Ano 1 | nº 96 | 19 de março de 2026
NOTÍCIAS
RECORDE: Paraná avançou em 10% na produção de leite, com 391 milhões de litros a mais em 2025
No caso do leite, foram produzidos 4,3 bilhões de litros para a indústria em 2025, com uma média superior a 1 bilhão de litros por trimestre, melhor resultado da história. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na quarta-feira (18)
O destaque foi justamente o 4º trimestre do ano passado, com um volume produzido de 1,14 bilhão. O Estado avançou em 10% de um ano para o outro, com 391 milhões de litros a mais em 2025. No comparativo nacional, o Paraná aparece em segundo lugar, com 15,6% do que foi produzido, atrás somente de Minas Gerais, com 23,9% da captação, e à frente do Rio Grande do Sul, com 12,8%. O Estado tem duas grandes bacias leiteiras, na região de Castro e Carambeí e no Sudoeste do Estado.
IBGE
Leite spot: valores da segunda quinzena de março
Os preços do leite spot avançaram em todos os estados pesquisados, refletindo o movimento de alta observado nos derivados, especialmente UHT e muçarela, que têm impulsionado o custo da matéria-prima.
O mercado de leite spot manteve, na segunda quinzena de março, o movimento de alta observado anteriormente, com avanço generalizado das cotações em todos os estados monitorados. Na média Brasil, o indicador atingiu R$ 3,172/litro, reforçando o ambiente de valorização sustentado por oferta mais restrita e demanda firme por derivados. Entre os estados, o maior destaque ficou com Goiás, que apresentou a maior variação absoluta no período, com alta de R$ 0,451/litro, seguido de Minas Gerais (+R$ 0,435/litro) e Paraná (+R$ 0,292/litro). Já Santa Catarina (+R$ 0,315/litro), Rio Grande do Sul (+R$ 0,380/litro) e São Paulo (+R$ 0,327/litro) também registraram avanços consistentes, ainda que em magnitudes ligeiramente menores. Esse movimento reforça a tendência de encarecimento da matéria-prima, puxado principalmente pela valorização dos derivados — em especial leite UHT e muçarela — em um cenário de menor disponibilidade de leite. A combinação desses fatores mantém o mercado spot aquecido e com viés de alta no curto prazo.
MILK POINT
BRASIL BATE RECORDE NA PRODUÇÃO DE LEITE
A aquisição de leite, no 4° trimestre de 2025, foi de 7,36 bilhões de litros, acréscimo de 8,6% em relação ao 4° trimestre de 2024, e aumento de 3,9% em comparação com o trimestre imediatamente anterior. Foi o trimestre com a maior aquisição de leite na série histórica, iniciada em 1997.
Os dados divulgados ontem (18/03/2026) pelo IBGE confirmam um marco importante para o setor leiteiro brasileiro em 2025: foi recorde histórico. Produção de leite no Brasil em 2025 (IBGE): 27,51 bilhões de litros de leite cru adquiridos (captação formal). Crescimento de 8,5% em relação a 2024. Maior volume já registrado na série histórica. 3º ano consecutivo de alta. Esse número (27,51 bilhões de litros) refere-se à captação formal de leite, ou seja, o leite que passa por inspeção e entra na indústria. A produção total real do Brasil (incluindo informalidade) costuma ser maior, mas o IBGE usa essa métrica como padrão oficial.
IBGE
EMPRESAS
Ferrero adquire a Bold Snacks, referência brasileira em snacks proteicos
O Ferrero Group anunciou a assinatura de um acordo para a aquisição da Bold Snacks, uma das principais empresas brasileiras de snacks proteicos premium. Fundada em 2018, a Bold apresentou forte crescimento desde o início, impulsionada por sua estratégia digital e por um portfólio inovador de barras proteicas – além da recente expansão para o segmento de whey protein.
