Ano 1 | nº 100 | 25 de março de 2026
NACIONAL
Cotação do leite reage após sequência de quedas
Expectativa, no curto prazo, para o mercado leiteiro está positiva
Depois de nove meses consecutivos de queda, os preços reagiram no pagamento de fevereiro, referente ao leite entregue em janeiro. Na comparação feita mês a mês, a alta foi de 1,0%, ou R$0,02 por litro. Considerando a média nacional ponderada nos 18 estados pesquisados pela Scot Consultoria, o litro de leite ficou cotado em R$2,088. Apesar da recuperação na comparação mensal, em relação a igual período do ano passado, o preço médio ainda está 14,3% menor. A recuperação nos preços aconteceu devido a ajustes na produção. Segundo o Índice de Captação de Leite da Scot Consultoria, houve queda de 1,4% na captação em janeiro de 2026 em relação a dezembro de 2025. A sequência de preços em queda, que pressionou as margens da atividade, reduziu os investimentos no setor. Para o pagamento a ser realizado em março, referente à produção entregue em fevereiro, a expectativa é de alta, porém de forma gradual. Segundo levantamento da Scot Consultoria, 66,0% dos laticínios consultados apontam para alta no próximo pagamento e 34,0% projetam estabilidade. Nenhum agente consultado sinaliza baixa nos preços. Apesar do quadro, o mercado está depende de como o consumo reagirá. Portanto, esse movimento de ascensão deve ocorrer de forma moderada. A favor disso, os preços do leite no mercado spot estão mantendo o movimento de recuperação observado nas últimas quinzenas. Considerando a média dos estados pesquisados (SP, MG, GO, PR e RS), a referência da primeira quinzena de março teve forte alta, de 20,0%, ou R$0,49 a mais que a quinzena imediatamente anterior. Na média dos estados, o produto comercializado entre as indústrias foi negociado em R$2,92 por litro. O aumento ocorreu em todos os estados monitorados, com a maior valorização ocorrendo no Rio Grande do Sul, de 24,8%. Com a menor oferta, típico do período de entressafra, aumentou a disputa entre os laticínios, o que contribuiu para o cenário. Ao mesmo tempo, a demanda mais firme e os reajustes nos preços dos derivados vêm dando sustentação ao mercado, permitindo a consolidação desse novo patamar de preços no setor.
Scot Consultoria
Mercado do leite: atualização quinzenal de preços (24/03)
O mercado de leite spot manteve, na segunda quinzena de março, o movimento de alta observado anteriormente, com avanço generalizado das cotações em todos os estados monitorados. Na média Brasil, o indicador atingiu R$ 3,172/litro, reforçando o ambiente de valorização sustentado por oferta mais restrita e demanda firme por derivados. Entre os estados, o maior destaque ficou com Goiás, que apresentou a maior variação absoluta no período, com alta de R$ 0,451/litro, seguido de Minas Gerais (+R$ 0,435/litro) e Paraná (+R$ 0,292/litro).
