Informativo Sindileite 75 18.02.2026

Ano 1 | nº 75 | 18 de fevereiro de 2026

NOTÍCIAS

Alta nos preços internacionais e redução das importações em janeiro abrem caminho para a recuperação do mercado de leite no Brasil

Após uma trajetória prolongada de queda nos preços ao produtor, o mercado lácteo brasileiro começa a apresentar sinais pontuais de estabilização. A alta recente dos preços internacionais das commodities, a redução das importações em janeiro (frente ao mesmo mês de 2025) e a leve reação das cotações no mercado interno, sugerem possível recomposição gradual para o produtor.

No cenário internacional, os preços do leite em pó (integral e desnatado), manteiga e muçarela registraram alta nos dados mais recentes de fevereiro. A produção mundial mostra estabilização o que tende a favorecer a recuperação do setor após um período de maior fragilidade. No Brasil, os preços spot em Minas Gerais melhoraram na segunda quinzena de janeiro, sinalizando ajuste de curto prazo entre oferta e demanda. No atacado, após quedas desde novembro nos preços do leite UHT e da muçarela, houve reação no início de fevereiro. O leite em pó fracionado manteve a tendência de alta dos últimos meses, embora ainda apresente oscilações. O spread entre o preço de importação e o valor atacadista do leite em pó integral aumentou recentemente. Contudo, o recuo recente do preço no atacado aproximou temporariamente os dois valores, reduzindo a atratividade da importação. Parte da pressão sobre os preços ao produtor em 2025 foi atribuída ao excesso de oferta interna associado ao elevado volume de importações. Em janeiro de 2026, as importações recuaram cerca de 15% frente a janeiro de 2025, movimento considerado positivo para o equilíbrio do mercado. O ambiente macroeconômico apresenta sinais favoráveis. Em 2025, a massa real de rendimentos cresceu 5,4% em relação a 2024, enquanto o número de ocupados avançou aproximadamente 1,98%. Para 2026, as expectativas indicam PIB em torno de 1,8%, inflação abaixo da meta e queda gradual da SELIC, contribuindo para um ambiente favorável ao consumo. O IPCA em janeiro, considerando os últimos 12 meses, foi divulgado em 4,4%, com o grupo Alimentação e Bebidas contribuindo para conter a inflação, especialmente pelo comportamento do leite UHT. Embora alguns derivados registraram alta, porém abaixo da média geral. No lado da demanda, observa-se migração parcial do consumo para produtos diferenciados, como lácteos com maior teor proteico e iogurtes premium, que sustentam margens mais elevadas. Por outro lado, nos itens de grande volume, como leite UHT e muçarela, nota-se uma maior participação do varejo do preço final, com redução relativa da indústria e do produtor. Essa compressão de margens para estes elos da cadeia, tem gerado dificuldades estruturais, incluindo fechamento de plantas e ajustes produtivos. Já o custo de produção do leite acumula alta de 523% desde 2006. No mês de janeiro, a variação foi de 1,6%, influenciada pelo grupo mão de obra, consequência do reajuste do salário-mínimo; no acumulado de 12 meses, a alta é de 1,4%. Entre os insumos da ração, o milho permanece lateralizado, enquanto a soja apresentou estabilização, após elevação a partir de outubro. O mercado começa 2026 com alguns sinais de melhora. Mas a consolidação dessa recuperação ainda depende do comportamento da oferta interna, do câmbio e de como as margens vão se ajustar ao longo da cadeia. A concentração do varejo, a situação financeira da indústria e a evolução dos custos seguem como pontos de atenção. Os próximos meses serão importantes para entender se a reação recente dos preços ao produtor vai, de fato, se sustentar ao longo do ano.

Centro de Inteligência do Leite (CILeite/Embrapa)

Mercado do Leite: atualização de preços quinzenal 13/02/26

Na primeira quinzena de fevereiro, o preço médio nacional do leite spot foi de R$ 2,269 por litro, registrando um avanço de R$ 0,20 em relação à quinzena anterior, segundo dados do MilkPoint Mercado.

