Informativo Sindileite 150 09.06.2026
Ano 1 | nº 150 | 09 de junho de 2026
NOTÍCIAS
O mercado está pagando mais por um leite que não falta
Enquanto o Brasil produz mais leite do que nunca, os preços seguem avançando e desafiam a lógica tradicional do mercado. O mercado remunera melhor o produtor, mas os próximos movimentos já começam a gerar dúvidas.
O preço do leite alcançou R$ 2,6584 por litro em abril de 2026, acumulando valorização de 33,2% desde dezembro. O dado, por si só, já chamaria atenção. O que torna o movimento ainda mais relevante para a cadeia láctea é o contexto em que ele ocorre: o Brasil registrou produção recorde de 35,7 bilhões de litros em 2024.Em teoria, mais oferta deveria limitar a alta dos preços. Na prática, o mercado seguiu o caminho oposto. O resultado é um dos cenários mais peculiares dos últimos meses: o leite se valoriza mesmo sem sinais de escassez estrutural. O primeiro é sazonal. A entressafra de outono e inverno reduz a disponibilidade de leite e fortalece a posição de negociação dos produtores. Mesmo em um país com produção elevada, a menor oferta de curto prazo influencia diretamente a formação dos preços. O segundo fator é cambial. Com o dólar Ptax em R$ 5,1244, as importações tornam-se mais caras e a paridade de exportação ganha sustentação. O câmbio funciona como uma barreira natural à entrada de produto externo, contribuindo para manter o mercado doméstico mais firme. O terceiro elemento está dentro das propriedades. Milho e farelo de soja, principais componentes da alimentação do rebanho, seguem pressionados pelo próprio ambiente cambial. Isso eleva os custos de produção e desloca para cima o patamar de remuneração necessário para sustentar a atividade. O aspecto mais interessante é que a valorização ocorre justamente quando o mercado internacional envia sinais diferentes. O leite em pó integral negociado no GDT alcançou US$ 3.721 por tonelada em uma trajetória descrita como baixista. Em outras palavras, o mercado doméstico e a referência internacional caminham em direções distintas. Brasil valorizado, mas com diferenças internas. A alta também não foi distribuída de forma uniforme. Mato Grosso representa o caso mais emblemático. Enquanto a média nacional avançou 11,12% em abril, o estado registrou aumento de 4,13%, encerrando o mês em R$ 2,13 por litro. A diferença para a média brasileira alcançou 19,9%. Os dados mostram que a recuperação do mercado existe, mas não ocorre com a mesma intensidade em todas as regiões. Logística, estrutura industrial e dinâmica de comercialização continua influenciando a capacidade de captura de valor. O desafio agora é entender a duração desse ciclo. A projeção do Conseleite para maio aponta R$ 2,4478 por litro, valor 7,9% inferior ao indicador Cepea de abril. Caso se confirme, será a primeira queda nominal em cinco meses. O mercado continua remunerando melhor o produtor, mas os sinais começam a indicar uma transição. A combinação entre produção abundante, preços elevados e enfraquecimento das referências internacionais sugere que a principal questão deixou de ser a recuperação dos preços. A partir daqui a discussão passa a ser quanto dessa valorização ainda pode ser sustentada.
