Ano 1 | nº 192 | 06 de agosto 2026
NOTÍCIAS
FAZENDA DE 52 MIL LITROS DE CASTRO(PR) MOSTRA QUE ALTA PRODUÇÃO NASCE DO CONJUNTO
Nem sempre o maior diferencial é aquilo que aparece primeiro. Nesta propriedade, o resultado começa muito antes da ordenha. O volume impressiona, mas a história por trás dele mostra que tecnologia só funciona quando tudo trabalha junto
Quando se fala em 52 mil litros de leite por dia, é natural que o primeiro pensamento recaia sobre o tamanho da operação. Mas, na Fazenda Sempre Verde, em Castro (PR), o número funciona mais como ponto de partida do que como explicação para os resultados. A propriedade, localizada em Castrolanda e participante da Rota do Leite do Agroleite 2026, tornou-se uma das vitrines do evento não apenas pelo volume produzido diariamente, mas pela maneira como organiza diferentes elementos da atividade leiteira em um único sistema de produção. Na fazenda de Douwe Jantinus Groenwold, vacas da raça Holandesa permanecem em sistema Compost Barn equipado com ventilação cruzada (cross ventilation). A apresentação oficial também destaca dois pilares que acompanham essa estrutura: o elevado padrão genético do rebanho e a gestão de dados utilizada na propriedade. Curiosamente, o dado que muitos procuram não está disponível. Embora a produção diária seja informada em 52 mil litros, o Agroleite não divulga o número de vacas em lactação. Por isso, não é possível calcular a produtividade média por animal apenas com as informações apresentadas. Essa ausência acaba mudando o foco da observação. Em vez de concentrar a atenção em um único indicador, a visita permite enxergar como diferentes componentes trabalham de forma integrada. O alojamento, a genética, o ambiente e o acompanhamento permanente das informações fazem parte da mesma lógica operacional. É justamente essa integração que ajuda a explicar por que propriedades semelhantes em tamanho podem apresentar desempenhos diferentes. Em operações de maior escala, ambiente, alimentação, sanidade, reprodução e informação deixam de atuar de forma isolada e passam a depender uns dos outros. Outro aspecto que chama atenção é que parte da tecnologia instalada quase não aparece aos olhos de quem visita a fazenda. A organização do Agroleite destaca a gestão de dados como uma característica marcante da Sempre Verde. Em um rebanho de grande porte, acompanhar produção individual, histórico reprodutivo, qualidade do leite, ocorrências sanitárias e outros indicadores permite orientar decisões antes que pequenos problemas se tornem maiores. Nesse contexto, os dados deixam de cumprir apenas uma função administrativa. Eles passam a servir como ferramenta para comparar lotes, acompanhar a evolução dos animais e direcionar a atenção da equipe para os pontos que realmente precisam de intervenção, reduzindo o impacto de decisões tomadas com atraso. A localização da propriedade também ajuda a entender por que ela integra a programação do Agroleite. Segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE referentes a 2024, o Paraná produziu aproximadamente 4,6 bilhões de litros de leite, equivalentes a 12,9% da produção brasileira. Castro liderou o ranking nacional entre os municípios, com 484,4 milhões de litros produzidos. A Sempre Verde faz parte de um roteiro que reúne dez propriedades entre os dias 4 e 7 de agosto, com sistemas que produzem de 6 mil a 64 mil litros de leite por dia. Há fazendas que utilizam Compost Barn, Free Stall, ordenha convencional, carrossel e robôs, mostrando que diferentes modelos podem alcançar elevados níveis de eficiência. No fim da visita, talvez a maior lição não esteja estampada no volume diário de leite. Os 52 mil litros chamam atenção, mas ganham significado porque refletem um conjunto de decisões executadas de forma coordenada. Na Sempre Verde, genética, alojamento, ambiente e gestão caminham juntos, mostrando que alta performance não depende de uma solução isolada, mas da capacidade de fazer cada parte funcionar em equilíbrio, todos os dias.
COMPRE RURAL
BEBIDAS PARA ALIVIAR O ESTRESSE DESPONTAM COMO NOVA APOSTA DO MERCADO
O crescimento da categoria acompanha uma mudança no comportamento do consumidor e abre espaço para novas estratégias da indústria. O mercado de bebidas funcionais vive uma nova etapa de crescimento impulsionada por uma demanda cada vez mais específica: produtos voltados ao alívio do estresse, ao relaxamento e ao bem-estar emocional.
