Ano 1 | nº 79 | 24 de fevereiro de 2026
NOTÍCIAS
Redução da jornada 6×1 terá impacto de R$ 4,1 bilhões no agro paranaense
No setor de laticínios, o aumento do custo é estimado em R$ 570 milhões por ano, pois o leite, um produto altamente perecível, exige coleta diária e processamento imediato nas indústrias. Estudo do Sistema Faep estima a necessidade de 107 mil novas contratações para manter o atual nível de produção de alimentos.
A redução da jornada de trabalho 6×1, com a diminuição da carga horária semanal de 44 para 36 horas, vai gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano na agropecuária do Paraná. A estimativa faz parte de um estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, que analisou os efeitos da medida sobre a estrutura de custos e a necessidade de adequação da mão de obra nas principais cadeias produtivas do Estado. O levantamento considera uma base de 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual estimada em R$ 24,8 bilhões, valor que inclui salários e encargos obrigatórios como FGTS, INSS patronal, provisão de férias e 13º salário. Com a redução da jornada, será necessária a reposição de 16,6% para cobrir o chamado “vácuo operacional”, seja por meio de novas contratações ou do pagamento de horas adicionais. Ou seja, os produtores rurais vão ter um custo adicional de R$ 4,1 bilhões por ano. O estudo também aponta a necessidade de 107 mil novas contratações no Paraná para manter o atual nível de produção. “O acréscimo de R$ 4,1 bilhões representa uma pressão direta sobre a rentabilidade do produtor rural, que já convive com custos e juros altos, falta de mão de obra e endividamento por conta das intempéries climáticas. Um aumento dessa magnitude na folha de pagamento traz insegurança e dificulta o planejamento das atividades no meio rural”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “A redução da jornada vai gerar consequências desastrosas para a sociedade, como aumento dos preços de produtos e serviços, inflação e até mesmo elevação da informalidade e da precarização das relações de trabalho”, complementa. O impacto no setor agropecuário varia conforme a cadeia produtiva. Na avicultura e na suinocultura, o custo adicional estimado é de R$ 1,72 bilhão por ano, principalmente devido ao manejo biológico contínuo dos animais e às escalas ininterruptas nas plantas frigoríficas, que operam 24 horas por dia. Na cadeia de grãos, que engloba soja, milho e trigo, o impacto vai atingir R$ 900 milhões anuais, com gargalos concentrados no recebimento da safra e na logística de transporte durante os períodos de pico, quando armazéns e estruturas operam praticamente sem interrupção para evitar perdas. No setor de laticínios, o aumento do custo é estimado em R$ 570 milhões por ano, pois o leite, um produto altamente perecível, exige coleta diária e processamento imediato nas indústrias. Já nas cadeias de cana, café, fumo e hortifruti, o impacto estimado chega a R$ 910 milhões anuais, devido à forte dependência de mão de obra em janelas curtas de colheita, o que demandaria ampliação significativa das equipes para manter o ritmo produtivo.
