Informativo Sindileite 190 04.08.2026

Ano 1 | nº 190 | 04 de agosto 2026

NOTÍCIAS

ROTULAGEM DE ALIMENTOS TERÁ NOVA REGRA UNIFICADA NO MERCOSUL

Especialistas de ABIA, ABRE e Nestlé debateram mudanças que vão impactar toda a cadeia de suprimentos de alimentos. Depois da rotulagem frontal, um novo capítulo se abre para rótulos e embalagens no país — e a cadeia já se movimenta.

O setor de alimentos e bebidas no Brasil se prepara para uma nova rodada de mudanças regulatórias. Desta vez, o foco não é apenas a rotulagem nutricional — cujo capítulo mais conhecido foi a rotulagem frontal implementada em 2022 —, mas também a rotulagem geral: denominação de produtos e lista de ingredientes. As novas diretrizes serão harmonizadas no âmbito do Mercosul, o que amplia o alcance da mudança para além das fronteiras brasileiras. Quem acompanha de perto o processo é Alexandre Novachi, diretor de Assuntos Regulatórios e Científicos da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). Segundo ele, 2022 marcou a primeira vez que questões de legibilidade — cor, tipo de letra, posicionamento das informações no rótulo — ganharam peso regulatório no país, exigindo um esforço grande de adaptação de toda a cadeia produtiva. A nova etapa promete repetir esse desafio, agora em escala regional. Para reduzir o impacto dessa transição sobre as empresas, Novachi aposta em uma ferramenta técnica pouco conhecida fora dos círculos regulatórios: a Análise de Impacto Regulatório (AIR). O método, usado por autoridades reguladoras, começa identificando o problema regulatório — suas causas, consequências e quem será afetado — e segue avaliando alternativas de solução, com seus respectivos benefícios, custos e impactos. Para Novachi, é a ferramenta mais eficiente para embasar decisões em processos regulatórios. E o trabalho não termina com a norma publicada: a Análise de Resultado Regulatório (ARR) permite monitorar os efeitos da regra já em vigor e fazer ajustes contínuos ao longo do tempo. Entre as vantagens do modelo, o diretor da ABIA destaca a participação de diferentes elos da cadeia no processo, o que torna a discussão mais transparente e baseada em dados e referências concretas. Mas nem tudo é simples: um dos principais obstáculos para aplicar a AIR no Brasil é a disponibilidade e a qualidade dos dados, sobretudo os relacionados a padrões de ingestão alimentar e indicadores de saúde pública — informação essencial para calibrar qualquer regra de rotulagem com precisão. Novachi também reforça um ponto que costuma passar despercebido no debate público: embora seja a Anvisa quem estabelece as regras de rotulagem no Brasil, são as empresas que precisam implementá-las na prática e os consumidores que vão utilizá-las no dia a dia. Por isso, o diálogo entre regulador e sociedade é tratado como peça-chave para que as regras saiam mais equilibradas e aplicáveis — um recado direto para quem vê a regulação apenas como imposição de cima para baixo. A cadeia de rotulagem, aliás, é mais longa do que parece. Além de indústria e reguladores, agências de publicidade entram no processo para traduzir as exigências técnicas em comunicação clara ao consumidor. Fabricantes de embalagens precisam incorporar as novas informações ao design das caixas e potes. E fabricantes de rótulos e etiquetas são responsáveis por garantir que todos os elementos atendam aos critérios de legibilidade exigidos pela norma — um detalhe que impacta diretamente linhas de produção e fornecedores de packaging no setor lácteo. O tema ganhou espaço recentemente no Congresso Fispal Tec, durante o painel “Atualizações em Rotulagem Geral e Nutricional e o Impacto na Cadeia de Suprimentos”, mediado pelo próprio Novachi. Participaram do debate Luciana Pellegrino, presidente da ABRE e da WPO, e Liza Bevilaqua, gerente sênior de Assuntos Científicos e Regulatórios da Nestlé Brasil — sinal de que grandes players do setor lácteo e de alimentos já estão de olho nos próximos passos dessa harmonização regional.

