Ano 1 | nº 93 | 16 de março de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do leite busca novo equilíbrio após pico de captação
Para 2026, a expectativa é de manutenção dos volumes, porém sem novos saltos de crescimento
O mercado de leite brasileiro começa 2026 sob ajuste, após um ciclo de forte expansão da produção que desorganizou a relação entre oferta e demanda ao longo de 2025. Segundo análise da StoneX, o avanço expressivo da captação no último ano foi impulsionado por rentabilidade favorável ao produtor e custos relativamente controlados. O resultado foi um volume de leite acima da capacidade de absorção do mercado, pressionando preços em todos os elos da cadeia. A consequência direta foi a compressão das margens, sobretudo no campo. A queda mais intensa nos preços ao produtor ao longo do segundo semestre de 2025 reduziu significativamente a rentabilidade, mesmo com custos de alimentação ainda considerados estáveis. Para 2026, a expectativa é de manutenção dos volumes, porém sem novos saltos de crescimento. A leitura do mercado indica que a restrição de margens tende a moderar a produção a partir do segundo trimestre, criando condições para um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda. Sinais iniciais desse movimento já aparecem no mercado spot, que registrou alta em janeiro após uma sequência de recuos na segunda metade de 2025. O comportamento sugere ambiente mais firme entre as indústrias. No campo dos preços, a tendência projetada é de recuperação progressiva ao longo de 2026, em ritmo semelhante ao observado no início de 2024. Esse avanço, contudo, dependerá da capacidade do mercado interno de absorver a oferta disponível. Para o produtor, a combinação entre custos mais estáveis e possível reação dos preços pode aliviar parcialmente as margens no primeiro semestre, desde que o equilíbrio se consolide. No varejo, os lácteos acumularam deflação no IPCA em 2025, movimento que se estendeu ao início deste ano. A redução dos preços ao consumidor não decorreu de enfraquecimento da demanda, mas da abundância de leite no mercado. Como as quedas foram mais intensas no produtor e no atacado do que no varejo, existe espaço para repasses parciais ao consumidor ao longo de 2026, condicionados à renda das famílias e às estratégias comerciais. No cenário externo, as importações encerraram 2025 em patamar elevado, ainda que abaixo de anos anteriores. Em janeiro de 2026 houve avanço mensal, mas com volumes inferiores aos registrados em 2024 e 2025. Apesar da relevância dos embarques, o principal fator de oferta continua sendo o crescimento da produção interna. Em perspectiva estrutural, o acordo entre Mercosul e União Europeia adiciona uma variável competitiva ao setor. A redução gradual de tarifas e a criação de cotas para leite em pó, manteiga e queijos ampliam o espaço para produtos europeus ao longo de até dez anos. Enquanto as exportações do bloco sul-americano permanecem residuais, as importações oriundas da Europa já têm peso na oferta doméstica. O novo ciclo do mercado de leite, portanto, exigirá ganhos de eficiência e maior disciplina produtiva. O ano de 2026 será menos sobre expansão e mais sobre ajuste.
eDairy News BRASIL
Crescimento do mercado de leite no Mercosul depende do aumento de consumo, afirmam especialistas
Segundo especialistas, o bloco não registra avanço significativo no mercado desde 2014, refletindo problemas estruturais de competitividade, enquanto países como o México têm registrado crescimento significativo.