Preços internacionais – O 4000 leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) indicou estabilidade nos preços internacionais dos lácteos, com o índice geral registrando leve variação de 0,1% e média de USD 4.330 por tonelada para os produtos comercializados, após uma sequência recente de altas mais expressivas observadas nos eventos anteriores. O comportamento entre os derivados foi misto, com destaque para a gordura anidra do leite, que registrou a maior alta do leilão, com avanço de 6,4%, cotada a USD 7.602/tonelada. O movimento reforça a continuidade da valorização do segmento, sustentado por uma menor disponibilidade, decorrente da desaceleração sazonal da produção na Oceania. Leite UHT – O leite UHT registrou novo aumento nos preços na terceira semana de março, com variação positiva de R$0,31/litro em São Paulo. Após fechar a semana anterior em R$4,37/litro, a média encerrou o período atual em R$4,68/litro. O cenário segue bastante firme, com o mercado virando rapidamente diante da menor disponibilidade de leite matéria-prima, da demanda aquecida e da continuidade das altas no leite spot. Muçarela – A muçarela apresentou novamente um reajuste positivo, atingindo o valor de R$31,6/kg, apresentando um acréscimo de R$1,2/kg comparado ao período anterior. O movimento segue sendo sustentado pela menor produção, pelo elevado custo da matéria-prima – tanto no leite ao produtor quanto no spot – e por uma demanda aquecida. Leite em pó – O mercado de leites em pó apresentou sinais de reação nesta semana, com maior procura pelos produtos da categoria. O LPF (leite em pó fracionado) fechou em R$30,5/kg, com acréscimo de 0,6% em relação ao período anterior. O LPI (leite em pó integral) e o LPD (leite em pó desnatado) apresentaram preços de R$25,8/kg e R$23,8/kg, respectivamente. Oferta – Com a entrada natural na entressafra, a produção de leite desacelera frente aos volumes do último ano. A redução na disponibilidade da matéria-prima reduz os estoques, criando um ambiente de suporte para a recuperação dos preços. Demanda – Na segunda quinzena de março, o mercado de lácteos sinaliza um aquecimento na demanda. Esse movimento reflete a retomada do consumo na ponta final, evidenciando um ritmo de escoamento mais acelerado após a retração observada em fevereiro.
MILKPOINT
NACIONAL
Conseleite/MT projeta valor de referência do leite pago em março/26
O Conseleite do Mato Grosso divulgou um aumento de 8,7% nas projeções dos valores de referência do leite em março de 2026.
A diretoria do Conseleite – Mato Grosso atendendo os dispositivos do seu Estatuto, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima, referente ao leite entregue no mês de janeiro de 2026 a ser pago em fevereiro de 2026 e para o leite entregue no fevereiro de 2026 a ser pago em março de 2026. Os valores divulgados compreendem os valores de referência para o leite base e faixas de valores de referência levando em conta o volume médio mensal de leite entregue pelo produtor e os parâmetros de qualidade indicados na tabela abaixo.
CONSELEITE/ MT
EMPRESAS
Escalada da guerra pressiona Frimesa, fabricante de alimentos, a reajustar preços
Elias Zydek, presidente da Frimesa, aponta que a cadeia produtiva precisa repassar 5% dos preços para recompor margens do setor. Companhia traçou plano de expansão em São Paulo para atingir faturamento de R$ 15 bilhões em 2032
Uma das principais empresas voltadas à suinocultura no Brasil, a Frimesa já sente os impactos da guerra no Oriente Médio nos custos de produção. A companhia, resultante de uma cooperativa de alimentos do Paraná, diz que o “efeito guerra” a fez subir em 3% o valor de seus produtos. O preço do petróleo disparou nas últimas semanas. O combustível é matéria-prima crucial para a cadeia de plástico, usado em embalagens dos produtos da empresa. Além de suínos, a Frimesa é uma grande fabricante de lácteos no país. Ao todo, a marca comercializa 563 itens diferentes, sendo 371 em carnes e 192 em lácteos. “O efeito do [aumento] do combustível é na veia. Os fretes já aumentaram 7% e representam 6% da nossa matriz de custos. Isso significa 0,5% no valor para o consumidor final”, diz Elias José Zydek, presidente da Frimesa. “Nós também usamos muito plástico e a embalagem teve aumento de 25%. Ela representa 10% da nossa matriz de custos. O impacto direto no preço final é de 2,5%. Ou seja, eu tenho de aumentar os preços em 3% só para cobrir o efeito da guerra.” “Todo aumento de custo que nós temos, a gente acaba repassando. Não tem como absorver. Hoje, está tudo muito ajustado”, diz Zydek. “A cadeia produtiva precisa repassar 5% dos preços