DISTRIBUIDORAS DE ALIMENTOS

MEMÓRIA

Livro revela como o queijo artesanal ajudou a moldar a identidade do Sudoeste do Paraná

Livro resgata a identidade do queijo artesanal do Sudoeste do Paraná

A professora e pesquisadora Melaine Roberta Camarotto lança o livro “A Produção do Queijo Artesanal”, resultado de sua pesquisa de doutorado em Geografia, desenvolvida entre 2021 e 2024 na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Francisco Beltrão. A obra analisa a história da atividade no Sudoeste do Paraná, a organização dos produtores associados à Aprosud e a relação do queijo colonial com a identidade cultural e territorial da região. Professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), também em Francisco Beltrão, Melaine esclarece que o trabalho reúne conhecimentos das áreas de administração, desenvolvimento regional e geografia para abordar a cadeia produtiva do leite, os saberes tradicionais e as formas de organização dos produtores. Segundo a autora, a produção artesanal de queijo começou a se consolidar no Sudoeste durante o processo de colonização, a partir da década de 1930. Migrantes de origem italiana, alemã e polonesa trouxeram hábitos alimentares e técnicas utilizadas nas regiões de onde vieram. Inicialmente, a fabricação era uma atividade realizada principalmente pelas mulheres para garantir a alimentação das famílias. O excedente passou a ser comercializado entre vizinhos e moradores das comunidades, o que contribuiu para ampliar o consumo e preservar o modo tradicional de produção. “Eles continuaram a produzir os alimentos que lembravam suas origens. Assim começou a produção artesanal de queijos no Sudoeste do Paraná. A pesquisa também apresenta as dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores após a regulamentação dos alimentos de origem animal, em 1952. As normas exigiam, entre outros procedimentos, a pasteurização do leite e a inspeção federal, condições que não correspondiam à estrutura das pequenas queijarias familiares. Com isso, parte dos produtores deixou de fabricar queijo, enquanto outros permaneceram na informalidade. Conforme Melaine, entre 1952 e 2017, muitas famílias que mantiveram a atividade operaram à margem do sistema por não conseguirem adaptar suas estruturas às exigências estabelecidas para os grandes laticínios. A mudança começou a ocorrer em 2017, com a flexibilização das regras para a fabricação de queijos artesanais com leite cru. De acordo com a pesquisadora, a produção passou a ser permitida desde que fossem cumpridos requisitos sanitários, como o controle de tuberculose e brucelose nos rebanhos, a adoção de boas práticas de fabricação e o período de maturação do produto. A possibilidade de manter o leite cru ajudou a preservar características relacionadas ao modo de fazer de cada família e ao território onde o queijo é produzido. Alimentação dos animais, vegetação, clima, raça do rebanho e conhecimentos transmitidos entre gerações interferem no resultado. “O queijo artesanal tem uma diversidade. Cada produto apresenta uma especificidade, seja pelo saber-fazer do produtor, seja pelas características do território. Mesmo os queijos de uma mesma propriedade podem apresentar diferenças ao longo do ano”, afirma.

JORNAL DE BELTRÃO

NACIONAL

IMPOSTOS CUSTAM R$300 MILHÕES POR ANO AO LEITE CATARINENSE
Presidente do Sindileite-SC detalha os números que explicam por que o produtor catarinense ganha menos que os vizinhos. A conta é simples de fazer e difícil de engolir: as indústrias de laticínios de Santa Catarina pagam cerca de R$ 300 milhões a mais por ano em tributos do que suas concorrentes no Paraná e no Rio Grande do Sul.