O crescimento do mercado de leite no Mercosul está ligado à ampliação do consumo. A avaliação foi apresentada pelo consultor da Federação Pan-Americana de Laticínios (FEPALE) e pesquisador do INTA da Argentina, Alejandro Galetto, durante o 21º Fórum do Leite. Segundo o especialista, o bloco não registra avanço significativo no mercado desde 2014, refletindo problemas estruturais de competitividade, enquanto países como o México têm registrado crescimento significativo. “Não é um dos países isoladamente, é um problema do Mercosul. Reconhecer e identificar a causa é o primeiro passo para mudar o cenário”, afirmou nesta quarta-feira, 11/03, em Não-Me-Toque (RS). Além de investir no aumento da demanda por leite, Alejandro Galetto recomendou mudanças estruturais que permitam atrair e manter recursos no setor. “É necessária uma mudança. A competitividade é pensada como a melhora de uma empresa individualmente, mas ela também está na capacidade do setor de atrair e manter recursos para crescer”, assinalou, ao relatar problemas comuns do bloco como custos de produção, sucessão nas propriedades e evasão para outras atividades. Conforme o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, o fórum reforçou a importância da gestão, alinhada aos diversos fatores que influenciam na produção leiteira, que vão desde o clima até o valor do leite ao produtor. “Na propriedade existem muitos elementos que influenciam o resultado, como o gerenciamento, a compra de insumos, a regularidade das chuvas para garantir alimentação de qualidade ao rebanho, entre outros aspectos”, assinalou, evidenciando a presença cada vez mais extensiva de tecnologias no campo que permitem monitorar indicadores e atingir o melhor aproveitamento dos recursos e resíduos dentro das propriedades para ampliar a rentabilidade da atividade leiteira. A programação do fórum também incluiu palestras sobre manejo sustentável de dejetos orgânicos de bovinos de leite, com o pesquisador da Embrapa Marcelo Henrique Otenio, e sobre gestão econômica das propriedades, com o médico-veterinário Matheus Balduino Moreira, da Rehagro Consultoria. “O fórum se destacou muito nessa questão do gerenciamento da propriedade, dos indicadores e do aproveitamento de cada resíduo da própria propriedade rural para que consiga rentabilizar a propriedade leiteira”, destaca Darlan.
SINDILAT
NACIONAL
Minas Gerais é referência nacional da indústria de laticínios
FIEMG celebrou a relevância de Minas Gerais como principal referência do Brasil na produção de queijos
Em Minas, 48,5% do leite inspecionado — cerca de 2,9 bilhões de litros — é destinado à produção de queijo, percentual superior à média nacional. No dia 20 de janeiro, a FIEMG celebrou a relevância de Minas Gerais como principal referência do Brasil na produção de queijos. O estado concentra tradição, diversidade e relevância econômica em um setor profundamente ligado à identidade mineira. O queijo, por sua vez, agrega elevado valor nutricional e impulsiona toda a cadeia da indústria do leite. Minas Gerais é o maior produtor de leite do país, com cerca de 9,3 bilhões de litros anuais, o que representa mais de 27% da produção nacional, conforme dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Um dos fatores que explicam esse protagonismo é o fato de todos os municípios mineiros possuírem produção de leite, matéria-prima essencial para a fabricação de queijos. Essa capilaridade produtiva reforça a presença do queijo no cotidiano, na cultura alimentar e na economia de todas as regiões do estado. Outro indicador que evidencia a vocação mineira é o destino do leite inspecionado. Em Minas Gerais, 48,5% do volume inspecionado — cerca de 2,9 bilhões de litros — é destinado à produção de queijo, percentual superior à média nacional, que é de 38%, segundo dados do Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais (SILEMG). Minas também é reconhecida como o berço do queijo no Brasil, reunindo uma ampla diversidade de tipos, do artesanal ao industrial, amplamente valorizados no mercado interno e com crescente reconhecimento internacional. Para o presidente do SILEMG, Guilherme Abrantes, o queijo tem papel central para o desenvolvimento da indústria e das regiões produtoras. “O queijo é um dos pilares da indústria do leite em Minas Gerais. Ele gera emprego, renda e desenvolvimento em todo o estado, valoriza a produção local