para recompor margens e cobrir os custos no curtíssimo prazo. A embalagem tem um efeito imediato sobre os nossos custos.” Composta por cinco cooperativas, a Frimesa apresentou uma receita de R$ 7 bilhões em 2025, alta de 7% sobre o ano anterior. A projeção é encerrar este ano com faturamento acima de R$ 8 bilhões. A ideia é que a marca chegue a R$ 15 bilhões em receita até 2032. A companhia é a quarta maior produtora de carne suína no Brasil, atualmente, atrás de MBRF (a empresa resultante da fusão entre BRF e Marfrig), Aurora e JBS, por meio da marca Seara. Após investir R$ 1,35 bilhão para aumentar a capacidade de sua fábrica de processamento de suínos em Assis Chateaubriand (PR), a companhia elegeu São Paulo como um mercado estratégico para ganhar receita. Hoje, a unidade fabril abate mais de 7.000 suínos por dia, mas a ideia é que o espaço dobre sua capacidade de processamento em breve e atinja a marca de 23 mil suínos por dia em 2032. “A planta ainda precisa de alguns investimentos. Vamos investir em torno de R$ 150 milhões em máquinas e equipamentos, mas a parte de construção civil está pronta”, afirma o presidente da Frimesa. Zydek aponta que São Paulo é um mercado estratégico também por sua proximidade com o Paraná, pelo poder aquisitivo do estado e pela escala nacional. Desde o fim de 2025, a companhia estampa a marca na camisa do Corinthians, um patrocínio que não teve valores divulgados, mas já foi renovado até o fim deste ano. A companhia, que anunciou investimento de cerca de R$ 120 milhões para o reposicionamento de seus produtos nos supermercados, contratou duas consultorias para um projeto para repaginar os produtos da marca. A ideia é ter cores mais vibrantes no portfólio. Na linha de lácteos, foram introduzidos novos produtos para a linha zero açúcar, impulsionada pela tendência das canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro. O aumento da capacidade produtiva da Frimesa também deve impulsionar as exportações de suínos para outros países. Hoje, um terço da receita da companhia vem dessa frente, sendo que os principais mercados da empresa fora do Brasil são Singapura, Filipinas e Hong Kong – os três representam, juntos, 35% da receita das exportações. Uruguai e Argentina completam o top 5. Como o consumo de carne suína é estritamente proibido no Alcorão, a empresa tem passado praticamente ilesa pelo conflito geopolítico instaurado no estreito de Hormuz. Mas, ainda que suas exportações utilizem rotas alternativas, o aumento no preço do frete e do petróleo impacta os ganhos da empresa. “O frango está indo para a zona de guerra hoje. O suíno não. Então, só temos o efeito do frete. Mesmo assim, não dá para tirar proveito dessa guerra. Acho que só fabricantes de armas mesmo [estão ganhando com a guerra]”, diz Zydek. Nessa linha, o executivo estima que o câmbio de equilíbrio ideal para a operação seria que o dólar figurasse na casa de R$ 5,30, um pouco acima do patamar atual. “O câmbio está nos prejudicando. Ajuda a quem importa, mas prejudica quem exporta”, aponta ele, que ainda espera por uma redução mais acentuada da taxa Selic no país — a inflação, no entanto, voltou ao radar com a escalada da guerra e pode prejudicar a queda dos juros.
FOLHA DE SP
Nestlé recoloca em operação unidade de soro de leite no RS
Investimento foi de R$ 60 milhões; expectativa é de ampliar a produção em 15% até 2029
A Nestlé anunciou na terça-feira (24/3) que está voltando a operar no Rio Grande do Sul. A empresa vai voltar a produzir soro de leite na unidade industrial de Carazinho. O produto é um dos principais ingredientes de fórmulas de nutrição infantil. O investimento para colocar a planta novamente em operação foi de mais de R$ 60 milhões. A fábrica passou por uma série de adequações técnicas e volta à ativa com uma base na infraestrutura desenvolvida pela própria Nestlé. A expectativa é de ampliar a produção do insumo em 15% até o ano de 2029, informou a companhia, em nota. O soro de leite produzido na unidade está presente em cerca de 90% do portfólio de Nutrição fabricado no Brasil e é fundamental para garantir a qualidade dos nossos produtos”, afirma Marcelo Citrangulo, Diretor Executivo de Nutrição na Nestlé Brasil, no comunicado. A unidade de Carazinho já integrou o parque industrial da Nestlé no passado. Em 2010, saíam do complexo diferentes tipos de produtos lácteos, além do soro de leite. Em 2020, como parte da estratégia voltada para produtos de maior valor agregado, a empresa vendeu a operação de produtos lácteos, incluindo, de forma temporária, o licenciamento das marcas Ninho e Molico para a produção de leite UHT.