É o que aponta um levantamento do Sindileite-SC, apresentado pelo presidente da entidade, Selvino Giesel, durante entrevista ao programa Espaço Aberto, da RCO. Se essa diferença fosse zerada, segundo Giesel, sobraria margem para pagar cerca de R$ 0,05 a mais por litro ao produtor catarinense. Não é um valor simbólico: é dinheiro que hoje fica pelo caminho por causa de uma política tributária que, na avaliação do dirigente, coloca o estado em desvantagem desde 2012. “Nós não queremos nenhuma vantagem. Queremos apenas as mesmas condições que o Rio Grande do Sul e o Paraná têm. Precisamos resolver isso definitivamente por meio de uma lei, e não através de programas temporários ou remendos”, afirmou Giesel, que também preside o Conseleite-SC. O setor já levou esse diagnóstico a diferentes gestões estaduais ao longo dos anos, mas, segundo ele, sem uma solução permanente. Programas como o Pronampe Leite, que oferece crédito com juros subsidiados, e outras medidas emergenciais do Governo do Estado aliviaram o caixa de indústrias e produtores em momentos pontuais — mas não substituem, na visão do dirigente, uma política estrutural de competitividade. A expectativa agora recai sobre a reforma tributária, que poderia reduzir parte dessa desigualdade entre estados. A desigualdade interna é só metade do problema. Giesel lembra que o custo de produção brasileiro segue mais alto do que o de Argentina e Uruguai, países que trabalham com propriedades maiores, alimentação animal mais barata e menor carga tributária sobre equipamentos e investimentos. O frete é um exemplo direto do tamanho da distância. Levar o leite até o consumidor custa, em média, entre R$ 0,13 e R$ 0,14 por litro no Brasil — praticamente o dobro dos R$ 0,08 pagos na Argentina. Essa diferença de custo, segundo o presidente do Sindileite, também ajuda a explicar outro ponto sensível: o preço do leite importado. Estudos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), citados por Giesel, indicam que produtos argentinos e uruguaios chegam ao mercado brasileiro mais baratos do que são vendidos nos próprios países de origem. “Está sendo comprovado que eles maquiam os custos e vendem para o Brasil por valores diferentes dos praticados internamente. Essa não é uma competição real, é uma competição artificial, que prejudica nossas indústrias e nossos produtores”, disse. Apesar do cenário, Giesel é otimista quanto ao médio prazo. Para ele, o Brasil já provou que consegue ganhar eficiência em outras cadeias — aves, suínos e grãos — e o leite deve seguir o mesmo caminho, à medida que cresce a escala de produção e avança a profissionalização do setor. Enquanto discute impostos e concorrência internacional, o setor também observa o céu com atenção. Depois de enfrentar cerca de três anos seguidos de estiagem — que já haviam encarecido a produção —, os produtores catarinenses agora se preparam para o cenário oposto: a possibilidade de um El Niño trazer excesso de chuvas à região Sul. O problema, explica Giesel, é que chuva em excesso também prejudica o desenvolvimento das pastagens, forçando os produtores a comprar mais ração para manter a alimentação do rebanho — o que empurra os custos de produção para cima novamente, ainda que por um motivo oposto ao da seca. A lista de gargalos que pressionam o bolso do produtor não para por aí. Giesel citou ainda a qualidade do fornecimento de energia elétrica e o estado das estradas rurais como pontos que precisam de atenção urgente. “A questão da energia elétrica precisa ser debatida. O produtor depende de um fornecimento estável e de qualidade, assim como as indústrias. Também precisamos melhorar as estradas, porque já temos um custo de transporte bastante elevado”, concluiu.

RCO

INTERNACIONAL

Lactalis revela ranking global e Brasil aparece na liderança

Enquanto mira a Ásia, a Lactalis citou uma lista de países que interessa diretamente à cadeia láctea do Brasil. Um comentário do CEO global da Lactalis, Emmanuel Besnier, sobre os planos de expansão da companhia na Ásia acabou revelando um dado que interessa diretamente à cadeia láctea brasileira.