e carrega um forte simbolismo cultural. Celebrar o Dia Mundial do Queijo é reconhecer a importância econômica, cultural e nutricional desse produto para Minas e para o Brasil”, afirma. A indústria do queijo em Minas Gerais é formada tanto pela agroindústria familiar, que desempenha papel fundamental na geração de empregos, na valorização do produtor rural e na preservação de saberes tradicionais, quanto pela grande indústria, responsável por escala produtiva, investimentos, inovação e abastecimento do mercado. O setor tem avançado em modernização, eficiência e qualificação, ao mesmo tempo em que trabalha para superar desafios estruturais, como o custo do crédito, a necessidade de ampliar a automação, incorporar tecnologias da indústria 4.0 e enfrentar um ambiente de elevada competitividade. Segundo João Lúcio Barreto, diretor-presidente da Laticínios Porto Alegre, a capacidade de adaptação tem sido um diferencial da indústria mineira. “A indústria de laticínios vem investindo continuamente em inovação, tecnologia e eficiência para se manter competitiva. Ao mesmo tempo, existem desafios importantes, como o custo do crédito e a necessidade de avançar ainda mais em automação. A capacidade de adaptação e reinvenção diária é uma das grandes forças da indústria de Minas Gerais”, destaca. No cenário internacional, a exportação de queijos ainda enfrenta obstáculos, especialmente relacionados às exigências sanitárias. Ainda assim, a avaliação do setor é de que a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, no último sábado (17), pode abrir novas perspectivas. “O acordo tende a ampliar o diálogo técnico, facilitar o acesso a mercados e criar oportunidades para produtos de maior valor agregado, como os queijos, beneficiando tanto o Brasil quanto a União Europeia”, avalia João Lúcio. Filiado à FIEMG, o SILEMG representa, atualmente, 182 indústrias em Minas Gerais, distribuídas por todas as regiões do estado, e atua de forma estratégica no fortalecimento do setor, na defesa da indústria e no estímulo à competitividade
Revista Mais Leite
EMPRESAS
Avança consolidação em queijos, mercado com grande potencial no país
Após três transações recentes, expectativa no setor é de mais negócios em 2026. Gustavo Afonso de Almeida, diretor comercial do Grupo Piracanjuba: consumo per capita deve aumentar
A recente onda de aquisições no mercado brasileiro de queijo pode estar apenas no começo. Dinâmica semelhante já havia acontecido no primeiro semestre do ano passado, e a expectativa de analistas e fontes desse mercado é de que novos negócios sejam anunciados ainda em 2026. Três operações envolvendo alguns dos maiores laticínios brasileiros e uma indústria multinacional, entre outubro de 2025 e o início deste ano, refletem oportunidades de negócios, mas também o interesse no potencial de crescimento desse mercado no país. Em outubro do ano passado, a Tirolez anunciou a aquisição da Levitare, líder na produção de queijo de búfala em São Paulo. No fim de dezembro, foi a vez de a francesa Savencia Fromage & Dairy, dona da marca Polenghi, anunciar a aquisição da Quatá Alimentos, uma das principais produtoras de queijos semiduros e azuis do país. Já o Grupo Piracanjuba divulgou a compra da Básel Lácteos, fabricante de queijos finos sediada em Antônio Carlos (MG), no fim de janeiro deste ano. Nos três casos, as aquisições foram aprovadas sem ressalvas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Os valores envolvidos não foram divulgados. Na avaliação de Fabio Scarcelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (Abiq), o movimento de aquisições deve continuar este ano. “Quando essas empresas são incorporadas, elas recebem uma injeção tanto de tecnologia como de recursos para aumentar sua produção, sua capacidade e sua tecnologia”, avalia. Não é por acaso que algumas dessas aquisições se deram em mercados de nicho. Diferentemente dos produtos “commoditizados” — como o leite líquido e o queijo muçarela —, os queijos finos ou para food service permitem às empresas obter margens maiores porque não há a mesma necessidade de preços baixos para competir. “A indústria busca um mercado que tenha um potencial grande para crescer e margens mais interessantes do que outros mercados mais commoditizados, onde ela vai brigar por mercado basicamente via preço”, afirma Valter Galan, sócio da consultoria Milkpoint. Um fator