A mudança acompanha uma transformação nas prioridades dos consumidores, que hoje colocam o estresse no topo de suas preocupações relacionadas à saúde. Segundo dados da Innova Market Insights (IMI), 43% dos consumidores apontam o estresse como sua principal preocupação de bem-estar. O índice supera ansiedade (36%) e dificuldades para dormir (32%), indicando que o interesse por soluções voltadas ao equilíbrio emocional já supera outras necessidades tradicionalmente associadas ao segmento funcional. Esse movimento também aparece no desempenho da categoria. As bebidas destinadas ao relaxamento e ao suporte do humor registram crescimento anual próximo de 19%, ritmo semelhante ao observado nas bebidas voltadas à saúde cerebral e cada vez mais próximo da participação de mercado das bebidas direcionadas à saúde intestinal. A evolução do segmento ocorre em um momento em que outras categorias, como a de produtos voltados à imunidade, entram em uma fase mais madura. Com isso, fabricantes direcionam investimentos para bebidas que prometem apoiar o controle do estresse e promover momentos de relaxamento ao longo da rotina. A estratégia não se limita a um único formato. As empresas ampliam seus portfólios com bebidas gaseificadas funcionais, chás prontos para consumo, águas funcionais e shots concentrados de bem-estar, buscando atender diferentes ocasiões de consumo e ampliar a presença desses produtos além dos canais especializados. A inovação também passa pela escolha dos ingredientes. Entre os componentes que mais avançam estão o extrato de cogumelo chaga e o guaraná. Outro ingrediente que ganha espaço é o cogumelo turkey tail. Os lançamentos de bebidas para relaxamento contendo esse ingrediente passaram de apenas dois em 2023 para 13 em 2025, refletindo o aumento da experimentação por parte da indústria. Ao mesmo tempo, ingredientes já conhecidos pelos consumidores continuam ocupando posição central nas formulações. Ashwagandha, L-teanina, erva-cidreira e camomila permanecem entre as opções mais utilizadas graças ao reconhecimento que possuem por sua associação ao relaxamento, ao controle do estresse e ao suporte do humor. O crescimento da categoria também revela mudanças importantes nos hábitos de consumo. Quase metade dos consumidores (45%) prefere consumir essas bebidas em casa, incorporando-as à rotina diária de bem-estar. Outros 30% afirmam consumir esses produtos como um momento dedicado a si mesmos, enquanto 23% utilizam as bebidas durante o trabalho ou os estudos, mostrando que elas também são percebidas como apoio diante da pressão das atividades cotidianas. As motivações acompanham esse comportamento. Entre os consumidores, 36% procuram bebidas que ajudem a relaxar, 33% buscam especificamente aliviar o estresse e 22% desejam produtos com suporte ao humor.
DAIRY REPORTER
EMBALAGEM SECUNDÁRIA GANHA PAPEL ESTRATÉGICO NA INDÚSTRIA DE LÁCTEOS
A embalagem secundária passou a influenciar muito mais do que o transporte dos produtos. O que está mudando nesse cenário?