Segundo reportagem do jornal australiano Australian Financial Review (AFR), Besnier afirmou que a Austrália, quando concluir sua trajetória de crescimento dentro do grupo, “se tornará nosso quinto maior mercado, depois de França, EUA, Canadá e Brasil”. A frase coloca o Brasil, hoje, entre os quatro mercados mais relevantes da Lactalis em todo o mundo — à frente da própria Austrália, que a multinacional francesa aponta como sua principal plataforma de crescimento na região asiática. O comentário foi feito no contexto do anúncio do plano de expansão da Lactalis para a Ásia-Pacífico, no qual a Austrália aparece como peça central. Segundo a reportagem, a companhia construiu ao longo da última década uma posição dominante na manufatura e no varejo australianos, a partir da aquisição da Parmalat local e da incorporação de marcas como Pauls, Oak, Vaalia e Jalna ao seu portfólio. Apesar de desafios estruturais na cadeia láctea da Austrália — como a redução do volume nacional de leite captado e a pressão persistente sobre as margens —, Besnier destacou que o país continua oferecendo fundamentos comerciais sólidos e leite cru de alta qualidade. Para o executivo, esses elementos sustentam o papel da Austrália não apenas no atendimento ao consumo interno, mas também como plataforma de manufatura para abastecer mercados em rápido crescimento no Sudeste Asiático. De acordo com o AFR, a estratégia prevê o aumento das exportações de produtos lácteos de maior valor agregado, leite fresco e linhas especializadas de iogurte processadas em unidades industriais na Austrália, com destino a países como Indonésia, Vietnã, Singapura e Filipinas. A aproximação geográfica e os canais comerciais já estabelecidos com esses mercados são citados como vantagens competitivas para a operação australiana dentro do grupo. A fala do CEO também reflete, segundo a reportagem, uma tendência mais ampla entre grandes processadores multinacionais: direcionar capital para categorias de consumo de maior margem e para a integração de cadeias de suprimento regionais. Nesse sentido, Besnier reforçou que a manutenção de parcerias sólidas com famílias produtoras de leite na Austrália, somada a investimentos direcionados em infraestrutura de processamento, é considerada essencial para garantir resiliência operacional e defender espaço de mercado frente à concorrência global. Ao encerrar sua análise sobre a região, a reportagem do AFR destaca que a estratégia de Besnier reforça a dupla importância da Austrália para a Lactalis: como mercado doméstico lucrativo e como ponte comercial para a Ásia. Ancorando suas ambições de crescimento na Ásia-Pacífico em torno das operações australianas, a companhia busca assegurar crescimento de volume no longo prazo, melhorar a confiabilidade do fornecimento na porteira da fazenda e consolidar sua posição como a maior processadora de laticínios do mundo — um objetivo que, pelas próprias palavras do CEO, ainda depende de superar o Brasil na lista dos mercados mais importantes do grupo.

EDAIRYNEWS EM

Mais leite, menos lucro: o paradoxo atual da pecuária uruguaia

Enquanto a produção de leite cresce 11,6% no Uruguai, a queda nos preços reduz poder de compra do produtor

A cadeia leiteira uruguaia continua registrando crescimento expressivo na produção em 2026, mas o aumento da oferta ocorre em um cenário de redução dos preços pagos ao produtor e de maior pressão dos custos de produção. Dados divulgados pelo Instituto Nacional do Leite (INALE) mostram que a remessa de leite às indústrias alcançou 196 milhões de litros em junho, volume 11,6% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, já foram entregues 1,025 bilhão de litros, alta de 10,3%, enquanto o acumulado dos últimos doze meses soma 2,307 bilhões de litros, crescimento de 10,1%. Além do maior volume de leite, houve também avanço na produção de sólidos (gordura e proteína), que cresceu 12,9% em junho frente ao mesmo período do ano anterior, reforçando o bom desempenho produtivo do setor. Apesar da expansão da produção, o preço recebido pelos produtores apresentou queda. Em junho, o valor médio pago pelo leite foi de 16,9 pesos uruguaios por litro, equivalente a US$ 0,42 por litro. Na comparação com junho de 2025, isso representa redução de 5,2% em pesos por litro; 3,8% em dólares por litro e 6,3% no preço por quilo de sólidos. Na comparação mensal, entre maio e junho, os preços em pesos e dólares também recuaram cerca de 2%, movimento associado principalmente à redução do teor de sólidos do leite entregue às indústrias, enquanto o valor pago por quilo de sólidos permaneceu praticamente estável. A combinação entre preços menores e custos maiores reduziu o chamado poder de compra da atividade leiteira, indicador calculado pelo INALE que compara a evolução dos preços recebidos pelos produtores com os custos de produção. Segundo o instituto, o índice ficou 10,8% abaixo do registrado em junho de 2025. O resultado decorre de uma queda de 5% no índice de preços do leite e de um aumento de 6,5% no índice de custos. Na comparação com maio, o poder de compra permaneceu praticamente estável (-0,2%), uma vez que tanto preços quanto custos apresentaram pequenas reduções próximas de 1%. O indicador de poder de compra ficou em 79 pontos, permanecendo 21% abaixo da base de referência utilizada pelo INALE. O instituto ressalta que o índice utiliza uma cesta fixa de insumos baseada na pesquisa de 2019, atualizando mensalmente apenas os preços dos componentes, sem considerar eventuais ajustes feitos pelos produtores em suas estratégias produtivas. Os números mostram que a pecuária leiteira uruguaia vive um momento de forte expansão produtiva. Nos primeiros seis meses de 2026, a produção acumulada supera em mais de 10% o mesmo período do ano anterior, indicando recuperação consistente da oferta nacional. Por outro lado, o aumento da disponibilidade de leite ocorre justamente em um contexto de preços mais baixos e custos elevados, o que reduz a margem econômica das propriedades. Esse cenário evidencia um desafio comum às cadeias exportadoras de leite: produzir mais nem sempre significa maior rentabilidade quando o mercado internacional apresenta preços menos favoráveis e os custos continuam elevados. Essa conclusão decorre da combinação dos indicadores apresentados pelo INALE sobre produção, preços e poder de compra.