“Estamos muito entusiasmados em dar as boas-vindas à Bold Snacks à Ferrero. Este é o nosso primeiro passo no segmento de produtos ‘better-for-you’ na América do Sul”, afirmou Daniel Martinez Carretero, diretor financeiro do grupo. “A Bold é uma marca diferenciada, com forte ritmo de crescimento no Brasil, e essa transação reforça nossa presença na categoria, ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento do nosso portfólio em mercados estratégicos.” Como parte do acordo, a Ferrero assumirá o escritório e a fábrica da Bold em Divinópolis (MG), e cerca de 300 colaboradores devem passar a integrar a operação da Ferrero no Brasil. “Fazer parte da Ferrero é uma oportunidade incrível para o nosso negócio e para as pessoas que fazem parte dele”, disse Gabriel Ferreira, fundador e CEO da Bold Snacks. “Ser reconhecido por uma líder global do setor alimentício, com histórico sólido na construção de marcas icônicas, abre uma oportunidade única para acelerar nosso crescimento e levar a Bold a ainda mais consumidores.” A aquisição reforça o portfólio global da Ferrero no segmento de produtos saudáveis, que já inclui marcas como Eat Natural e FULFIL na Europa, além da Power Crunch na América do Norte. No Brasil, a Ferrero e sua afiliada Dori Alimentos, pertencente ao grupo Ferrara, empregam atualmente cerca de 4.500 pessoas, distribuídas em cinco fábricas e três escritórios. A conclusão da transação está prevista para os próximos meses, sujeita às condições habituais de fechamento.
Ferrero/ MilkPoint
ECONOMIA
BC reduz a Selic pela 1ª vez desde 2024 e cita incertezas sobre o preço do petróleo
A taxa básica de juros passou de 15% para 14,75% ao ano na primeira queda após cinco reuniões seguidas de manutenção do patamar de juros
O Comitê de Política Monetária (Copom) cumpriu sua sinalização e reduziu a taxa básica de juros nesta quarta-feira mesmo com o cenário de incerteza em relação aos preços de petróleo. A Selic passou de 15% para 14,75% ao ano na primeira queda após cinco reuniões seguidas de manutenção do patamar de juros. Em comunicação, o colegiado reafirmou a sua mensagem de “serenidade e cautela” na definição dos juros para compreender melhor os efeitos inflacionários do choque do petróleo. “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo, diz comunicado. O Comitê informou que o ambiente externo se tornou mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirma o comitê. Segundo o BC, o conjunto dos indicadores do cenário doméstico segue apresentando, “conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência”. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”, diz o comunicado. O colegiado informou ainda que decidiu iniciar um ciclo de corte de juros já que os juros altos estão fazendo efeito sobre a economia. “O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica”, disse o Banco Central. O comunicado segue afirmando que esse quadro cria “condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”. Na reunião anterior, de janeiro, o colegiado havia sinalizado que iniciaria um ciclo de redução. O colegiado mencionou que faria a redução “em se confirmando o cenário esperado”. Desde então, houve o início do conflito no Irã, com ataques dos Estados Unidos e Israel ao país islâmico e retaliações iranianas a bases militares norte-americanas na região. O Irã também promoveu o fechamento do Estreito de Ormuz, que tem impactado os preços do petróleo. A expectativa do mercado estava dividida entre um corte de 0,50 ponto percentual (p.p.) e um de 0,25 p.p. Levantamento do Valor com 103 instituições do mercado financeiro mostrava que 49 casas projetavam um corte de 0,50 p.p. e outras 53 viam uma redução de 0,25 p.p. Apenas uma instituição previa uma manutenção dos juros em 15% ao ano. No comunicado, o Fed ressaltou que a incerteza para o cenário econômico continua elevada e que as implicações do cenário no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas.
VALOR ECONÔMICO
Brasil mantém 2º lugar no ranking dos países com maiores juros reais
Com Selic a 14,75%, percentual passou de 9,23% ao ano em janeiro para 9,51% ao ano em março. Taxa brasileira só não supera a da Turquia e fica logo à frente de Rússia e Argentina
Apesar do corte na taxa básica de juros (Selic) de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, o Brasil segue na segunda posição no ranking mundial de juros reais (descontada a inflação), abaixo apenas da Turquia. A taxa real brasileira passou de 9,23% ao ano, dado do levantamento feito em janeiro, para 9,51% ao ano em março. Na Turquia, os juros reais subiram de 9,88% para 10,38% ao ano no mesmo período, segundo ranking elaborado pelo Portal MoneYou e pela Lev Intelligence. Na quarta-feira (18), o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou a taxa básica de 15% para 14,75% ao ano. A taxa real é uma combinação da inflação projetada para os próximos 12 meses (4,03%), segundo o boletim Focus, do Banco Central, e dos juros de mercado para os 12 meses à frente. O Brasil possui juros reais mais elevados do que Rússia (9,41%), Argentina (9,41%) e México (5,39%), para citar os países mais próximos no ranking, que reúne 40 economias que possuem uma taxa média de 2,18% ao ano. Em termos nominais, a taxa brasileira permaneceu em quarto lugar, abaixo de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (15,5%), mas acima de Colômbia (10,25%), México (7%) e África do Sul (6,75%). Entre os 40 países do ranking, 82,5% mantiveram suas taxas nesse período, 10% cortaram e 7,5% elevaram. Para a consultoria, o cenário de incertezas inflacionárias locais continua, dada a questão fiscal e um mercado de trabalho apertado, que criam tensão. O conflito entre Estados Unidos e Irã eleva as incertezas e complica o cenário para as decisões de política monetária.