O 397º leilão da plataforma Global Dairy Trade, realizado no dia 03 de fevereiro, apresentou um movimento de novas e expressivas altas, reforçando o processo de recuperação dos preços internacionais de lácteos. Em meio à valorização generalizada entre os produtos negociados, o preço médio dos lácteos comercializados (price index) registrou forte avanço de 6,7%, atingindo USD 3.830/tonelada. O leite UHT apresentou nova alta na quinzena. Mesmo com vendas ainda abaixo do ritmo desejado, os players seguem tentando sustentar preços mais firmes, com expectativa de melhor escoamento. Diante desse cenário, os preços reagiram e seguiram apresentando ajustes positivos, na média São Paulo o avanço foi de R$0,08/litro, fechando a média em R$ 3,52/litro. Muçarela – a muçarela voltou a registrar reajustes positivos. As indústrias seguem buscando preços mais firmes, mesmo com o volume de vendas mais baixo. O saldo da semana foi de alta em todos os estados avaliados, em São Paulo a média foi de R$ 26,1/kg. Leite em Pó – Apesar dos relatos de dificuldade nas vendas, os players seguem conseguindo aplicar pequenos reajustes positivos semana após semana. O leite em pó desnatado permaneceu estável, enquanto o integral e o fracionado apresentaram maior procura, com ajustes positivos mais prevalentes, fechando em R$ 23,8 e R$ 29,2 respectivamente. Oferta – A produção ainda se mantém elevada, sustentando um mercado bem abastecido. No entanto, o período de entressafra já começa a se aproximar, o que pode reduzir gradualmente a disponibilidade de leite e diminuir a pressão da oferta nas próximas semanas. No varejo, os preços vêm registrando deflação, o que tende a estimular o consumo e pode fortalecer a demanda por lácteos. Com produtos mais baratos ao consumidor, abre-se espaço para uma melhora na saída e para maior sustentação dos preços ao longo do período.

MILK POINT

PESQUISA

Leite brasileiro surpreende o mundo ao emitir menos da metade dos gases de efeito estufa

Estudo da USP e da Embrapa Gado de Leite mostra que a pecuária leiteira nacional combina produtividade, tecnologia e manejo eficiente para reduzir a pegada de carbono no leite brasileiro — resultado que pode fortalecer a competitividade do Brasil no mercado global.

A pecuária leiteira brasileira começa a ganhar ainda mais relevância no debate internacional sobre sustentabilidade. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Embrapa Gado de Leite revela que o leite brasileiro produzido apresenta uma pegada de carbono significativamente menor do que a média mundial, evidenciando avanços técnicos e produtivos que reposicionam o setor como parte da solução climática — e não do problema. De acordo com a pesquisa, a produção nacional emite cerca de 1,19 kg de CO₂ equivalente por quilo de leite, enquanto a média global chega a aproximadamente 2,5 kg de CO₂eq por quilo, mais que o dobro. O levantamento analisou 28 fazendas distribuídas em sete estados, reunindo dados de 24,3 mil animais responsáveis por uma produção anual de 162,1 milhões de litros, volume que representa cerca de 0,45% da produção brasileira. Para garantir comparabilidade internacional, os pesquisadores utilizaram o cálculo do leite corrigido para gordura e proteína, metodologia amplamente adotada em estudos globais. Eficiência produtiva é o principal motor da baixa emissão O estudo aponta que a variável mais determinante para reduzir emissões é a produtividade animal. Quanto maior a produção por vaca, menor tende a ser a emissão por litro, já que o impacto ambiental total é diluído em um volume maior de leite. Propriedades com produtividade superior a 25 litros por vaca ao dia registraram pegada média de 0,9 kg de CO₂eq por quilo de leite — cerca de 25% abaixo da média nacional. Esse resultado confirma uma tendência clara na pecuária moderna: sistemas tecnificados e eficientes são também mais sustentáveis. Especialistas destacam que o desempenho ambiental positivo não é fruto de um único fator, mas da combinação de várias estratégias produtivas: ✔ Genética e nutrição aprimoradas – Melhoramento genético aliado a dietas mais precisas eleva a produtividade e reduz a intensidade de emissões. ✔ Manejo de pastagens – Pastos bem manejados podem atuar como sumidouros de carbono, ajudando a compensar parte das emissões geradas pelos animais. ✔ Modelagem nutricional – Ferramentas modernas permitem formular dietas capazes de reduzir a produção de metano entérico. ✔ Gestão de resíduos – O manejo adequado dos dejetos também contribui para mitigar impactos ambientais ao longo da cadeia produtiva. A análise considerou todas as etapas do processo — da produção dos grãos usados na ração até o tratamento dos resíduos — por meio da metodologia conhecida como Análise de Ciclo de Vida (ACV). Mesmo com avanços, a pesquisa mostra onde estão os principais desafios do setor: 47% das emissões vêm da fermentação entérica, processo digestivo natural dos ruminantes; 36,8% estão ligadas à produção de alimentos para ração; 8,1% são provenientes do manejo de dejetos. Segundo Vanessa de Paula, analista da Embrapa Gado de Leite, mensurar as emissões com precisão permite que produtores adotem práticas baseadas em ciência para aumentar a eficiência, reduzir a pegada de carbono e melhorar a competitividade do setor. O levantamento também identificou variações importantes entre biomas brasileiros. O Pampa apresentou a menor pegada média (0,99 kg de CO₂eq/kg de leite), seguido por Cerrado (1,12 kg), Mata Atlântica (1,19 kg) e Caatinga (1,5 kg). Os dados reforçam que há espaço para ganhos adicionais de eficiência, especialmente com a difusão de tecnologia e boas práticas nas regiões com índices mais elevados. Além do impacto ambiental positivo, o estudo indica que a eficiência da pecuária leiteira brasileira pode influenciar debates globais sobre agricultura e clima, fortalecendo a imagem do país como produtor sustentável. Na prática, isso abre portas para maior atração de investimentos ligados à agenda ESG; fortalecimento da posição brasileira em negociações internacionais; estímulo à adoção de tecnologias de baixo carbono; ampliação da competitividade nas exportações. Pesquisadores destacam ainda que o país tem potencial para se tornar referência mundial em práticas agropecuárias ecológicas, desde que continue monitorando indicadores e investindo em inovação. Em um cenário global cada vez mais pressionado pela redução das emissões, a pecuária leiteira nacional mostra que produtividade e sustentabilidade podem caminhar juntas. Os resultados reforçam uma mudança importante na narrativa do setor: quando baseada em ciência, tecnologia e gestão eficiente, a produção animal pode ser parte estratégica da transição para uma economia de baixo carbono.