Assessoria Sistema Faep
EMPRESAS
Holandesa Lely aposta em ofensiva comercial no Brasil, apesar da crise do leite
Com preços do produto pressionados, Selic em 15% e crédito escasso, multinacional holandesa mantém expansão no País, que já soma mais de 400 robôs de ordenha instalados. Globalmente, companhia faturou 1 bilhão de euros em 2025
Depois de inaugurar sua sede em Carambeí (PR) no ano passado para consolidar a operação na América Latina, a holandesa Lely, multinacional especializada em equipamentos de automação para a pecuária leiteira, entrou em 2026 com um discurso realista sobre o momento do setor, mas decidida a avançar no Brasil mesmo em um ambiente adverso para o leite. O cenário do mercado, é claro, não ajuda. Após um 2024 de recuperação, os preços pagos ao produtor voltaram a cair ao longo de 2025, comprimindo margens e chegando em um quadro ainda pior do que visto em 2023, quando o preço do leite ficou abaixo de R$ 2 por litro. Mesmo com o litro do leite voltando para perto de R$ 2 em 2025 e margens comprimidas, a Lely decidiu reforçar campanhas e descontos para estimular investimentos. A empresa já tem mais de 400 robôs instalados no Brasil, e vê espaço de crescimento no Sul, em Goiás e, potencialmente, em Minas Gerais. Com a Selic em 15% e crédito acima de 18% ao ano, a companhia negocia parcerias financeiras para viabilizar projetos em um setor que vive o que entidades classificam como “auge da crise”. Em um segmento em que um único robô pode custar cerca de R$ 1,5 milhão, a decisão de compra costuma estar diretamente ligada à previsibilidade de caixa e às condições de crédito. “Foi um ano difícil para todo o mercado do leite. O preço caiu ao longo de 2025 e gerou muita insegurança. As vendas se estabilizaram e ficaram muito próximas do patamar de 2024”, afirmou Edison Acherman, gerente da Lely América Latina, ao AgFeed. Ainda assim, a companhia holandesa decidiu não adotar postura defensiva. Segundo o executivo, a estratégia para atravessar o ciclo de baixa passa por reforço comercial e campanhas de incentivo. A aposta é comercial, envolvendo tanto descontos quanto campanhas de incentivos. “Já começamos a agir. Não vamos chorar junto com todos. Precisamos vender lenço para quem chora”, disse o gerente. A lógica, segundo ele, é manter a proximidade com o produtor em um momento de hesitação generalizada, tentando converter parte da demanda represada em projetos estruturados. “Mesmo com limitações de crédito, 2025 já foi mais interessante do que 2024. A expectativa é de um 2026 melhor, com inflação mais controlada e ambiente mais favorável ao investimento”, acrescentou. Hoje, o Brasil já soma mais de 400 robôs de ordenha instalados pela Lely, a maior parte em propriedades familiares, com um ou dois equipamentos. Cada robô atende, em média, 60 vacas. Embora ainda seja um número pequeno frente ao tamanho do rebanho nacional, a empresa enxerga espaço para expansão, tanto entre produtores de menor escala quanto em projetos maiores e nos países vizinhos. Edison Acherman cita que existem desde fazendas com pouco mais de 100 vacas até operações com múltiplos robôs, ainda que este segundo perfil seja mais comum em outros países da região, como a Argentina. Regionalmente, o Sul continua sendo o principal polo de adoção da tecnologia, puxado por produtores com perfil mais aberto a investimento e forte influência da cultura europeia na atividade leiteira. A estratégia comercial, segundo Acherman, não diferencia porte. Esse é um dos focos para ganhar mercado neste ano: mostrar que o robô pode se adaptar a diferentes modelos produtivos, do familiar ao empresarial. O pano de fundo, porém, permanece desafiador. Outra estratégia para driblar o momento difícil de mercado é apostar um financiamento próprio. Acherman citou que a empresa está trabalhando com a matriz na Europa para encontrar instituições financeiras parceiras que possam trazer linhas de financiamento específicas aos produtores. “A Selic ainda alta é um fator importante, pois o produtor fica com receio de entrar num financiamento. No banco ele não acha nada menor que 18% ao ano”, cita.