MilkPoint

ECONOMIA

Dólar tem alta leve no Brasil com atuação de importadores e Oriente Médio no foco

O dólar fechou a segunda-feira com leve alta ante o real, em um dia marcado pela esperança de acordo no Oriente Médio, pelo desdobramento da intervenção de EUA e Japão no iene e pela atuação de importadores na compra da moeda norte-americana no Brasil.

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,38%, aos R$5,0877. Às 17h07, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais líquido — subia 0,06% na B3, aos R$5,1200. No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o adiamento de um novo ataque ao Irã. Além disso, afirmou que o Irã e outros países do Oriente Médio pediram mais tempo para concluir um acordo para reabertura do Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% do petróleo e do gás exportados pelos países. Na segunda-feira, o Irã desmentiu que estivesse negociando com os EUA, mas Trump confirmou que as conversas estão em andamento e voltou a ameaçar punir Teerã caso um acordo não seja fechado. Nesse cenário ainda nebuloso, os agentes se apegaram à possibilidade de avanços nas negociações de paz, o que conduziu a queda do petróleo Brent para a faixa de US$83 o barril e o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries. O movimento no Brasil ocorreu em uma sessão em que o dólar se fortaleceu ante uma cesta de moedas fortes, o euro e a libra, mas cedeu ante o iene, na esteira de intervenções do Japão e dos EUA na última semana para segurar a moeda japonesa. O Japão confirmou na segunda que realizou uma intervenção de compra de ienes na última sexta-feira em conjunto com o Tesouro dos EUA. Mas, em vez de comprar ienes e vender dólares, o Tesouro comprou ienes em troca de euros na sexta-feira, conforme o Financial Times. Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central do Brasil informou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 seguiu em R$5,20 e no final de 2027 variou de R$5,29 para R$5,28. Já a Selic esperada para o fim de 2026 caiu de 14,00% para 13,75%, com os economistas passando a projetar dois cortes de 25 pontos-base da taxa básica até o fim do ano. Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e esse diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e de novas baixas no Brasil. No campo político, pesquisa BTG/Nexus indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto em eventual segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

REUTERS

Ibovespa fecha estável apesar de recuo de Vale e Petrobras

O Ibovespa fechou quase estável na segunda-feira, com as blue chips Vale e Petrobras entre as maiores pressões negativas, em dia de queda de commodities no exterior, enquanto Embraer forneceu um contrapeso relevante com alta de quase 4%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,03%, a 177.946,66 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 178.556,60 pontos na máxima e 176.783,14 pontos na mínima do dia.

REUTERS

Mercado reduz projeção de inflação e prevê corte maior dos juros neste ano

Os analistas do mercado financeiro reduziram, pela quinta semana consecutiva, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2026, mostra atualização do Relatório Focus divulgada ontem.

