relação direta entre produção de leite e arrecadação municipal. A iniciativa ocorre em um contexto de busca por maior equilíbrio na distribuição de receitas entre regiões produtoras e polos industriais.
CCGL/MilkPoint
Produtores de leite de Concórdia criam associação inédita em meio à crise do setor
Entidade busca fortalecer a cadeia leiteira com união, capacitação e maior representatividade.
O município de Concórdia, reconhecido como o maior produtor de leite de Santa Catarina, passa a contar, pela primeira vez em seus 90 anos de história, com uma entidade representativa exclusiva para o setor lácteo. Trata-se da Associação Concordiense dos Produtores de Bovinos de Leite, criada com o objetivo de unir a classe e impulsionar o desenvolvimento da atividade no município. A iniciativa surgiu a partir da mobilização de um grupo de produtores, com apoio do poder público municipal e da Secretaria de Agricultura. Diante da relevância de Concórdia na produção leiteira estadual, a criação da associação é considerada um passo essencial para garantir organização, fortalecimento e representatividade aos produtores. Segundo o presidente da entidade, Douglas Dalmago, a união dos produtores é fundamental neste momento. “A associação nasce com o propósito de unir os produtores, fortalecer a atividade e garantir mais representatividade. Precisamos estar organizados para enfrentar os desafios e buscar melhorias para o setor”, destacou. Entre os principais objetivos da entidade estão a promoção de capacitações, o acesso à informação, a organização de feiras e exposições e o incentivo à sucessão familiar nas propriedades rurais. A permanência dos jovens no campo, com valorização e oportunidades, é apontada como um dos pilares da associação. A criação da entidade ocorre em um cenário desafiador para a cadeia produtiva do leite. Atualmente, o setor enfrenta uma das crises mais severas da sua história, com nove meses consecutivos de queda nos preços pagos aos produtores. A situação é agravada pelo aumento das importações, que impactam diretamente a competitividade da produção local. Dalmago reforça a necessidade de maior atenção por parte do poder público. “É urgente que o governo olhe com mais atenção para o produtor de leite, principalmente em relação às importações, que acabam prejudicando toda a cadeia. Precisamos de medidas que garantam condições mais justas para quem está no campo”, afirmou. Apesar das dificuldades, há expectativa de melhora no cenário. Já foi observada uma projeção de reajuste nos preços no último mês, com perspectiva de continuidade nos próximos períodos. “O momento é difícil, mas precisamos manter o otimismo. Já enfrentamos outras crises, como nos setores de suínos e aves, e conseguimos superar. Acreditamos na recuperação da atividade e na força do produtor”, concluiu o presidente. Com o início das atividades, a Associação Concordiense dos Produtores de Leite assume o compromisso de representar a classe, promover o desenvolvimento do setor e atuar de forma ativa nos debates e decisões que envolvem a pecuária leiteira em Concórdia e região.
RADIO RURAL
EMPRESAS
Rocca amplia portfólio e aposta em novos sabores de doce de leite para crescer no varejo
Rocca, marca mineira de doce de leite nascida na Fazenda Zé Pequeno, em Pouso Alegre (MG), anuncia a ampliação de seu portfólio com o lançamento do doce de leite sabor cacau, reforçando sua estratégia de crescimento e diversificação no mercado nacional.
Conhecida por sua receita tradicional feita apenas com leite e açúcar, a marca vem expandindo sua presença em importantes redes do varejo brasileiro, como Pão de Açúcar, Oba Hortifruti e Swift, além de ampliar sua atuação no food service. A nova versão aposta na combinação entre a cremosidade do doce de leite e a intensidade do cacau, criando uma experiência mais profunda e equilibrada de sabor. A união desses dois ingredientes clássicos resulta em uma sobremesa marcante, que dialoga com o paladar do consumidor brasileiro e com tendências da gastronomia contemporânea. Segundo Rosi Barbosa, cofundadora da marca, a escolha do sabor também responde à busca por novas experiências sensoriais. “Nosso objetivo sempre foi valorizar o doce de leite em sua forma mais autêntica, mas também mostrar que ele pode ir muito além da colher. O cacau traz uma camada extra de intensidade e sofisticação, criando uma combinação muito versátil para sobremesas e diferentes preparações”, afirma. O lançamento acompanha o movimento da empresa de ampliar as possibilidades de consumo do produto, que hoje já aparece em sobremesas, cafés especiais, receitas gastronômicas e diferentes combinações culinárias. Além da expansão no varejo, a Rocca também tem fortalecido sua presença em cafeterias, restaurantes e confeitarias, onde o doce de leite passa a integrar cardápios e criações gastronômicas.
