Ano 1 | nº 97 | 20 de março de 2026
NOTÍCIAS
Captação de leite das maiores do setor cresceu 6,5%
Volume total recebido por 17 empresas chegou a 11 bilhões de litros em 2025, diz Abraleite. “Para crescermos, é importante acessarmos as principais regiões produtoras”, diz Edney Secco
A captação de leite para processamento por 17 dos maiores laticínios do país cresceu 6,5% em 2025, segundo levantamento da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). No total, essas empresas e cooperativas, que são responsáveis por dois em cada cinco litros de leite captados no Brasil, receberam 11 bilhões de litros no ano passado — em 2024 foram 10,3 bilhões de litros. No ranking anterior, o volume divulgado para o ano de 2024 havia sido de 10,8 bilhões de litros de leite. Porém, na revisão dos dados, foi identificada uma informação em duplicidade, e o número foi corrigido para 10,3 bilhões, explicaram os organizadores do levantamento. A francesa Lactalis manteve a liderança no ranking em 2025, com uma captação de 2,9 bilhões de litros. O volume total captado pelas 17 empresas que integram o ranking representa cerca de 40% dos 27,5 bilhões de litros de leite que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são formalmente inspecionados no país. O volume total de leite produzido no país cresceu 8,5% no ano passado em comparação com 2024. O aumento na captação de leite pelas empresas se deve principalmente a uma melhora nos preços pagos ao produtor, após um período de queda, disse o presidente da Abraleite, Geraldo Borges, ao Valor. Segundo o indicador Cepea/Esalq, o preço ao produtor chegou a ser cotado a R$ 1,88 por litro em outubro de 2023, mas em março de 2025 superou a marca de R$ 2,80 no Brasil. “Não que os preços fossem extraordinários, mas eles melhoraram em 2024 e no primeiro semestre de 2025 comparado a 2023. Houve um incentivo maior à produção”, afirmou Borges. O levantamento apontou que a redução no número de produtores que entregam leite às empresas do ranking se acentuou em 2025. O número de fornecedores no ano passado ficou em 43,2 mil, uma queda de 3,2% em relação a 2024. De acordo com Borges, a diminuição no número de produtores é um movimento natural, que se torna mais exacerbado em momentos de crise. Ele disse que os preços mais baixos ao produtor foram influenciados principalmente pelo excesso de importações de lácteos, que saiu de uma média histórica entre 1,5% e 3% para 8% a 12% do total consumido no Brasil. “Isso causa um transtorno enorme, com baixa de preço pago ao produtor e quebradeira”, disse o dirigente. Por outro lado, a produtividade das propriedades que fornecem leite às empresas do ranking aumentou 12,4%, chegando a 647 litros/dia em 2025. “Os produtores que estão permanecendo estão entendendo que têm de melhorar a sua competitividade através de tecnificação, tecnologia, melhor manejo, melhores práticas administrativas e zootécnicas, e aí eles vão investindo na produtividade do seu rebanho”, observou. Entre as 17 empresas que fazem parte do ranking, 13 registraram aumento no volume de leite em 2025. Não houve alteração nas primeiras colocações. A líder Lactalis captou 2,9 bilhões de litros de leite em 2025, alta de 7,6% em relação ao ano anterior. De acordo com o diretor de Assuntos Regulatórios e Corporativos da Lactalis, Guilherme Portella, a meta da empresa é chegar a uma captação de 4 bilhões de litros até 2030. Cerca de 20% dos produtores que entregam a matéria-prima à Lactalis são atendidos pelo programa Lactaleite, que oferece plano de assistência técnica e fornecimento de insumos. Entre esses produtores, o crescimento chegou a 18%, segundo Portella. “Não é 100% da nossa base de produtores, mas ajudou bastante a impulsionar a produtividade e a qualidade do leite junto a esse público”, afirmou. Portella disse que o crescimento na captação previsto para os próximos anos será alcançado junto aos produtores que já fornecem à Lactalis e por meio do relacionamento com as cooperativas de leite. “Hoje cerca de 50% vêm de contratos de longo prazo que temos com diferentes cooperativas, especialmente