AgFeed
NACIONAL
Agroindústria de Bonito recebe Selo Arte para cinco tipos de doce de leite
Certificação permite venda em todo o País e amplia mercado para produção familiar
Na segunda-feira (23), cinco variedades de doce de leite produzidas pela Agroindústria Pé da Serra, no Assentamento Santa Lúcia, em Bonito, receberam os certificados do Selo Arte e passam a ter autorização para comercialização em todo o território nacional. A certificação é concedida ao produto, e não ao estabelecimento, e permite que alimentos artesanais de origem animal, mesmo inspecionados apenas pelo SIM (Serviço de Inspeção Municipal), sejam vendidos em todo o País, desde que atendam aos padrões sanitários e de qualidade exigidos. A certificação foi criada em novembro de 2019, e em Mato Grosso do Sul, a concessão é feita pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), em conjunto com a Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal). Até o momento, 24 produtos já receberam o Selo Arte no Estado, entre eles linguiça de Maracaju, torresmo, linguiça toscana, linguiça suína, pernil em cubos, banha, manteiga ghee, queijo meia cura e doce de leite. Na Agroindústria Pé da Serra, a certificação contempla cinco variações do produto: tradicional (escuro e claro) e versões com jeracatiá, guavira e umbu, frutas típicas da região. Proprietária do empreendimento, a produtora Noêmia Nogueira dos Santos, 58 anos, relata que começou a produzir leite há cerca de 15 anos. “Comecei a produzir leite há cerca de 15 anos. No início, caminhávamos sem orientação e sem saber como conseguir colocar o produto no mercado”, comentou. Noêmia relata que procurou ajuda de entidades em Bonito, e foi orientada necessária para obter o selo. Segundo ela, a produção atual varia entre 60 e 70 potes por dia, comercializados até então apenas em Bonito. “Agora quero vender para fora e, com esse selo, vou conseguir”, destacou. A propriedade tem 16 hectares, divididos entre fruticultura e atividade leiteira. A família mantém 20 vacas em lactação, com produção média de 100 litros de leite por dia. “Trabalhamos eu e meus dois filhos. É uma empresa totalmente familiar. Queremos melhorar o plantel, investir em qualidade e aumentar a produção”, explicou Noêmia, que também produz geleias regionais.
campo grande news
INTERNACIONAL
Europa pode reduzir excedente exportável de lácteos nos próximos anos
Fim das cotas impulsionou a produção; agora, o cenário aponta estabilização e leve retração. Regulamentações ambientais e envelhecimento dos produtores estão entre os principais fatores de pressão. A redução da oferta europeia pode abrir espaço para outros exportadores no mercado global.
O cenário da oferta de leite na União Europeia passa por mudanças, impulsionado, entre outros fatores, pela estabilização da produção. A tendência e seus possíveis desdobramentos foram discutidos em um episódio recente do podcast do RaboResearch, com a participação de Michael Harvey, analista sênior de Lácteos e Bens de Consumo do Rabobank, em conversa com Tom Booijink, especialista sênior em lácteos para Europa e África. O fim do sistema de cotas, que por anos regulou a produção de leite no bloco, levou a um crescimento acelerado da oferta. “Desde o fim do sistema de cotas, todos os freios foram removidos e a produção aumentou rapidamente, especialmente no noroeste da Europa”, afirma Booijink. Segundo ele, 11 anos após o encerramento das cotas, esse crescimento começa a se estabilizar. Para os próximos cinco a dez anos, a expectativa é de um leve declínio na oferta de leite no noroeste europeu. Esse movimento pode gerar desafios para a indústria. Após o fim das cotas em 2015, muitos processadores investiram fortemente na ampliação da capacidade, prevendo aumento contínuo da oferta — o que de fato ocorreu entre 2015 e 2020. Com a estabilização atual e a perspectiva de queda gradual, Booijink avalia que parte dessa capacidade poderá ficar ociosa. Entre os fatores que sustentam a expectativa de declínio estrutural do volume de leite está o ambiente regulatório da União Europeia. De acordo com Booijink, normas ambientais relacionadas a nitrogênio, fosfato e emissões de carbono tendem a limitar a expansão da produção. Regras mais rígidas sobre descarte e produção de esterco, além da necessidade de licenças, também elevam os custos e restringem o crescimento. Outro ponto relevante é o perfil demográfico do setor. “Uma base de produtores envelhecida é outro fator importante”, destaca Booijink. Ele observa que o despovoamento em algumas regiões europeias agrava o cenário. “Na Europa Oriental, há falta de mão de obra e muita migração para as partes ocidentais da União Europeia. Por