Assessoria de Imprensa da Rocca
INTERNACIONAL
Países com os preços de leite mais altos do mundo
Existem apenas seis países no mundo onde o custo médio do leite ultrapassa US$ 3 por litro: Estados Unidos, Gana, Coreia do Sul, Singapura, Hong Kong e Israel. Desses, há apenas um país onde o leite custa mais de US$ 4 por litro – e provavelmente não é o que você imagina.
O país com os preços de leite mais altos do mundo não é os Estados Unidos, Hong Kong ou Israel, mas sim Gana, o país da África Ocidental onde comprar um litro de leite pode custar US$ 4,15, segundo o Global Prices. O Global Prices coleta manualmente dados de 78 países, e o preço médio por litro refere-se a leite com teor de gordura entre 1,5% e 2,5%. Gana lidera, com folga, a lista de preços do leite, com Coreia do Sul (US$ 3,42) e Estados Unidos (US$ 3,31) completando o top 3. No outro extremo da lista estão a Tunísia, onde um litro de leite custa menos de meio dólar, e a Índia, onde os laticínios são menos um ingrediente e mais um modo de vida. Gana, por outro lado, praticamente não possui uma cultura de consumo de laticínios. De acordo com uma pesquisa publicada pela Discover Food, cerca de 85% dos 35 milhões de ganeses são intolerantes à lactose. O país também não possui uma indústria leiteira organizada. Ele importa cerca de US$ 400 milhões em produtos lácteos, mas a produção doméstica de leite fresco representa menos de 1% do valor total do mercado de laticínios (segundo o USDA). Há diversas razões para isso, que vão desde a falta de confiança na qualidade do leite fresco até problemas de oferta e distribuição devido ao clima quente. Embora a criação de gado seja comum em Gana, ela é voltada principalmente para a produção de carne, e não de leite. Países vizinhos como Nigéria e Quênia investiram em raças capazes de produzir entre 15 e 30 litros de leite por dia. Mas, segundo o presidente da Associação Nacional de Criadores de Gado de Gana, apenas “oito em cada 100 vacas leiteiras em Gana conseguem produzir 3 litros de leite fresco por dia”. O próximo problema é o processamento de leite cru. Com temperaturas frequentemente chegando a 30°C, o leite cru precisa ser refrigerado em até 2 a 3 horas (o leite cru, ou não pasteurizado, pode estragar facilmente, motivo pelo qual é proibido em vários países). No entanto, a maioria dos produtores locais não tem acesso à eletricidade ou refrigeração e acaba descartando o que não consegue vender. Há problemas também em nível comercial. Um relatório da Dairy Global cita o caso da Nature Farms Ghana Limited, principal fornecedora de leite de origem doméstica em Gana. A empresa utiliza menos da metade de sua capacidade de processamento de 7.000 litros por dia devido à oferta limitada. Um artigo da AgEcon intitulado “Análise da cadeia de valor do leite local em gana: barreiras à competitividade” (publicado em 2021) resume bem os problemas em sua conclusão: “a oferta de leite fresco é sazonal e altamente perecível, com grande parte do leite coletado se perdendo devido à falta de instalações de armazenamento. A higiene é um problema significativo na cadeia de valor do leite fresco, desde a ordenha até a comercialização.” O cenário, no entanto, parece estar mudando. Há mais shoppings e supermercados, melhorias na logística da cadeia de suprimentos, uma comunidade crescente de expatriados e uma indústria de turismo em expansão — fatores que estão aumentando a demanda por produtos lácteos. Como isso impactará o preço do leite no longo prazo ainda está por ser visto.