AGRO NEWS
Mesmo aprovado, antidumping sobre leite em pó importado é adiado
Governo chegou a citar risco de abastecimento e de segurança alimentar para justificar a postergação da medida; setor produtivo contesta. A aplicação imediata do antidumping foi suspensa para avaliação do “interesse público” e do efeito inflacionário gerado pela oneração da compra do produto estrangeiro
O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) publicou na segunda-feira (8/6) a resolução que determina a aplicação do direito antidumping definitivo, por até cinco anos, às importações de leite em pó do Brasil, integral ou desnatado, não fracionado, oriundas da Argentina e do Uruguai. A aplicação imediata do antidumping, no entanto, foi suspensa para avaliação do “interesse público” e do eventual efeito inflacionário gerado pela possível oneração da compra do produto estrangeiro. O governo chegou a citar risco de abastecimento e de segurança alimentar para justificar a postergação da medida. O setor produtivo contesta o argumento. As importações, portanto, seguem isentas. A decisão do Gecex foi tomada em reunião realizada em 28 de maio. A aplicação do direito antidumping foi aprovada e suspensa a pedido do Ministério do Planejamento e Orçamento, para apurar os potenciais impactos da medida em termos de abastecimento, custos industriais, inflação de alimentos e cadeias consumidoras. A investigação sobre as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai recomendou a aplicação de direito antidumping aos exportadores desses países que variam entre US$ 167,31 por tonelada (4,4%) e US$ 4.183,17 por tonelada (111,8%), no caso dos argentinos, e entre US$ 378,27 por tonelada (10%) e US$ 4.196,72 por tonelada (109,2%), no caso dos uruguaios. As tarifas mais altas são aplicadas a empresas que não responderam questionários na investigação nem apresentaram suas defesas. Ao todo, 17 exportadores argentinos participaram do processo. Para a maior parte delas, o direito antidumping foi de US$ 1.707,08 por tonelada. Três empresas tiveram indicação de valores menores: Mastellone Hermanos S.A. (US$ 167,31 por tonelada), Gloria Argentina S.A. (US$ 663,75 por tonelada) e Las 3 Niñas S.A. (US$ 903,50 por tonelada). Apenas três exportadores uruguaios responderam ao processo: a Alimentos Fray Bentos S.A., cuja aplicação de direito antidumping indicada foi de US$ 378,27, a Compania Lactea Agropecuaria Lecheros De Young S.A. (de US$ 850,07 por tonelada) e a Cooperativa Nacional de Productores de Leche (Conaprole), que terá sobretaxa de US$ 613,32 por tonelada. Para as demais empresas, o valor será de US$ 4.196,72 por tonelada. Mesmo com o dumping apurado pela investigação, a decisão foi suspender a aplicação da cobrança extra na importação sob a justificativa de apurar os possíveis impactos da medida no mercado nacional, tanto para a cadeia produtiva e indústria quanto para os consumidores. “Embora a investigação tenha identificado indícios que fundamentam a imposição de direitos antidumping, a Nota destaca que a legislação brasileira de defesa comercial admite, em circunstâncias excepcionais e por razões de interesse público, a suspensão, modulação ou não aplicação de medidas dessa natureza, especialmente quando existirem potenciais repercussões relevantes sobre inflação, abastecimento, consumidores e cadeias produtivas”, diz a nota técnica publicada na segunda-feira. A avaliação econômica apresentada pelo governo sugere que “o mercado doméstico de leite e derivados atravessa momento de elevada sensibilidade inflacionária, marcado por pressões de custos, riscos climáticos e importância social do produto, especialmente para famílias de menor renda e para a segurança alimentar”. A nota técnica ressalta ainda que Argentina e Uruguai respondem pela quase totalidade das importações brasileiras de leite em pó e apontou possíveis “impactos relevantes sobre preços domésticos e abastecimento” caso as tarifas fossem aplicadas imediatamente. Os elementos preliminares, diz a nota técnica, sugerem a “existência de circunstâncias excepcionais relacionadas a potenciais impactos inflacionários, riscos de abastecimento e repercussões relevantes sobre cadeias consumidoras e consumidores finais, justificando avaliação cautelar acerca da conveniência e oportunidade de suspensão imediata após a aplicação da medida”. A nota cita que houve aumento relevante dos preços do leite longa vida ao consumidor recentemente, em ambiente marcado por elevação de custos, com o aumento dos combustíveis e demais insumos, a redução relativa da oferta e riscos climáticos associados ao ciclo pecuário e à alta probabilidade de ocorrência de eventos climáticos adversos nos próximos meses, como o El Niño. Nos argumentos, o governo aponta ainda que o leite em pó possui “relevância específica” para o consumo das famílias de menor renda, especialmente no Norte e Nordeste. A nota técnica cita ainda que, embora o leite em pó não fracionado em embalagens superiores a 800 gramas não tenha sido alvo da investigação, o produto é usado como insumo industrial em cadeias como laticínios, panificação, chocolates, biscoitos, sorvetes e preparados alimentícios. A resolução determina diz que caberá à Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) iniciar procedimento de avaliação de interesse público, com o objetivo de avaliar o impacto de eventual aplicação de direito antidumping sobre os agentes econômicos pertencentes à cadeia de produção, distribuição, venda e consumo em que se situa a indústria doméstica.