que estimula o movimento das empresas é o potencial de crescimento do consumo doméstico de queijo, segundo analistas. O brasileiro consome por ano cerca de sete quilos de queijo, enquanto em países vizinhos, como Argentina e Uruguai, esse índice é pelo menos o dobro. Na França, por exemplo, o consumo per capita chega a 25 quilos, diz Scarcelli. “Inclusive empresas estrangeiras que estão vindo para o Brasil enxergam um potencial de crescimento no consumo de queijo muito grande”, acrescenta. “O pessoal já está mais acostumado com queijo lá na Europa do que aqui, mas eu não tenho dúvidas de que (o consumo) vai continuar crescendo e mais aquisições ocorrerão”, completa. Foi a decisão de que não poderia “ficar para trás” num mercado crescente que levou a Pirancajuba a adquirir a Básel Lácteos. Até então o laticínio, um dos maiores na captação de leite no Brasil, não atuava em queijos finos. “A tendência é de que o consumo per capita aumente nos próximos anos, e é um movimento natural de consolidação das empresas. Outras empresas também estão se movimentando, procurando essas oportunidades, e o Grupo Piracanjuba entende que não pode ficar para trás”, afirma o diretor comercial, Gustavo Afonso de Almeida. Segundo ele, os próximos meses serão dedicados à integração da Básel à estrutura do grupo, dos colaboradores e do portfólio de produtos. A queijaria tem unidade industrial na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, região considerada estratégica para a produção de queijos finos devido a características como altitude e qualidade da matéria-prima. Almeida diz que não há novas aquisições programadas. Porém, ressalta que “se surgir alguma oportunidade, a empresa vai estar preparada para analisar”. A Tirolez, que fez sua primeira aquisição em 45 anos de história, também segue em busca de oportunidades. Depois da compra da Levitare, outros negócios estão no radar, disse à reportagem o CEO Marcel de Barros, no início de fevereiro. “O ano passado foi um ano bastante difícil para o setor. Com essas taxas de juros, algumas empresas acabaram optando por entrar no mercado e eventualmente vender o negócio. Então surgiram muitos negócios públicos, que já foram anunciados, e muitos que estão em gestação. Para o setor, para quem tem uma posição sólida e uma estrutura de capital adequada, surgem oportunidades, e é atrás dessas oportunidades que nós da Tirolez estamos indo”, disse. Questionada pela reportagem sobre a aquisição da Quatá, a francesa Savencia se manifestou por nota. “O portfólio inovador e de alta qualidade das duas empresas é complementar e está conectado com o paladar dos brasileiros. Esta operação reforça nosso compromisso com o bem-estar das pessoas, segurança alimentar, qualidade dos produtos e com a responsabilidade social, que também são valores da Quatá”, diz Augusto Lemos, CEO da Savencia Brasil. Na opinião de Valter Galan, da Milkpoint, as aquisições têm impactos positivos, uma vez que as compradoras tendem a acelerar seus processos de pesquisa e desenvolvimento e de lançamento de produtos. “É possível que você tenha uma oferta maior até de novos produtos com esse processo que está ocorrendo”, diz. Fábio Scarcelli vê risco baixo de concentração nesse mercado, mesmo com a consolidação. Um dos motivos é que o setor é pulverizado. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem cerca de 1,9 mil empresas no setor de lácteos do país. Mais de mil contam com inspeção federal. Tampouco a consolidação deve levar ao desaparecimento de empresas regionais. “O Brasil é um país muito grande, com muitas diferenças regionais, então fica muito difícil uma empresa que estiver centralizada em Belo Horizonte atender Recife ou o Pará, por exemplo”, observa Scarcelli. “Muitas delas (marcas regionais) têm uma força regional interessante e são reconhecidas regionalmente, então muitas tendem a permanecer, explorando esses mercados regionalizados onde elas são mais consolidadas”, acredita Galan, da Milkpoint.
VALOR ECONÔMICO
Tirolez anuncia parceria com Receitas Nestlé
A Tirolez anuncia uma nova e estratégica parceria com Receitas Nestlé, um dos três portais de receitas mais relevantes do segmento e o maior site de receitas da indústria alimentícia. O objetivo da parceria é reforçar a presença da marca Tirolez no dia a dia dos consumidores brasileiros a partir da inclusão de receitas e dicas na plataforma.