Tasting Table/MilkPoint
ECONOMIA
Dólar fecha abaixo dos R$5,25 após Trump citar negociações entre EUA e Irã
O dólar fechou a segunda-feira com queda firme no Brasil, voltando ao patamar abaixo dos R$5,25, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar ataques contra usinas de energia do Irã e citar negociações “produtivas” com o país, o que foi negado por Teerã.
O dólar à vista fechou a sessão com baixa de 1,33%, aos R$5,2418, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano. Com o movimento, o dólar devolveu parte da alta da sessão anterior, na sexta-feira, quando saltou 1,84% frente ao real em meio a temores relacionados à guerra no Oriente Médio. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular agora baixa de 4,50%. Às 17h21, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,95% na B3, aos R$5,2460. Trump afirmou nesta segunda-feira que deu instruções para adiar quaisquer ataques militares contra usinas de energia iranianas por cinco dias, além de citar conversas “muito boas e produtivas” entre os países. Durante o dia, ele reforçou a possibilidade de um acordo. “Com o Irã, estamos negociando há muito tempo e, desta vez, eles estão falando sério”, disse. Ainda que Teerã tenha desmentido a informação de que mantém conversas com os EUA, a possibilidade de um desfecho para a guerra no Oriente Médio disparou a busca global por ativos de risco. O barril do petróleo tipo Brent cedeu abaixo dos US$100 e os índices de ações tiveram ganhos nos EUA e no Brasil. Nos mercados de moedas, o dólar sustentou baixas ante a maior parte das demais divisas, incluindo o real. “Trata-se de um movimento que deve diminuir os temores em relação ao prolongamento do conflito e traz algum sinal, ainda que inicial, de possível conciliação entre os dois países”, disse pela manhã Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da Stonex, ao avaliar o recuo do dólar no Brasil.
REUTERS
Ibovespa avança mais de 3% após Trump citar conversas produtivas com Irã
O Ibovespa disparou mais de 3% na segunda-feira, encostando em 183 mil pontos na máxima, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender ataques à infraestrutura energética iraniana e citar conversas “produtivas” com o Irã.
A semana na bolsa brasileira também começou com noticiário corporativo movimentado, com o holofote voltado para nomes como Embraer, Fleury, CSN, Desktop, entre outros. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,24%, a 181.931,93 pontos, tendo alcançado 182.973,41 na máxima e 176.220,82 na mínima. O volume financeiro no pregão somou R$32,38 bilhões. Trump afirmou nesta segunda-feira que houve conversas entre EUA e Irã no último dia, nas quais os dois lados chegaram a “importantes pontos de concordância”, acrescentando que um acordo para pôr fim à guerra pode ser fechado em breve. No sábado, ele alertou que as usinas de energia iranianas seriam destruídas se Teerã não abrisse totalmente o Estreito de Ormuz em 48 horas. Mas na segunda-feira mandou adiar qualquer ataque militar contra usinas de energia do Irã por cinco dias. A agência de notícias iraniana Fars, citando uma fonte, informou que não há comunicações diretas ou indiretas com os EUA. Nos mercados, porém, prevaleceu o alívio com a sinalização de Trump nesta sessão. O petróleo sob o contrato Brent desabou 10,92%, a US$99,94, enquanto o S&P 500, referência do mercado acionário norte-americano, avançou 1,14% e o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA caía a 4,3479%. De acordo com o analista Nícolas Mérola, da EQI Research, houve uma escalada importante no conflito no Oriente Médio no fim de semana, mas a pressão negativa registrada no começo da segunda-feira se reverteu com o anúncio de Trump. “Ninguém sabe se isso vai realmente acontecer…mas o mercado comprou essa narrativa (de cessar-fogo de Trump)”, afirmou, acrescentando que o cenário externo acabou ditando a direção na bolsa paulista.