VALOR ECONÔMICO
A estratégia da Frimesa para conseguir dobrar sua receita até 2032
Em 2025, a empresa faturou R$ 7 bilhões. O plano de fortalecimento da presença no Estado de São Paulo abrange tanto o segmento de carne suína quanto de lácteos
Quarta colocada em abate e processamento de suínos no país, a cooperativa paranaense Frimesa pretende diminuir a distância para as gigantes do setor, ampliando sua participação no mercado dos atuais 8,5% para cerca de 14% até 2032. A meta faz parte do planejamento para dobrar o faturamento até 2032. Em 2025, a Frimesa faturou R$ 7 bilhões. Uma das estratégias é ampliar a presença no Estado de São Paulo. Ontem, a Frimesa inaugurou escritório comercial na zona leste da capital paulista. “Com o crescimento de escala, vêm os desafios de varejo, de como chegar no consumidor”, afirmou o presidente-executivo, Elias José Zydek. Para ele, há uma tendência de concentração no mercado de suínos. Hoje, disse, não é viável abater menos de 4 mil a 5 mil cabeças por dia. “São muitas exigências legais, ambientais, sanitárias”, justificou Zydek, que aposta que até 2032 devem permanecer no mercado no máximo dez empresas competitivas. Apesar disso, a Frimesa não cogita aquisições nos próximos anos, afirmou. Hoje, as empresas que mais abatem suínos no Brasil são MBRF, Aurora e JBS (Seara). “Estamos ainda distantes do terceiro [lugar], por isso há espaço para crescer”, observou Zydek. Mesmo que a Frimesa consiga ampliar a participação no mercado, a possibilidade de diminuir a distância para o pódio irá depender “das velocidades que eles [concorrentes] andarem”, segundo ele. O plano de fortalecimento da presença no Estado de São Paulo abrange tanto o segmento de carne suína quanto de lácteos. Porém, a suinocultura representa um peso maior para a Frimesa — responde por 72% do faturamento. O frigorífico de Assis Chateaubriand (PR), inaugurado em 2022, também faz parte desse plano, segundo o dirigente. O investimento foi de R$ 1,35 bilhão, porém novos aportes devem ser realizados para que a planta seja concluída. Atualmente, 15% a 16% do faturamento da Frimesa vem do mercado paulista. O projeto é dobrar essa participação. A atualização da imagem da empresa também faz parte da estratégia, com mudanças nas cores e na logomarca utilizadas nos produtos — além de uma maior capilaridade no varejo. Uma ação para tornar a marca mais conhecida foi o patrocínio à camiseta do Corinthians, com contrato recentemente renovado. Outra iniciativa da Frimesa para avançar no mercado é a adequação do portfólio. “Dos mais de 500 itens que temos no portfólio, uma grande parcela era para o transformador, grandes pacotes, grandes volumes. Agora, com essa revisão do portfólio, seja no segmento de carne ou de lácteos, estamos direcionando mais para o consumidor final”, afirmou o superintendente comercial, Rodrigo Fossalussa. Segundo Zydek, o mercado externo representa 26% do faturamento, o que não deve sofrer grandes alterações no planejamento até 2032. Os embarques da empresa não foram afetados pela guerra, pois os países do Oriente Médio não consomem carne suína. Porém, o frete ficou 7% mais caro.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Danone compra fabricante de bebidas proteicas Huel por 1 bilhão de euros
Operação é aposta do grupo, que detém produtos como o iogurte Activia, para avançar no mercado de ‘nutrição completa’. Marca britânica tem sido criticada por vender ultraprocessados como alternativas saudáveis