VALOR ECONÔMICO
MERCOSUL-EU: ABERTURA COMERCIAL PRESSIONA SEGMENTO MAIS RENTÁVEL DOS LÁCTEOS
Com importações equivalentes a cerca de 8% do mercado, o setor vê crescer a concorrência justamente nos produtos de maior valor agregado. Mais do que uma questão comercial, a abertura do mercado começa a influenciar estratégias, investimentos e posicionamento das empresas.
As importações de lácteos já representam cerca de 8% do mercado brasileiro, mas a principal preocupação da indústria não está apenas no volume que entra no país. O foco passa a ser cada vez mais a disputa pelos segmentos de maior valor agregado, justamente aqueles que concentram investimentos, diferenciação e margens mais elevadas. O tema ganhou novo peso com o início da redução gradual das tarifas de importação para produtos lácteos da União Europeia prevista no acordo entre Mercosul e União Europeia. Embora a eliminação total das tarifas esteja distribuída ao longo de uma década, empresas do setor avaliam que os efeitos começam a ser considerados imediatamente nos planos de investimento. Para Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, a pressão das importações já afeta o equilíbrio do mercado interno. Segundo o executivo, a entrada contínua de leite em pó e queijos provenientes principalmente de países do Mercosul amplia a oferta disponível e influencia os preços recebidos pela indústria e pelos produtores. O cenário se torna ainda mais sensível diante da recente comprovação de práticas de dumping nas importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Apesar disso, o governo optou por não implementar medidas que restringissem essas operações, decisão que, segundo Sartor, preserva preços ao consumidor, mas reduz a rentabilidade dos produtores nacionais. A preocupação aumenta à medida que o acordo com a União Europeia avança. Desde maio, as tarifas sobre diversos produtos lácteos europeus começaram a ser reduzidas. No caso dos queijos duros, a alíquota caiu de 28% para 25,2% e seguirá diminuindo gradualmente até atingir zero. Para empresas que operam em categorias premium, o prazo é visto como relativamente curto. Projetos industriais exigem planejamento de longo prazo e envolvem anos entre aprovação, construção e início das operações. Isso significa que decisões tomadas hoje precisarão considerar um ambiente competitivo diferente daquele existente atualmente. É justamente nesse ponto que se concentra a maior preocupação da RAR. A empresa atua em categorias como queijo tipo grana, manteigas especiais, creme de leite e outros derivados de maior valor agregado. Segundo a avaliação da companhia, esses produtos deverão enfrentar concorrência crescente dos fabricantes europeus, que operam em escala superior e contam com apoio governamental em seus mercados de origem. A estimativa apresentada pela empresa indica que, com a retirada gradual das tarifas, determinados produtos europeus poderão chegar ao Brasil com um custo aproximadamente 20% inferior ao custo de produção nacional. A diferença tende a aumentar a pressão competitiva justamente nos segmentos considerados mais estratégicos para a captura de valor dentro da cadeia láctea. Diante desse cenário, a resposta da empresa tem sido priorizar eficiência operacional e reforçar o posicionamento em produtos diferenciados voltados a consumidores que valorizam qualidade, origem e processos produtivos. Ao mesmo tempo, novos investimentos industriais avançam de forma mais cautelosa em razão da capacidade ainda disponível nas operações atuais. Mais do que uma discussão sobre fluxo de importações, o debate passa a envolver a capacidade da indústria brasileira de sustentar competitividade nos produtos de maior valor agregado. É nesse espaço que a abertura comercial tende a ser observada com maior atenção nos próximos anos.