Durante muito tempo, a embalagem secundária foi vista apenas como um componente necessário para proteger os produtos durante o transporte. Hoje, essa percepção mudou. Para a indústria de lácteos, ela passou a concentrar funções que envolvem eficiência operacional, automação, sustentabilidade, logística e rastreabilidade, deixando de representar apenas um custo dentro da fábrica. Essa transformação acompanha uma realidade cada vez mais complexa para os fabricantes. O aumento do número de SKUs, o crescimento das marcas próprias, as metas de sustentabilidade e os desafios relacionados à mão de obra fizeram com que as empresas passassem a exigir muito mais da embalagem secundária do que simplesmente proteger os produtos. No segmento de lácteos, essas exigências são ainda maiores. Produtos refrigerados, ambientes úmidos e embalagens delicadas, como copos, potes e garrafas, exigem sistemas capazes de manter estabilidade durante toda a movimentação, sem comprometer a velocidade das linhas de produção. Ao mesmo tempo, os fabricantes procuram reduzir paradas, acelerar trocas de formato e diminuir o consumo de materiais. Outro fator que ampliou a importância da embalagem secundária está na rastreabilidade. É nesse ponto da produção que os produtos passam a integrar o fluxo logístico como cargas identificáveis, permitindo o acompanhamento de caixas e pallets ao longo da distribuição. Informações como número de lote, validade e códigos de identificação podem ser reunidas nesse nível, facilitando o controle de estoques, o recebimento, a expedição e eventuais processos de recall. Segundo especialistas do setor citados na fonte, a padronização das informações impressas nas embalagens secundárias também reduz retrabalho, diminui erros de expedição e agiliza verificações de qualidade, sem necessidade de abrir caixas ou manipular embalagens individuais. Para produtos lácteos, cuja vida útil exige atenção constante, a identificação correta contribui para uma rotação adequada dos estoques e reduz o risco de produtos vencidos chegarem ao consumidor. As demandas do varejo também passaram a influenciar diretamente o desenvolvimento dessas embalagens. Redes comerciais buscam soluções que reduzam o trabalho de reposição, melhorem a apresentação dos produtos nas gôndolas e favoreçam o giro das mercadorias. Nesse contexto, as chamadas embalagens prontas para exposição deixaram de ser apenas uma preferência estética para se tornarem uma decisão estratégica ainda na produção. Essa evolução afeta inclusive os equipamentos utilizados nas fábricas. Sistemas de encaixotamento precisam operar em alta velocidade, suportar ambientes típicos da indústria de lácteos, permitir mudanças rápidas de configuração e trabalhar com materiais cada vez mais leves. A substituição gradual de alguns formatos por soluções em papelão e bandejas de papel também exige maior precisão dos sistemas automatizados. O avanço da digitalização tende a ampliar ainda mais esse papel. A expectativa do setor é integrar de forma mais estreita as embalagens secundárias aos sistemas digitais por meio de códigos avançados, identificadores serializados e captura automática de dados durante a produção e a distribuição. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por processos capazes de verificar automaticamente problemas de rotulagem e qualidade das embalagens antes que os produtos deixem a fábrica, conciliando redução de materiais com manutenção do desempenho durante armazenamento, transporte e manuseio.
DAIRY PROCESSING
GOVERNO
Desembolso do crédito rural despenca no primeiro mês da safra
Mesmo com queda dos juros, valor caiu para R$ 12,7 bilhões em julho, menos da metade que o registrado na temporada passada. No primeiro mês da safra 2026/27, houve retração em todas as modalidades de financiamentos
Os desembolsos ao crédito rural despencaram no primeiro mês da safra 2026/27. Apesar da redução nas taxas de juros das principais linhas de financiamento para pequenos, médios e grandes produtores, a demora na publicação das regras da equalização das operações pelo Tesouro Nacional e o ambiente mais restritivo nas instituições financeiras resultaram em desembolsos de apenas R$ 12,7 bilhões em julho, menos da metade dos R$ 28,3 bilhões liberados no mesmo mês de 2025. Houve retração em todas as modalidades de financiamentos. A queda mais expressiva foi nas operações de custeio, que saíram de R$ 19,9 bilhões no primeiro mês da safra 2025/26 para apenas R$ 9,2 bilhões na largada desta temporada. As linhas de investimentos – a maioria com juros de dois dígitos – recuaram de R$ 4,1 bilhões para menos de R$ 1 bilhão. No período comparado, os empréstimos para comercialização caíram de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,4 bilhão e os de industrialização de R$ 2,3 bilhões para R$ 1,1 bilhão. A quantidade de contratos também diminuiu, de 179,2 mil para apenas 77,2 mil no primeiro mês do novo ano-safra. Os dados foram extraídos do sistema do Banco Central em 3 de agosto e compilados pela reportagem. As informações são parciais e podem mudar de acordo com a data da consulta. Operações contratadas e ainda sem desembolso não aparecem nas estatísticas. Os números não consideram as contratações de Cédulas de Produto Rural (CPRs). Como em todo início de safra, os recursos controlados dominaram os desembolsos. Cerca de R$ 9,1 bilhões foram liberados em julho em linhas abastecidas com montantes oriundos dos depósitos à vista e dos fundos constitucionais, que não têm equalização, e da poupança rural e de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) equalizadas. Outros R$ 3,5 bilhões foram de fontes não controladas e juros livres. A publicação da portaria que autorizou o pagamento da equalização apenas em 23 de julho limitou o desembolso desses valores, segundo Leila Harfuch, sócia-gerente da consultoria Agroicone. Ela salientou que houve queda na contratação de financiamentos desde o Plano Safra 2023/24, mas isso não impediu o crescimento da produção agropecuária, que foi financiada por instrumentos de mercado. Agora, o desafio será equacionar o endividamento para que o produtor tenha acesso aos recursos seja nos bancos ou nas empresas do setor. “Este ano o que preocupa muito é o El Niño mais forte. Ainda com custo de capital caro para o produtor, endividamento elevado e instrumentos de gestão de riscos como seguro rural com baixa penetração e pouco recurso para subvenção, teremos uma safra com exposição ao risco elevado”, comentou Harfuch. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, admitiu que houve queda nos financiamentos e disse que a safra será marcada por maior restrição das instituições financeiras diante do endividamento dos produtores e das perspectivas pessimistas com o clima. “É preciso ter cautela e muita responsabilidade. Quem pegar crédito, tem que ter muita responsabilidade em assumir a dívida, porque o financiamento está caro. O produtor tem que estar com convicção de que a conta fecha no final”, avaliou. O secretário ponderou que é necessário aguardar o desempenho das renegociações das dívidas autorizadas pela Medida Provisória 1.376/2026, em julho, que ainda não engrenaram. As operações serão computadas no Plano Safra 2026/27 e poderão abrir espaço para novas contratações dos produtores. O governo, no entanto, não divulgou como será feito o processo para renegociação com equalização de juros e ainda está levando a demanda pelos saldos equalizáveis junto às instituições financeiras. Cerca de R$ 20 bilhões em dívidas dessa categoria deverão ser renegociadas, segundo estimativas do Ministério da Fazenda. Também será necessário um remanejamento de R$ 130 milhões para fortalecer o caixa do Tesouro Nacional e autorizar o início das operações. As cooperativas de crédito lideraram os desembolsos em julho e houve recuo na participação das instituições públicas. O Banco do Brasil, que liberou apenas R$ 2,3 bilhões ante R$ 10,9 bilhões em julho de 2025, disse à reportagem que o atraso da equalização impactou suas operações, mas que o volume efetivamente contratado no período é maior.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
BC faz quarto corte seguido na Selic e taxa vai a 14%ao ano
Com a queda, a taxa vai ao menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25%
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na quarta-feira (5), cortar a taxa básica de juros para 14% ao ano. Foi a quarta reunião seguida em que o colegiado do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. Com a queda, a taxa vai ao menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25%. O colegiado informou em comunicado que o cenário demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. “O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”, diz. “O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o BC. O Copom reafirmou que, e em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de 4,72% em maio para 4,64% em junho no acumulado de 12 meses. A mediana das projeções dos agentes financeiros para 2026, segundo o Relatório Focus, caiu pela 5ª semana seguida, indo a 5,03%, acima da meta de 3% e do teto de 4,5%. Para 2027, manteve-se em 4,22% nesta semana. Na reunião anterior, em junho, o Copom afirmou que magnitude total do ciclo de calibração será “estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”. Pesquisa conduzida pelo Valor e publicada na segunda-feira (3) ouviu 113 instituições financeiras, gestoras de recursos e consultorias, das quais 110 esperavam redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica. Outras 3 projetavam uma manutenção dos juros em 14,25% ao ano. O Copom realiza a próxima reunião nos dias 15 e 16 de setembro.
VALOR ECONÔMICO
Dólar apaga perdas e fecha estável no Brasil sob influência do noticiário político
Após ceder abaixo dos R$5,10 pela manhã, o dólar fechou a quarta-feira estável no Brasil, com o mercado reagindo negativamente à indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Com os investidores à espera da decisão sobre juros do Banco Central, marcada para o início da noite, o dólar à vista encerrou o dia com variação negativa de 0,04%, aos R$5,1283 na venda. Às 17h09, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais líquido — subia 0,05% na B3, aos R$5,1600. No início do dia, a nova pesquisa Genial/Quaest mostrou uma diferença menor entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto. Na projeção de segundo turno, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 39% de Flávio, com margem de erro de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 45% e Flávio somava 37%. Em função da pesquisa e do exterior favorável, o dólar operou em queda ante o real, chegando a ser cotado abaixo dos R$5,10, mas o cenário mudou no fim da manhã, com o anúncio de Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio. Operador ouvido pela Reuters afirmou que Gaspar — um nome que não vinha sendo ventilado como vice e que surpreendeu, já que a campanha buscava fortalecer Flávio entre o voto feminino — não foi bem recebido. Após marcar a cotação mínima de R$5,0975 (-0,64%) às 11h07, antes do anúncio, o dólar à vista se aproximou dos R$5,13 minutos depois da indicação, zerando as perdas. À tarde, às 14h21, a divisa atingiu o pico do dia, aos R$5,1348 (+0,09%). No mercado, parte dos agentes ainda avalia que a reeleição de Lula seria um fator negativo para o equilíbrio fiscal. Assim, a piora do petista na pesquisa Genial/Quaest foi percebida como um fator baixista para o dólar ante o real. Por outro lado, uma notícia não tão favorável a Flávio, como a escolha de Gaspar para vice, foi um fator altista. Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e esse diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e de novas baixas no Brasil. No exterior, a expectativa de que possa haver um novo acordo entre EUA e Irã para paralisar o conflito no Oriente Médio alimentava a busca por moedas de países emergentes, como o peso colombiano e o peso mexicano, mas as variações eram modestas.