na região Sul e em Minas Gerais”, disse. Em segundo lugar no ranking de captação de leite, com 2 bilhões de litros e crescimento de 6,9% sobre o ano anterior, o Grupo Piracanjuba também tem planos de expansão para os próximos anos. De acordo com o diretor de Originação de Lácteos da empresa, Edney Murillo Secco, a meta da empresa é dobrar o faturamento entre 2024 e 2030, o que também passa pelo aumento da base de captação de leite. A região Nordeste é vista como estratégica para essa expansão. Em 2025, o Grupo Piracanjuba anunciou a aquisição da Natulact, de Sergipe. “Para esse crescimento, é importante acessarmos todas as principais regiões produtoras de leite do Brasil. Uma em que não estávamos era o Nordeste, e fixamos base lá no ano passado”, observou. Cinco grandes empresas que fariam parte do ranking foram convidadas, mas não responderam ao levantamento, segundo a Abraleite. São elas: Italac, Alvoar Lácteos, Vigor (Lala), Cooperativa Santa Clara e Tirol. Para este ano, a expectativa da Abraleite, com base em dados do Cepea/Esalq e do Centro de Inteligência do Leite, da Embrapa, Gado de Leite, é de que uma possível melhora nos preços pagos aos criadores possa representar novo estímulo à produção da matéria-prima. O ranking é uma iniciativa da Abraleite com apoio da CNA, Embrapa Gado de Leite, G100, OCB e Viva Lácteos.
GLOBO RURAL
IBGE: dados efetivos confirmam 2025 como o ano mais produtivo da história
De acordo com os resultados efetivos da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE, a captação formal no Brasil totalizou 7,36 bilhões de litros no quarto trimestre de 2025, o que representa um crescimento de 8,6% em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado do ano, a alta foi de 8,1%, consolidando 2025 como um ano de forte expansão da captação formal de leite no país.
Ao longo do trimestre, o ritmo de crescimento apresentou desaceleração gradual. Outubro registrou a maior variação anual, com alta de 12,5%, seguido por novembro (7,9%) e dezembro (5,4%). Esse movimento indica uma perda de fôlego da captação ao final do ano, em linha com o cenário já observado nos dados prévios. Durante a maior parte de 2025, o setor operou com uma rentabilidade robusta, sustentada por preços em bons patamares e custos de alimentação baixos. Esse cenário é nitidamente visível no indicador de RMCA (Receita Menos Custo de Alimentação), que atingiu um pico de R$ 36,6/vaca/dia em julho/25. Esse estímulo financeiro impulsionou a oferta e a captação formal, porém, o aumento do volume não foi acompanhado pela demanda na mesma intensidade, gerando um excedente que o mercado não absorveu plenamente. Como consequência desse desequilíbrio, os preços passaram a cair. O preço pago ao produtor recuou de R$ 2,29/litro em outubro para R$ 1,99/litro em dezembro. Essa queda impactou diretamente a rentabilidade: o RMCA, que sustentava patamares acima de R$ 34,0/vaca/dia até setembro, encerrou o ano em R$ 25,0/vaca/dia em dezembro — uma queda de aproximadamente 30% em relação ao pico do ano em julho. Com a margem sentindo o peso dos preços menores, é provável que o produtor tenha reduzido o estímulo produtivo, fator que ajuda a desaceleração da captação observada no fechamento do trimestre. A pressão sobre as margens fica evidente nas projeções do indicador de RMCA para este início de ano. O indicador, que chegou a patamares superiores a R$ 36,0/vaca/dia em 2025, inicia 2026 em níveis consideravelmente mais baixos, em R$ 22,3/vaca/dia para janeiro e R$ 23,6/vaca/dia para fevereiro. Diante dessa dinâmica, as expectativas para a captação de leite ao longo de 2026 apontam para um cenário de estabilidade em comparação ao ano anterior. Segundo o Milk Point Mercado, o volume produzido deve se manter em patamares elevados, porém sem apresentar crescimento real frente a 2025. O ano de 2026 deve ser pautado, portanto, pelo ajuste fino entre a oferta disponível e a demanda, com as margens do produtor dependendo diretamente da velocidade de recuperação dos preços frente às incertezas nos custos de alimentação e do mercado.