O grupo francês Danone fechou acordo para adquirir a Huel, marca britânica de shakes usados para substituir refeições, por cerca de 1 bilhão de euros (R$ 6 bi). A operação marca uma investida no crescente mercado de alimentos e bebidas fortificados. O acordo é o mais recente esforço da Danone, fabricante do iogurte Activia e da água Evian, para capitalizar a tendência da chamada nutrição funcional, que abrange suplementos e bebidas proteicas e com vitaminas adicionadas. As duas empresas anunciaram na segunda-feira (23) que os “alimentos completos” em pó, barras de cereais e bebidas da Huel atendem à crescente demanda de usuários de medicamentos para a perda de peso à base de GLP-1 e de consumidores cada vez mais preocupados com a saúde. A Huel, nome que une as palavras “human” (humano) e “fuel” (combustível), começou em 2015 como um negócio de venda direta ao consumidor, antes de fechar acordos para vender suas bebidas proteicas sabor chocolate, banana e baunilha em supermercados do Reino Unido como parte das promoções de almoço “meal deals”. Popular entre jovens que investem em produtos fitness, a marca agora vende em toda a Europa e nos Estados Unidos. A Huel deve registrar receitas de mais de 250 milhões de libras (R$ 1,7 bi), em comparação com 214 milhões de libras (R$ 1,5 bi) no ano anterior, com margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização de cerca de 10% em 2025, disse uma pessoa próxima à empresa. Os produtos da Huel são feitos com uma mistura de ingredientes à base de plantas, fortificados com vitaminas e proteínas. A marca, que afirma que seus produtos são nutricionalmente completos, tem sido criticada por produzir produtos ultraprocessados e comercializá-los como alternativas saudáveis. A Huel rebateu que nem todos os ultraprocessados são “inerentemente ruins”. James McMaster, CEO da Huel, disse após o anúncio do acordo que o principal apelo da marca é sua conveniência, acrescentando que os jovens de hoje gastam metade do tempo preparando comida em comparação com a geração anterior. McMaster acrescentou que refeições de baixa caloria, que são ótimas para o público de GLP-1, agora estão no centro de seu portfólio de produtos. A Danone está pagando cerca de1 bilhão de euros pela Huel, segundo uma pessoa com conhecimento do acordo. A empresa britânica, que explorou uma oferta pública inicial em 2021, foi avaliada pela última vez em US$ 560 milhões (R$ 2,9 bi) em uma rodada de financiamento em 2022. O CEO da Danone, Antoine de Saint-Affrique, disse que a Huel é uma “grande marca e está exatamente aonde o consumidor está indo”, e que ela se beneficiará das capacidades de pesquisa e desenvolvimento da Danone. O grupo francês, por sua vez, pode aprender com a experiência da Huel em vendas digitais e diretas ao consumidor, acrescentou Saint-Affrique. McMaster permanecerá como chefe da Huel, administrando-a como um negócio autônomo que se reportará ao diretor da Danone para a Europa. A estratégia da Danone sob Saint-Affrique tem sido apostar em alimentos funcionais focados em saúde, como suas linhas de iogurtes ricos em proteína voltados para atletas e frequentadores de academia. A Danone comprou recentemente a Kate Farms, empresa americana de nutrição médica orgânica, e a Akkermansia Company, uma empresa de biotecnologia belga focada em ciência do microbioma.
FINANCIAL TIMES
ECONOMIA
Dólar supera R$5,25 com continuação do conflito no Oriente Médio
Após a queda firme da véspera, o dólar voltou a subir no Brasil nesta terça-feira, para acima dos R$5,25, em um dia negativo para as moedas de países emergentes em meio à continuação do conflito no Oriente Médio.