exemplo, a Bulgária perdeu 20% de sua população desde 2000, e isso afeta a disponibilidade de mão de obra e a viabilidade do setor leiteiro nessas regiões”, afirma. Segundo Booijink, a maior contração da oferta deve ocorrer nos países com regulamentações mais rígidas — justamente aqueles que mais cresceram após o fim das cotas. Holanda, Bélgica, Alemanha e Dinamarca respondem juntas por cerca de 35% a 40% da produção total de leite da Europa. No caso da França, a expectativa também é de queda, atribuída principalmente ao envelhecimento dos produtores. A redução do volume de leite tende a impactar diretamente os processadores, que precisarão ajustar sua estratégia junto aos fornecedores. Booijink aponta duas medidas centrais para manter a competitividade: fortalecer o relacionamento com os produtores, oferecendo preços competitivos, e gerir os ativos com eficiência diante da menor oferta, assegurando níveis adequados de utilização das plantas industriais. “A taxa de utilização é fundamental para o custo de produção de queijo, por exemplo”, ressalta. No mercado global, a projeção é de retração. Booijink estima que a oferta mundial de leite pode cair 5% nos próximos dez anos. “Pode não parecer muito, mas uma grande parte dos produtos lácteos europeus é exportada e, com a demanda estável e a oferta diminuindo, haverá menos excedente disponível para os mercados de exportação — portanto, com a queda de 5% na oferta de leite, isso significará que a União Europeia terá aproximadamente 40% menos equivalentes de leite disponíveis para exportação para o resto do mundo — uma lacuna da qual outras regiões podem se beneficiar”, afirma. Para Harvey, trata-se de um cenário de longo prazo, sujeito a mudanças ao longo do tempo. “Este é um cenário de longo prazo, e muita coisa pode mudar ao longo do caminho, mas acredito que a realidade é uma contração sustentada no declínio estrutural do volume de leite na Europa. Isso criará outras oportunidades para outros exportadores, um efeito de transbordamento potencial no mercado de commodities, porque é uma lacuna significativa que precisará ser preenchida”, disse.
DAIRY GLOBAL/MILKPOINT
Danone supera expectativas no 4º trimestre e prevê impacto limitado de recall
Crescimento no quarto trimestre supera previsões do mercado, enquanto recall de fórmulas deve reduzir vendas em até 1% no início do ano.
A gigante francesa do setor alimentício Danone divulgou na sexta-feira um crescimento nas vendas do quarto trimestre acima das expectativas do mercado. A companhia também afirmou que o recall generalizado de fórmulas infantis deve ter impacto modesto sobre as vendas no próximo trimestre. No quarto trimestre, o grupo registrou forte desempenho na Ásia, enquanto o crescimento nos Estados Unidos ficou abaixo do esperado. O recall de fórmulas infantis, que também afetou empresas como a Nestlé, ocorreu devido à possível contaminação com a toxina cereutida. Diante do cenário, investidores buscam avaliar a dimensão dos impactos financeiros e reputacionais para o setor. “O recall de vários participantes do setor ao mesmo tempo criou alguma perturbação nas prateleiras”, disse o diretor financeiro Juergen Esser. Segundo ele, o efeito deve ser pontual, com impacto estimado entre 0,5% e 1% nas vendas do primeiro trimestre. A Danone realizou o recolhimento de produtos em toda a Europa e no Oriente Médio. A empresa destacou que o impacto não foi significativo até o momento e informou que uma avaliação final será concluída após o encerramento dos recalls. As ações do grupo registravam queda de 1%. A companhia é considerada particularmente exposta ao recall de fórmulas infantis, já que cerca de 17% do lucro total vem desse segmento na China, enquanto, no caso da Nestlé, essa participação é inferior a 2%, segundo analistas da Jefferies. A Danone divulgou projeções para 2026 alinhadas às metas de médio prazo, que preveem crescimento comparável de vendas entre 3% e 5%, com o lucro operacional recorrente avançando em ritmo superior ao das vendas. A companhia classificou como “excepcional” o desempenho na China, Ásia do Norte e Oceania, onde as vendas cresceram 10,4% no quarto trimestre, impulsionadas principalmente pelo aumento de volumes. Ainda assim, analistas observaram que o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado. Nos Estados Unidos, o desempenho não atendeu às metas da empresa. Em 2025, as vendas da Danone totalizaram 27,28 bilhões de euros (US$ 32,07 bilhões), alta de 4,5% em relação ao ano anterior, ligeiramente acima da expectativa de 4,4% apontada por analistas em consenso fornecido pela companhia. O crescimento de 4,7% nas vendas do quarto trimestre também superou as projeções.