MILKPOINT
EMPRESAS
Cooperativa Piá recebeu dez propostas de parceria para se reestruturar, diz presidente
A cooperativa atua na cadeia produtiva do leite. Tem 20.066 associados e uma planta com capacidade para processar um milhão de litros por dia. Nas atuais condições, está bem abaixo desse volume.
No dia 26 de março, os cooperados reúnem em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para discutir a possibilidade de uma liquidação para renegociar dívidas. Direção da Piá afirma que o problema da cooperativa não é de capacidade produtiva, mas de dinheiro para fazer a operação girar. “A Piá não vai fechar”. A promessa é de Jorge Dinnebier, presidente da cooperativa gaúcha, que, hoje, comanda uma operação em busca de parceiros para se reestruturar financeiramente. Com crédito restrito e uma produção bem menor que a sua capacidade instalada, a Piá decide nos próximos dias como fará para se recuperar. E, posteriormente, buscar um parceiro para injetar capital para a quitação do passivo e retomada do crescimento dos negócios. “Encontramos uma dificuldade financeira muito grande quando assumimos. Fizemos um plano de reestruturação. A cooperativa vendeu imóveis para pagar dívidas e reduziu quadro de funcionários. E, com problemas de crédito nos bancos, o que conseguimos fazer foi repactuar prazos e taxas”, explica. Dinnebier não revela valores. Diz apenas que entre 35% e 40% das dívidas da Piá são com o Banrisul, Sicredi e com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Outros 20% são taxas e impostos e o restante com demais credores. Na visão do executivo, não há como solucionar a situação sem estancar as cobranças e sem uma parceria. A liquidação, explica, tem efeito equivalente à recuperação extrajudicial em empresas que não fazem parte do sistema cooperativista. Se a assembleia aprovar, o Conselho de Administração deixa de existir e dá lugar a um liquidante – que pode ser o próprio presidente – e a um conselho fiscal. A cada seis meses, o liquidante tem que prestar contas. A decisão da assembleia é registrada em ata. Os responsáveis pelo processo de liquidação enviam a documentação à junta comercial e, em seguida, faz-se a comunicação aos credores para a suspensão de cobranças e execuções de garantias. E a expressão “EM LIQUIDAÇÃO” passa a fazer parte da razão social. “É um dispositivo legal que a cooperativa tem para se proteger. É um processo lento, mas a liquidação com a continuidade do negócio barra as cobranças e a cooperativa vai poder trabalhar de forma mais tranquila para procurar essa parceria com segurança”, explica o presidente da Piá. “O ideal seria uma cooperativa mais forte incorporar, mas nem sempre isso é possível”, acrescenta. O executivo pontua que o problema da Piá não é de falta de estrutura para produzir e comercializar produtos. A falta de capital de giro é o que limita a atividade. Matérias-primas e insumos devem ser pagos à vista, enquanto os recebimentos levam de 14 a 21 dias, comprometendo o fluxo de caixa. Jorge Dinnebier afirma já ter dez propostas de contrato de parceria na mesa, que diz não detalhar por estarem sujeitas a cláusulas de confidencialidade. Ele revela que as ofertas têm diferentes modelos de negócio para avaliação. O pressuposto comum, explica, é que todos devem considerar uma movimentação mínima de 200 mil litros de leite por dia. “Temos capacidade para produzir e mercado. Não temos recursos. Com esse passivo, precisamos de um parceiro”, ressalta. “Temos conversado com muita gente: cooperativas, empresas de lácteos, investidores”, acrescenta. Caso a assembleia não aprove a liquidação, diz o executivo, a saída será fazer uma chamada de capital, em que os associados aportam um determinado valor para suprir necessidades financeiras da cooperativa.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar acompanha exterior e fecha em baixa em relação ao real
Depois de oscilar em alta ante o real na maior parte do dia, na esteira das decisões sobre juros do Brasil e dos EUA, o dólar virou para o negativo à tarde e fechou a quinta-feira em queda, em sintonia com a melhora dos mercados no exterior.