COMPRE RURAL

Queijo pode reduzir o risco de demência? Veja o que diz a ciência

Pesquisa sueca acompanhou quase 28 mil participantes por 25 anos e avaliou o impacto do consumo de queijo na saúde cognitiva

Queijo reúne proteínas, cálcio, vitamina B12 e compostos resultantes da fermentação. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, analisou a relação entre consumo de queijo e risco de demência ao longo de 25 anos. A pesquisa acompanhou cerca de 28 mil adultos e identificou que os participantes que consumiam maiores quantidades de queijo integral apresentaram um risco 13% menor de desenvolver demência em comparação aos que ingeriam menos o alimento. Os dados mostram que participantes com maior consumo de queijo apresentaram risco 13% menor de desenvolver a doença, em comparação com aqueles que ingeriam menos o alimento. Os pesquisadores ressaltam que o levantamento identifica uma correlação, mas não permite afirmar que o consumo de queijo seja a causa direta dessa redução. Por se tratar de um estudo observacional, a pesquisa acompanha hábitos alimentares e desfechos de saúde ao longo do tempo, sem intervenção direta. Esse modelo permite identificar relações entre fatores, mas não comprova efeito causal, considerando que pessoas que consomem mais queijo podem apresentar outros comportamentos associados à saúde, como padrões alimentares distintos, níveis diferentes de atividade física, rotinas de sono e condições socioeconômicas, fatores que também influenciam o risco de demência. Outro ponto considerado no estudo é a presença do gene APOE e4, principal fator genético associado ao risco de Alzheimer. A associação entre consumo de queijo e menor risco de demência foi observada apenas em participantes que não carregam esse gene. Do ponto de vista nutricional, o queijo reúne proteínas, cálcio, vitamina B12 e compostos resultantes da fermentação, que vêm sendo estudados por seu possível papel na saúde intestinal. Pesquisas recentes indicam que o equilíbrio da microbiota pode influenciar processos inflamatórios e funções neurológicas, embora essa relação ainda esteja em investigação. Na Suécia, o consumo de queijo faz parte da rotina alimentar. Dados oficiais do governo sueco mostram que a ingestão per capita do produto atingiu cerca de 21 quilos por pessoa ao ano em 2024, um aumento de aproximadamente 50% em relação aos anos 1980. No Brasil, o consumo é menor, estimado em cerca de 6 quilos por habitante ao ano, segundo dados da Embrapa e da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ), mas vem crescendo.