FORBES
ECONOMIA
Dólar fecha na menor cotação em quase 21 meses
Após oscilar abaixo dos R$5,14 no fim da manhã, o dólar se recuperou ante o real e fechou a segunda-feira praticamente estável, ainda assim na menor cotação em quase 21 meses, enquanto no exterior a moeda norte-americana cedia ante boa parte das demais divisas.
O dólar à vista fechou em leve baixa de 0,14%, aos R$5,1693, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$5,1539. No ano, a moeda acumula agora queda de 5,82%. Às 17h05, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,21% na B3, aos R$5,1750. No início da sessão, o dólar chegou a oscilar no território positivo no Brasil, com alguns investidores realizando lucros recentes, mas o movimento perdeu fôlego rapidamente, com exportadores aproveitando as cotações mais altas para vender moeda. No fim da sessão, porém, a divisa se reaproximou da estabilidade ante o real. O recuo visto mais cedo do dólar ante o real ocorreu em um ambiente de cautela dos investidores com os desdobramentos da nova ofensiva comercial do presidente dos EUA, Donald Trump. No sábado, Trump afirmou que elevará de 10% para 15% uma tarifa temporária sobre as importações dos EUA de todos os países, o nível máximo permitido por lei. Na sexta-feira, ele havia anunciado uma alíquota de 10%, após a Suprema Corte do país derrubar seu programa tarifário anterior. Na manhã da segunda-feira, Trump voltou a criticar a Suprema Corte e disse que outras tarifas podem ser usadas de forma “muito mais poderosa e desagradável”. No Brasil, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mais cedo mostrou que a mediana das projeções de economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 passou de R$5,50 para R$5,45. Já a expectativa para a taxa básica de juros Selic no fim do ano foi de 12,25% para 12,13%. No exterior, às 17h09 o dólar tinha queda de 0,28% em relação ao iene, a 154,62. Já o euro era negociado a US$1,1792, em alta de 0,10% no dia. Neste horário, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,33%, a 97,700.
Reuters
Ibovespa fecha em queda com bancos e perdas em NY após testar 191 mil pontos
O Ibovespa superou os 191 mil pontos pela primeira vez na segunda-feira, mas não sustentou o fôlego e fechou em baixa, pressionado principalmente por uma correção negativa nas ações de bancos, em pregão de perdas em Wall Street com incertezas envolvendo a política comercial dos Estados Unidos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,81%, a 188.983,22 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 191.002,54 pontos, novo recorde intradia. Na mínima, marcou 188.525,73 pontos. O volume financeiro somava R$28,9 bilhões antes dos ajustes finais.
Reuters
Fluxo de dólares abre espaço para BC não rolar de forma integral swaps cambiais e linhas
O Banco Central tem espaço para não rolar integralmente os swaps cambiais e as linhas que estão para vencer em março, reduzindo a oferta de dólares aos investidores, em função do recente fluxo positivo de recursos para o Brasil, afirmaram na segunda-feira profissionais de mercado ouvidos pela Reuters.