Junto com a nova estimativa, os analistas passaram a prever uma queda maior da taxa Selic até o fim deste ano. Mercado financeiro prevê inflação em 5,03% no fim deste ano. O percentual corresponde à quinta queda consecutiva das previsões para o IPCA acumulado nos 12 meses finalizados em dezembro. Há quatro semanas, a projeção sinalizava alta de 5,3% do índice oficial de preços. Para os preços administrados, a exemplo dos combustíveis e das contas de luz, a previsão recuou de 5% para 4,93%. Apesar dos recuos recentes, o índice deve fechar o ano acima do intervalo estabelecido pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para o índice oficial de inflação, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (entre 1,5% e 4,5%). Analistas mantêm estáticas expectativas para 2027, 2028 e 2029. Para o ano que vem, as projeções apontam para alta de 4,22% dos preços. Já para 2028 e 2029, as estimativas permanecem em 3,80% e 3,50%, respectivamente. O mercado financeiro reduziu de 0,20% para 0,08% a expectativa de inflação para o mês de julho, que será divulgado na próxima semana. Já para agosto, as projeções apontam para uma deflação de 0,17%, guiada pelo abatimento do chamado “Bônus de Itaipu” sobre as contas de luz. Relatório cortou a previsão para a taxa Selic ao final de 2026. As expectativas mostram que a taxa básica de juros deve cair 0,5 ponto percentual neste ano, dos atuais 14,25% ao ano para 13,75% ao ano. Nas últimas semanas, as projeções indicavam apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual da taxa, a ser realizado na reunião da próxima quarta-feira (5). Projeções para 2027, 2028 e 2029 permanecem estáveis. As perspectivas dos analistas mostram a taxa básica de juros em 12%, 10,5% e 10% ao ano, respectivamente. Relacionadas Com inflação mais baixa, mercado aposta em novo corte da Selic na quarta. Inflação do aluguel recua, mas contratos vencidos em agosto subirão 2,76%.

UOL ECONOMIA

Indústria do Brasil tem em julho contração mais forte em 5 meses com retração da demanda, mostra PMI

A indústria brasileira apresentou contração em julho após mostrar fôlego no mês anterior, uma vez que a concorrência, a retração da demanda, as pressões inflacionárias e a guerra no Oriente Médio reduziram consideravelmente os volumes de vendas, de acordo com pesquisa divulgada na segunda-feira.

Em julho, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor industrial, compilado pela S&P Global, caiu a 47,5, de 50,8 em junho, marcando a contração mais intensa desde fevereiro. A marca de 50 separa crescimento de retração. “A preocupação agora é que a fraqueza da indústria se espalhe para outras partes da economia. As fábricas são grandes clientes dos setores de transporte, logística, armazenagem, manutenção e serviços empresariais. Se a produção continuar caindo, a demanda por esses serviços também poderá enfraquecer, gerando um impacto mais amplo sobre o crescimento econômico”, alertou Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence. As novas encomendas — maior componente do índice — registraram a queda mais acentuada em mais de três anos, com contrações mais intensas nas categorias de bens de consumo e de bens intermediários. A demanda internacional por produtos brasileiros voltou a se deteriorar, embora em ritmo mais fraco do que em junho, com as empresas consultadas relatando vendas menores para a China, a Europa e a América Latina. Com a queda das encomendas tanto no mercado doméstico quanto no externo, as empresas reduziram os volumes de produção pelo terceiro mês consecutivo, no ritmo mais forte desde fevereiro. Em resposta a esse cenário, as empresas cortaram o número de funcionários depois de cinco meses de criação de vagas. Algumas delas atribuíram as reduções no quadro de funcionários ao desempenho fraco das vendas, enquanto outras relataram falta de candidatos adequados para preencher vagas existentes. As empresas do setor industrial sinalizaram ainda aumento dos custos em relação a junho, com itens eletrônicos, alimentos, frete, combustíveis, produtos químicos, metais e plásticos sendo apontados como mais caros. Os aumentos de preços foram associados à guerra no Oriente Médio, ainda que eles tenham desacelerado para o menor nível em cinco meses. A inflação dos preços cobrados pelos fabricantes recuou para o menor nível em quatro meses, enquanto a diferença entre os dois indicadores de preços foi a menor desde fevereiro. O PMI mostrou ainda que, em julho, uma proporção maior dos participantes da pesquisa mostrou-se otimista em relação às perspectivas para a produção nos próximos 12 meses, na comparação com junho — 66% ante 53%. Como resultado, o nível geral de confiança aumentou. Além de projetarem uma melhora da demanda e dos investimentos após as eleições presidenciais, em outubro, as empresas esperam se beneficiar de aquisições, lançamentos de novos produtos e parcerias.

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