No início da tarde, o Banco Central realizou uma operação cambial, aumentando a liquidez no mercado à vista, mas ainda assim a moeda norte-americana encerrou a sessão em alta. O dólar à vista fechou com elevação de 0,25%, aos R$5,2549. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,26%. Às 17h03, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,28% na B3, aos R$5,2610. Na segunda-feira o dólar havia fechado com baixa superior a 1%, após o presidente dos EUA, Donald Trump, citar conversas com o Irã e adiar por cinco dias ataques a usinas do país. Na terça-feira, porém, o cenário era diverso, com o Irã lançando mísseis contra Israel e voltando a negar qualquer negociação com os norte-americanos. Com o Estreito de Ormuz ainda sob a mira do Irã, o petróleo tipo Brent voltou a superar os US$100 o barril, reforçando os receios sobre os impactos inflacionários nos países. Os rendimentos dos Treasuries também subiam diante da perspectiva de juros mais altos nos EUA. Já o dólar sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas, incluindo moedas de países emergentes como o real, o peso mexicano e o peso chileno. “O dólar voltou a operar em alta, refletindo a deterioração do ambiente de risco global diante da incerteza sobre a efetividade das negociações entre Estados Unidos e Irã”, resumiu à tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. No início da tarde, o BC vendeu US$1 bilhão em leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), em operação que representou a injeção de recursos novos no mercado à vista, melhorando a liquidez. Ainda assim, o dólar se manteve em alta ante o real. Pela manhã, os agentes também se debruçaram sobre a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,75% ao ano. No documento, o BC afirmou que “a magnitude e a duração do ciclo de calibração (da Selic) serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”. Entre analistas do mercado e investidores, a ata manteve a divisão sobre o que o BC anunciará no fim de abril: nova redução de 25 pontos-base da Selic, aceleração do corte para 50 pontos-base ou mesmo manutenção da taxa, a depender da guerra no Oriente Médio.
REUTERS
Ibovespa destoa dos demais ativos locais e das bolsas de NY e fecha em alta
Forte alta das ações da Petrobras ajuda a impulsionar o principal índice da B3
Depois de oscilar entre perdas e ganhos na terça-feira ao sabor das notícias em torno da guerra no Oriente Médio, o Ibovespa conseguiu suporte para se estabilizar no campo positivo e adotar uma alta moderada perto do fim do pregão. Pelo fato de as ações da Petrobras representarem uma parcela significativa do índice, a subida de quase 3% dos papéis da petroleira ajudou a principal referência acionária local a encerrar no azul e a destoar também de Wall Street. No fim do dia, o Ibovespa encerrou em alta de 0,32%, aos 182.509 pontos, após oscilar entre os 179.915 pontos e os 182.649 pontos. Entre as blue chips, o destaque ficou para as ações da Petrobras: as PN subiram 2,69% e as ON ganharam 2,51%. Da mesma forma, as ON da Vale exibiram valorização de 0,79%. Papéis de bancos encerraram majoritariamente no negativo, com as ON do Banco do Brasil liderando as perdas, no valor de 1,29%. A exceção ficou para as units do BTG Pactual, que subiram 0,72%. Segundo participantes do mercado, a nova rodada de ataques no Oriente Médio voltou a elevar os prêmios de risco, o que chegou a pressionar para baixo o Ibovespa durante parcela da manhã. No entanto, a alta das ações da atuou como contraponto para manter o índice no campo positivo, juntamente com o avanço da Petrobras. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 17,6 bilhões e de R$ 25,0 bilhões na B3. Já em Wall Street, os principais índices fecharam no negativo. No fim, o Nasdaq cedeu 0,84%; o S&P 500 cedeu 0,37%; e o Dow Jones recuou 0,18%.
VALOR ECONÔMICO
Arrecadação federal cresce 5,68% em fevereiro e bate recorde para o mês
Resultado é o melhor de fevereiro desde o início da série histórica em 1995. País arrecadou R$ 222,12 bilhões no mês passado
A arrecadação do governo federal teve alta real de 5,68% em fevereiro sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$ 222,12 bilhões, informou a Receita Federal na terça-feira (24). O resultado é o melhor para meses de fevereiro da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995. No acumulado de janeiro e fevereiro, a arrecadação cresceu 4,41% acima da inflação em comparação com o primeiro bimestre de 2025, a R$ 547,87 bilhões, patamar também recorde para o período. Os recursos administrados pela Receita, que englobam a coleta de tributos de competência da União, cresceram 6,17% em termos reais em fevereiro frente a um ano antes, a R$ 215,21 bilhões. Essa elevação foi mais que suficiente para compensar o desempenho da receita administrada por outros órgãos, que tem peso relevante de royalties de petróleo e caiu 7,46% no mês passado, a R$ 6,91 bilhões. Teve papel relevante no dado do mês uma alta de R$ 2,29 bilhões, equivalente a 35,7% na comparação com janeiro de 2025, nos ganhos com IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que teve alíquotas elevadas pelo governo no ano passado. A Receita ainda destacou o desempenho do Imposto de Renda sobre rendimentos de capital, que cresceu 19,4%, em razão de ganhos de contribuintes com papéis de renda fixa. O fisco também apontou influência positiva do comportamento de indicadores econômicos que afetam a arrecadação e ganhos de PIS/Cofins, que subiram 8,5%, em função do crescimento do setor de serviços e do desempenho do setor ligado à extração de petróleo.