A Tirolez anunciou uma parceria com o portal Receitas Nestlé para ampliar a presença da marca em conteúdos culinários disponíveis na plataforma. A iniciativa prevê a inclusão de receitas e dicas que utilizam produtos da empresa. De acordo com Lucas Fabozzi, gerente de comunicação do Receitas Nestlé, a parceria busca integrar conteúdo da marca ao ecossistema do portal, que reúne receitas e orientações voltadas ao público que cozinha em casa. Como parte da ação, foi criada uma lista com 10 receitas desenvolvidas com queijos da Tirolez. Outras cerca de 100 receitas que utilizam queijo no site também passaram a exibir o selo da marca. As páginas contam ainda com a funcionalidade de compra de ingredientes, que permite localizar mercados próximos ao endereço informado pelo usuário. A iniciativa também incluiu ações nas redes sociais realizadas no Dia do Queijo. Segundo Andrea Köhler, diretora de marketing da Tirolez, a parceria faz parte da estratégia da empresa de ampliar os pontos de contato com consumidores por meio de conteúdos digitais relacionados à culinária. Lançado em 2016, o Receitas Nestlé reúne mais de 7 mil receitas testadas e aprovadas por especialistas. A plataforma registra cerca de 110 milhões de acessos por ano e está entre os portais de receitas mais acessados do país. Com a parceria, as duas empresas passam a colaborar na produção e divulgação de conteúdos culinários no ambiente digital.
Assessoria de Imprensa da Tirolez/MilkPOINT
Piracanjuba Zquad aposta em collab com a série da Netflix One Piece
A Piracanjuba anunciou uma parceria inédita com a Netflix e Tomorrow Studios para o lançamento de uma edição especial da linha Zquad inspirada em ONE PIECE: A Série. Com embalagens temáticas de personagens, a Piracanjuba aposta no engajamento com os fãs e no diálogo direto com as novas gerações.
Lançado como a primeira bebida proteica voltada ao público teen no Brasil, Piracanjuba Zquad reúne 10g de proteína por embalagem de 250ml, em três sabores: ChocoLoud (chocolate com avelã), BerryBeat (morango) e VitaHit (vitamina de frutas). A formulação foi desenvolvida com orientação de profissionais de saúde para atender às necessidades nutricionais da faixa etária, com a proposta de oferecer equilíbrio entre nutrição e sabor. Fonte de fibras e cálcio, zero lactose e sem glúten, o produto não contém sucralose e surge com a proposta de entregar funcionalidade sem associação ao universo de suplementos adultos. A ação também reforça o posicionamento da Piracanjuba junto ao público jovem, consolidando sua atuação no mercado de produtos funcionais e ampliando parcerias com marcas e conteúdos alinhados aos interesses dessa geração.
GKPB
ECONOMIA
Dólar supera R$5,30 com piora de percepção sobre a guerra, em dia de leilões do BC
O dólar fechou a sexta-feira em forte alta no Brasil e acima dos R$5,30, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, após uma piora generalizada dos ativos de risco ao redor do mundo em função do conflito no Oriente Médio.
Com o barril do petróleo tipo Brent novamente acima dos US$100 em Londres, o dólar à vista fechou a sessão com alta de 1,34% no Brasil, aos R$5,3166, em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano. Na semana, a divisa acumulou alta de 1,43% ante o real e, no ano, passou a registrar queda de 3,14%. Às 17h36, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,16% na B3, aos R$5,3430. O dólar passou a acelerar os ganhos a partir do fim da manhã, depois que o preço do petróleo saltou para o território positivo e a percepção mais geral sobre a guerra no Oriente Médio piorou, com EUA e Israel prosseguindo com os confrontos contra o Irã. Após registrar a cotação mínima de R$5,2153 (-0,59%) às 10h55, o dólar à vista escalou até a máxima de R$5,3256 (+1,51%) às 16h46, já perto do encerramento da sessão. “O pessoal (mercado) está buscando se proteger, saindo de alguns ativos, em função do conflito, do petróleo”, resumiu durante a tarde João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp. “E se este petróleo continuar a subir, para US$120 ou US$150, isso vai assustar todos os mercados, e o nosso mercado vai junto em função do nervosismo com o cenário”, alertou. Pela manhã, buscando reduzir parte da pressão vista em dias anteriores no mercado cambial brasileiro, o Banco Central realizou o chamado “casadão” — leilões simultâneos de venda de dólares no mercado à vista e de negociação de contratos de swap cambial reverso. O BC vendeu, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso — neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Ao fazer o “casadão”, o BC elevou a liquidez no mercado à vista em um momento de estresse, em que o dólar tem sido pressionado pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Porém, o efeito das operações sobre as cotações do dólar é, na prática, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra. Segundo o gestor de renda fixa da Inter Asset, Ian Lima, as operações do BC melhoram o funcionamento do mercado de câmbio como um todo. “Quando o BC faz o ‘casadão’, (o resultado) é menos swap (tradicional) para rolar, porque o mercado não está demandando mais swap neste momento. Isso melhora o balanço do BC”, pontuou Lima, lembrando que a instituição segue com uma posição vendida em swaps em seu balanço, que é rolada mês a mês. “E quando entrega dólar, ele melhora a posição vendida (à vista em dólar) dos bancos”, acrescentou.