Dos 750.000 contratos de swap que vencem em 2 de março, o BC rolou até a última sexta-feira 725.000. Na segunda-feira, a instituição não fez operações. Mesmo sem ter completado a rolagem do vencimento de março, na última sexta-feira, por meio de nota, o BC informou que pretende iniciar a rolagem dos contratos de swap cambial programados para vencer em 1º de abril na semana que vem, no dia 4 de março. Estão programados para vencer em abril também um total de 750.000 contratos de swap, no valor de US$37,5 bilhões. No mercado, a percepção é de que o BC não rolará os 25.000 contratos restantes de março, no valor de US$1,25 bilhão, porque a liquidez está abundante, em meio ao fluxo de investimentos estrangeiros para o país. “Está havendo mais fluxo, então não tem por que o BC rolar tudo”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “E vai existir mais fluxo ainda com possíveis captações externas”, acrescentou. Na semana passada, o Tesouro Nacional captou US$4,5 bilhões no mercado internacional em papéis de 10 e 30 anos. Após operações assim, é comum que empresas também tentem acessar o mercado internacional, o que engrossa o fluxo de dólares para o Brasil. Os dados mais recentes do Banco Central mostram que no acumulado do ano até 13 de fevereiro o Brasil recebeu líquidos US$6,556 bilhões, dos quais US$6,041 bilhões pela via financeira — que abrange, entre outros itens, os aportes feitos na bolsa brasileira, que impulsionaram o Ibovespa para perto dos 190 mil pontos e pesaram sobre as cotações da moeda norte-americana. O valor restante entrou via operações comerciais. “O paradoxo é que, tradicionalmente, quando se vê um cenário de aversão a risco, isso sempre foi associado à compra do dólar. Mas desta vez estamos em um momento de incerteza em relação aos EUA”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. “Essa incerteza está escoando dinheiro para os países emergentes.” Segundo ele, o fluxo de recursos para o Brasil abre espaço para o BC não rolar todo o estoque de swaps de março, sem que haja impacto maior nas cotações. E isso também vale para as linhas — operações em que o BC vende dólares com o compromisso de recompra no futuro. Na última sexta-feira, o BC vendeu apenas US$1 bilhão de uma oferta de US$2 bilhões em leilão de linha voltado para a rolagem do vencimento de 3 de março. Estão programados para vencer nesta data um total de US$3 bilhões em linhas. O BC costuma realizar operações no mercado de câmbio quando identifica “disfuncionalidades”, como uma demanda maior por dólares em determinada época do ano, por exemplo. Quando o BC vende ao mercado contratos de swap, um tipo de derivativo cambial, o efeito é equivalente à negociação de dólares no mercado futuro — o segmento mais líquido no Brasil. Esses contratos possuem datas específicas de vencimento. Já nos leilões de linha o BC vende dólares à vista ao mercado, mas com o compromisso de recompra em uma determinada data. Tanto no caso do swap quanto no das linhas, há vencimentos programados para o início de março. Ao promover uma “rolagem”, o BC, na prática, mantém os swaps e os dólares nas mãos do mercado, com nova data de vencimento no futuro. Assim, a rolagem integral tem efeito neutro sobre a taxa de câmbio.
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Mercado aponta redução na estimativa para a Selic este ano, mostra Focus
O mercado apontou redução na perspectiva para a taxa básica de juros neste ano após oito semanas, ao mesmo tempo em que voltou a reduzir a projeção para a inflação e melhorou a perspectiva para o cenário econômico, mostrou a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira.
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a Selic ao final de 2026 foi reduzida a 12,13% na mediana das projeções, de 12,25% antes. Com a taxa atualmente em 15%, os analistas consultados mantiveram a perspectiva de início dos cortes em março, com 0,5 ponto percentual. Não houve alteração na projeção para a Selic em 2027, seguindo em 10,5%. Ao mesmo tempo, eles reduziram as contas para a alta do IPCA este ano pela sétima vez seguida, agora a 3,91%, de 3,95% na semana anterior. Para o próximo ano a projeção foi mantida em 3,80%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda alta na estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 depois de 10 semanas, a 1,82%, de 1,80%. Para o ano que vem segue expectativa de crescimento de 1,80%. Para o dólar houve ainda redução, com a moeda norte-americana sendo agora calculada a R$5,45 ao final deste ano, de R$5,50 antes.
REUTERS
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