REUTERS
Analistas elevam estimativa para a Selic este ano a 12,50% no Focus
Analistas consultados pelo Banco Central elevaram pela terceira semana seguida a expectativa para a taxa básica de juros ao final deste ano e passaram a ver a Selic em 12,50%, de 12,25% antes, mostrou a pesquisa Focus divulgada na segunda-feira.
A alteração ocorre na esteira das preocupações com a inflação diante do aumento dos preços do petróleo por conta da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que interrompeu o fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz. Na semana passada, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, mas defendeu cautela para passos futuros da calibragem da taxa básica ao destacar “forte aumento da incerteza” em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio. No Focus, os economistas consultados seguem vendo corte de 0,50 ponto percentual na Selic em abril, para 14,25%. Mas para a quarta reunião do ano, em junho, passaram a projetar uma redução de 0,50 ponto, de 0,75 ponto antes. Em seguida, a expectativa é de mais dois cortes seguidos de 0,50 e mais um de 0,25 ponto, com manutenção na última decisão do ano. Para 2027, a expectativa segue sendo taxa de juros de 10,50%. O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou ainda que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 subiu a 4,17%, de 4,10% antes, permanecendo em 3,80% para o ano que vem. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano passou a 1,84%, de 1,83%, e segue em 1,80% para 2027.
REUTERS
Acordo comercial UE-Mercosul entrará em vigor provisoriamente a partir de 1º de maio
O acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul entrará em vigor provisoriamente a partir de 1º de maio, informou a Comissão Europeia na segunda-feira.
Os principais elementos comerciais do acordo, que tem se mostrado controverso na Europa, serão aplicados a partir dessa data entre a União Europeia, composta por 27 nações, e os países do Mercosul que concluíram seus procedimentos de ratificação até o final de março. “Argentina, Brasil e Uruguai já o fizeram. O Paraguai ratificou o acordo recentemente e espera-se que envie sua notificação em breve”, afirmou a Comissão em comunicado.
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Exportações do agro somam US$ 12 bilhões em fevereiro
Alta é puxada por soja e carnes, com destaque para recorde da carne bovina no mês.
As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 12 bilhões em fevereiro de 2026, crescimento de 13% em relação a janeiro e de 7,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA com base na Secex. O desempenho foi puxado principalmente pelo complexo soja, com o avanço da colheita. Os embarques de soja em grãos chegaram a 7,1 milhões de toneladas, alta de 11% na comparação anual, enquanto o preço médio subiu 4,4%, para US$ 412,9 por tonelada. O farelo registrou 1,7 milhão de toneladas exportadas, aumento de 3%, com recuo de 3% nos preços. Já o óleo de soja teve forte alta nos embarques, que praticamente dobraram e alcançaram 221 mil toneladas, acompanhado de valorização de 13%. No segmento de proteínas, a carne bovina in natura teve destaque, com 236 mil toneladas exportadas em fevereiro, avanço de 24% e recorde para o mês. O preço médio também subiu, chegando a US$ 5.640,9 por tonelada. A carne de frango somou 427 mil toneladas, crescimento de 5,4%, com alta de 4% nos preços. Já a carne suína registrou embarques de 104 mil toneladas, aumento de 3,2%, com preço médio estável na comparação anual. No setor sucroenergético, as exportações de etanol cresceram 50% em relação a fevereiro de 2025, totalizando 60 mil metros cúbicos, com alta de 4% nos preços. O açúcar VHP teve aumento de 32% no volume embarcado, atingindo 2 milhões de toneladas, mas com queda de 23% no preço médio. Por outro lado, o açúcar refinado registrou retração de 22% nos embarques e recuo de 19% nos preços. Entre outros produtos, o café verde somou 142 mil toneladas exportadas, queda de 17% frente ao ano anterior, enquanto o preço médio avançou 20%, chegando a US$ 7.191 por tonelada.
Agro Itaú BBA
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