REUTERS
Ibovespa fecha semana abaixo de 178 mil pontos sem alívio em preocupações com guerra no Irã
O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, sem conseguir sustentar a tentativa de recuperação do começo do pregão, com a cautela prevalecendo antes do fim de semana, diante da tensão e incertezas persistentes com o conflito no Oriente Médio.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,91%, a 177.653,31 pontos, após marcar 180.995,79 na máxima e 177.321,97 na mínima do dia. Na semana, o Ibovespa acumulou um declínio de 0,95%. O volume financeiro na sexta-feira somou R$29,48 bilhões. Os preços do petróleo chegaram a recuar no começo da sessão, mas mudaram de sinal, com o barril sob o contrato Brent encerrando o dia com acréscimo de 2,67%, a US$103,14. Notícias de navios navegando no Estreito de Ormuz, assim como a flexibilização de sanções ao petróleo russo pelos EUA, corroboraram o alívio inicial, mas o movimento arrefeceu uma vez que segue o temor com a duração do conflito. A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que começou há cerca de duas semanas, tem sustentado a disparada dos preços do petróleo e afetado as perspectivas para a inflação e para as taxas de juros no mundo. Estrategistas do Citi destacaram que o conflito ainda está em uma fase em que a “incerteza e a volatilidade implícita são extremamente elevadas”. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário brasileiro, recuou 0,61%, enquanto o dólar voltou a se valorizar ante outras moedas, incluindo o real. De acordo com o economista-chefe e sócio fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, o mercado acionário brasileiro se ressente, embora com menos intensidade do que antes, do ambiente avesso a risco nos mercados globais. A poucos dias da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, a curva futura de juros ainda precifica um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas passou a embutir chance, embora minoritária, de manutenção da Selic em 15%. No comunicado da sua última reunião de política monetária, no final de janeiro, a autarquia havia indicado o início em março de um ciclo de corte na taxa básica de juros. O último pregão da semana ainda teve no radar uma série de balanços e a notícia de que os EUA abriram investigações de práticas comerciais desleais relacionadas a trabalho forçado contra dezenas de países, incluindo o Brasil.
REUTERS
Fazenda mantém projeção para alta do PIB de 2026 em 2,3% e vê inflação levemente mais alta com conflito no Irã
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve, na sexta-feira, sua projeção para o crescimento econômico em 2026 e previu uma inflação ligeiramente mais alta do que a projetada no mês passado, sob impacto de um conflito que espera ser temporário no Irã.