REUTERS
Ibovespa fecha quase estável com Petrobras pressionando antes de decisão do Copom
O Ibovespa fechou quase estável na quarta-feira, com o declínio das ações da Petrobras ofuscando as performances positivas de papéis como Itaú Unibanco e RD Saúde em meio a avaliações positivas dos respectivos resultados trimestrais.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação negativa de 0,05%, a 177.807,50 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 180.194,51 pontos na máxima e 177.729,87 pontos na mínima do dia. O pregão encerrou com agentes financeiros no aguardo da decisão do Banco Central sobre a taxa Selic, principalmente o comunicado que será divulgado ao final da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom).
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial positivo de US$1,938 bi em julho até dia 31, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$1,938 bilhão em julho até o dia 31, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$2,543 bilhões em julho até o dia 31. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de julho até o dia 31 foi positivo em US$4,481 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 27 a 31 de julho, entraram no país US$2,814 bilhões. No acumulado do ano até 31 de julho, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$19,696 bilhões.
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Setor de serviços do Brasil volta a contrair após 8 meses, mostra PMI
O setor de serviços do Brasil voltou a registrar contração em julho depois de oito meses de expansão diante de novas quedas na demanda e na produção, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada na quarta-feira.
O PMI de serviços do Brasil, compilado pela S&P Global, ficou em 49,7 em julho, de 51,3 em junho, pela primeira vez abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração desde outubro de 2025. Com a contração da indústria também em julho, o PMI Composto do setor privado do Brasil caiu a 48,8, de 50,7 em junho, marcando o nível mais baixo desde outubro do ano passado. “A proteção que o setor de serviços vinha oferecendo contra a fraqueza da indústria ao longo de 2026 desapareceu em julho, levando o setor privado brasileiro de volta à contração”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence. Ao explicar a queda da produção no setor de serviços, as empresas consultadas citaram adiamento de projetos, pressões inflacionárias e retração da demanda, além dos desafios enfrentados pelo setor industrial e das dificuldades financeiras dos clientes. Após uma breve expansão em junho, o volume de novos negócios recuou em julho no ritmo mais forte em dez meses, em meio a indicações de que os clientes adiaram pedidos devido a restrições orçamentárias. Os fornecedores de serviços também citaram a incerteza do mercado relacionada à proximidade das eleições presidenciais, em outubro. Os dados de julho mostraram ainda nova queda no número de empregados no setor de serviços brasileiro, com as empresas citando acontecimentos adversos nas vendas, iniciativas de reestruturação e encerramento de alguns contratos. Os gastos das empresas continuaram a subir em julho, em meio a relatos de aumento dos custos de energia, mão de obra, matérias-primas e transporte. Itens como produtos agrícolas, peças de computador, laticínios, componentes eletrônicos, carne e embalagens registraram alta de preços. Ainda assim, a taxa geral de inflação recuou para o menor nível em quatro meses. Da mesma forma, os preços cobrados pela prestação de serviços no Brasil aumentaram no ritmo mais fraco em quatro meses, embora ainda em um patamar considerado elevado pelos padrões históricos. As expectativas de recuperação da confiança dos clientes e da demanda após a eleição presidencial de outubro sustentaram o otimismo dos fornecedores de serviços, que também demonstraram esperança de pressões inflacionárias mais contidas. Assim, o nível de confiança melhorou em relação à mínima de 11 meses registrada em junho.
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