GLOBO RURAL

NACIONAL

Agrônomo volta às raízes para produzir queijo agroecológico na Serra da Canastra

Produtor investiu em manejo regenerativo e bem-estar animal na propriedade da família

Durante a pandemia, Vinícius Soares, formado na Universidade de Viçosa, trocou a carreira de engenheiro-agrônomo em grandes indústrias de laticínios como Danone e Itambé pela de produtor de queijo Canastra de forma artesanal e sustentável em sua cidade natal de Piumhi, na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Na área de 25 hectares da propriedade da família, 44% estão preservados com mata nativa. No restante, ele implantou um sistema de manejo regenerativo que integra pastagem, agrofloresta e bem-estar animal das vacas leiteiras. “A proposta é melhorar o ambiente onde estamos inseridos, beneficiando as futuras gerações”, disse ele em nota do Sebrae Minas, que o auxiliou na criação e gestão da marca da queijaria. Ele diz que passou por um processo de amadurecimento pessoal e profissional que o motivou a deixar a carreira estável e com bom salário, para voltar às suas origens e se dedicar integralmente ao projeto da queijaria no sítio da família. “Estar perto dos meus pais e poder almoçar com minha filha tem muito valor. Ver o que construímos até aqui é muito gratificante.” A experiência profissional em grandes empresas contribuiu para ele investir na qualidade do produto, que segue receita de sua avó. Os queijos que levam a marca Faz o Bem são produzidos com leite cru e fermento natural, permitindo a degradação natural da lactose durante a maturação, o que resulta em produtos zero lactose. Além disso, a propriedade possui o Selo Queijo Artesanal, que autoriza a comercialização do produto em todo o território nacional. Na propriedade, Soares não utiliza agrotóxico no pasto, nem medicamentos químicos nos animais. O manejo é agroecológico, com práticas regenerativas que buscam melhorar o solo, a água, a biodiversidade e o microclima da área. O produtor adotou o sistema silvipastoril intensivo, que integra árvores, pastagem e gado na mesma área. São 3,4 hectares de pastagem rotacionada com árvores, arbustos, leguminosas e gramíneas. A flor margaridão ou girassol mexicano, uma das espécies plantadas no sítio, tem 20% de proteína nas folhas, o que eleva a diversidade da alimentação das vacas criadas soltas. Com as 800 árvores já plantadas na área, ele acredita que, em cinco ou dez anos, produzirá queijo debaixo de uma floresta. Por três anos, Soares produziu o primeiro queijo Canastra com certificação orgânica. O selo foi concedido pelo Instituto de Biodinâmica (IBD), certificadora registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em novembro do ano passado, ele decidiu desistir do selo, embora tenha seguido com o manejo agroecológico e regenerativo, porque observou que as restrições de insumos impactavam diretamente no desempenho do rebanho. “A produção estava ficando inviável. Não podíamos usar milho e soja transgênicos. As vacas produziam em torno de 8,5 a 9 litros por dia. Quando deixamos o orgânico, essa média subiu para 14 litros por vaca/dia”, explica. Em 2022, a Faz o Bem levou medalhas de prata e bronze no Mundial do Queijo do Brasil. Em setembro do ano passado, ficou em segundo lugar na categoria Queijos de Casca Florida Natural (presença de mofo branco na casca), no 18º Concurso de Queijos Artesanais de Minas Gerais. A produção das vacas mestiças é de cerca de 80 litros de leite. A venda dos queijos é feita via Instagram, Facebook e Whatsapp. Soares não pensa em aumentar sua produção. Seu objetivo é consolidar a queijaria como referência em impacto ambiental positivo, bem-estar animal e inspiração para outros produtores.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar pode ter uma trégua após quatro meses de queda

O dólar deve ter uma pequena recuperação após quatro meses de queda, à medida que o cenário político e econômico se torna favorável e alguns analistas de mercado passam a ter uma visão otimista em relação à moeda.