FOLHA DE SP
Dólar sobe no Brasil após decisão do Fed e antes do anúncio do Copom sobre juros
O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, movimento que ganhou força após a decisão sobre juros do Federal Reserve, com investidores no Brasil à espera do anúncio do Copom sobre a Selic.
Em mais um dia de avanço dos preços do petróleo no exterior, em função da guerra no Oriente Médio, o dólar à vista fechou a sessão no Brasil com alta de 0,83%, aos R$5,2436. No ano, a divisa passou a registrar queda de 4,47%. Às 17h24, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,98% na B3, aos R$5,2660. Até o início da tarde, o dólar alternou altas e baixas ante o real, com investidores à espera das decisões sobre juros, mas após o anúncio do Fed, às 15h, a moeda norte-americana se firmou no campo positivo, renovando máximas até o fechamento. O Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75% e indicou que segue projetando apenas um corte de juros em 2026, a despeito da inflação mais alta. Em entrevista após o anúncio, o chair do Fed, Jerome Powell, afirmou que as implicações da guerra no Oriente Médio são incertas, mas que os preços mais altos de energia no curto prazo vão impulsionar a inflação. Segundo ele, ainda é cedo para saber a duração dos efeitos da guerra sobre a economia. Após a decisão do Fed, os rendimentos dos Treasuries exibiram altas firmes, em especial entre os contratos de curto prazo, com investidores elevando as apostas de que a instituição não cortará juros em junho — mês que era visto como o do possível início do ciclo de baixa. Nos mercados de moedas, isso se traduziu na alta do dólar ante as demais divisas, incluindo as de países emergentes, como o rand sul-africano, o peso chileno, o peso mexicano e o próprio real. “A comunicação (do Fed) foi interpretada como mais ‘hawkish’ (dura)… com o mercado passando a ver dezembro como o momento mais provável para o primeiro corte de juros pelo Fed”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. “Como resultado, o dólar acelerou o movimento de alta no exterior, com o DXY (índice do dólar) renovando máximas próximas de 100 pontos, com o real acompanhando o movimento”, acrescentou. Dados divulgados nesta quarta-feira pelo BC mostraram que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$4,605 bilhões em março até o dia 13 — período que abarca as duas primeiras semanas da guerra no Oriente Médio.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda de olho em decisões de juros e no Oriente Médio
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, enquanto os agentes avaliavam a decisão do Federal Reserve de manter os juros dos EUA inalterados na faixa entre 3,50% e 3,75%, e aguardavam o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no final do dia, ao mesmo tempo em que ainda monitoravam os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,43%, a 179.639,91 pontos, após alcançar 179.575,91 pontos na mínima do dia. Na máxima, marcou 181.550,83 pontos. O volume financeiro somou R$27,5 bilhões. Destaque da agenda da semana, o Fed manteve as taxas de juros estáveis e projetou uma inflação mais alta, desemprego estável e apenas um único corte nos juros para o ano, em sua primeira reunião de política monetária desde a eclosão da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Durante coletiva de imprensa após o anúncio da decisão, o chair do Fed, Jerome Powell, reiterou a incerteza que a guerra cria para as perspectivas econômicas. “No curto prazo, os preços mais altos de energia vão pressionar a inflação geral para cima, mas ainda é cedo para saber a dimensão e a duração dos efeitos potenciais sobre a economia.” Nesse contexto de guerra, os preços do petróleo chegaram a subir 5% ao longo da sessão, depois que a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou atacar diversas instalações de energia no Oriente Médio em retaliação, aumentando o risco de novas interrupções no fornecimento de energia da região. Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em alta de 3,83%, a US$107,38 por barril. “Hoje foi um pregão mais cauteloso, de olho lá fora e no Copom”, destacou Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing.
REUTERS
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