CNN BRASIL
EVENTOS
Festival do Queijo Artesanal de Minas encerra edição histórica com mais de 28 mil visitantes
Evento reuniu 28.766 pessoas ao longo de três dias no Parque de Exposições da Gameleira, superou o público da edição anterior e reforçou o protagonismo do queijo artesanal mineiro no cenário nacional.
O Festival do Queijo Artesanal de Minas (FQAM) encerrou no sábado mais uma edição marcada pelo sucesso de público, pela valorização dos produtores e pela celebração da cultura queijeira mineira. Realizado no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte, o evento recebeu 28.766 visitantes ao longo dos três dias de programação, superando o público total da edição anterior e consolidando-se como um dos principais encontros dedicados ao queijo artesanal no Brasil. Na quinta-feira, primeiro dia do festival, 12.143 pessoas passaram pelo evento. Na sexta-feira, o público foi de 7.763 visitantes, enquanto o sábado registrou mais 8.860 participantes. Os números confirmam o crescente interesse do público pelos queijos artesanais mineiros e reforçam a importância do festival para a promoção dos produtores e das regiões produtoras do estado. Ao longo da programação, visitantes tiveram a oportunidade de degustar produtos de diversas regiões reconhecidas pela tradição queijeira, participar de harmonizações, aulas-show gastronômicas, palestras e experiências que aproximam o consumidor da história e dos saberes envolvidos na produção dos queijos artesanais. Um dos momentos mais aguardados da programação foi a tradicional votação popular dos queijos artesanais. Após degustarem amostras representando as diferentes regiões produtoras do estado, os visitantes elegeram o queijo da região do Serro como o favorito desta edição. A Mantiqueira de Minas ficou em segundo lugar, seguida pelo Vale do Jequitinhonha, que conquistou a terceira colocação. A iniciativa reforça a diversidade e a qualidade da produção queijeira mineira, além de aproximar o público das características e tradições de cada território produtor. Para o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio Pitangui de Salvo, os resultados alcançados nesta edição demonstram o fortalecimento contínuo da cadeia produtiva do queijo artesanal mineiro. “Encerramos esta edição com resultados muito positivos e a certeza de que o queijo artesanal mineiro segue ganhando reconhecimento e valor. O festival mostra a força dos nossos produtores e a importância dessa cadeia para o desenvolvimento do estado.” Mais do que um espaço de comercialização e degustação, o Festival do Queijo Artesanal de Minas reafirma seu papel como vitrine da diversidade, da tradição e da qualidade dos queijos produzidos em Minas Gerais, fortalecendo a conexão entre produtores e consumidores e ampliando o reconhecimento de um dos maiores patrimônios gastronômicos do estado.
MILKPOINT
ECONOMIA
Dólar sobe pela terceira sessão seguida no Brasil, para R$5,1811
O dólar encerrou a segunda-feira em alta no Brasil, pela terceira sessão consecutiva, em um dia em que o noticiário sobre a guerra no Oriente Médio esteve novamente no centro das atenções.
A moeda norte-americana à vista fechou com alta de 0,50%, aos R$5,1811, maior cotação desde 30 de março, quando atingiu R$5,2461. No ano, o dólar passou a acumular baixa de 5,61%. Às 17h02, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,20% na B3, aos R$5,2105. No Oriente Médio, enquanto Israel atingiu uma usina petroquímica no sudoeste iraniano e alvos em outras localidades, o Irã atacou com mísseis uma instalação na cidade israelense de Haifa. Posteriormente, os dois países anunciaram uma suspensão dos ataques após um apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, para que parassem imediatamente com os disparos. No entanto, Teerã afirmou que retomará os ataques caso Israel siga atingindo o Hezbollah, seu aliado, no Líbano. Neste cenário, o dólar alternou altas e baixas ante o real em diferentes momentos da sessão. Após marcar a cotação mínima de R$5,1316 às 9h37, a moeda à vista atingiu a máxima de R$5,1964 (+0,79%) às 11h17. O avanço do dólar ante o real, que prevaleceu durante a tarde, esteve em sintonia com a alta da moeda norte-americana ante o peso chileno e a rupia indiana. Por outro lado, o dólar sustentou baixas ante o rand sul-africano e o peso mexicano. Às 17h13, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,07%, a 100,010. No boletim Focus divulgado mais cedo pelo Banco Central, a projeção mediana dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano no Brasil passou de R$5,16 para R$5,15. Já a taxa básica Selic projetada para 2026 passou de 13,25% para 13,50%, enquanto a expectativa para o fim de 2027 foi de 11,25% para 11,50%.