A pressão sobre a moeda norte-americana por uma série de fatores, como a valorização do euro, expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve e a incerteza causada pelas políticas comerciais e fiscais do presidente Donald Trump, diminuiu por enquanto, segundo analistas. Enquanto isso, a melhora das perspectivas de crescimento dos EUA e da confiança das empresas, a demanda sustentada de investidores estrangeiros por ações e títulos norte-americanos e expectativas de que Trump será menos agressivo nas eleições de meio de mandato deste ano estão criando ventos favoráveis ao dólar. O índice do dólar, que mede seu valor em relação às moedas de seis de seus parceiros comerciais, permaneceu abaixo de 100 desde novembro, caiu 6,7% desde o Dia da Libertação e atingiu o menor nível em quatro anos em janeiro. As maiores perdas do dólar este ano foram em relação ao dólar australiano, mas ele também caiu em relação ao iene japonês. Uma reversão do dólar poderia causar um efeito cascata nos mercados globais, afetando fluxos comerciais, lucros das multinacionais e estratégias de investimento de trilhões de dólares em capital transfronteiriço. Após meses de perdas, uma reviravolta também aliviaria a pressão sobre as moedas dos mercados emergentes e alteraria os cálculos de “hedge” (proteção) para os investidores em todo o mundo. “Somos otimistas em relação ao dólar em um mundo de pessimistas em relação ao dólar no momento”, disse Dan Tobon, chefe de estratégia cambial do G10 no Citi em Nova York. Tobon prevê que o dólar se fortaleça pelo menos até o terceiro trimestre deste ano, principalmente em relação ao euro, ao dólar canadense e à libra esterlina, mesmo que seja pressionado por fatores como a cobertura de exposições ao dólar por investidores estrangeiros e a ameaça à independência do Fed por parte do governo Trump. Uma administração Trump mais focada no crescimento e menos volátil politicamente antes das eleições de meio de mandato será um apoio adicional, disse Tobon. “Acreditamos que o otimismo voltará um pouco. Todas essas coisas juntas, em nossa opinião, devem ser bastante positivas para o dólar.” Jane Foley, chefe de estratégia cambial do Rabobank em Londres, acredita que grande parte do sentimento negativo já está precificado no dólar, e a força relativa do consumidor norte-americano está atraindo investimentos para o país. Analistas do J.P.Morgan e do BofA não estão tão convencidos de que o dólar possa se fortalecer muito. Francesca Fornasari, chefe de moedas da Insight Investment, também não está afirmando que as percepções sobre como o governo dos EUA vê as moedas mudaram nos últimos dias. “Estamos em um ambiente em que o governo gostaria de ter um dólar mais fraco”, disse Fornasari. “Acreditamos que o dólar continuará a se desvalorizar ao longo do ano.”

REUTERS

Dólar subiu ante o real com busca por proteção antes do Carnaval

O dólar fechou a sexta-feira em alta ante o real, com parte do mercado buscando proteção antes do feriado prolongado de Carnaval, enquanto no exterior a divisa não exibia um sinal único ante as demais moedas de emergentes no fim da tarde de sexta

O dólar à vista fechou a sessão com alta de 0,60%, aos R$5,2306. Na semana, a divisa acumulou elevação de 0,21% e, no ano, baixa de 4,71%. Às 17h04, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,25% na B3, aos R$5,2415. A moeda norte-americana oscilou em alta ante o real durante toda a sessão, em meio à tradicional busca por hedge (proteção) no dólar antes de feriados prolongados. No início do dia, o avanço do dólar no exterior também dava suporte às cotações no Brasil, que só perderam força momentaneamente após a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos. O Departamento do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,2% em janeiro, após alta não revisada de 0,3% em dezembro. O resultado ficou levemente abaixo da projeção de economistas consultados pela Reuters, de aumento de 0,3%. Após os números, os rendimentos dos Treasuries passaram a cair, com o CPI reforçando as apostas de que o Federal Reserve irá realizar este ano pelo menos duas reduções da taxa de juros, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%. O dólar também perdeu força, marcando a cotação mínima de R$5,2044 (+0,10%) às 10h30 — exatamente após a divulgação do CPI. No entanto, a moeda recuperou força na sequência e renovou máximas ainda pela manhã, em meio às compras antes do Carnaval. O avanço do dólar ante o real estava em sintonia com a alta da moeda norte-americana ante divisas como o peso chileno e a rupia indiana, mas por outro lado a divisa dos EUA cedia ante o peso colombiano e o peso mexicano. Em relação às divisas fortes, às 17h10 o índice do dólar esteva praticamente estável, em queda de 0,01%, a 96,919.  Como a segunda-feira foi feriado do Dia do Presidente nos EUA, a liquidez do mercado global de moedas tendeu a ser reduzida. No Brasil, em função do período de Carnaval, os negócios com moedas voltarão a ocorrer apenas nesta quarta-feira, com o dólar futuro sendo negociado na B3 a partir de 13h.

REUTERS

Ibovespa fechou em queda com realização de lucros antes do Carnaval

O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, com agentes financeiros embolsando lucros e reduzindo a exposição na bolsa paulista antes do fim de semana prolongado pelo Carnaval, enquanto Eneva disparou após o governo elevar os preços-teto dos leilões de potência do setor elétrico.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,78%, a 186.293,15 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 187.765,82 pontos na máxima e 183.662,18 pontos na mínima. Na semana, ainda subiu 1,83%, acumulando alta de 2,72% em fevereiro e de 15,62% em 2026. O volume financeiro na sexta-feira somou R$30,7 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

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