REUTERS
Governo piora projeção de déficit fiscal em 2026 e anuncia contenção de R$1,6 bi em gastos de ministérios
O governo Luiz Inácio Lula da Silva disse na terça-feira que precisará implementar um bloqueio de R$1,6 bilhão em gastos de ministérios para cumprir o limite de despesas do ano, apontando que não será necessário contingenciar recursos para atingir o piso da meta fiscal.
Em relatório bimestral de avaliação fiscal, os ministérios da Fazenda e do Planejamento apontaram que a previsão é que o governo feche 2026 com um déficit primário de R$59,8 bilhões, mas o saldo iria a um superávit de R$3,5 bilhões após abatimento de exceções ao cálculo da meta, como precatórios. O detalhamento dos cortes por ministério será apresentado até o fim do mês. A meta fiscal de 2026 é de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$34,3 bilhões, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos — um intervalo que vai de um saldo zero a um superávit de R$68,6 bilhões. A primeira projeção feita pelo governo neste ano para o resultado primário de 2026 é significativamente pior do que a prevista no Orçamento, que estabeleceu um resultado primário negativo de R$22,9 bilhões sem abatimento das exceções, ou um superávit de R$34,9 bilhões após as exclusões legais da meta. Ao fazer a avaliação sobre eventual necessidade de cortes, o governo seguiu mirando o piso da margem de tolerância da meta. Desse modo, as pastas apontaram que ainda há uma sobra de R$3,5 bilhões em relação ao limite inferior do alvo, não sendo necessário contingenciar recursos. Segundo os cálculos oficiais, a receita líquida do governo, que exclui transferência a Estados e municípios, deve ficar R$13,7 bilhões menor do que o estimado no Orçamento, a R$2,577 trilhões. A previsão de despesas totais, por sua vez, foi elevada em R$23,3 bilhões na comparação com o Orçamento aprovado para este ano, sob pressão de maiores despesas obrigatórias.
REUTERS
Acordo UE-Mercosul vai entrar em vigor em 1º de maio
Entre os setores do agronegócio mais beneficiados estão a carne, o açúcar e o etanol, frutas, pescados e suco de laranja. Exportadores brasileiros poderão usufruir das novas possibilidades de acesso ao mercado europeu
O acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) vai entrar em vigor em 1º de maio. A vigência ocorre após as notificações entre as partes. O decreto legislativo que aprovou o texto do acordo provisório foi publicado em 17 de março. No dia seguinte, 18 de março, o Brasil notificou oficialmente a Comissão Europeia sobre a conclusão dos procedimentos internos de ratificação do acordo. A União Europeia, por sua vez, notificou hoje o Brasil, concluindo os procedimentos formais. Em comunicado conjunto, os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e o Itamaraty informaram que está em “estágio avançado de tramitação” o decreto de promulgação, o ato final que incorpora tratados e acordos internacionais ao ordenamento jurídico interno, tornando-os obrigatórios. Com isso, a partir de 1 de maio, os exportadores brasileiros poderão usufruir das novas possibilidades de acesso ao mercado europeu, com redução de tarifas e eliminação de barreiras ao comércio bilateral. Entre os setores produtivos do agronegócio mais beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia estão a carne, o açúcar e o etanol, frutas, pescados e suco de laranja.
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