Relatório da SPE projetou a alta do PIB neste ano em 2,3%, mesmo nível estimado em fevereiro, mantendo previsão anterior de crescimento de 2,6% para a atividade em 2027. A secretaria ainda estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 3,7%, contra 3,6% previstos antes. “Destacam-se mudanças tanto na cotação do petróleo como na estimativa de câmbio médio para 2026… Essas mudanças alteraram as estimativas de inflação para 2026”, disse a SPE, ressaltando que a variação no preço do petróleo tem efeitos relevantes sobre a economia brasileira. Para 2027, a previsão para o IPCA acumulado está em 3%, centro da meta contínua. As projeções não levaram em conta o pacote de medidas anunciado na quinta-feira para reduzir o impacto da alta do petróleo sobre os preços do diesel. De acordo com o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, as iniciativas tendem a gerar um aumento “um pouco menor” da inflação, com efeito marginal sobre o PIB. Na elaboração dos cálculos, a SPE disse ter considerado um cenário no qual o recente choque nos preços do petróleo é apenas temporário, pressupondo um arrefecimento dos conflitos no Oriente Médio “nos próximos dias”. Nesse cenário base, a secretaria previu que a pressão inflacionária gerada pelo conflito será de 0,14 ponto percentual neste ano, com efeitos positivos de 0,1 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) e de US$2,5 bilhões na balança comercial, além de ganho de R$21,4 bilhões na receita líquida do governo. O documento avaliou que o choque nos preços de petróleo estimula a atividade extrativa no Brasil e gera renda que se propaga para outros segmentos, mas ponderou que o estímulo ao maior crescimento é parcialmente compensado por mudanças nos juros do país em reação à maior inflação. A SPE acrescentou que o desempenho da indústria brasileira no ano passado veio abaixo do esperado pela Fazenda, reduzindo o carregamento estatístico para o crescimento projetado em 2026, o que contribuiu para que a estimativa para o PIB fosse mantida. De acordo com a SPE, alta nos preços do petróleo beneficia a arrecadação do governo central por meio do recolhimento de royalties, participações de petróleo e outros tributos. A secretaria ainda simulou cenários de choque persistente, a partir de uma guerra mais duradoura e recuperação gradual da oferta de petróleo, e de choque disruptivo, com destruição estrutural de instalações produtivas e interrupções severas de logística. Nesses cenários, quanto mais agudo o conflito, mais intensa seria a pressão inflacionária, com maiores ganhos para o PIB, a balança comercial e a arrecadação. “A expectativa para 2026, mesmo diante do conflito, é de que o crescimento siga resiliente, que a inflação continue em queda e que a meta para o resultado primário seja atingida”, disse o documento.
Reuters
Volume de serviços sobe 0,3%em janeiro e retoma patamar recorde, diz IBGE
Resultado ficou acima da expectativa mediana do mercado, de alta de 0,1%
O setor de serviços abriu o ano de 2026 em alta. O volume de serviços prestados no país subiu 0,3% em janeiro, ante dezembro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgados na sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dezembro, houve recuo de 0,2% (após revisão de dado divulgado inicialmente como retração de 0,4%). O crescimento de 0,3% na série com ajuste sazonal foi acima da mediana das estimativas de 25 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de alta de 0,1%. O intervalo das projeções ia de recuo de 1,2% a alta de 1%. Com o desempenho de janeiro, o setor volta ao campo positivo e retoma o patamar recorde da série histórica da pesquisa. Antes do recuo de dezembro, os serviços tinham passado por dez meses seguidos de alta ou estabilidade. Além disso, o nível está 20,1% acima do pré-pandemia. Na comparação com janeiro de 2025, o indicador teve alta de 3,3%. Neste caso, a expectativa mediana do mercado, pelo Valor Data, era de alta de 2,6%, com projeções de alta entre 1,1% e 5,2%. A receita nominal dos serviços prestados no país avançou 2,3% em janeiro, ante dezembro. Na comparação com janeiro de 2025, a receita de serviços teve alta de 7%. No resultado acumulado em 12 meses até janeiro, a receita cresceu 7,7%. Atividades Três das cinco atividades acompanhadas pela PMS tiveram alta na passagem entre dezembro e janeiro. O aumento mais intenso entre os cinco segmentos ocorreu em outros serviços (3,7%), que com isso recuperaram parte da perda de dezembro (-4,2%). As demais altas foram registradas em informação e comunicação (1,0%) e em transportes (0,4%). Destaque nos últimos anos, a atividade de serviços de informação e comunicação cresceu pelo segundo mês consecutivo, com ganho acumulado de 3,6%. No caso de transportes, a alta de 0,4% em janeiro vem após uma queda de 4,2% em dezembro. O único segmento com queda foi o de serviços prestados às famílias, de 1,2%. Com isso, eliminou o ganho de 0,8% acumulado entre os meses de outubro e dezembro. Os serviços profissionais, administrativos e complementares ficaram estáveis (0%).
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