O dólar à vista fechou a sessão com baixa de 0,52%, aos R$5,2164, acompanhando o recuo firme da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano. No ano, a divisa passou a registrar queda de 4,98%. Às 17h05, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,57% na B3, aos R$5,2315. No início da sessão o dólar chegou a ultrapassar os R$5,30, acompanhando o avanço naquele momento das cotações no exterior e refletindo as decisões de política monetária da véspera, quando o Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% e o Banco Central do Brasil cortou a Selic de 15% para 14,75%. No meio da tarde, porém, a moeda norte-americana perdeu força ante o real, também acompanhando a derrocada da divisa dos EUA no exterior, em paralelo à queda dos Treasuries e dos preços do petróleo. Assim, o dólar à vista despencou para a mínima de R$5,2024 (-0,79%) às 16h06. O movimento esteve em sintonia com a melhora dos demais ativos brasileiros, com o Ibovespa virando para o positivo e as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) migrando para o território negativo no meio da tarde. No exterior, o recuo da moeda norte-americana era forte neste fim de tarde, com o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes — caindo 0,97%, a 99,227. No início do dia, o Banco Central do Brasil vendeu, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso — neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Ao fazer o chamado “casadão”, o BC eleva a liquidez no mercado à vista em momentos de estresse como o atual, em meio à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
REUTERS
Ibovespa reage e fecha em alta
No setor de proteínas, MINERVA ON desabou 10,7%, com executivos da maior exportadora de carne bovina da América do Sul afirmando que o primeiro trimestre do ano está sendo mais difícil, considerando as volatilidades dos mercados em meio à guerra no Irã e as pressões de custos, como aqueles gerados pela alta do petróleo para o transporte. Analistas do UBS BB destacaram que a perspectiva para os preços do gado no Brasil permanece volátil, e riscos podem surgir de como a dinâmica de margens evoluirá para os frigoríficos no país. Na véspera, a Minerva reportou Ebitda de R$1,17 bilhão no quarto trimestre, alta de 24,1%.
O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, revertendo as perdas registradas em boa parte da sessão e ultrapassando 181 mil pontos no melhor momento, com Hapvida entre os destaques positivos, disparando após sinalização de tendências mais positivas para o primeiro trimestre do ano. Em meio a uma série de resultados corporativos, investidores da bolsa paulista também repercutiram decisão do Banco Central de cortar a Selic a 14,75% ao ano na véspera, bem como continuaram acompanhando desdobramentos envolvendo conflito no Oriente Médio. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,35%, a 180.270,62 pontos, após marcar 176.295,71 na mínima do dia. Na máxima, chegou a 181.250,84 pontos. O volume financeiro somou R$38 bilhões. O barril sob o contrato Brent superou US$119 brevemente nesta quinta-feira, após o Irã atacar instalações de energia no Oriente Médio, mas desacelerou o movimento e terminou a US$108,65, em alta de 1,18%, o que corroborou a melhora do sentimento de investidores no pregão brasileiro. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC abriu um aguardado ciclo de corte de juros com redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,75%, mas defendeu cautela à frente, citando “forte aumento da incerteza” com o acirramento dos conflitos no Oriente Médio. Também na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que deixa o cargo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o comando da pasta será assumido por Dario Durigan, atual secretário-executivo do ministério.
REUTERS
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