REUTERS
Ibovespa recua com pressão de Vale em dia de volume reduzido
No setor de proteínas, MBRF ON fechou em queda de 1,46%, em pregão negativo no setor. MINERVA ON perdeu 1,09%. O UBS BB cortou o preço-alvo das ações da MBRF para R$19 ante R$22, enquanto reiterou recomendação neutra.
O Ibovespa fechou com uma queda modesta na segunda-feira, pressionado principalmente pelas ações da Vale, em pregão sem viés claro e com volume reduzido. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,21%, a 168.668,72 pontos, tendo marcado 168.129,61 na mínima e 169.645,78 na máxima do dia. O mercado ficou “um pouco lateralizado” na segunda-feira, enquanto investidores aguardam novos catalisadores para determinar um movimento mais relevante, na visão do sócio fundador da Ciano Investimentos Lucas Sigu. “Nós estamos esperando alguma informação”, afirmou, destacando que o Ibovespa já subiu e já caiu bastante em relação às máximas registradas em abril. Desde que renovou as máximas históricas em abril, quando alimentou expectativas de alcançar a marca inédita de 200 mil pontos, o Ibovespa já perdeu 15%, em movimento puxado principalmente pelo fluxo negativo de estrangeiros na bolsa paulista. No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de 1,3%, a US$94,25, reduzindo o fôlego em relação ao começo da sessão, quando saltou mais de 5% na esteira da troca de ataques entre Irã e Israel. O alívio acompanhou declarações de Irã e Israel de que haviam interrompido os ataques um contra o outro, após um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 0,3%.
REUTERS
Economistas elevam projeções para Selic e inflação em 2026 e 2027 no Focus
Economistas ouvidos pelo Banco Central elevaram suas estimativas para a taxa básica de juros e para a inflação neste ano e no próximo, de acordo com o boletim Focus, divulgado na segunda-feira pela autoridade monetária.
Já a expectativa de inflação para 2028 — que vem sendo apontada como foco de preocupação pelas autoridades do Banco Central — apresentou leve recuo. Os participantes do mercado passaram a ver a Selic ao final deste ano em 13,50% ao ano, ante 13,25% na semana anterior, enquanto para 2027 a mediana das estimativas ficou em 11,50%, ante 11,25% na semana anterior. O Focus mostrou ainda que os economistas ainda esperam que o Comitê de Política Monetária do Banco Central mantenha a Selic em 14,25% em sua próxima reunião na semana que vem. Já para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para o regime de metas de inflação, a estimativa dos economistas ficou em 5,11% ao final deste ano, ante 5,09% na semana anterior, na décima terceira semana seguida de elevação nesta projeção, ao passo que, para 2027, as contas foram para 4,03%, ante 4,02%. Para 2028, a projeção para o IPCA foi a 3,65%, de 3,66% na semana anterior. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Monetária, Nilton David, destacaram recentemente desconforto com a desancoragem das expectativas de inflação para 2028, reforçando que a autoridade monetária agirá para assegurar o cumprimento da meta. A meta contínua de inflação perseguida pelo BC é de 3,00% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Ou seja, as estimativas dos economistas para este ano colocam o IPCA acima do teto da meta e, para os dois anos subsequentes, acima do centro da meta. Os participantes da pesquisa também ajustaram suas estimativas para a taxa de câmbio neste ano para R$5,15 por dólar, ante R$5,16 na semana anterior, e reduziram a estimativa para o ano que vem para R$5,20, ante R$5,25. As contas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano ficaram em 1,91%, ante 1,90% na semana anterior, enquanto para 2027 a projeção foi mantida em 1,70%.
REUTERS
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